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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

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O PAI NATAL

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A família estava sentada em torno da mesa farta, coberta pela linda toalha de croché bordada pela avó Etelvina ao longo dos últimos noventa e sete anos (é obra!).

Todos se deliciavam a devorar as tradicionais doçarias, próprias da quadra natalícia. Isto, sem terem dispensado o bacalhau com todos, regado abundantemente com azeite extra-virgem Galo (não confundir com azeite extra-virgem Gallo porque não me pagam para o divulgar; era o que faltava!).

Entretanto, sem que estivessem à espera de visitas, bateram à porta.

O chefe de família, visivelmente contrariado e apreensivo (pudera!), deixou cair da boca um pedaço de filhó, prontamente interceptado pelo cão de estimação.

Quem é que se lembraria de interromper um momento familiar tão particular, ademais sem ser convidado e pior: quase à meia noite?! Perguntou quem era:
«Sou o Pai Natal, boa noite e paz na terra aos homens de boa vontade! - foi a resposta do lado de fora - Pretendo ir para Boliqueime, mas, como está muito nevoeiro e escuro como breu, acho que me enganei no caminho. E eu que raramente me engano e agora estou cheio de dúvidas, valha-me Deus!»
«Eh pá, vai enganar outro, meu, essa já não pega! - exclamou o chefe de família, com a boca ainda muito cheia de filhó - Quem é que ainda acredita no Pai Natal, hã?»

«Eu!»- gritou, a criança, sem hesitar.
No entanto, apenas por descargo de consciência - afinal celebrava-se mais uma quadra de amor, fraternidade, solidariedade e coisas afins - , entreabriu a porta e todos (menos o menino) desataram a rir desbragadamente. Diria até indecorosamente (passe a redundância). Do lado de fora assomava-se uma figura tragicómica, quase tétrica, trajando um fato vermelho muito desbotado, com um barrete de cor condicente e umas longas barbas imundas e mal amanhadas, tal e qual o Pai Natal, só que chupado das carochas e aparentemente mal asseado. Ora, toda a gente sabe que o Pai Natal quer-se leitoado, lustrino e limpinho, o que não era o caso. Apesar de tudo, o pobre lá tentou ser o mais convincente que pôde:
«Embora seja difícil de acreditar, garanto-vos que sou o Pai Natal, juro, eu seja ceguinho!»
«Está bem; e eu sou o professor Marcelo!» - Respondeu, sarcástico, o primo Albino que até sofria de albinismo, embora nunca tivesse escalado, sequer, uma montanha. Mais a mais aquela do professor Marcelo até foi descabida porque é evidente que o homem é bem tisnado!
Feitos alarves, continuaram a rir-se do pobre velhinho que afirmava com toda a veemência, ser o Pai Natal...


Cansados de tanto rirem, deram-lhe meia dúzia de broas castelares e um euro, só para se verem livres dele. Além disso, o miúdo ficou muito assustado e confuso com a figura grotesca do Pai Natal. Para não dizer da avó Etelvina que esteve prestes a engasgar-se com uma passa entalada no gorgomilo, por causa da risota. Temendo que desse algum fanico à velha e lhes estragasse o Natal, fecharam imediatamente a porta na cara do pobre homem, tendo este ficado com as barbas entaladas.
Fatigado e muito triste com a falta de solidariedade das pessoas e da Pátria madrasta que o deixara com uma reforma tão miserável que nem lhe dava para as despesas, o Pai Natal deu corda ao burro (queriam renas em Portugal? Dah!) e lá foi a caminho de Boliqueime, afinal a sua terra natal, ao invés da Lapónia. Porra, o homem é cá dos nossos!

O PRESÉPIO

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Como é do conhecimento geral, o Presépio faz-se, tradicionalmente, na chamada quadra natalícia que, como também sabem, celebra o nascimento de Jesus. Logo, é uma quadra festiva onde os abonados gastam uma pipa de massa e os tesos fazem das tripas coração para os imitarem, em louvor ao Deus Menino.

Não é de estranhar que o Natal tenha sofrido fortes influências estéticas e simbólicas, no final do século XX e início do século XXI, devido ao chamado processo de globalização; pelo menos, cá no burgo, o Presépio deixou de ter a relevância que tinha antes da chegada desse fenómeno. Isto, sem embargo das modas que já cá existiam, importadas ou não, antes da informatização da sociedade.

Foram influências que ficaram, dominadas essencialmente por duas representações pictóricas ou conceitos estranhos à nossa cultura: o Pai Natal (ou São Nicolau) da Finlândia (e não só) e a "pagã" árvore de Natal, carregada de presentes (os actuais presentes ou pechisbeques de mau gosto que, teimosamente, se oferecem só porque sim, parecem simbolizar as ofertas dos três reis magos ao Menino Jesus), adoptada pelos nórdicos, nomeadamente, pelos anglo-saxões.

No entanto, há que referir que a tradição da árvore de Natal é muito anterior ao nascimento de Cristo, daí a sua associação a cultos que não seguiram o cristianismo ou à eterna mistura entre o sagrado e o profano...

Haveria muito para dizer acerca da tradição natalícia em geral e da nossa em particular. Todavia, penso que podem encontrar mais informação na Wikipédia que foi onde fui buscar esta síntese.

Em conclusão, se é um cristão convicto, daqueles que seguem religiosamente a tradição e que não faltam à missa do galo, já pode tirar do armário (não confundir com a expressão "sair do armário") o seu presépio; se não possuir um, há muitos à venda para todos os gostos e todas as bolsas.

Se tiver jeito para a olaria, tanto melhor. Sugiro, então, que obtenha barro q.b, molde as convencionais figurinhas à mão e coza-as no micro-ondas (ficam muito bonitas). Pode ser que ainda vá a tempo de descobrir a existência de uma veia artística escondida, algures, no seu âmago.

Vai ver que o Natal, assim, tem mais encanto e, já agora, desista da árvore de Natal; defenda a sobrevivência da nossa floresta e, sobretudo, preserve o nosso capital cultural se faz favor! Obrigado e Boas festas!

DETESTO O NATAL, PRONTO, Q'É QUE QUEREM?!

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Eis alguns motivos, pelos quais "O" detesto tanto:

1 - Troca de prendas obrigatória porque é "tradição". Normalmente pechisbeques cujo destino é o caixote do lixo ou, então, ficam reservados para uma próxima "oferta" a uma pessoa por quem se tem uma "estima" desmedida. Quem nunca se sentiu tão "estimado(a)", atire a primeira pedra!

2 - Abraços e beijinhos forçados; parece mal não dar. Contudo, preferia dispensá-los só para não ter de suportar pessoas afectadas.

3 - Sorrisos "indispensáveis" (vulgo sorrisos de circunstância ou amarelos que vêm na sequência da alínea anterior)

4 - Um calor do caraças por causa do excesso de gente; os espaços das casas são cada vez mais exíguos e, por conseguinte, mais apertados. Está certo que no Inverno o calor humano até sabe bem, mas não exageremos, n'é?

5 - A treta recorrente e angustiante do Pai Natal (normalmente é um pai, um avô ou um tio, que se travestem daquela figura ridícula e dolosa) que persiste na técnica de enganar os putos com uma estúpida e irritante interjeição: "Oh Oh Oh!". Por amor da santa, já não há pachorra!

6 - A profusão de embrulhos cheios de brinquedos "made in China", geralmente pouco didácticos e pouco seguros; alguns a raiar o absurdo; uns caros e outros baratos, consoante o poder de compra de quem oferece. Penso que é uma tendência pouco racional, na medida em que contribui para estimular o sentimento das crianças para as coisas materiais.

Estou tentado a presumir que os pequeninos só acham piada ao ritual excitante de rasgar os papéis dos embrulhos; depois de descobrirem as prendas é uma questão de algumas horas para perderem o interesse inicial. É o sobejamente conhecido fenómeno da fartura. Excluo destes cenários triviais as criancinhas pobres, "naturalmente".

Mas, enfim, faz parte, desde há muito, do "ritual" natalício de muitas famílias. Nomeadamente, daquelas que adoram espatifar dinheiro, embora estejam à rasca para pagar a enésima prestação do televisor "LED 4K Ultra HD 3D TV xispeteó".

7 - Algumas prendas para os adultos que, como já referi, por costume, são prendas que, por pejo, nem ao nosso pior inimigo devíamos oferecer. Por isso, também são irrelevantes porque o Natal, supostamente, é das crianças. Não de todas, evidentemente...

8 - A habitual árvore de Natal de plástico (os pinheiros caíram em desuso por motivos ambientais) enfeitada com bolas, lâmpadas irritantes a piscar outros arrebiques, e a cheirar a mofo devido ao mau condicionamento durante onze meses.

9 - Promoções especiais de fim de ano que ameaçam esmifrar o pouco que resta (aos compradores compulsivos) do subsídio de Natal.

10 - "Espírito Natalício" esse grande engodo que vem, quase, dos tempos afonsinos, fabricado pelo departamento de marketing da cristandade, para nos induzir a ideia de que, graças a um "milagre divino", somos mais bonzinhos ou penitentes em determinadas ocasiões de celebração de efemérides religiosas. Com efeito, funciona, mas não com o objectivo desejado; a malta não é tão "filantropa" como a pintam e partilhar é complicado; nomeadamente quem tem a barriga cheia. Na minha modesta opinião é a pior espécie porque anda sempre com o rei na barriga. Prometo que me pronunciarei sobre este tipo de gente em próximo artigo...

Durante o peditório deste fim de semana para o Banco Alimentar Contra a Fome, para além da "indispensável" cobertura mediática às compras que o professor Marcelo fez numa superfície comercial para esta instituição de solidariedade social - obviamente que a culpa de tanta difusão de imagens do senhor Presidente da República a encher carrinhos não é dele. O senhor é um altruísta militante e ainda bem que é assim. Para político até lhe assenta bem dar este e outros exemplos de solidariedade - , ficaram algumas frases soltas que transcrevo:

Uma senhora de aparência modesta à saída de um hipermercado dizia que "Se todos contribuíssemos com um pouco, conforme as nossas possibilidades, seríamos muitos"; ou as palavras do professor Marcelo afirmando que "Quem mais tem, mais obrigação tem de dar" e ainda dando a entender que é necessário minimizar a pobreza e o seu risco.

Mas para quando? Já se faz muito tarde!

11 - Não me lembro. Divaguei, desculpem!

Epílogo: Não sei o que seria da suposta tradição judaico-cristã, se o Pai Natal, o Menino Jesus (não confundir com o JJ), os três Reis Magos, a Nossa Senhora, o São José, o burro, as vaquinhas, os borreguinhos, as palhinhas e demais personagens e adereços alusivos não existissem. Seríamos melhores do pior que somos?

A PRIMA FELISMINA II

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Minha querida prima Honorina, espero que estejas bem de saúde na companhia da tua gente q'a gente, tirando o estupor do frio, cá vai andando menos mal, graças a Deus. Olha, aqui bate-se o dente porque o aquecimento central está sempre avariado, filha!

Faz tempo que não te escrevo e, às vezes, até fico toda ralada com vocês, mas que é que tu queres? Sabes que sempre fui muito distraída. E ademais não tenho tempo para nada, quando mais para alguma coisa! E dá-te por muito feliz por me lembrar de ti só nestas alturas porque há gente que nem na Páscoa!

Também te escrevo para te dar uma novidade que, certamente, vai deixar-te muito feliz. Pois, então, aqui vai: Já não sou republicana, prima, não é uma boa novidade? Isto foi uma coisa que foi enchendo, enchendo e pronto, tinha de sair por algum sítio, q'é que queres?!

Gostava imenso que a monarquia voltasse outra vez e sabes, ainda tenho a esperança de ver o nosso rei regressar de Alcácer Quibir, a bordo de um submarino, numa manhã de nevoeiro; é cá uma fezada que tenho; tu nem calculas, prima! Acho que devia haver um referendo a perguntar às pessoas se querem um rei ou se querem continuar com aquele selfista compulsivo, sempre a fazer caretas e aos beijinhos. Além de que este país com um rei era outro asseio e era uma coisa vitalícia! Ai, e o nosso querido Dom Sebastião era um santinho, prima, não achas? Coitadinho, sabe Deus quanto sofrimento padeceu às mãos daquele turco maluco, o Mulei Moluco! 

Olha, diz-me cá outra coisa: tu não achas que o Dom Duarte Pio devia concorrer à Presidência da República? Se o Tino de Rans se candidatou, não encontro razão para que o Duque de Bragança não possa fazer o mesmo! Se ganhasse, pronto, já estava! Ficávamos todos marqueses e marquesas e acabava-se a poluição que é uma coisa que só há nas repúblicas. Se calhar passávamos a andar a cavalo e íamos para as santas cruzadas matar infiéis. Ai, era tão bonito! Agora que eles andam muito saídos da casca, a degolar por dá cá aquela palha, até os comia vivos, prima, que raiva!

Bem, mas, na melhor das hipóteses, isto só pode mudar depois da guerra porque a situação está muito má, até mesmo para as guerras. Então, tu não soubeste que o Trump andou a apregoar aos sete cantos que pode haver uma guerra atómica lá para os lados da Cochinchina?! Por via disso até já declarou, unilateralmente, Jerusalém como a capital de Israel, já viste? Ainda bem que é longe, credo! O que nos vale é que os sefarditas são pessoas mais evoluídas do que a gente, n'é? Podem ser um bocadinho safaditos, não nego, mas têm muita prática de guerras e isso tudo, o q'até dá muito jeitinho!

Acho que uma guerra não é para qualquer um; é preciso ter uma boa estrutura mental para aguentar o stresse de uma guerra, mais a mais atómica. No entanto, gostava muito que houvesse cá uma, já que o Benfica foi eliminado das competições europeias. Sempre eram mais uns euros que entravam nos cofres do "glorioso" e ajudavam a economia que bem precisada está, coitadinha! Fazia-se, desta forma, uma grande campanha nacional, tipo "Faça a guerra em Portugal, primavera todo o ano" ou "Make war in Portugal, spring time all year" (para inglês ver) ou ainda "Lance a sua bomba atómica na Costa da Caparica, de costas voltadas para o Barbas - passe a publicidade - e de peito aberto para as ondas revoltosas do mar encrespado". Que tal?
Acho que uma guerra atómica ia trazer ainda mais turistas a Portugal e ficava a balança de pagamentos mais que paga, prima. Assim, sempre a dever, até parece a Ponte 25 de Abril: a gente pinga para lá há mais de cinquenta anos, mas nunca mais paga o raio da ponte! É que, pelo menos, acabava-se com o tormento das moscas. Cá em casa são aos milhares, cruzes, canhoto! Estive fartinha de pedir ao Horácio para comprar "Dum Dum" - passe a publicidade - mas ele respondia logo que eram menos dois copos de vinho que bebia na taberna do senhor Isaías e sabes..., ele até tem razão, coitadinho, também não tem outras entretengas!
Vê lá tu que outro dia... as conversas são como as cerejas, umas arrastam as outras e vai tudo a eito ou a torto e a direito, desculpa, prima, mas antes que me esqueça..., dizia eu que o meu Horácio estava a falar com o patrão lá no emprego...ah, não te disse: o Horácio tem um emprego novo, daqueles sem contrato a prazo. Se não trouxer nada para casa, para além do que o patrão lhe paga, pode ser que fique a trabalhar mais uma semanita; estou muito esperançada em que ele não caia em tentações, prima, vamos ver... ele é tão inseguro!
Mas, como te dizia, um dia destes estava a falar com o patrão e não é que se assoou à gravata?! Mas, olha, do mal o menos; cada um assoa-se ao que é seu e ninguém tem nada a ver com isso, não é verdade? O chato é que ele assoou-se à gravata do patrão porque, coitado, tinha-se esquecido do lenço e era uma tremenda falta de educação assoar-se para o chão; cá em casa é uma porcaria, filha! Por muito que me esfalfe a esfregar o chão, não consigo tirar as nódoas; tu nem calculas! Agora imagina o molho de brócolos em que se ia metendo o meu Horácio. O que lhe valeu foi que, como te disse, ele não tem contrato a prazo senão já tinha sido posto no olho da rua. É o que faz a gente ser distraída! Vê bem, acabou por ir comprar o estupor do mata-moscas, mas como é um cabeça de alho chocho, trouxe um martelo! Eu também não reparei e olha, pôs-se a matar as moscas à martelada e escavacou-me a mobília toda. Achas que o meu homem está bem do tino? O pior foi a avó Felisbela que estava a passar pelas brasas na poltrona. A pobre tinha uma mosca pousada na testa e ele não foi de intrigas; distraidíssimo como é, deu-lhe uma martelada que a pôs a falar estrangeiro. A menos que o raio do insecto tivesse pousado no nariz, pois faria menos estragos! Mas, olha, o bicho teve morte imediata e sem sofrimento, graças a Deus! A avó Felibela, coitadinha, é que não se cala; até parece que está ligada à corrente, credo! Tivemos, inclusive, de chamar o endireita, mas o melhor que conseguiu foi pô-la a falar eslavo. Sempre é melhor que estrangeiro, não achas? Também ficou com um hematomasinho, mas penso que pode ser do reumático. Sim porque de reumático é do que sofre mais o nosso país. Nunca mais entramos para a Europa, credo! Não é que eu deseje mal aos outros, mas quem deve entrar primeiro são os europeus e depois, por ordem de chegada, a gente, os suevos, os visigordos, os vândalos, os energúmenos, os cartagineses, os otomanos, os australopitecos e os gregos...

Ai, os gregos, coitadinhos, o que eles se têm visto gregos para entrar na Europa!
Por hoje é tudo porque, desde que aderimos à monarquia cá em casa, sua alteza, El Rei Dom Horácio I "D'Aquém e D'Além Mar", elegeu-me regente da cozinha e marquesa da Alorna (boa pinga!) e da marquise, o que me dá água pelas barbas de milho (ou de molho).

Pronto, prima, vou ver se depois das canseiras da regência ainda me sobra um bocadinho de tempo para ler o último romance da Margarida Rebelo Pinto. Há mais de meio ano que o tenho em cima da mesa de cabeceira e ainda não lhe consegui pegar; e lê-se num ápice porque só tem trinta páginas, vê tu! É mesmo preguiça mental...

Tem um santo Natal e recebe muitos beijinhos desta tua prima que te estima e s'assina,
Felismina

P.S.: Um dia, o Santo Padre vai canonizar o nosso querido Rei Dom Sebastião. Tu vais ver, prima!

RECEITA FÁCIL DE PAI NATAL NO FORNO

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Olá, meus caros e minhas caras. Sei que uma boa parte de vós estaria mais interessada em ler uma estória picante, mas por estarmos a celebrar, mais uma vez, o Natal que, como sabem, é uma quadra cheia de paz, amor e comezaina até rebentar, não vou fazer-vos a vontade, desculpem lá, mas é inapropriado para um momento tão bonito como este. Daí que, para não pensarem que sou um desmancha prazeres, tive uma ideia que considero luminosa, ao fim e ao cabo enquadrada no verdadeiro espírito natalício, n'é verdade? Ideia luminosa, estão a ver? Assim, aproveitando o ensejo de que o Natal, para além de significar amor (João 3:16-17), também significa mesa farta (José 4:2-3,14159), resolvi proporcionar-vos uma receita muito fácil de fazer e que vai agradar-vos de certezinha absoluta. Dei-lhe o nome sugestivo (se calhar pomposo de mais, peço desculpa) de Pai Natal à "Tocam os sinos". No entanto é um vulgar prato de Pai Natal no forno sem grande dificuldade de confecção,  como já referi.

Contudo, se por um lado é um pitéu de trás da orelha; e olhem que a mim, nestas coisas, ninguém me faz o ninho atrás da orelha porque ando sempre com a pulga atrás dela - acreditem - , por outro lado também não sei porque é que se diz orelha em vez de orelhas, pois são duas: precisamente, uma em cada lado do rosto, mas enfim...

Espero que gostem da sugestão e, a talhe de foice, bom apetite (também concordo convosco; "bon appétit", neste contexto, suava pindérico de mais)!

 

Ingredientes:

-Pai Natal anafado qb.

-Esmero e fuligem de chaminé qb.

-Alho e salsa qb e depois logo se vê.

-Tapas qb.

-Bota e perdigota (dizem que não dão, mas não é verdade!).

-Batata nova qb (Se não houver batata nova, pode ser seminova - não confundir com Uļjana Semjonova, uma famosa ex-basquetebolista russa, que mede uns fantásticos três metros e setenta de altura!).

-20 quilos de banha, mais coisa, menos coisa (se o Pai Natal for muito gordo, deve-se reduzir a quantidade de banha, mais ou menos, para metade).

-Saco de prendas.

-Dois biqueiros no cu, previamente untado.

 

Modo de preparação:

Toma-se um Pai Natal, de preferência bem nutrido. Limpa-se muito bem com esmero e fuligem de chaminé. Nesta fase da preparação, experimentem com alho e salsa porque a bota e a perdigota ligam perfeitamente, ao contrário do que se diz.

Seguidamente, retira-se-lhe a barba (sai sem dificuldade porque, normalmente, é postiça) e outros adereços inúteis que costuma usar na circunstância.
Se o sujeito começar a espadanar é conveniente ferrarem-lhe algumas tapas. Conferem algum ambiente e abrem o apetite.
Bota-se o Pai Natal num pirex de dimensões generosas e junta-se-lhe batata nova (ou seminova) e, mais ou menos, 20 quilos de banha. Como já tinha aconselhado, não convém pôr muita para aproveitar a gordura do sujeito. Para ornamentar pode ficar ao vosso critério, mas proponho que se lhe despeje o saco das prendas em cima. Aposto que os putos vão gramar à brava!
Recomendo que se lhe junte molho tártaro e muito vinagre na expectativa de que liguem horrivelmente mal com algum resto de fuligem que possa ter ficado alojado nas virilhas ou atrás das orelhas que são partes escondidas e, por consequência, mais difíceis de limpar. Polvilha-se com vinte quilos de coentros picados "et voilà" (não sou apologista de estrangeirismos, mas acho que esta expressão vem muito a propósito)!
É possível que o Pai Natal se sinta um bocado marfado e ofereça alguma resiliência à entrada do forno. Todavia, ao contrário do que possam pensar, isso é sinal de que tudo corre pelos ajustes e o petisco vai ficar bem apurado. Portanto, e em jeito de conclusão, se ele conseguir escapar, pois que escape! O apreciador mais exigente pode mesmo ajudá-lo a fugir com dois biqueiros no cu, previamente untado com a banha que escorreu para o pirex.
Quando já só se vislumbrar a sua silhueta no horizonte, desliga-se o forno, parte-se o pirex, deita-se tudo para o lixo, canta-se, naturalmente, o "Tocam os sinos", preparam-se umas sandocas de mortadela, abre-se um tetrapack de vinho tinto rascante Camilo Alves - passe a publicidade -  e passa-se a consoada a contar anedotas do Bocage. De preferência, daquelas muito porcas. Espero que gostem.

E pronto. Aproveito o ensejo para desejar a todo o mundo e mais além (mais além a título excepcional), um feliz natal, fatal neliz(*), fiztal nariz, feloz natil, fenat lozil, fafel lizal, flafli naet, joyeux nöel, joel noyeux, jeux lyon, noyl xeus, yon losel, jylu nejol, merry christmas, gaja christas, masist cherry, maschmas merry, tsis maschyrre, mastem rrrich, tsisma yrrem, felices pascuas, facus sapecic, pelcu fosa, feluas icespas, et cetera.

 

(*)Não descarto a remota possibilidade de existir aqui uma ou outra incorrecção na tradução dos votos de feliz Natal em várias línguas, mas a  culpa é do tradutor do Google que eu de línguas, vivas ou mortas, pesco zero. Aqui fica a ressalva, com o meu mais veemente e humilde pedido de desculpas. 

O CASO DO PAI NATAL, SUSPEITO DE SER PARVINHO

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Foi detida, a semana passada, às ordens da Procuradoria do Tribunal da Comarca, uma pessoa do sexo masculino com aspecto de Pai Natal. O homem é suspeito de valer-se da quadra que está à porta para se fazer passar por parvinho.

Após breve investigação judicial, veio-se (veio-se, aqui, soa mal, peço desculpa) a descobrir, nas últimas horas, que afinal pode ser parvinho, embora persistam dúvidas.
O indivíduo, de nome Anacleto, cujo apelido é Silva, tem andado pelo centro de Lisboa, trajando um fato bizarro de cor vermelha, algo desbotada, e barba grande com aspecto imundo. O sujeito anda a clamar, para quem o quiser ouvir, que já morou num palácio cor de rosa, paredes-meias com o "Museu dos Coxos". Ora, tal clamor vem dar consistência à convicção generalizada, no seio das autoridades (discordo da construção desta frase porque devia escrever-se nos seios das autoridades), de que efectivamente é parvinho. Isto porque não há conhecimento da existência de tal museu. O mais aproximado é a Rua da Coxa em Bragança e, que se saiba, não existe nenhum palácio cor de rosa nessa rua.
Segundo testemunhas oculares (testemunhas com óculos, evidentemente), carregava um saco de lona às costas, com o logótipo do BPN já muito coçado. Depois de aberto, o saco, revelou quinquilharia alusiva ao Natal, como granadas anti-tanque, caixas de munições de canhão de recuo de longo alcance, uma bazuca Lego (graças a Deus) e dois tanques Panzer do "Wehrmacht" (Arre-macho, segundo o tradutor Google que eu, de Alemão, pesco zero) em muito mau estado de conservação (vá lá).

Estes brinquedos perigosos, excepto as balas de canhão de recuo de longo alcance que são de pólvora seca, foram imediatamente assinalados e o indivíduo prontamente imobilizado por populares assim que o cheiro a pólvora assumiu proporções alarmantes para a saúde pública.
A seguir a uma longa espera desesperante, deslocou-se imediatamente ao local - passe o paradoxo - um piquete da Brigada de Minas e Armadilhas da PSP que colheu amostras de ADN das balas de canhão de recuo de longo alcance, permanecendo algumas dúvidas em relação à perigosidade dos artigos remanescentes, inclusive do Pai Natal.
Interrogado sobre a origem, destino e uso dos brinquedos apreendidos, Anacleto foi poupado na resposta: «Raramente me engano, mas não tenho dúvidas de que sou realmente um parvinho!»
Dado que o desenvolvimento do caso estava a tomar contornos nebulosos, foi chamado um psicólogo forense, chamado Acácio de Mente que, após cumprimentar formalmente o Pai Natal, foi sumário: «O homem não sabe nada, é completamente parvinho!» - conclusão que era mais do que previsível. No entanto, carecia de investigação mais aturada, como o apuramento dos factos que é sempre um factor importante em qualquer investigação, logicamente.
Passada a noite no calabouço, foi presente a um juiz que o mandou para a rua, ficando a aguardar julgamento em liberdade.

Anacleto Silva pode, por conseguinte e por consequência, incorrer num crime de perjúrio se se confirmarem as últimas alegações de que, com efeito retroactivo, se fazia passar por parvinho, sendo, afinal, o Pai Natal. 
As últimas palavras do doutor juiz foram: «Já agora, não tens para aí uma metralhadora HK para o meu netinho, ó Pai Natal?»

CONTOS DE NATAL

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Certo dia, Elohim nomeou um emissário chamado Gabriel para ir anunciar a boa nova a Maria, uma mulher idosa, natural de Nazaré. Porém, Mefistófeles, Seu eterno arqui-rival, arquétipo da maldade suprema que, além de ser um excelente mimetista, era um mulherengo compulsivo, aproveitou-se da distracção momentânea do Criador, disfarçou-se de Gabriel - o qual fizera desaparecer de cena - e foi ao encontro da virgem Maria Nazarena que, não obstante o tempo lhe ter roubado a graça da juventude, ainda despertava no mafarrico apetites lúbricos. Ou não fosse Mefistófeles!

Assim que aterrou a máquina voadora na qual se fizera transportar desde algures* no infinito celeste, disse a Maria:
«Salve, ó afortunada virgem, o Senhor está contigo!»
Não compreendendo muito bem o significado das palavras do seu interlocutor, Maria esboçou um gesto de dúvida e, naturalmente, temor. Porém, Mefistófeles prosseguiu:
«Não tenhas receio, mulher! Ele enviou-me para te dizer que vais ser mãe brevemente; mais vale tarde do que nunca, não achas?... Vai ser um rapaz vigoroso, fica tranquila. Está escrito que se vai chamar Salvador. Gostes ou desgostes, é o que vai constar na Sua certidão de nascimento!»
«Mas, eu não sou casada, meu senhor! Para além disso, já não tenho idade para conceber»
«Não te rales, Maria! Ele é omnisciente e tudo pode, tudo sabe, e passa ao lado desses pequenos pormenores de ordem burocrática. Prepara-te que o tempo urge. É de Sua indelével vontade que o menino solte o primeiro vagido no dia 25 de um mês de Dezembro. Apressemo-nos, pois, para cumprir os Seus desígnios. Quanto mais depressa for feito, mais depressa contentaremos o Senhor! Quando o sol se puser, unge-te com óleos perfumados e espera por mim que, em nome de Deus, depositarei em ti a semente do Divino Espírito Santo.
Então, Maria, disse:
«Faça-se, então, a Sua vontade, vou ser escrava do Senhor!»

 

Passaram-se meses...

 

José era um homem porreiro, mas tudo tem um limite, mesmo para os valores daquela época em que as normas de boa conduta não eram tão filtradas como actualmente. É claro que, quando despontaram os primeiros sinais da gravidez de Maria, José, não sendo seu marido, pensou que não estava para se casar com uma mulher impura. Ainda se fosse jovem e formosa, vá que não vá! O que é que iriam pensar dele? É que, apesar de tudo, naquele tempo ainda havia muito preconceito...
Numa noite, no regresso a casa, após uns copos e umas horas de reinação num lupanar de Séforis, cidade onde exercia o seu métier de carpinteiro, teve uma visão. Vindo do nada, apareceu-lhe um tipo louro, alto e bem vestido, que lhe disse sem delongas:
«José, filho de David, o Senhor ordena-te que não rejeites Maria. O fruto que ela traz no ventre é o Filho de Deus. Trata de casar com ela, pois essa é a determinação do Senhor!»
No dia seguinte, acusando o efeito de uma noite de boémia, José não ligou grande importância ao sucedido, pensando que se tinha tratado de mais um sonho provocado pelo vinho rascante, comum naquela época, mas, no seu subconsciente, bem lá no fundo, sentia que não podia deixar a pobre criatura de Deus entregue a um destino de mãe solteira. Estava escrito.

Epílogo:
Elohim nunca soube que Mefistófeles Lhe tinha passado a perna, mais uma vez, e tal desconhecimento, ou distracção, como lhe quisermos chamar, adiou o primeiro cisma da cristandade. Contudo, nunca ficou provada a origem da paternidade do Salvador. E, mesmo à luz dos conhecimentos científicos actuais, a verdade, custe o que custar, ficará sempre por apurar. Penso que foi melhor assim porque senão o Natal não teria graça.

 

*há algumas teorias que referem a existência de um lugar inóspito chamado inferno e o associam a Mefistófeles, mas penso que isso são especulações Dantescas.

CARTA AO MENINO JESUS

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Tinha escrito uma cartinha muito bonita ao Menino Jesus, como o senhor professor de Educação Moral e Religiosa Católica sugerira a todas as crianças.

Pensava que, desta vez, não haviam razões, devidamente fundamentadas, que levassem o Deus Menino a recusar o seu pedido. Ademais, com toda a justiça, diga-se de passagem, pois até parecia que Ele andava de candeias às avessas com ele, sem saber a causa de tanta animosidade. Isto porque era uma criança que comia a sopa toda, não se metia em rixas, ia regularmente à missa, frequentava a catequese, enfim, ele era mesmo um menino muito bem comportado; um anjinho se assim se pode dizer. Por conseguinte, passarem Natais a fio sem responder às suas cartas, sem uma lembrança no sapatinho, por muito singela que fosse, era razão para se sentir triste e incomodado.

Afinal, até nem era um rapaz muito exigente; queria apenas aquela XBox 360, ou a Nintendo Wii que tinha visto naquela montra, apelando, fascinantes, para que as levasse. Claro que as duas seriam o ideal, mas convinha não abusar da bondade do Menino Jesus e, como referi, ele era um garoto que se contentava com pouco, coitadinho.

Depois de ter remetido a carta para o endereço habitual, algures no Céu, desejou que o tempo passasse depressa até àquele dia tão apetecido em que os meninos, maravilhados com o espírito natalício, se enchem de sorrisos e muita ansiedade. Mesmo os meninos pobres, porque não que diabo (ai, perdão!)?! Compreensível, n'é?
Quando chegou o dia e a hora de abrir as prendas teve mais uma grande decepção: à medida que ia desembrulhando a sua, com a impaciência que caracteriza as crianças com expectativas muito elevadas, anteviu logo a coisa que se escondia dentro daquele embrulho tão dolosamente atraente: um comboio de plástico, horrível, ainda por cima "made in China", pormenor que o deixou muito irritado. Largou o estúpido brinquedo e saiu dali lavado em lágrimas e indignado com o Menino Jesus. Ele acabara de lhe frustrar as esperanças mais uma vez.
Depois ainda se admiram com o facto de as crianças não gostarem de rezar, valha-lhes Deus!...

 

 

O ANJO CAÍDO

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Não tinha faltado nada na mesa da consoada.

Para além do tradicional bacalhau com couves, as rabanadas, a aletria, as filhós, o arroz doce e demais iguarias com que todos se tinham regalado, sobrara a impaciência pelo soar das doze badaladas da meia noite. Ir à cozinha abrir as prendas que o menino jesus lhes tinha deixado no sapatinho, ia ser o culminar de todas as expectativas; satisfeitas ou não, era o que se ia constatar após a décima segunda badalada.
As crianças eram as mais impacientes, como é compreensível, pois queriam saber se o Menino Jesus tinha atendido os seus pedidos.
Subitamente ouviu-se um estrondo abafado vindo da cozinha e um leve cheiro a algo queimado..., incenso talvez.
«É o Menino Jesus, é o Menino Jesus! » - Gritaram os miúdos excitados.
«N'é nada, ainda é muito cedo!» - Ripostou o pai.
Levantaram-se dos seus lugares e acorreram à cozinha para ver o que tinha acontecido. Tal não foi o espanto geral quando se depararam com um anjo caído com as asas machucadas, o qual, meio combalido como é natural nestas circunstâncias, se identificou como sendo um anjo da guarda que passava por ali quando um problema numa das asas o forçou a fazer uma aterragem de emergência. Feitas as apresentações, desfez-se em desculpas e prometeu que iria ressarcir a família pelos prejuízos causados por aquele infeliz contratempo.

No meu tempo os anjos da guarda eram fiáveis, que diabo!...Ups, perdão!

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