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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

SEXO NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA

sexo na antiguidade clássica.jpg

Os gregos foram, realmente, uns liberais, como os historiadores os pintam?

É plausível pensar-se que os romanos praticavam relações eurogenitais muito antes da criação da Zona Euro?

E todas as conjecturas que se têm feito acerca dos hábitos necrófilos dos egípcios? Têm, efectivamente, algum fundamento?

É quase risível aceitar a ideia de que os hunos cuspiam para o ar quando copulavam. Será que o faziam?

 

Regressado a um tema que me apraz, sobremaneira, escolhi estas quatro incertezas históricas ligadas a sociedades da antiguidade clássica que julgo representativas de civilizações que foram influentes em vários patamares da evolução humana e que me pareceram pertinentes, sem embargo do estilo fabulístico da narrativa. Julgo que este conjunto de povos ajudou a moldar os nossos costumes numa área que ainda consideramos restrita ou tabu.
Quanto às consultas que efectuei, é facto que pecaram por escassas, mas tenho a meu favor um álibi: é o medo, quase patológico, de frequentar bibliotecas por causa do cheiro intenso a lignina. Associado a esse medo vem a minha preguiça em folhear livros, com a agravante de ter uma rinite alérgica crónica. Já para não dizer do sacrifício que é botar cuspo nas pontas dos dedos. Isto, apesar da extensa bibliografia que podia percorrer, não fosse a indolência mental inata, aliada ao enorme esforço intelectual que teria de fazer. Assim, escolhi a Internet porque vem tudo condensado e, por conseguinte, é menos cansativo.

Por outro lado, também podia pesquisar em revistas da especialidade. Contudo, seria indigno se o fizesse porque, por exemplo, a Penthouse estava a milénios de existir em Atenas; a Playboy ainda não era vendida no Cairo; a Lui só apareceu nos quiosques de Roma depois de Cristo e os hunos, esses intratáveis broncos, supõe-se que liam revistas pornográficas dinamarquesas para conseguirem ter erecções. Isto porque as suas mulheres eram, supostamente, muito feias e gordas.
No entanto, pelo que me foi dado a ler, a conclusão a que cheguei, após análise exaustiva às práticas sexuais destas quatro civilizações, é que não diferiram substancialmente umas das outras e uma coisa é certa: os antigos já eram danados para a brincadeira, nomeadamente os romanos, a ponto de a internacionalizarem, com a introdução dos efémeros jogos sem fronteiras em que valia tudo menos tirar olhos. Muito mais tarde, os gregos seguiram-lhes as pisadas e introduziram uma variante desses jogos: as Olimpíadas do Sexo que duraram um ano bissexto.


Numa dada passagem, na Wikipédia, li algo que me despertou a atenção: Júlio César, como romano que era, também tinha gostos fora do vulgar: por exemplo, adorava comer baguinhos de uvas moscatel de Setúbal enquanto uma escrava lhe afagava a virilha direita. Todavia, fica-se sem saber se JC apreciava mais os baguinhos de uvas moscatel de Setúbal ou os afagos na virilha direita, mas isso também é irrelevante para a história; foi somente um aparte, peço desculpa.
E que dizer sobre o nariz de Cleópatra acerca do qual já escrevi? É consabido que Marco António tinha uma atracção compulsiva por aquela bela protuberância carregada de sensualidade...


Já um huno feio e peludo, completamente nu, devia ser uma visão desagradável, não? E uma múmia egípcia (não confundir com a famigerada "múmia paralítica" portuguesa) com cuequinhas de renda? Valha-nos Deus!...
Mas, tentemos botar um pouco de ordem neste texto eivado de reticências e referências dúbias ao comportamento sexual dos nossos ascendentes remotos e prossigamos, senão divago como é meu hábito.


No que diz respeito às relações amorosas desta gente, pelo pouco que pesquisei, julgo que os gregos eram, efectivamente, muito liberais. Basta mencionar Afrodite, sem esquecer, inevitavelmente, Eros, Anteros, Himeros e Pothos, os seus quatro filhos alados, uns Erotes que não negavam a sua proveniência divina. E é claro, Apolo que, para além de belo, também tocava lira para deleite dos cavalos de Eumelo (consta que Eumelo tinha ciúmes dos cavalos) e de Homero que o citou, apaixonadamente, na Ilíada. 

Finalmente, Paralellepípedon. Não tenho palavras para o descrever, tão rica e vasta é a sua obra a propósito da arte do sexo. De tal modo que Catherine Millet se baseou nela para escrever o seu polémico romance, hipoteticamente, auto-biográfico, "A Vida Sexual de Catherine M.".
Porém, os costumes sexuais variavam muito de cidade para cidade. Os espartanos, por exemplo, não queriam misturas, pois odiavam a concupiscência, a luxúria e eram atreitos a tibiezas; uns cinzentões do caraças! Por via disso, os rapazes eram enviados para escolas especiais, chamadas Androceus e as raparigas para os Gineceus. Pensa-se que Salazar teria copiado a ideia, muito mais tarde, criando escolas masculinas e femininas (outro aparte, peço desculpa).
Segundo alguns estudiosos das ciências comportamentais, estas medidas favoreceram a emergência da homossexualidade. Contudo, não fizeram com que a Grécia desaparecesse como civilização. Aliás, há teorias que revelam que esta separação dos géneros até foi benéfica, mas não me perguntem porquê e para quem!

Consta que um espartano, ginecófobo obsessivo, cujo nome foi apagado da história (terá existido?), decidiu formar-se em medicina como forma de contrariar tal fobia. Para tal, leu o  "Corpus hippocraticum" do Hipócrates (obviamente) e os estudos do Alfred Kinsey (não tão óbvio).

Sagaz, o rapaz, embora muito reservado, especializou-se em fisiologia e patologia dos órgãos sexuais femininos, para o que teve que percorrer vários Gineceus de Esparta, onde examinou com minúcia, como convinha, todas as raparigas. Terá sido deste modo que nasceu a Ginecologia. Não se sabe, ao certo, se o espartano ficou curado desse temor mórbido ao sexo feminino...


Em Atenas, as coisas eram mais tipo tudo ao molho e fé nos deuses do Olimpo. Gente de ambos os sexos, da mais nova até à mais velha, juntava-se à noitinha, junto à Acrópole, e dedicava-se a uma senda de promiscuidade sexual que faria corar Afrodite, se Ela tivesse, com efeito, existido. As colunas da Acrópole estavam pejadas de grafítis obscenos e no chão podia-se tropeçar nos mais variados objectos, utilizados na estimulação sexual, e até escorregar nos fluidos corporais! Isto, contado, ninguém acredita...

É claro que a autarquia ateniense encarregava-se de limpar tudo pela manhãzinha para estar tudo limpinho e pronto para o recomeço, na soirée seguinte. Era uma perversão total da moral e dos bons costumes, nunca vista nem imaginada. Um século mais tarde, os gregos viram-se gregos para erradicarem estes costumes dissolutos da sociedade. Até tiveram que pedir ajuda aos troianos, mandando vir o cavalo de Troika e tudo, imagine-se!...


Em relação aos egípcios, não pesquei grande coisa a não ser que tinham procedimentos assaz estranhos: andavam sempre de lado e a sua caligrafia era difícil de entender. Além disso era uma escrita papirosa c'mo catano! Demais a mais, construiram pirâmides com o bico para cima e não se livraram da fama de terem sido necrófilos, embora, como referi, só subsistam indícios. Contudo, o culto pelos mortos, deste povo singular, alimenta-nos a suspeita de que o prazer sexual obtinha-se à custa da profanação de cadáveres, preferencialmente múmias...


Os romanos, a par dos gregos, eram muito sofisticados. Diga-se de passagem que foram eles os verdadeiros precursores das orgias e dos bacanais, onde se comia, bebia e fazia-se sexo a torto e a direito, enquanto as legiões oprimiam os povos, como certamente, não constitui novidade. Afora isso, os romanos também não jogavam com o baralho todo. Exemplo dessa falta de cartas, era o facto de obterem prazer sexual à custa dos pobres cristãos que sacrificavam às feras ou dos gladiadores que se decepavam mutuamente nas arenas enquanto a populaça ululava de prazer. Um espectáculo triste e bárbaro que ainda hoje se repercute nas arenas de Portugal. A reacção é a mesma: é ver centenas de "aficionados" a exprimirem esgares de prazer sexual, quiçá orgasmos, enquanto assistem ao martírio de um animal acossado e a sangrar abundantemente. Mas, continuemos senão disperso-me novamente e não é meu fito, por hoje, escrever sobre um dos mais vergonhosos sortilégios perpetrados contra animais; com a agravante de fazerem parte da "tradição cultural" de um país...
Os romanos tinham fetiches muito excêntricos porque não havia mais nada para fazer em Roma a não ser cultivar a mandriice e o deboche; o trabalho era para os escravos.

Para não amolecerem com excesso de lazer, inventaram as guerras, indo travá-las para além das suas fronteiras. Aí, vinham ao de cima formas imaginosas e bizarras de não adormecerem durante os confrontos. Faço aqui uma referência, bem a propósito, às Guerras Púnicas, que foram três e julgo que duraram cem anos, mais coisa menos coisa. Eram umas guerras muito recreativas, em que romanos e cartagineses rasgavam as suas túnicas e ali, no campo de batalha, praticavam sexo puro e duro para gáudio e volúpia dos generais romanos, entre os quais destaco um legado chamado Gaudêncio Jacinto Prazeres das Dores que mandava punir (daí o carácter punitivo das Guerras Púnicas) imediatamente, por castração, o legionário que não consumasse o acto durante a "peleja". Ora, como é consabido, isso levou à queda do Império Romano porque, ao fim dos tais cem anos, o paradigma "em Roma sê romano" deu lugar ao paradigma "em Roma sê eunuco".

Naturalmente que, pela lógica, só lhes restavam as relações eurogenitais, mas, até hoje, associá-las a uma fase anterior à criação da Zona Euro, não passa de uma adução que até pode ser falsa...


Finalmente, os hunos. Que dizer dos hábitos sexuais desses bárbaros eurasiáticos, semi-analfabetos, capitaneados por Átila, um brutamontes que, curiosamente, só sabia contar até dez e com grande dificuldade?
Uma coisa parece ser certa: as hunas eram férteis à brava! Tão férteis que, diziam as línguas viperinas das sogras, eram capazes de engravidar só pelo cheiro ou seja: o huno aproximava-se da huna, cheirava-a e, caso não lhe cheirasse a chamusco, era tiro e queda.

Todavia, como referi, eram, presumivelmente, feias e gordas e isso exigia, para além de um excelente olfacto, uma grande dose de imaginação e muito estímulo por parte delas porque os gajos não tinham maneiras nenhumas. E era, em parte, por via desses estímulos, não se sabendo de que tipo, que ficavam prenhes e pariam às ninhadas.

Só assim foi possível criarem as famosas hordas de que se serviam para invadirem outros territórios.
Ainda assim, após pesquisa apurada e bastante aturada, não ficou apurado, tampouco provado, que os hunos cuspiam para o ar quando faziam sexo. É tudo o que posso afirmar a pés juntos e até, mesmo, ao pé coxinho.
Com isto, espero ter contribuído, mais uma vez, e reitero, sem fins lucrativos, para um maior conhecimento dos hábitos e costumes dos nossos ancestrais.

 

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL DA EQUIPA DA REDACÇÃO

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NPL: «Olá a todos. Escrevo esta cartinha em tom de desabafo porque não suporto mais esta situação ambígua; é só por isso e não é pouco! Passo a explicar:

No início do nosso casamento corria tudo às mil maravilhas e agora a minha vida ficou de pernas para o ar porque sinto que ele me está a passar a perna.

Instalámo-nos na nossa zona de conforto sem grande dificuldade, não tendo sido necessária, por isso, a ajuda dos papás. O meu marido, embora nunca tivesse recebido um Prémio Pulitzer, era um distinto jornalista. Não ganhava por aí além, mas dava para nos sustentar e havia muito amor. Além disso, o Eládio cumpria exemplarmente com as suas obrigações conjugais e, se necessário fosse, até se superava. Só que, desde há um tempo para cá, passou a trazer a secretária para casa ao fim do dia e faz-me passar vergonhas, sei lá; até parece que mudou de personalidade. Suspeito que já não é o meu Eládio, que mora naquele corpo, credo!

A vizinhança cochicha, e com razão, porque é todos os dias a mesma barulheira a subir e a descer as escadas; já para não falar nas paredes todas esmurradas! Inclusive, a dona Isaltina do rés do chão já me disse que ia fazer queixa à polícia se a pouca vergonha continuasse e não vejo jeito de a parar.

Também sei, por portas e travessas, que o chefe da redacção desconfia que o Eládio anda com a sua secretária. Até a mamã, que não gosta de meter a colher, já jurou a pé firme (a mamã desfez-se do outro que era muito chato) que nunca mais põe o pé cá em casa. "Nem ao pé coxinho!" - garante e insiste, batendo o pé sem o arredar. Pela minha parte tenho tido uma paciência de Job, mas começo a perdê-la!...

Até há noites em que o Eládio chega ao cúmulo de trazer a secretária para a cama e dorme abraçado a ela com uma perna às costas; é inacreditável! Olhem, só visto! O que mais me choca é que fico sem reacção, feita parva, a assistir. Está bem que a cama é daquelas larguíssimas e, por conseguinte, dá para os três, mas não deixa de ser esquisito!

Não sei o que hei-de fazer; estou completamente desesperada! Todavia, os meus amigos dizem-me que nem sequer é razão para divórcio, imaginem! No entanto, gostava de saber a vossa opinião.

Em abono da verdade, posso adiantar que a secretária até nem tem um volume por aí além: tem a estrutura em ferro, tampo em fórmica, duas gavetas em cada lado e pesa aproximadamente sessenta quilos mas, mesmo assim, é uma situação desconfortável. Por favor, ajudem-me!»

Natércia Pá Lopes

 

ER: «Muito fácil, Pá! Já que a cama é grande, seja ciosa e meta lá uma cadeira giratória com rodas e um desktop, só para fazer ferruncho ao Eládio!»

 

 

GFDP: «Bom dia. Não fossem vocês e a quem é que me havia de dirigir, valha-me Deus?!

Estou muito aborrecido e o caso não é para menos porque, caso contrário, não o encararia como um caso sério e garanto-vos que não foi um caso ao acaso. Em todo o caso, como não tinha mais ninguém a quem recorrer, lembrei-me de vocês por mero acaso. Então, aqui vai o caso:

Costumo passar férias em Armação de Pêra. Aliás, uma praia e peras, embora não goste de Armação de Pêra e também não vem ao caso. Em todo o caso, gostando ou desgostando de Armação de Pêra, trata-se de um caso de consciência porque, caso contrário, não era caso para recorrer aos vossos conselhos muito sensatos e prudentes (passe a redundância).

No fundo, a razão deste meu apelo não se prende com o facto de gostar ou desgostar de Armação de Pêra, como referi a despropósito. Com efeito, o caso é sério porque a minha esposa, que por acaso é espanhola (podia não ser, mas é), embirra solenemente com o topless. Ao contrário de mim que adoro ir à praia só para ver as mamas...perdão, manas de fora. As manas de fora são duas morenaças de estalo. Adoro vê-las aos saltinhos à beira-mar, fugindo graciosamente das ondas. São tão airosas e delicadas! A minha senhora é que teima comigo que aquello es una vergüenza y que nació en Santiago de Compostela y que yo quiero mucho libertinaje, et cetera.

Dígame, por favor, qué he de hacer para hacerla cambiar de opinión y ahora me expliquen el significado de la palabra "libertinaje", gracias!»

Gervásio Flores Dias Pires

 

ER: «Mira, Flores, en primer lugar, estamos en duda si tú estás pidiendo nuestro apoyo o el apoyo de Dios, porque entras aquí en contradicción. De todos modos te damos una respuesta porque no estamos aquí para nada más y es una pena que tu esposa no le guste el topless, porque nos encanta el topless. Pero tiene fe y esperanza y insiste con ella que no hay nada más hermoso y inocente que mirar unas hermanitas bonitas sacudiendo al viento. En cuanto al significado de "libertinaje", es un concepto muy debochado, pero bosch es bueno (pase la publicidad)!

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL DA EQUIPA DE REDACÇÃO

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CS: «Olá. Sou uma mulher alta, sensual e, evidentemente, muito atraente. Além disso, dispo-me sempre bem, depressa e sem rebuço. O meu marido nunca encarou bem esta minha maneira de ser, muito espontânea, e acabou por sair de casa, de armas e bagagens, sem mais aquela.

Como devem calcular, fiquei em estado de choque! Até agora só tive tempo de telefonar para dois amigos de longa data que, ainda hoje, me virão prestar algum conforto e solidariedade nesta hora de muita solidão e tristeza.

Acham que estou a proceder bem ao chamar estas pessoas, assim, tão em cima do acontecimento? É que sinto-me tão só! Por favor, quero pôr tudo a nu!

Cremilde da Silva»

ER: «Cara Cremilde, pensamos que a sua atitude é a mais correcta. Além de que não vemos mal algum no facto de precisar de ser confortada pelos dois amigos que refere. Aliás, se outras razões não houvesse, bastaria a sua para nos fazer compreender que a solidão é uma disposição emocional muito dolorosa. Por conseguinte, cara Cremilde, parece-nos até que, desse modo, você recuperará facilmente o climax da felicidade a que estava habituada e águas passadas não movem moinhos, minha amiga! O amor é assim; é lindo enquanto dura e há mais marés do que marinheiros, embora os marinheiros façam falta quando se está de maré, mas, por favor, não vale a pena remar contra a maré se a maré é baixa, é inútil, aproveite as marés de sorte porque de marés de azar anda o mundo farto! 

Olhe, venha-se lembrando de nós e, se lhe aprouver, estamos ao seu dispor; somos uma equipa de vinte, adoramos pôr tudo a nu, e ele, às vezes, há finais felizes!» 

 

FR: «Olá. Tenho trinta anos, sou engenheiro informático, sócio-gerente de uma grande empresa ligada à minha área de formação, tenho olhos azuis, grandes e lindos, conduzo um Volkswagen New Beetle (passe a publicidade), amarelo canário, e frequento o Red Frog (passe a publicidade) aos fins de semana, para além de outras singularidades que, por acaso, não vêm ao caso. 

Casei-me há um par de anos com um colega da faculdade, um rapaz muito airoso e gentil, pelo qual me apaixonei perdidamente, tipo amor à primeira vista, porque só visto, contado ninguém acredita; e juro a pés juntos e bem assentes no chão que ele é lindo como uma flor do campo! Porém, aqui há dias, não sei como nem porquê, tive uma experiência extra-conjugal com uma filha da mãe e de pai incógnito, por sinal um senhor bem cuidado e de bom porte, com o qual também tenho mantido, regularmente, ralações sexuais porque ando sempre ralado com receio de o meu marido vir a tomar conhecimento das minhas infidelidades conjugais. Que hei-de fazer? Por favor, ajudem-me que isto é uma situação desesperante! Sinto-me tão impotente, meu Deus!

Frederico Rosas»

ER: «Caro Frederico, o que mais nos impressionou no seu relato foi a cor e a grandeza dos seus olhos. A situação que nos descreve parece ser irreversível, desgastante e patética, dado que nos suscitou, imediatamente, muita piedade - perdoe-nos a redundância. No entanto, pensamos que o seu caso não é, assim, tão complexo como imaginámos, a ponto de não se poder reverter, caro amigo. Basta que siga estas regras religiosamente: Coma muita fruta, levante halteres e faça clisteres. Besunte-se, também, com óleo de amêndoas doces, pelo menos, duas vezes ao dia antes das quatro principais refeições e pense, com urgência, em trocar de carro porque, para um moço impotente, só um bólide imponente. Vai ver que fica contente. Chau, bebé!»

 

NN: «Caros senhores, éramos dois seres adoráveis (ainda somos, claro), cada qual com o seu sexo, evidentemente (a gente até mostrava à comissão e tudo), profundamente apaixonados e trabalhadores independentes, cuja única ambição era fazer as pessoas felizes, independentemente da orientação sexual, religião, clubismo ou simpatia política. Tudo nos corria à feição e sem desregramentos, excepto as regras da minha sócia.

Não somos analfabetos, mas também não somos intelectuais, graças a Deus! Em boa verdade, também nunca estudámos para sermos intelectuais, lagarto, lagarto!

O mais longe que fomos, ao longo da nossa vida, foi a Badajoz. Sempre nos distraíamos e era no tempo em que valia a pena lá ir para comprar caramelos; e até nos desenrascávamos porque arranhávamos algumas palavras em grego, graças a Deus! Agora já ninguém vai comprar caramelos a Badajoz; é uma tristeza!

Também deixámos de frequentar salas de cinema porque já não exibem filmes alemães hardcore como antigamente. Que saudades das sessões contínuas no cinema Olímpia! Tudo vai desaparecendo, infelizmente...

Contudo, valha-nos isso, gramamos à brava os programas do CMTV, telenovelas e "talk shows", sobretudo os que dão na SIC e TVI, nomeadamente os da Júlia Pinheiro e da Fátima Lopes, respectivamente.  Só não vimos o Preço Certo porque achamos que devia dar depois do Telejornal e nunca antes.

Até escrevemos uma carta registada, com aviso de recepção, ao provedor do telespectador, mas ele, ou não percebeu patavina daquilo (a gente escreve muito mal) ou fez ouvidos de mercador porque só nos devolveu o aviso de recepção, vejam lá, ele que até ouve tão bem!

Não gostamos do PS, do PC nem do BE, mas também não votamos à esquerda, credo! É por estas e por outras que, se calhar, o melhor remédio, para nós, é o suicídio, visto que já ninguém liga para a gente! Andamos desconfiados que se deve à nossa idade avançada! Afinal, já não somos nenhumas crianças! Queríamos saber a vossa opinião.

 

Nandinho e Nandinha»

ER: «Porra, morram os Dantas e as antas! Morram! Pim!»

 

 

 

 

 

SEXO BIZARRO

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Confesso que o assunto não é virgem e penso que, neste aspecto, o leitor e a leitora deverão estar de acordo comigo. Todavia, tentarei abordá-lo, quero dizer, vou mesmo abordá-lo, mas numa perspectiva que não fira susceptibilidades porque não é esse o meu objectivo, apesar de não ser tão óbvio assim. Isto, não obstante parecer um bocadinho melindroso, não o nego. Avancemos, então, com caldos de galinha, com esperança de que não se entornem.

Para conferir alguma dignidade à complexidade desta matéria, só para não parecer vulgar, ou, até mesmo, ordinária, a despeito de estar na ordem do dia, decidi alterar o título deste artigo que inicialmente pensei em titular de DESVIOS SEXUAIS. Isto porque me pareceu pretensioso porquanto, não sendo psicólogo nem sexólogo, pareceria mal meter a mão ou o que fosse em seara alheia, mesmo que a frase "meter a mão" se me afigure muito apelativa. Depois deste ligeiro proémio com bolinha vermelha, prossigamos, então.

Segundo a opinião dos entendidos, nem todos os desvios da função sexual são considerados aberrações, embora, na generalidade, tenham como causa determinante, desarranjos de ordem psíquica. Excepção à regra são os vulgares fetiches. Ora, à luz da ciência actual e ao contrário do que muita gente pensa, o fetiche parece ser um óptimo estimulante sexual, embora careça de estudos mais determinantes.
Vejamos alguns casos de fetichismo que podem ajudar a compreender o fenómeno, interpretando-o como algo natural e, obviamente, dentro do comportamento comum, ou normal. Passo a citar:

Caso a) - Pessoas que conseguem obter excitação sexual manipulando ovos cozidos sem casca ou que conseguem ter três orgasmos consecutivos ao cheirar um par de meias em pura lã virgem, com uma semana de uso, em pleno Verão.
Caso b) - Sujeito que experimenta um orgasmo intenso (durante meia hora, no mínimo), após comer um quilo de bombons belgas com lacinho e tudo.
Caso c) - Indivíduo (do género masculino, ou feminino) que adora fazer sexo alternativo, imediatamente após a higiene oral.

A propósito deste último caso, Adolf Hitler, no seu badalado livro Mein Kampf, agora reeditado em Portugal, surpreendentemente ou talvez não, vendeu muitos exemplares só porque, a páginas tantas, confessa que fazia cunilíngua (do latim cunnilingus mustache) à Eva Braun, prática que, para os padrões morais da época, era considerada muito semítica e suja e punida com câmara de gás. Contudo, Hitler e Eva eram pessoas excepcionais e safaram-se até ao dia em que o "fuhrer" foi apanhado com a boca na botija.

Naturalmente que, na perspectiva das mentalidades actuais, esta prática - vulgaríssima, aliás - não se enquadra em nenhum caso patológico de sexo bizarro. Que fique aqui bem claro que concordo em absoluto!

Ainda, sobre este costume trivial, se inquirirmos um universo de mil portugueses (e portuguesas, claro), dos 18 aos 118 anos, sobre o assunto, a maioria vai responder, invariavelmente, que não fez nos tempos mais recuados e não lhe passa pela cabeça fazê-lo nos tempos mais próximos, sabendo-se que é consabida a habitual tendência para mentirem e, neste particular, não fogem à regra. Adiante, senão disperso-me.

No que confere verdadeiramente aos distúrbios de natureza sexual, ou desvios, como quiserem entender e continuando a citar, a zoofilia ocupa um lugar de destaque entre as práticas consideradas bizarras. É banal referirem-se factos de relações sexuais entre seres humanos e aves de capoeira, cães, gatos, cavalos, burros, bois, vacas, bodes, cabras, ovelhas e por aí adiante. Inclusive, há referências a insectos, imagine-se! Como facilmente se depreende, a zoofilia não é rara e já vem de tempos muito recuados no tempo (passe a redundância).
Existem expressões curiosas no léxico popular que comprovam a existência dessas condutas. Por exemplo, frases como "não há meio de me livrar daquela melga", ou "ainda por cima tenho que gramar aquele camelo na cama!", ou "hoje vou dormir com aquela cabra!", ou "que mal fiz a Deus para aturar aquele cabrão?", ou "não gosto dele, é um porco!", ou "será que é assim tão burro, que não perceba que já não gosto dele?", ou, ainda, "aquela vaca estragou-me a vida!", et cetera; os exemplos multiplicam-se. Um leque vastíssimo de pessoas confessa, deste modo, que mantém relações carnais com bichos de duas, quatro patas e, em casos raríssimos, com mais de quatro patas. As relações com animais de uma pata ainda não entraram para as estatísticas, mas prevê-se para breve o seu arrolamento.

Algumas relações são satisfatórias, outras nem tanto, mas, enfim, é a vida, não se pode ter tudo! Contudo, embora nos pareça estranho, cada um é livre de fazer amor com quem ou com o que quiser. Há relatos que referem práticas sexuais com tijolos, garrafas, escovas de dentes eléctricas e outros objectos. Nada a obstar desde que a relação seja franca, mutuamente consentida e profícua; ninguém tem nada a ver com isso! Outros casos há, mais difíceis, de relações sexuais com couves galegas, portuguesas e de Bruxelas. No entanto é claro que não há impossíveis. Tudo se resolve com muita fé e força de vontade.

A posição para consumar o acto sexual também tem muito que se lhe diga, dado que não existem normas, mundialmente aceites, que definam qual ou quais as posições mais correctas para praticar sexo, o que tem sido motivo de acesas discussões entre adeptos de várias posições e adeptos da posição clássica.
Continua a ficar ao critério de cada um, a posição mais cómoda e, naturalmente, mais satisfatória. Quanto ao sexo em grupo, "ménage à trois", troca de casais, "swing", et cetera, serão assuntos de que me ocuparei num próximo artigo porque já estou que nem posso, estas coisas excitam-me, peço desculpa, vou ali molhar os pulsos com água fria e já venho.

SEXO NO SÉCULO XXII

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Chegaram ao condomínio, situado no subúrbio da cidade e estacionaram o veículo de propulsão electromagnética numa plataforma móvel que o transportou ao silo correspondente. Depois, entraram no ascensor,  desceram noventa pisos e digitaram o código de entrada do apartamento. Em seguida, dirigiram-se ao andróide mordomo, comutaram-no para a posição off, arrumaram-no na despensa e (uf!), em uníssono, chamaram:

«Querida, onde estás?...Uhu!... Estamos cheios de fome, amor! Estrelas-nos dois ovinhos instantâneos de avestruz?»

Dos lados da casa de banho, ela respondeu:

«Estrelem vocês, meus queridos, agora não posso, estou a acabar a depilação!... Ai! Têm que mandar arranjar esta pistola de raios lazer que está uma autêntica porcaria; fico cheia de pêlos púbicos na mesma, q'horror!»

Seleccionaram o programa, apropriado para o efeito, na máquina de estrelar ovos instantâneos de avestruz e contaram as novidades do dia:

«Queres saber uma que nos contaram hoje no serviço? Então, não é que o Tó Zé foi apanhar a mulher na cama com o andróide jardineiro, pá, já viste?! E sabes que mais? A coisa deu divórcio litigioso, o gajo aproveitou o pretexto e amancebou-se com o andróide, 'tás a ver? Há cada uma que a gente até fica com as caras à banda, francamente!

Estranhando o silêncio da mulher perante a novidade tão surpreendente que acabaram de lhe anunciar, dirigiram-se à casa de banho, pé ante pé, e descobriram-na na posição de quatro com o andróide-chefe e, simultaneamente, a fazer um felatio ao andróide da limpeza doméstica.

Perante o cenário de libertinagem pura e dura com que se depararam, não estiveram com rodriguinhos: mandaram um par de estalos à mulher por andar a estragar os robôs com mimos e deram-lhes uma descasca do caraças por estarem a fazer aquelas coisas dentro do horário normal de expediente. E ainda os ameaçaram com desligamento colectivo, sem justa causa, por via das tosses.

Passado o infeliz episódio, resolvido a contento de todas as partes envolvidas e após o jantar, entretiveram-se a fazer zaping em canais de memórias televisivas do século XXI. Entre os programas Sinais do Além no CMTV, O Preço Certo na RTP1, o Love on Top na TVI24 e A Vida nas Cartas - O Dilema na SIC, o tempo ia passando enquanto esperavam que o andróide lava-loiça acabasse de arrumar a cozinha.

Depois das tarefas domésticas cumpridas desligaram a máquina e foram-se deitar; o dia tinha sido bestialmente cansativo.

«Querem ter relações sexuais?» - perguntou ela, solícita.
«Estamos com dores de cabeças...» - esquivaram-se.
«Deixem lá, delegamos nas nossas unidades sexuais autónomas» - disse ela.
Trataram de colocar umas caixinhas cheias de luzinhas coloridas, a piscar e a silvar intermitentemente, cada uma em cima da respectiva mesa de cabeceira e caíram instantaneamente num sono profundo, quase de morte. Os módulos deram, então, início a um ciclo de coito tântrico automático (ou não fossem autómatos) que se iria prolongar noite adentro.

 

Módulo y - Pronto para inicializar acto, coordenadas XPD (xray, paso-doble) - 33° 69' 96'', diga se já posso metê-lo, over.
Módulo x - Over me, é claro; para já, apénis tenho contacto visual. Pode dar início à aproximação copular. "Just a minute" (pronuncia-se jast a minete), necessita lubrificar um pouco. Memorizar expressões e interjeições designativas programadas para hoje: «isso, aí, aí tá bom, quero-te todinho só pra mim, tens um corpinho de sonho, mete-o todo, ai, ui"...brup, slurp, truca-truca, chloc, over.
Módulo y - Cuidado, não perca controlo, nem declame poesia erótica do Bocage, ou do António Botto sob risco de sobreaquecimento das células de iões de hidrogénio! Comutar para a posição de gozo total ATL (argenta, tango-louco) - 433... Ah, confirme se tomou pílula, over.
Módulo x - Afirmativo, pílula processada. Vou comutar libido para pilota automática para poupar as pilhas (pilas em madeirense). Diga se tomou comprimido azul, over.
Módulo y - Ok, acabei de processar sete. Já sinto algo. Todavia, mantenho-me em standby a aguardar efeito mais acentuado, over.

Bastante mais tarde:

Módulo y (a escaldar e a deitar fumo) - Gozei que nem uma máquina, noite inesquecível, estou exaurido, tenho que desligar, over and over.

Na manhã seguinte:
«Dormimos que nem uns anjinhos!» - exclamaram, na casa de banho, sentados numa cadeira de barbeiro, enquanto um andróide fazia uns escanhoados perfeitos nos seus dois rostos.
«Ontem não vos contei o que se passou na mercearia do senhor Narciso? Vejam lá que a nossa vizinha do 222º esquerdo pegou-se com uma venusiana do 335º direito! Tudo por causa da outra deixar sempre a roupa a pingar no estendal e molhar-lhe a roupa toda! O bom e o bonito, foi quando a venusiana acusou a nossa vizinha de ter feito sete abortos espontâneos de uma relação extra-conjugal com um terminal de computador obsoleto e ter ido para a cama com um sujeito verde com antenas cromadas, vejam só! A nossa vizinha não se ficou e chamou-lhe venusiana* que é coisa que detestam que lhes chamem. Manias! Zangam-se as comadres e descobrem-se logo as verdades, é uma vergonha!... Ai, estas malditas hemorróidas dão cabo de mim!» - desabafou ela, a fazer um semicúpio com água das malvas no bidé.
Eles, com os ares mais paternalistas da galáxia, imersos na banheira, enquanto deixavam o robô lavar-lhes os descomunais órgãos pudibundos, perguntaram:
«Foi bom, o sexo, ontem?»
Ela anuiu com indiferença. Eles desconfiam, há algum tempo, que ela tem um caso traumático com um andróide ucraniano, mas certezas, certezas, só aquele habitante do Cavaquistão, com a cabeça entre as orelhas, é que tinha.

Não tardaram a separar-se. Eles, com a dificuldade habitual devida ao peso excessivo das partes pudendas, lá seguiram a caminho de mais um dia de trabalho e ela para uma cinemateca próxima de casa, onde desempenha trabalho de recuperação e catalogação de filmes indianos "hard-core" do século XX. Uma actividade cultural assim, a modos muito "kitsch".
É um trabalho visual árduo e, naturalmente, cansativo, não obstante aqueles olhos grandes e doces que Saturno, um dia, lhe há-de comer.

* - As venusianas são seres hermafroditas com três pernas, quatro mamas, duas vaginas e um pénis atrás das costas.

ADORO FAZER SEXO COMIGO

sexo comigo.jpg

Lambareiros! Queriam sexo, n'era? Em próximo artigo faço-vos a vontade; hoje não estou virado para aí. Vou debruçar-me, antes, sobre um assunto que, embora pareça banal é mesmo trivial, acreditem! Sobretudo, se fizermos uma análise da sucessão cronológica de eventos ou factos que, por qualquer incidente da História nos pudessem ter desviado do caminho exemplar que, como nação, temos vindo a percorrer. Gostaram? Também acho que é um excelente exórdio.

Todavia, penso que a importância da reflexão que se segue é eminentemente transcendente, como irão ter oportunidade de constatar. Imaginemos, por breves momentos, isto, claro está, no domínio da ficção, evidentemente. Imaginemos, pois, que a terceira ilha do arquipélago dos Açores a ser descoberta, tinha sido a ilha do Corvo. Chamaríamos, então, Terceira à do Corvo e Segunda à Terceira? Topam? Ou tentaríamos rodear a questão, chamando à do Corvo a primeira Terceira e segunda Terceira à Terceira. Perceberam, até aqui, onde é que quero chegar? Problemas idênticos poderiam ter alterado o nosso percurso histórico se tivesse sido o Vasco da Gama a atravessar o estreito de Magalhães, ou ainda a Maria de Lurdes Modesto a cozinhar pela primeira vez Bacalhau à Zé do Pipo.

Se Afonso Henriques tivesse nascido em 1499, como poderia ter sido o fundador da nacionalidade? E se só a tivesse fundado nessa época, como poderíamos ter, actualmente, quase nove séculos de História? Mais, ainda: de que serviria ao primeiro rei de Portugal conquistar Lisboa aos Sarracenos, se os gajos não tivessem, ainda, invadido a Península Ibérica? E onde ficariam os tintins do Martim Moniz na História, se a infantaria lusa não tivesse irrompido pelo castelo de São Jorge adentro? Convenhamos que, se o herói e mártir da tomada de Lisboa não os tivesse entalado nas portas do castelo, tomar a cidade aos Suevos, aos Hunos, aos Visigordos, aos Vândalos, ou até, mesmo, aos Energúmenos não teria a mesma graça.

Já agora, seguindo a mesma linha de raciocínio lógico, já imaginaram, também, como há por aí tanto amor desencontrado, perdido, esquecido? Não?...Têm a certeza?... Vejam lá, se precisarem de um ombro amigo, estou aqui, não se façam rogados! 

DEVE-SE DESFAZER O CARÁCTER MÍSTICO DO SEXO?

sexo.jpg

Eis uma boa posição..., perdão, uma boa questão. Alguém, muito famoso, cujo nome não me ocorre no momento, terá dito, algures no tempo, que o "grave problema do sexo vem das origens do segundo homem" e prosseguiu: "Isto porque o primeiro nasceu por obra e graça do Criador e, curiosamente ou talvez não, tampouco agradeceu numa página de jornal dedicada exclusivamente a orações de agradecimento." E continuou, prosseguindo (passe a redundância): "Porém, o segundo já foi concebido segundo critérios mais definidos e mais avançados e que ainda hoje se mantêm tão actuais que ninguém ousa meter o bedelho, ou outra coisa qualquer na matéria porque é de matéria que, efectivamente, se trata."

Após esta pequena introdução, penso, no entanto, que ainda há muitas arestas cheias de rebarba e é urgente, direi até que urge e que não admite delongas, a par da indispensável revisão constitucional, a desmistificação do sexo. Pergunto: Para quando um debate nacional sobre um tema tão importante para a vida dos portugueses?
O sexo ainda é um assunto tabu porquê? Que disparate?! Aliás, devia ser objecto de análise em qualquer governo, em qualquer programa de governo, independentemente da utilização de preservativos coloridos com a predominância habitual das cores laranja, rosa e amarelo, cores que, para a generalidade dos portugueses, já se tornaram cansativas. Mas, enfim, alguns portugueses são muito conservadores, continuando a escolher estas cores e isso é lá com eles. Importante, importante é tratar-se de uma condição elementar da qualidade de vida, da vida de todos nós!
Então, que qualidade de vida podemos desejar se, quanto ao sexo, o governo teima em escondê-lo, só o revelando depois da consumação sem que tenhamos tido qualquer proveito orgástico, hã? Ainda por cima temos de lhe pagar!? Ora, francamente!
Que qualidade de vida podemos esperar, se este ou qualquer outro governo teima em virar ad aeternum as costas ao sexo em vez de o agarrar afincadamente com uma mão ou ambas, dependendo do gosto?
Não se pode tirar o sexo à carne e à pele! Foi o sexo que perpetuou a Pátria! Quase novecentos anos de sexo é muita seiva derramada! É claro que muita tem sido derramada fora do contexto para a qual estava naturalmente destinada. Quatriliões de metros cúbicos de fluidos e outros desperdícios para quê?

Os Descobrimentos, a Batalha de Aljubarrota, a Batalha das Linhas de Elvas, o Tratado de Tordesilhas, o 1º de Dezembro, o 5 de Outubro e o 13 de Maio, têm o seu merecido lugar na História, evidentemente, mas a perenidade da Nação só ficou garantida porque os portugueses de outrora, cheios de fervor e combatividade, não deixaram cair o sexo. Excepto os descuidados do costume que não se precaviam, mas isso é um problema transversal a todos os períodos da nossa História, é quase uma inevitabilidade.
As pátrias perpetuam-se através da manifestação corporal mais natural deste mundo, seja num vão de escada, no banco de trás de um Fiat Cinquecento, em cima do lava-oiça, num polibã, dentro da despensa, enfim, tantas vezes com grande espírito de sacrifício e em condições difíceis, mas é assim que se tem construído o futuro, assim se vai garantindo a sobrevivência de Portugal, malgrado a crise.
Mas, torno a perguntar: Prestarão, este e outros governos, as devidas homenagens ao trabalho esforçado e anónimo e tantas vezes à socapa, da gente lusa? Evidentemente que não!
Em face disto, como se pode acreditar neles ou até no Parlamento, se se perpetua o lençol de silêncio sobre uma das mais legítimas aspirações dos portugueses e portuguesas, não implementando políticas de desenvolvimento, não incrementando a prática através de incentivos pecuniários, fiscais, criando as infra-estruturas básicas (não sei o que é isto, mas soa bem) e outras coisas mais? Respeitando sempre as normas impostas pela União Europeia, claro! S'a gente é da União, só tem que respeitar a 'senhora', isso é claro!
É certo e comummente aceite que o país atravessa sérias dificuldades, muito embora o governo garanta agora, a pés juntos, que nunca houve austeridade e  que tudo não passou de um equívoco; um "mito urbano", como disse um ministro qualquer, mas penso que não seria impertinente a criação, a breve trecho, de uma Secretaria de Estado da Desmistificação do Sexo. Isto só para começar, depois logo se via. A menos que este Governo se declare impotente para resolver a grave crise de impotência da população em geral, não mostrando sensibilidade para acudir ao seu dia-a-dia ou à sua noite-a-noite.
Desmistificar o sexo dos portugueses é preciso! Viva o sexo em todas as suas variantes, vertentes, performances, cambiantes, matizes, gradações et cetera!

SEXO COM UMA PAPAGAIA

sexo com uma papagaia.jpg

"Um dia deambulava pelo Centro Comercial Colombo mais o meu pai e, porque já tínhamos as barrigas a darem horas, lembrámo-nos de comer por lá qualquer coisa.

Dirigimo-nos à zona da restauração e entrámos numa pizaria.
Após algum tempo de espera, reparei que o senhor olhava fixamente para uma mulher jovem sentada a uma mesa contígua à nossa.
O corte de cabelo da moça formava uma espécie de crista tricolor: verde, lilás e azul.
O meu pai continuava a olhar insistentemente para a jovem, deixando-me pouco à vontade para lidar com o seu súbito interesse nela.
A rapariga olhava à sua volta de vez em quando e dava sempre com o olhar fixo e, aparentemente, inquisidor do meu pai.
Quando se cansou de ser observada perguntou-lhe sarcasticamente:
«Qual é o seu problema, avôzinho, nunca fez coisas malucas na vida?»
Conhecendo o meu velho como conheço os dedos das minhas mãos, engoli em seco, pois sabia como eram 'eloquentes', as suas respostas.
No seu estilo plácido, o troco saiu com prontidão:
«Olhe, minha menina, uma vez estava tão janado, tão janado, que fiz sexo com uma papagaia, veja bem! Por conseguinte, estava para aqui a congeminar se, por ventura, você é minha filha.»"

 

Circula na Internet. Desconheço a autoria.

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