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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TODOS OS HABITANTES DOS MARES DE PORTUGAL

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A todos os habitantes dos Mares de Portugal e dos Algarves, nomeadamente o Mar Alto, o Mar Chão, o Mar de Rosas, o Mar Territorial, o Mar da Palha e "se mais (Mar) houvera lá chegara":

Artrópodes, fitozoários, pisciformes, cetácios, lamebrânquios e cefalópodes (se não referi outros espécimes, queiram, desde já, aceitar as minhas desculpas porque não é que tenham menos importância; é mais por ignorância):

Esta é a grande novidade há muito tempo almejada pela população submarina e sucessivamente adiada por motivos que não vêm ao caso, mas, em todo o caso, deve-se salientar que foram objecto de negociações aturadas com alguns parceiros sociais, às quais não faltou a indispensável peixeirada e a inevitável salgalhada. Nestas coisas, sobra sempre para o mexilhão!

O senhor Ministro dos Mares e das Marés, Doutor Marinho do Ó Carapau, sempre atento aos anseios da comunidade marinha, ou ele não fosse marinho, e aproveitando a maré alta, dado que o país atravessa uma maré de sorte, decidiu, finalmente, fazer aprovar por unanimidade, com algumas trocas de solhas e muita caldeirada à mistura, uma medida de apoio extraordinária que vai de encontro às expectativas da generalidade dos seres subaquáticos: mandar construir o Lula Parque que era uma enorme lacuna (não confundir com laguna) no panorama lúdico-subaquático nacional.

Em verdade verdadíssima, dentro em breve, vai ficar tudo em polvorosa (deve pronunciar-se polvo rosa, senão não tem piada).

Tudo será feito para que nos possamos divertir à brava no Lula Parque.

Podemos andar às voltas, sem cessar, nos carrissóis de camarão, conduzir carrinhos de chocos, visitar o Submarino Nautilus do Capitão Nemo e deixarmo-nos tactear nas escamas, barbatanas e conquilhas, por ventosas de górgonas tailandesas, com a garantia, devidamente certificada, de finais felizes. Contudo, não há bela (não confundir com linda) sem senão: Segundo a mitologia grega, as górgonas tailandesas são muito feias e más como as cobras. Logo, não devemos encará-las, sob risco de ficarmos petrificados ou, na pior das hipóteses, sermos transformados em caras de bacalhau.

Ficaremos sem pinta de sangue nas guelras e bestialmente escamados quando deslizarmos vertiginosamente na montanha russa do Canhão da Nazaré.

Pescadinhas ciganas de rabo na boca ler-nos-ão a sina na palma das barbatanas! Vai ser um fartote de prazer no Lula Parque! Garanto-vos pelas alminhas das belas nereidas a quem Camões, num momento de insuflação criadora, chamou Tágides.

Por isso, é justo que lancemos daqui um viva ao nosso querido Ministro! Viv'Ó Carapau!

 

 

PEDRO E INÊS: UMA ESTÓRIA DE FACA E ALGUIDAR

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Inês foi aia e Pedro foi rei. Para quem não está ao facto, isto, de facto, foi um facto. Logo, tivemos mais um caldo entornado na nossa História ou um caldinho como é comum dizer-se. Tanto que se consumou e tragicamente se consumiu.


Então (ou nesse ou naquele tempo, conforme vos aprouver), nas galerias sombrias do Paço, Pedro cruzava-se, amiúde, com Inês, ali, a dois passos, e reparava que os seus olhos eram lindos e de uma luminescência esfuziante. Para não dizer dos ombros que eram alvos e cândidos; davam para encher o olho (mais adiante, explico a razão porque davam para encher o olho). De tal modo que, cada vez que se viam, Pedro sentia uma vontade desmedida de lhe deitar a alça do vestido abaixo.

Permitam-me, aqui, uma pequena digressão: Segundo estudos efectuados muito recentemente, está comprovado, por portas e travessas, que os reis eram uns licenciosos do piorio (não confundir com licenciados porque, salvo honrosas excepções, eram uns bestuntos analfabetos), capazes dos piores desregramentos, pondo em causa o pundonor da monarquia. É claro que estes hábitos ancestrais não constituem novidade para quem está a par das marotices da nobreza de antanho. No entanto, é só mais uma achega para tentar desmistificar a falsa noção que as pessoas têm acerca da superioridade moral da aristocracia de outrora. Felizmente que a fidalguia, agora, tem maneiras! Honras lhe prestem porque fidalguia sem comedoria é gaita que não assobia, como disse alguém, não sei quem. Prossigamos:


Certa noite de luar (como sabem, o luar nada mais é do que a luz do Sol reflectida pela Lua), a aia devaneava, doce, lânguida, derramando uma lagrimazinha de crocodilo, quiçá pelas cebolas do Egipto, entre frondosos arbustos, aprumando o busto, inalando a fragrância que vinha do Mondego ou talvez do Alva, quando Pedro, arrastando o manto, coçando o mento, exalando menta e avivando a mente, se encontrou com ela, cara a cara e de caras e - reza esta estória - pintaram a manta. 
O calor da noite (ou entusiasmo), a brisa branda do Dão, o aroma das benefes, a distância dos olhares pudibundos e furibundos dos cortesãos e cortesãs, fez com que os dois amantes inacabados percebessem que era chegado o tempo de acabar com aquela indefinição do amor.

Sem perderem tempo, submeteram-se, segundo a própria vontade, aos ímpetos lúbricos da carne, como convinha e, claro, a bronca estalou: toda a corte ficou a saber que o rei estava metido numa grande alhada por via de uma bela plebeia, pois embrulhara-se nas saias de uma, pondo em perigo os bons costumes, usos e abusos da realeza.

Vou abreviar isto porque não me está a correr bem, peço desculpa...


A troco de uma mão-cheia de Dobras, três magalas horrentes, coniventes e sem dentes, apanharam Inês, lavando no rio, desacautelada, semi-nua, semi-inconsciente das intenções maliciosas dos conspiradores, defensores da nata e, com a frieza inata dos estripadores, vararam-na...


Pedro uivou que nem um lobo, espumou de raiva que nem um cão, berrou que nem um bode e jurou vindicta.

Cavalgou por todo o reino e além fronteiras, conforme tinha aprendido no livro de Bem Cavalgar Toda Sela, vasculhou as comarcas, as dinamarcas, perscrutou as marcas, as peugadas, os rastos, os indícios, os vestígios, os sinais, enviou emissários, comissários, mercenários e, por fim, caçou os sanguinários.
Os assassinos a soldo foram sumariamente presentes ao Rei que os esventrou, sem mais aquela, perante uma multidão exaltada, aficionada e sedenta de sangue e arena.

Ao primeiro extraiu-lhe o fígado pelas costas e fê-lo em iscas. Ao segundo, sacou-lhe o coração pelo peito e, tendo-o desfeito, jogou-o aos cães; a multidão ululava de prazer mórbido e gritava "olé!". O terceiro jamais apareceu, mas foi excomungado, exonerado e expulso das Forças Armadas, sem direito a qualquer estipêndio ou subsídio.
Depois, com uma lágrima ao canto do olho, dado que era zarolho, Pedro sentou o corpo jacente e arrefecido de Inês numa poltrona e jurou punição aos poltrões. A fidalguia contrita, temendo o castigo régio, comia tremoços e pevides e enganava a inquietude torcendo as orelhas.
Um a um, em fila do pirilau (fila indiana), vieram beijar as mãozinhas frias de Inês que lhes retribuía com um sorriso de morte.
Nunca casaram nem tiveram filhos, tampouco foram felizes para sempre. Também nunca brincaram às escondidas ou à apanhada, mas amaram-se perdidamente até ao fim.

Passados séculos, ainda se escuta o restolhar dos seus corpos quando se passa junto ao túmulo, no Mosteiro de Alcobaça.

Nota final: Mais uma vez quero pedir desculpa ao professor José Mattoso pela minha falta de rigor histórico e, por conseguinte, elevada ignorância. Muito obrigado e bem haja!

MAIS UMA ACHEGA PARA A HISTÓRIA DE PORTUGAL

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Confesso que, quando escrevi o primeiro artigo sob a epígrafe, nunca pensei que ia ter de retorno tanto élan mediático e tanto carinho para continuar. Simultaneamente também senti o apelo sagrado dos nossos heróicos antepassados e a pressão expectante dos que hão-de vir depois de mim e, só assim, tive a percepção extra-sensorial de que tenho o dever de prosseguir na valorização da nossa História que anda tão arredada do conhecimento geral. Para além do mais, é reconfortante pensar que passo, mas o meu legado permanecerá perene, "per saecula" (segundo o tradutor do Google que eu de latim pesco zero).

Depois de tudo isto - e não é pouco - cada vez que me olho ao espelho, vejo reflectida a imagem de um gajo feliz porque tem a perfeita noção de que está a prestar um enorme serviço à folha, analisando e dissecando os factos mais significativos cá do burgo.

A seguir a este intróito facilmente digerível, prossigamos, então, na demanda do saber da História Pátria.


Debrocemo-nos só um bocadinho (sem exagero) sobre a primeira dinastia, nomeadamente acerca de Dom Sancho I que, como sabem, era filho do primeiro rei de Portugal: Que espécie de garanhão teria sido, para merecer o cognome de "O povoador"? E o que seria de Portugal sem o seu - digamos - contributo?
É fácil de pressupor que seríamos um país deserto, com meia dúzia de mouros convertidos ou, pelo menos, envergonhados, e alguns cristãozitos novos espalhados por esta bestial imensidão territorial que o Afonso Henriques nos legou. Sim porque nos primórdios da nacionalidade já a Santa Inquisição fazia das suas para garantir uma fé católica com um elevado nível de qualidade, perseguindo, torturando e matando malta das minorias étnicas a torto e a direito, nomeadamente mouros e judeus. Era ver os malvados católicos, uns espertalhaços do caraças, a incitar à violência contra as mourarias e judiarias. É indescritível porque era uma carnificina pegada. Palavra, juro que isto não é ficção!

Ninguém escapava às malhas do Santo Ofício. Aliás, a bula emitida pelo Papa Alexandre III, a 23 de Maio de mil cento e qualquer coisa (é consultar a História da Vida Privada em Portugal, do Professor José Mattoso), que declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, reconhecendo o tratado de Samora Correia (não confundir com Samora Machel, cujo foral só lhe seria atribuído, séculos mais tarde), só teve efeito retroactivo quando Afonso Henriques se comprometeu, sob a honra de sua mulher, Dona Matilde condessa de Sabóia e Maurienne, a expulsar os jihadistas islâmicos do reino de Portugal (o dos Algarves ficaria para mais tarde) e a converter os gentios à fé cristã, a bem ou a toque de caixa. Mas regressemos a Dom Sancho I, divaguei novamente, peço desculpa.   


Pacientemente, Sancho (não confundir com o Pança que só viria a nascer uns séculos mais tarde) andou por aqui e por acolá a povoar feito um obstinado, a encher ventres de Sanchinhos e Sanchinhas, dando desse sacrifício um exemplo de abnegação aos assépticos e escassos habitantes da novel nação.

Consequentemente, só bastante mais tarde é que Carlos I teria sido alvo de regicídio e, por conseguinte, seria implantada a república que teve em Aníbal Cavaco Silva o expoente máximo do seu esplendor (da república, evidentemente).
Muito tempo depois ou talvez antes, quem sabe, Thomas Edison substituía os candeeiros a petróleo da sua casa por lâmpadas eléctricas o que foi considerado, na época, uma inovação muito engenhosa.

Seria imperdoável omitir, aqui, o papel predominante e igualmente inovador do nosso rei Dom Dinis que, mais ou menos na mesma ocasião, mandou plantar o pinhal da Azambuja, conseguindo com essa ideia megalómana, mas deveras avançada para a altura, deter as areias movediças da Ericeira que ameaçavam soterrar o planalto de Santarém.
Dinis era um tipo muito cultivado e um excelente trovador, como é consabido; está escrito. Porém a sua grande paixão foi sempre a agricultura. Para o rei lavrador, amanhar a terra era trigo limpo e favas contadas e, contra isso, batatas. A talhe de foice, convém recordar que foi ele que inventou um analgésico (não confundir com medicamento para as hemorróidas) à base de essência de batatas, dado que o Paracetamol - passe a publicidade - só seria comercializado séculos mais tarde.

Os contemporâneos do rei, diziam que era uma pessoa muito à frente, porém muito simples e muito querida do povo. Todavia não acreditava em milagres. Míope como era, não via com bons olhos as acções caritativas de sua esposa, Dona Isabel de Herédia, mais tarde morta e muito mais tarde santa.

Vale a pena recordar, um tanto, aquele milagre que ficou para a História, lembram-se? A cena em que o rei interpelou a rainha, querendo saber o que é que ela trazia escondido no regaço e Dona Isabel, naturalmente atrapalhadíssima, teria respondido que eram "pepinos, meu senhor!" e, deixando cair o regaço - salvo seja - logo se soltaram doze lindas pombinhas brancas que esvoaçaram graciosamente até às cabecinhas dos pobrezinhos que a ladeavam e que, instantaneamente, se transformaram em "burritos" de peitinhos de pomba. Milagre puxa milagre, sabem o que é? O resto já tinham obrigação de saber...

Depois deste episódio singular e muito comovente, e vencido o rei, embora não convencido, lá teve que dar a mão à palmatória, lançando as raízes da provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nomeando para o efeito uma personagem enigmática, mas - dizia-se - com vastos pergaminhos nesse domínio, um plebeu sem brilho chamado Pedro Santana Lopes. Parece ter sido uma decisão leviana do rei, mas, enfim, era lá com ele, o homem era soberano.
Entretanto devem ter havido montes de batalhas com os mouros, conflitos de interesses com os castelhanos e demais chatices. No entanto, se quiserem aprofundar os vossos conhecimentos acerca deste e de outros episódios marcantes, sugiro que consultem também o Compêndio de História Medieval do Professor Mattoso.
Apesar de tudo é de primordial importância esmiuçar os meandros, reflectir sobre os factos, meditar, por exemplo, sobre a sucessão dos reis desta dinastia tão decisiva para a independência nacional.
Voltando a Dom Dinis, suponhamos, só a título de curiosidade, que o rei já lavrava muito antes de Afonso conquistar Lisboa ao Estado Islâmico ou que Fernando poderia ser gordo, sendo um gajo formoso, ou que Afonso II, sendo gordo, poderia ser povoador ou mesmo Pedro I que, apesar de cruel, poderia ser gordo, borgonhês, povoador ou lavrador.
Suponhamos, ainda, que Leonor Teles, uma aleivosa do piorio, com a qual seu filho, Afonso Henriques, não ia à bola, dobrava o Cabo das Tormentas, casando-se depois em segundas núpcias com o "Doutor" Cassola de Miranda Relvas. Teríamos a primeira dinastia toda desordenada e não surgiria, possivelmente, esse período que foi, talvez, o mais belo da nossa História e que mereceu o nome de Interregno. Dá para reflectir um pouco, vá lá, puxem pelas cabeças!


E pronto; depois de mais esta achega, prometo que, brevemente, tentarei demonstrar como os portugueses, dispostos em dodecaedro regular, derrotaram os fenícios em Alcoentre, graças a um incontestável (não confundir com Condestável) entusiasta dos jogos de estratégia, Dom Nuno Álvares da Câmara Pereira. Séculos após essa famosa batalha épica, reinventou-se uma nova e próspera nação que culminou no milagre económico actual, tão elogiado por um ministro teutão que, quiçá, num momento de epifania, imaginou ver Mário Centeno na pele do CR7. Vai daí que o 'nomeou' ponta de lança da selecção europeia; não é bestial?! Esperemos que se porte na ponta da unha e não desate a dizer que alguns colegas estoiram a massa em noitadas, putas e vinho verde...

Finalmente, e contrariamente ao que se esperava, o país está porreiro porque alguém, num acaso oportuno e feliz de profunda e demorada inspiração (ou apneia, tanto faz) apelidou esta maravilhosa reinvenção de "geringonça". 

Assim, o alento me ilumine, também, as ideias...

DURÃO E A AUSTERIDADE

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"Eu vejo países que fizeram grandes esforços, incluindo as chamadas "políticas de austeridade". Na verdade, alguns deles estão entre os melhores desempenhos”. 

Durão Barroso, aliás, o "doutor cherne"; aliás, o "mordomo das Lajes"; aliás, aquele que afirmou que Portugal estava de "tanga"; aliás, aquele que pôs o lugar de Primeiro Ministro à disposição e baldou-se para Bruxelas; aliás, condecorado pelo ex-Presidente da República com o "Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique", pelo cargo "prestigiante" de Presidente da Comissão Europeia, dá o exemplo da Espanha que não precisou de um resgate completo; de Portugal que subiu de "rating" e da Grécia que "apesar das condições políticas", fez progressos.

Perante isto, acho que o senhor estava a fazer-se passar por parvo (para os espertos é a melhor maneira de se safarem na vida) ou a querer comer-nos como parvos...

As medidas de austeridade, "basicamente, mostraram que funcionaram”, prosseguiu o "chairman" do Goldman Sachs, o tal banco que (supostamente) favoreceu, enquanto presidia à CE.

Terá sido verdade que olhou para o lado quando o "seu" banco ajudou a esconder mais de cinco mil milhões de dívida grega, e depois apostou na sua falência?

Verdade ou mentira? Sobra a eterna dúvida, como é habitual, nesta promiscuidade entre a política e a banca. No final, a culpa morre sempre solteira...

Há quem tenha a memória curta...

A ÍNCLITA GERAÇÃO

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Bom dia, boa tarde ou boa noite e continuação de boas festas q'isso é q'é preciso, pois o que faz falta é animar a malta - parafraseando o nosso Zeca Afonso.

Hoje, vou escrever ou passar a escrito, conforme vos aprover, qualquer coisinha sobre a "Ínclita Geração". Posso garantir, a pés juntos, que não se tratou de uma "geração rasca", antes, pelo contrário (aqui, os conceitos 'antes' e 'pelo contrário' não se me afiguram idênticos; somente próximos. Daí a minha hesitação em classificar a frase de redundante)! Prossigamos, então, na descrição deste epíteto que é dado na História de Portugal aos filhos do rei Dom João I.
Ora, após a morte do rei, paizinho desta tão nobre e ilustre geração, Philippa of Lancaster, Indeed Leicester, aliás Dona Filipa de Lencastre, aliás a mãezinha, subiu ao trono provisoriamente até um dos filhos, Dom Duarte, "O Mudo", aprender a falar definitivamente. É desses tempos imemoriais que provém a velha máxima (velha porque ainda é utilizada de modo coloquial) "mais vale definitivos definitivamente, do que provisórios provisoriamente", como sabem.

A mudez, como característica inata do rei Dom Duarte desde tenra idade (vários historiadores crêem que já era mudo à nascença, dado que não há registo sonoro do primeiro vagido. Porém, tal convicção, sem grande profundidade, carece de ratificação científica), manifestou-se, sobremaneira, anos mais tarde, no campo legislativo. Foi durante o seu reinado que foi elaborada a "Lei Mental" que nunca se chegou a saber o que era. Como era mental, nunca foi escrita nem verbalizada. Desse facto ter-se-ia instalado, com toda a probabilidade, um ambiente reinadio, o qual reinava de modo reinante em todo o reino de Portugal e dos Algarves, inclusive do Brasil, que ainda estava longe de ser descoberto.

Durante o reinado efémero de Dom Duarte, um dos manos, Dom Henrique, prosseguiu com o projecto megalómano de mandar erigir o Padrão dos Descobrimentos, apesar dos avisos do rei (convém referir que os avisos eram feitos, obviamente, em linguagem gestual) de que aquilo ia transformar-se num enorme mamarracho e ia custar um balúrdio aos cofres do tesouro que estavam nas lonas; já naquele tempo, valha-nos Deus!

É claro que tudo se recompôs temporariamente depois do descobrimento do Brasil, graças aos bandeirantes. Foi desse modo que outro mano, o Dom Manel, que sucedeu a Dom Duarte (é claro que o Dom Manel não fez parte desta nobre fraternidade, mas, por outro lado, o objectivo desta crónica não é dar lições de história, seja a quem for. Por isso só tenho que pedir desculpa ao professor Mattoso pela minha imperdoável ignorância), derreteu todo o ouro que veio do lado de lá do Atlântico, mandando construir o Centro Cultural de Belém, ao seu estilo (Manelino), e uma fábrica de pastéis de nata mesmo ao lado, para não ficar atrás do mano.

Dom Henrique, sentindo a sua obra ofuscada pela mania das grandezas do irmão, não esteve com meias medidas e, de uma assentada, fundou a Escola Náutica de Paço de Arcos, enviando naus catrinetas por mares nunca dantes navegados. Em boa hora o fez, pois foi graças à sua visão, muito avançada para a época, e aos seus audazes capitães das naus, que foram descobertas as ilhas Berlengas, a Brandoa, Telheiras Sul e "se mais mundo houvera lá chegara". No entanto, os desmandos da Ínclita Geração colocaram o tesouro do reino, novamente, numa situação periclitante, fazendo com que as agências de notação financeira baixassem o nosso nível para mais uns pontos abaixo de lixo, o que já era muito chato para os propósitos do rei que, para obviar a grave situação económica, sobrecarregava a plebe com impostos atrás de impostos, no sentido de descer a dívida pública.

Regressando a Dom Duarte: foi no seu curto reinado que aconteceu um feito militar relevante e que ficou para os anais (atenção ao étimo da palavra anais e ao contexto onde está inserida) da nossa História: Dom Fernando, o mano caçula, cognominado de "O Mártir" (não confundir com um jihadista islâmico), na altura a residir ali para os lados dos Prazeres à Infante Santo, teve uma vontade danada de comer tângeras. Foi um desejo assim a modos muito repentino e intenso. Todavia, como não havia tângeras, nem no mercado da Ribeira, nem no de Campolide, Dom Fernando tentou persuadir o mano Dom Duarte a enviar a armada a Tânger a fim de adquirir no mercado local umas boas toneladas do citrino dos seus desejos. O rei hesitou em aceder ao pedido do irmão porque, como já tinha referido, Portugal estava novamente falido, o FMI intimidava o reino com mais medidas de austeridade e, evidentemente, o ministro do tesouro alemão e a puta da troika ameaçavam vir meter o nariz no cu dos portugueses outra vez.

Para compor o ramalhete da desgraça, os estaleiros navais de Viana do Castelo, importante pólo de construção de naus catrinetas e caravelas, tinham sido vendidos a um armador grego, falido - um tal Dilza Erotides - que se revelou um mau negócio para o reino de Portugal. Porém, Dom Fernando contra-argumentou com a velha história de que se podia aproveitar a ocasião para combater os sarracenos e dilatar a fé cristã além mar e isso convenceu Dom Duarte a consentir a expedição sem olhar a meios e despesas. 
Reza a História que a "Invencível Armada" (eu sei que não se tratava da armada em que estão a pensar, mas de uma excursão de cacilheiros. Apesar disso deixem-me continuar que depois explico) capitulou às mãos dos "infiéis" e, para cúmulo, capturaram Dom Fernando e mandaram-no para as masmorras por causa das tosses.
Quanto aos marinheiros que restaram desta expedição inglória, uns regressaram a nado a Vila real de Santo António e outros converteram-se ao islamismo, indo engrossar as fileiras do Daesh.
Entretanto o tempo passou e os Mouros, através da sua encarregada de negócios em Lisboa, a embaixadora Omar Zayn, exigiram a devolução de Ceuta em troca da libertação do infortunado Dom Fernando. Em face deste ultimato sarraceno, as cortes reuniram-se na Quinta da Sardinhano Pinhal de Leiria e, depois de uma valente sardinhada regada com vinho tinto rascante do Cartaxo, já muito bêbedas (as cortes, claro), decidiram que a vida de "O Mártir" não valia a ponta de um corno em comparação com Ceuta.

Por puro revanchismo e vingança - passe a redundância - os mouros mantiveram Dom Fernando preso numa masmorra até ao fim dos seus dias. Não a pão e água, tampouco a tângeras, mas a tangerinas, pois era consabida a sua alergia intestinal às tangerinas.

É facto, embora careça de confirmação, que nos últimos dias de vida, Dom Fernando, já só ossinhos e peles, implorava a Alá que aqueles bárbaros berberes lhe dessem, ao menos, um pratinho de kebab acompanhado com arrozinho árabe. Até dispensava os talheres pois, naquelas paragens sempre se comeu com as mãos e ele já se habituara aos costumes daquela gente. Os mouros, sabendo que aquilo era tudo fita, pois Dom Fernando fincara sempre o pé a uma possível conversão à fé islâmica, martirizaram-no ainda mais, com tangerinas, tendo "O Mártir" falecido, depois de morto com tanto martírio, já Infante Santo.

Voltando, ainda, a Dom Duarte, está devidamente documentada a sua veia literária, mas também científica, legando-nos obras como - agora a sério - "Leal Conselheiro", obra profusamente ilustrada da sua colecção iconográfica, com conselhos e orientações sobre a sexualidade nos gafanhotos tailandeses; "Livro de bem cavalgar toda a sela sem cavalo" que, como o próprio título indica, se destinava a ensinar a montar sem cavalo, o qual foi considerado pelos críticos literários um "best seller", não tendo merecido, imerecidamente, um prémio Nobel porque, já naquela altura, aquela cambada de incultos da Europa não ia à bola com Portugal.

Foi preciso sermos campeões europeus para nos terem mais respeitinho, mas isso é outra história. Finalmente, um terceiro livro que deu brado, "O Livro da Misericórdia" que é, com efeito, "O Livro da Misericórdia".

Todavia, o êxito das vendas dos seus livros foi demasiadamente agitado para a sua frágil cabeça que não aguentou um esgotamento cerebral e teve morte imediata, vindo a falecer de peste numa manhã de nevoeiro em Alcácer Quibir.

Enfim, são as voltas que o mundo dá...

PORTUGAL FORA DA UNIÃO EUROPEIA?

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Fonte extra-oficial, muito suspeita, desmentiu boatos postos a circular, relativamente à nossa saída da União Europeia. Segundo esses rumores, Portugal já teria saído, há muito, da UE e a sua permanência é só para inglês ver. A mesma fonte refere, ainda, que a moeda única, ainda em circulação no nosso país, parece ter uma cotação residual nos restantes estados da zona euro, excepto na Grécia, Roménia, Chipre, Bulgária, Croácia, Hungria, Polónia, Letónia, Estónia e mais um ou dois países que vêem com bons olhos a saída de Portugal e já pensam seguir o seu exemplo. A questão, agora, é continuar no euro ou passar, sem mais delongas, para o mundial.

Por outro lado, a nossa saída da UE terá sido antecipada, devido à pressão de alguns parceiros, designadamente a Alemanha, a França e a Inglaterra,  naturalmente impacientes quanto à saída dos portugueses.
"Portugal fora!" - teria gritado a senhora Merkel numa cimeira a três, em Paris, onde compareceu com o seu homólogo inglês, Cameron, a convite do presidente François Hollande, cimeira onde não faltaram o famoso ménaje à trois e o não menos tradicional brioche, um bolinho francês, muito leve e ligeiramente inchado, e onde se dançaram, também, uns minuetes no salão paroquial da freguesia do Pigalle. Lá, nestas coisas, não há pai para os franceses, os gajos sabem receber muito bem!
Ao grito do Ipiranga da ministra alemã, logo acorreu, com a gáspea que a sua cadeira de rodas lhe permitiu, o seu dilecto e prestável ministro das finanças que não está a gostar nada do rumo que o senhor Costa está a tomar, mesmo sendo muito seu amigo. Especula-se até que são amigos do peito. Ora, quem tem amigos assim, não precisa dos inimigos para nada, n'é verdade?
Entretanto em Lisboa o gabinete do Primeiro Ministro não confirma, nem desmente tais boatos, limitando-se a dizer, através de um porta-voz, que, com efeito, a UE está a atravessar uma crise de ciática muito dolorosa associada a problemas crónicos de bicos de papagaio. Segundo o mesmo porta-voz, esta fase menos boa da UE pode ter levado alguns países a pressionar o governo para antecipar a saída como membro de pleno direito.
Solidariedade europeia - foi o que se pediu a Portugal para salvar a zona euro.
Diligências levadas a cabo por alguém, sabe-se lá quem, ainda não puderam confirmar a condescendência do governo português perante as solicitações da UE, à margem da cimeira de Paris, verificando-se nos documentos oficiais, esses fidedignos, que Portugal apenas aderiu às ligas europeias de futebol, tanto a nível de clubes, como a nível de selecções.

SERÁ QUE OS COMUNISTAS AINDA COMEM CRIANCINHAS?

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A propósito do ruído que se tem registado um pouco por todo o lado, na comunicação social, nas redes sociais e nas  discussões políticas acaloradas entre os que são declaradamente contra e os que são incondicional, ou parcialmente a favor e também os ecos que nos chegam, dos receios dos nossos credores, o nervosismo dos mercados, enfim, as conversas do quotidiano sobre a eventual participação de comunistas e bloquistas num governo liderado pelo PS, parece-me ser pouco adequado para o actual contexto político e social em que vivemos. Ao abordar isto, tento ser o mais imparcial possível para não ferir susceptibilidades. Uma coisa é certa, ou, pelo menos, penso que alguns concordarão comigo. É que a tradição já não é o que era, ou seja, nada é estático; é assim porque tem que ser assim, já passou de moda, embora muita gente insista em prolongá-la indefinidamente. Nada é inevitável, presumo. Aliás, a inevitabilidade tem sido um argumento muito usado pelos defensores de uma certa forma de resignação. Não a deles, evidentemente.

O que é que nos leva a pressupor que uma tal aliança pode vir a gerar desestabilização política e social? À primeira leitura das mais variadas reacções a essa tal possibilidade, constato uma maior percentagem de insegurança nos sectores mais conservadores da nossa sociedade, os que têm medo de perder estatutos, privilégios e influências. Não sei se merecidos, ou se adquiridos ilicitamente. Não me cabe, aqui e agora, julgar isso.

Ora, nesta encruzilhada, afinal em mais uma das muitas em que estivemos envolvidos ao longo da nossa História, não podemos considerar-nos uma excepção ao que está a acontecer e estará, ainda, para acontecer nesta Europa moribunda.

O "arco da governação" foi à vida na Grécia. Lá, o Syriza fez uma aliança improvável e perdeu contra a vontade de um povo e a favor da banca internacional. Em Portugal, pode vir a ter, a breve trecho, uma nova configuração. Provável, ou não, é irrelevante agora, pois a vontade bem expressa pela maioria dos que votaram foi de mudança e a vontade da maioria é para ser acatada. Não direi a vontade dos portugueses porque aí o caso muda de figura e teríamos de aceitar a vitória esmagadora de uma outra vontade: a abstenção.

A seguir pode ser a Espanha e por aí fora, quem sabe? Quem tem medo do papão comunista é quem pensa que ele ainda come criancinhas.

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"...

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  • Anónimo

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