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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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UM CASO INSÓLITO

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Este é um caso de tal forma insólito que até parece mentira! É verdade! Todavia, penso que é caso para admirar e, assim, animar as discussões de café no preciso instante em que passo a divulgá-lo, em primeiríssima mão, e é para já antes que se me varra!

Afinal, o caso não é para menos, dado que é caso raro, pois não abundam por aí casos como este, dada a sua singularidade (lógico, senão deixava de ser raro, valha-te Deus!).

Aconteceu outro dia, à luz do dia (imagine-se), na Rua do Ouro: Um cliente de um conhecido banco foi assaltado à mão desarmada, em plena via ourinária, pelo cofre forte do referido banco que, por acaso, não foi referido.
O meliante, não obstante o peso excessivo e a consequente dificuldade em andar, pôs-se rapidamente em fuga, após o furto das poupanças que o cliente transportava numa mala, as quais, como mais tarde referiu à autoridade, havia levantado até ao último tostão. Este último (não o tostão, mas o cliente), sem razão aparente, ficou atónito e, simultaneamente, estupefacto com a bizarra ocorrência. Pudera, até eu, mesmo sem razão aparente! Mas, do mal o menos porque não houve mortos e feridos e, mesmo que houvesse, alguém havia de escapar, como comummente se diz. Até porque, como se constatou à vista desarmada, o assaltante também agiu desarmado.
O cofre forte viu-se imediatamente perseguido por, nada mais, nada menos que duas polícias montadas (não confundir com o caso da Polícia Montada em canadianas, outra situação insólita e badalada que deixou muita gente perturbada) em bicicletas que, por feliz circunstância, faziam uma ronda pela artéria áurea (não confundir com a artéria aorta que vai dar à horta).
Já a noite ia alta, dir-se-ia que muito próxima do meio-dia seguinte ao assalto, quando foram finalmente capturados e presos preventivamente, a vítima do assalto, o cofre forte e as polícias, depois de devidamente desmontadas, estas por envolvimento emocional com o infractor.
Após a detenção foram mandados despir, a vítima do assalto e as polícias desmontadas (o cofre foi dispensado por uma questão de decoro) e, através dos métodos habituais, utilizados em casos idênticos: identificação documental e impressão genital (não confundir com impressão digital que é um método completamente diferente), constataram que o cliente do banco era do sexo feminino.
Somente o cofre ficou a aguardar julgamento em liberdade, sendo dispensado de apresentações regulares na esquadra da sua área de residência, devido à sua manifesta dificuldade de locomoção.
Mais tarde, apresentados ao tribunal da comarca, entendeu o juiz que o cofre forte do referido banco que, por acaso, não foi referido, era um caso com muito peso e, na circunstância, alegou não ter competência para o julgar, pelo que o processo seguiu os trâmites legais para um tribunal arbitral, por acordo entre as partes, com o auxílio prestimoso de duas gruas que se dirigiram, diligentemente, ao local.
Com respeito à pena aplicada às polícias montadas, dado o carácter "nimiamente emocional e obsessivo" do seu envolvimento com o cofre - segundo as palavras do juiz de primeira instância - , ficaram proibidas de contactar o arguido durante um mês. Esperava-se uma pena mais pesada, em face do acto irreflectido das polícias montadas, mas o magistrado foi um bocadinho complacente. De tal modo que, também ele, se deixou emocionar até às lágrimas com o relato comovente das agentes da autoridade, quando estas irromperam num pranto capaz de abalar a justiça mais cega; e em boa justiça o fez. No meio de alguns sem coração ou até com pêlos no coração, ainda há juízes com o coração mole, graças a Deus.
Entretanto, sem acórdão do tribunal arbitral à vista, o Ministério Público está hesitante em relação à pena a aplicar ao cofre forte do referido banco que, por acaso não foi referido, porque, sendo o infractor useiro e vezeiro neste tipo de atentados às bolsas dos depositantes, adquiriu uma grande dose de impunidade e, consequentemente, alguma imunidade judicial.
Relativamente ao grau de gravidade da pena aplicada ao cliente (perdão, à cliente), por ter levantado todo o dinheiro, é considerada, praticamente, uma pena com grau de gravidade muito elevado, pelo que deverá perder a esperança de obter algum retorno proveniente de depósitos futuros, de qualquer outra entidade bancária, convidativo à sua manutenção.
Em face destas perspectivas, nada animadoras, o procurador do MP sugeriu que a senhora guardasse o dinheiro debaixo do colchão e rezasse a todos os santinhos para não ser, novamente, roubada...

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