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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TODOS OS HABITANTES DOS MARES DE PORTUGAL

a todos os habitantes dos mares de portugal.jpg

A todos os habitantes dos Mares de Portugal e dos Algarves, nomeadamente o Mar Alto, o Mar Chão, o Mar de Rosas, o Mar Territorial, o Mar da Palha e "se mais (Mar) houvera lá chegara":

Artrópodes, fitozoários, pisciformes, cetácios, lamebrânquios e cefalópodes (se não referi outros espécimes, queiram, desde já, aceitar as minhas desculpas porque não é que tenham menos importância; é mais por ignorância):

Esta é a grande novidade há muito tempo almejada pela população submarina e sucessivamente adiada por motivos que não vêm ao caso, mas, em todo o caso, deve-se salientar que foram objecto de negociações aturadas com alguns parceiros sociais, às quais não faltou a indispensável peixeirada e a inevitável salgalhada. Nestas coisas, sobra sempre para o mexilhão!

O senhor Ministro dos Mares e das Marés, Doutor Marinho do Ó Carapau, sempre atento aos anseios da comunidade marinha, ou ele não fosse marinho, e aproveitando a maré alta, dado que o país atravessa uma maré de sorte, decidiu, finalmente, fazer aprovar por unanimidade, com algumas trocas de solhas e muita caldeirada à mistura, uma medida de apoio extraordinária que vai de encontro às expectativas da generalidade dos seres subaquáticos: mandar construir o Lula Parque que era uma enorme lacuna (não confundir com laguna) no panorama lúdico-subaquático nacional.

Em verdade verdadíssima, dentro em breve, vai ficar tudo em polvorosa (deve pronunciar-se polvo rosa, senão não tem piada).

Tudo será feito para que nos possamos divertir à brava no Lula Parque.

Podemos andar às voltas, sem cessar, nos carrissóis de camarão, conduzir carrinhos de chocos, visitar o Submarino Nautilus do Capitão Nemo e deixarmo-nos tactear nas escamas, barbatanas e conquilhas, por ventosas de górgonas tailandesas, com a garantia, devidamente certificada, de finais felizes. Contudo, não há bela (não confundir com linda) sem senão: Segundo a mitologia grega, as górgonas tailandesas são muito feias e más como as cobras. Logo, não devemos encará-las, sob risco de ficarmos petrificados ou, na pior das hipóteses, sermos transformados em caras de bacalhau.

Ficaremos sem pinta de sangue nas guelras e bestialmente escamados quando deslizarmos vertiginosamente na montanha russa do Canhão da Nazaré.

Pescadinhas ciganas de rabo na boca ler-nos-ão a sina na palma das barbatanas! Vai ser um fartote de prazer no Lula Parque! Garanto-vos pelas alminhas das belas nereidas a quem Camões, num momento de insuflação criadora, chamou Tágides.

Por isso, é justo que lancemos daqui um viva ao nosso querido Ministro! Viv'Ó Carapau!

 

 

"FAKE NEWS"

o boato.jpg

Segundo fonte de informação supostamente confiável, estaria para breve uma nova remodelação ministerial, não dos ministros e secretários de Estado, como é pouco habitual e seria recomendável, mas dos nomes dos ministérios.

À semelhança do Ministério da Deseducação e Ciências Ocultas, os demais ministérios passariam a designar-se conforme se segue: Ministério dos Transportes Pelas Ruas da Amargura; Ministério da Agricultura de Nabos e Nabiças; Ministério da Administração Danosa; Ministério dos Negócios Esquisitos; Ministério da Doença Crónica; Ministério da Defesa Meio-campo e Ataque; Ministério da Insegurança Social; Ministério da Habituação e Conformismo; Ministério da Ópera Bufa (em substituição do Ministério da Cultura (?) e, finalmente, até nova remodelação, o Ministério da Injustiça, ao qual seriam atribuídas três inéditas Secretarias de Estado: Secretaria de Estado Para a Justiça dos Ricos; Secretaria de Estado Para a Justiça dos Pobres e Secretaria de Estado Para a Justiça Cega.

Segundo a mesma fonte que, repito, refuto de bem informada, nesta remodelação - provavelmente a última antes da próxima legislatura - estaria previsto o encerramento do Ministério das Finanças para balanço, dado que o actual ministro é um absentista do caraças.

Caso esta nova orgânica não viesse a ser aprovada pelo Tribunal Constitucional, depois de ter passado pelo crivo do Supremo Magistrado da Nação, pôr-se-ia a hipótese de o Primeiro Ministro passar à reserva territorial, recebendo, para o efeito, um triciclo a pedais em substituição do habitual par de patins.

Com esta decisão, o nosso primeiro ficaria obrigado a comparecer ao controlo anti-doping semanal por causa das tosses. Porém, devo enfatizar que isto não passa de um boato ou, como agora é moda dizer-se, "Fake news".

 

 

IRS

novo imposto.jpg

O governo da "geringonça" promete que vai fazer todos os esforços, mesmo os mais depurativos, no sentido de abolir este tão contestado imposto. Isto, caso obtenha uma vitória com maioria absoluta  nas próximas legislativas que, como quase todos sabemos, são já no próximo ano.

A nobre intenção do executivo poderá vir a lume brando a breve trecho. Assim, cautelosamente, o órgão tutelar já mandou instalar extintores de incêndio, adicionais, nos corredores de São Bento.

"A actual situação económica, não sendo brilhante também não é desluzida e, por via de algum equilíbrio, permite, pelo menos, abolir este tributo tão impopular e mesmo de difícil justificação". Afirmou a um jornal diário (o nome é irrelevante para o caso) um porta-voz do Ministério das Finanças ausente em bloco e em parte incerta, devido ao cargo muito importante e de enorme responsabilidade que o ministro da tutela exerce, dentro da União Europeia.

"Posso acrescentar - continuou o porta-voz do ministério ausente em bloco e em parte incerta - que grande parte dos objectivos da criação do Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares (IRS) que, como é do conhecimento geral, veio substituir o Imposto Complementar (IC), também esse de má memória, foram compridos (leia-se compridos em vez de cumpridos) e ultrapassaram, mesmo, o limite métrico da decência fiscal." 

E detalhou:

"Temos um ensino de excelência, um Serviço Nacional de Saúde que ombreia com os melhores da Europa da União, hospitais de referência, serviços administrativos altamente eficientes (graças ao programa Simplex), modernas autoestradas que levam a nenhures, um extraordinário PIB per capita, et cetera. Portanto, em nome do governo, declaro que é com um prazer desmedido que anunciamos aos nossos concidadãos que estamos dispostos a aliviá-los deste imposto arbitrário que absorve, a grosso modo, cerca de vinte por cento dos rendimentos mensais da generalidade dos portugueses."

"Entretanto - ainda segundo o porta-voz do ministério ausente em bloco e em parte incerta - embora não seja intenção do governo onerar a carga fiscal dos contribuintes, está prevista a criação, também a breve trecho, de um novo imposto. Um imposto suplementar (IS), digamos assim."

"Porém - prosseguindo o porta-voz do ministério ausente em bloco e em parte incerta - , pensamos que os portugueses vão, certamente, compreender a necessidade imperiosa de criar um fundo de maneio que permita garantir a manutenção das belas autoestradas que levam a nenhures, formar professores de excelência para escolas modelares, manter as boas referências do SNS e, por consequência, das unidades hospitalares e, claro, motivar monetariamente os altos quadros do Estado, sob risco de fugirem para o privado. Simplificando, trata-se de garantir a nossa magnífica posição no ranking europeu dos cidadãos com melhor qualidade de vida, ao lado dos dos países do leste. Ora, isso custa muito dinheiro!"

"Quanto ao montante da nova tributação que está em estudo, ainda não há certezas, mas presume-se que oscilará entre 30 e 50 por cento dos rendimentos do agregado familiar e terá de ser deduzido automaticamente todos os meses, pondo fim aos procedimentos oficiais, tantas vezes desnecessários, na entrega da declaração anual de rendimentos."

O governo não vê qualquer razão plausível para que o seu empenho no lançamento deste novo imposto seja reprovado pelos portugueses, dado que, suprimir o IRS, representa uma mudança substancial na relação entre os cidadãos e o fisco!" - concluiu o porta-voz do ministério ausente em bloco e em parte incerta. 

Pensa-se que o imposto suplementar (IS) poderá ter efeitos 'rectoactivos' para a maioria dos portugueses. No entanto, caso seja posto em prática, aconselha-se o uso do creme do Dr. Santinho, cuja eficácia parece ter sido comprovada. A ver vamos...

 

O CONDE

a viscondessa.jpg

Estava uma noite de feição para aqueles lados. Aliás, a bem dizer, estava uma noite fantástica para qualquer lado.
As janelas escancaradas de par em par (passe a redundância), derramavam uma luz branda sobre o jardim da frente do esplendoroso palácio das Avencas.
Os luxuosos automóveis não paravam de chegar e, à medida que iam estacionando, saíam das suas ostentosas entranhas as mais notáveis figuras da socialite citadina: políticos, generais de várias estrelas, banqueiros, empresários, um clérigo que nem parecia monge, pois não trazia hábito (aqui bem se pode dizer que o hábito nem sempre faz o monge), e outras pessoas menos importantes, contudo, importantes.

Todos iam chegando, em poses mil vezes estudadas ao espelho, cumprimentando a Viscondessa com a habitual afectação a que estes acontecimentos dão ensejo.
O Conde ia apreciando, nem sempre resignado, o desfile destas, segundo a sua perspectiva, burlescas personagens. Familiarizara-se com a rotina destes eventos ao longo dos seus últimos seis anos. Até com a voz habitual do mordomo no átrio, em idênticas circunstâncias.
«Doutor Pinto Reboredo e Silva e esposa!» - anunciou o mordomo.
«Lá vem o corno manso e a rameira!» - pensou o Conde, de si para si, rindo escarninho. O Conde soltava gases enquanto ria.
«Exm.ª Senhora Dona Constança da Cunha Figueroa Carvalheira Anderson e Barbosa, Marquesa de Chelas!»
«A velha lambisgóia não podia faltar!» - rosnou, novamente, o Conde que andava com vontade de ajustar contas com "aquele estafermo".
«Exm.º Senhor General de 18 estrelas, mais 16 comendas, Epindérico Engomadinho!»
«Já cá faltava o emproado a cheirar a naftalina!» - refilou o Conde, agitado com o barulho irritante dos penduricalhos do generaleco, a chocalhar uns contra os outros.
«Exm.º Senhor Ministro da Economia em Baixa!»
«Este diz que a economia cresce e a oposição diz que baixa. Afinal em que é que ficamos? Em pé de porco de coentrada, ou mão de vaca com grão de bico?»
«Exm.º Senhor Doutor Juiz Embargador do Supremo Tribunal do Impedimento!»
«Olha, outro empata! Desta vez deixou o pote da mulher em casa. Também, é preciso ter muita coragem para apresentar um traste daqueles em público!» - mirava o Conde, coçando o escroto com frenesi e esgar de aparente prazer.
Foi, mais ou menos, por esta altura que surgiu Dona Isabel Maria Rosemberg de Pinto e Sousa, Viscondessa de Valdantas e tudo em redor. Descendo as escadarias lentamente e a coxear, ao deparar com o Conde no átrio, encostado a uma árvore, exclamou:
Como sempre, Conde! Quantas vezes é que tenho que lhe dizer que o seu lugar não é aqui, hã? Vá já para a sua casota, já, já, já! Não são horas de estar acordado! Ai, o menino! Hum!»
«Este cão... tem umas expressões que até parecem de gente, credo, até me arrepio toda!» - murmurou.

A CERVEJA

a cerveja.jpeg

O futuro ex-ministro da economia, ex-presidente da empresa cervejeira que detém a cerveja Super Look, rejeitou as acusações de "falta de ética e prepotência" proferidas pelo actual presidente de outra empresa de cervejas concorrente. Em causa está o facto do futuro ex-ministro da economia não beber outra cerveja que não tenha a marca Super Look, e fazer questão de irritar a concorrência com spots publicitários provocadores sobre a marca à qual presidiu, aproveitando-se do cargo político que ocupa e uma auto-estima desmesurada.

Em declarações a um matutino, o futuro ex-ministro da economia disse que o responsável pela outra cervejeira "devia reconhecer que não tinha razão, em vez de fazer acusações sem fundamento.

Se não sabe assumir as derrotas, o melhor é arrumar as botas!" Mai' nada, tunga!

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