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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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OS BENEFÍCIOS DA DESABITUAÇÃO

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Há quem diga que a necessidade aguça o engenho ou algo parecido, mas imaginemos, em tese, que deixando de haver a necessidade também se pode dispensar o engenho e passo a desenvolver o meu raciocínio.
Comecei com esta curtíssima introdução para defender algo que tenho andado a cogitar há algum tempo. É um contributo pessoal, sem fins lucrativos, na procura de formas de tentar minorar os efeitos das malfadadas crises que têm contribuído para o nosso atraso secular. Diz o povo, e convém não lhe desdenhar a sabedoria, que as crises são devidas à má qualidade dos nossos governantes - actuais e ancestrais. Para ajudar à festa, ainda levamos com as crises alheias; é injusto e há que procurar um remédio para isto; uma coisa assim a modos que radical.
Ora se, como diz mais uma vez o povo, "não há tabaco, não há vício", o mesmo se poderia dizer em relação a outros como, por exemplo, o vício do álcool. Presumo que, desaparecendo o vinho e as restantes bebidas alcoólicas, desapareciam os alcoólicos anónimos, pois não haveria razão para existirem.

Aliviados das despesas supérfluas do tabaco e do álcool, o ordenado mínimo já chegava para melhorar o rancho; pelo menos uma vez por mês. Bebia-se água da torneira nos restantes dias, não obstante as toneladas de cloro que lhe botam. Livres destes, passaríamos ao combate ao vício de comer carne. No primeiro mês íamos estranhar, mas, depois de feito o desmame, carne para que te quero! - Como é curial dizer-se.
Frases tipo "ainda me lembro do tempo em que comia entrecosto" ou "era um consumidor inveterado de lombinhos de vitela com cogumelos", teriam o mesmo sentido nostálgico de outras como, por exemplo, "ainda sou do tempo em que o feijão careto era a dez tostões o litro".

Perdido este hábito penso que, todos, veríamos a nossa situação económica melhorada e a aproximar-se a passos largos dos padrões de qualidade de vida dos países mais desenvolvidos da União Europeia.
Seria, então, a altura mais apropriada para atacar outra pecha muito nossa de comer peixe. Ou não fossemos um país virado para o mar, nomeadamente para a importação de pescada do Chile e peixe gato. Teria de haver aqui outro desmame. Digamos que no primeiro ano poderia comer-se peixe com a frequência com que se come, na generalidade, corvina ao sal ou Linguado au Meunier.
Sem gastarmos um cêntimo no tabaco, no álcool, na carne e no peixe, estou convicto de que este seria um ponto de viragem histórico. Finalmente, após dezenas de anos (para não falar em centenas que é muito chato), seríamos capazes de equilibrar a balança de pagamentos a nosso favor.
Mas teríamos de abandonar outros hábitos estúpidos como, por exemplo, o vício da pedinchice; é tão feio! Era reabilitar a velha Mitra, mandar para lá os pedintes de rua a pão e água, vadiagem! - é evidente que os turistas estrangeiros não apreciam bilhetes-postais destes, por amor da santa!
Acabava-se, também, com os transportes públicos e, por consequência, com os passes sociais para velhinhos reformados que só sabem andar sentados. É consabido que andar a pé faz bem às coronárias e, enfim, juntar-se-ia o útil ao agradável, pois evitaria mais uma despesa supérflua. Concretizada esta desabituação, passaríamos a combater outros hábitos muito enraizados na nossa tradição alimentar, tais como os lacticínios. Acabar-se-ia com a criação de gado leiteiro e, consequentemente, com a produção de leite e seus derivados.
Contudo, saindo um pouco deste âmbito, entraria no universo daquilo que usamos para nos vestirmos. Far-se-iam, primeiro, testes às pessoas no sentido de avaliar a sua resistência física aos elementos. Sabe-se que os nórdicos, e mais acima os esquimós, desenvolveram capacidades de resistência extraordinárias. Testemunhamos exemplos disso quando nos visitam no Inverno. É vê-los a passear de "slips" nas ruas enquanto nós andamos super-agasalhados e mesmo assim a tiritar de frio. Portanto, parafraseando uma afirmação de um conhecido banqueiro após uma questão levantada por um repórter sueco: "Se vocês aguentam o frio, os portugueses não aguentam porquê? Ora, essa! Ai, isso é que aguentam!"
Penso que, com um bocadinho de força de vontade, também podemos reduzir drasticamente o uso da roupa. Ora, devido às economias proporcionadas por mais esta desabituação, não tenho dúvidas (e raramente me engano) que o nosso nível de vida subiria em flecha e poder-nos-ia colocar quase no topo dos países com maior poder de compra e, por conseguinte, com melhor qualidade de vida.
Outro vício como o hábito de morar dentro de casa perder-se-ia facilmente através de incentivos à banca, no sentido de dificultar, ainda mais, o crédito à habitação. Aliás, isso já acontece nos dias actuais. A banca já só empresta a quem tiver dinheiro para a comprar a pronto, por muito paradoxal que nos pareça. Outro paradigma deste enorme esforço da banca para que se perca mais um hábito inútil, é o concernente ao crédito mal parado. Há um número cada vez maior de famílias, cujas casas são penhoradas pela banca porque deixaram de ter dinheiro para as pagar, e isso representa uma grande aposta nos benefícios da desabituação. Há que estimular campanhas com o objectivo de mentalizar as pessoas para o ar livre. Viver do ar é natural e saudável. Há muita gente que vive do ar e não tenho conhecimento de que tivesse morrido... até à data.
É tudo uma questão de força de vontade. Se as pessoas colaborarem, os salários e as pensões chegam para todos e isso colocar-nos-á no topo dos países mais desenvolvidos do mundo. Vamos torcer pela desabituação total! Bora lá?

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