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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL DA EQUIPA DA REDACÇÃO

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NPL: «Olá a todos. Escrevo esta cartinha em tom de desabafo porque não suporto mais esta situação ambígua; é só por isso e não é pouco! Passo a explicar:

No início do nosso casamento corria tudo às mil maravilhas e agora a minha vida ficou de pernas para o ar porque sinto que ele me está a passar a perna.

Instalámo-nos na nossa zona de conforto sem grande dificuldade, não tendo sido necessária, por isso, a ajuda dos papás. O meu marido, embora nunca tivesse recebido um Prémio Pulitzer, era um distinto jornalista. Não ganhava por aí além, mas dava para nos sustentar e havia muito amor. Além disso, o Eládio cumpria exemplarmente com as suas obrigações conjugais e, se necessário fosse, até se superava. Só que, desde há um tempo para cá, passou a trazer a secretária para casa ao fim do dia e faz-me passar vergonhas, sei lá; até parece que mudou de personalidade. Suspeito que já não é o meu Eládio, que mora naquele corpo, credo!

A vizinhança cochicha, e com razão, porque é todos os dias a mesma barulheira a subir e a descer as escadas; já para não falar nas paredes todas esmurradas! Inclusive, a dona Isaltina do rés do chão já me disse que ia fazer queixa à polícia se a pouca vergonha continuasse e não vejo jeito de a parar.

Também sei, por portas e travessas, que o chefe da redacção desconfia que o Eládio anda com a sua secretária. Até a mamã, que não gosta de meter a colher, já jurou a pé firme (a mamã desfez-se do outro que era muito chato) que nunca mais põe o pé cá em casa. "Nem ao pé coxinho!" - garante e insiste, batendo o pé sem o arredar. Pela minha parte tenho tido uma paciência de Job, mas começo a perdê-la!...

Até há noites em que o Eládio chega ao cúmulo de trazer a secretária para a cama e dorme abraçado a ela com uma perna às costas; é inacreditável! Olhem, só visto! O que mais me choca é que fico sem reacção, feita parva, a assistir. Está bem que a cama é daquelas larguíssimas e, por conseguinte, dá para os três, mas não deixa de ser esquisito!

Não sei o que hei-de fazer; estou completamente desesperada! Todavia, os meus amigos dizem-me que nem sequer é razão para divórcio, imaginem! No entanto, gostava de saber a vossa opinião.

Em abono da verdade, posso adiantar que a secretária até nem tem um volume por aí além: tem a estrutura em ferro, tampo em fórmica, duas gavetas em cada lado e pesa aproximadamente sessenta quilos mas, mesmo assim, é uma situação desconfortável. Por favor, ajudem-me!»

Natércia Pá Lopes

 

ER: «Muito fácil, Pá! Já que a cama é grande, seja ciosa e meta lá uma cadeira giratória com rodas e um desktop, só para fazer ferruncho ao Eládio!»

 

 

GFDP: «Bom dia. Não fossem vocês e a quem é que me havia de dirigir, valha-me Deus?!

Estou muito aborrecido e o caso não é para menos porque, caso contrário, não o encararia como um caso sério e garanto-vos que não foi um caso ao acaso. Em todo o caso, como não tinha mais ninguém a quem recorrer, lembrei-me de vocês por mero acaso. Então, aqui vai o caso:

Costumo passar férias em Armação de Pêra. Aliás, uma praia e peras, embora não goste de Armação de Pêra e também não vem ao caso. Em todo o caso, gostando ou desgostando de Armação de Pêra, trata-se de um caso de consciência porque, caso contrário, não era caso para recorrer aos vossos conselhos muito sensatos e prudentes (passe a redundância).

No fundo, a razão deste meu apelo não se prende com o facto de gostar ou desgostar de Armação de Pêra, como referi a despropósito. Com efeito, o caso é sério porque a minha esposa, que por acaso é espanhola (podia não ser, mas é), embirra solenemente com o topless. Ao contrário de mim que adoro ir à praia só para ver as mamas...perdão, manas de fora. As manas de fora são duas morenaças de estalo. Adoro vê-las aos saltinhos à beira-mar, fugindo graciosamente das ondas. São tão airosas e delicadas! A minha senhora é que teima comigo que aquello es una vergüenza y que nació en Santiago de Compostela y que yo quiero mucho libertinaje, et cetera.

Dígame, por favor, qué he de hacer para hacerla cambiar de opinión y ahora me expliquen el significado de la palabra "libertinaje", gracias!»

Gervásio Flores Dias Pires

 

ER: «Mira, Flores, en primer lugar, estamos en duda si tú estás pidiendo nuestro apoyo o el apoyo de Dios, porque entras aquí en contradicción. De todos modos te damos una respuesta porque no estamos aquí para nada más y es una pena que tu esposa no le guste el topless, porque nos encanta el topless. Pero tiene fe y esperanza y insiste con ella que no hay nada más hermoso y inocente que mirar unas hermanitas bonitas sacudiendo al viento. En cuanto al significado de "libertinaje", es un concepto muy debochado, pero bosch es bueno (pase la publicidad)!

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL DA EQUIPA DE REDACÇÃO

consultório sentimental.JPG

CS: «Olá. Sou uma mulher alta, sensual e, evidentemente, muito atraente. Além disso, dispo-me sempre bem, depressa e sem rebuço. O meu marido nunca encarou bem esta minha maneira de ser, muito espontânea, e acabou por sair de casa, de armas e bagagens, sem mais aquela.

Como devem calcular, fiquei em estado de choque! Até agora só tive tempo de telefonar para dois amigos de longa data que, ainda hoje, me virão prestar algum conforto e solidariedade nesta hora de muita solidão e tristeza.

Acham que estou a proceder bem ao chamar estas pessoas, assim, tão em cima do acontecimento? É que sinto-me tão só! Por favor, quero pôr tudo a nu!

Cremilde da Silva»

ER: «Cara Cremilde, pensamos que a sua atitude é a mais correcta. Além de que não vemos mal algum no facto de precisar de ser confortada pelos dois amigos que refere. Aliás, se outras razões não houvesse, bastaria a sua para nos fazer compreender que a solidão é uma disposição emocional muito dolorosa. Por conseguinte, cara Cremilde, parece-nos até que, desse modo, você recuperará facilmente o climax da felicidade a que estava habituada e águas passadas não movem moinhos, minha amiga! O amor é assim; é lindo enquanto dura e há mais marés do que marinheiros, embora os marinheiros façam falta quando se está de maré, mas, por favor, não vale a pena remar contra a maré se a maré é baixa, é inútil, aproveite as marés de sorte porque de marés de azar anda o mundo farto! 

Olhe, venha-se lembrando de nós e, se lhe aprouver, estamos ao seu dispor; somos uma equipa de vinte, adoramos pôr tudo a nu, e ele, às vezes, há finais felizes!» 

 

FR: «Olá. Tenho trinta anos, sou engenheiro informático, sócio-gerente de uma grande empresa ligada à minha área de formação, tenho olhos azuis, grandes e lindos, conduzo um Volkswagen New Beetle (passe a publicidade), amarelo canário, e frequento o Red Frog (passe a publicidade) aos fins de semana, para além de outras singularidades que, por acaso, não vêm ao caso. 

Casei-me há um par de anos com um colega da faculdade, um rapaz muito airoso e gentil, pelo qual me apaixonei perdidamente, tipo amor à primeira vista, porque só visto, contado ninguém acredita; e juro a pés juntos e bem assentes no chão que ele é lindo como uma flor do campo! Porém, aqui há dias, não sei como nem porquê, tive uma experiência extra-conjugal com uma filha da mãe e de pai incógnito, por sinal um senhor bem cuidado e de bom porte, com o qual também tenho mantido, regularmente, ralações sexuais porque ando sempre ralado com receio de o meu marido vir a tomar conhecimento das minhas infidelidades conjugais. Que hei-de fazer? Por favor, ajudem-me que isto é uma situação desesperante! Sinto-me tão impotente, meu Deus!

Frederico Rosas»

ER: «Caro Frederico, o que mais nos impressionou no seu relato foi a cor e a grandeza dos seus olhos. A situação que nos descreve parece ser irreversível, desgastante e patética, dado que nos suscitou, imediatamente, muita piedade - perdoe-nos a redundância. No entanto, pensamos que o seu caso não é, assim, tão complexo como imaginámos, a ponto de não se poder reverter, caro amigo. Basta que siga estas regras religiosamente: Coma muita fruta, levante halteres e faça clisteres. Besunte-se, também, com óleo de amêndoas doces, pelo menos, duas vezes ao dia antes das quatro principais refeições e pense, com urgência, em trocar de carro porque, para um moço impotente, só um bólide imponente. Vai ver que fica contente. Chau, bebé!»

 

NN: «Caros senhores, éramos dois seres adoráveis (ainda somos, claro), cada qual com o seu sexo, evidentemente (a gente até mostrava à comissão e tudo), profundamente apaixonados e trabalhadores independentes, cuja única ambição era fazer as pessoas felizes, independentemente da orientação sexual, religião, clubismo ou simpatia política. Tudo nos corria à feição e sem desregramentos, excepto as regras da minha sócia.

Não somos analfabetos, mas também não somos intelectuais, graças a Deus! Em boa verdade, também nunca estudámos para sermos intelectuais, lagarto, lagarto!

O mais longe que fomos, ao longo da nossa vida, foi a Badajoz. Sempre nos distraíamos e era no tempo em que valia a pena lá ir para comprar caramelos; e até nos desenrascávamos porque arranhávamos algumas palavras em grego, graças a Deus! Agora já ninguém vai comprar caramelos a Badajoz; é uma tristeza!

Também deixámos de frequentar salas de cinema porque já não exibem filmes alemães hardcore como antigamente. Que saudades das sessões contínuas no cinema Olímpia! Tudo vai desaparecendo, infelizmente...

Contudo, valha-nos isso, gramamos à brava os programas do CMTV, telenovelas e "talk shows", sobretudo os que dão na SIC e TVI, nomeadamente os da Júlia Pinheiro e da Fátima Lopes, respectivamente.  Só não vimos o Preço Certo porque achamos que devia dar depois do Telejornal e nunca antes.

Até escrevemos uma carta registada, com aviso de recepção, ao provedor do telespectador, mas ele, ou não percebeu patavina daquilo (a gente escreve muito mal) ou fez ouvidos de mercador porque só nos devolveu o aviso de recepção, vejam lá, ele que até ouve tão bem!

Não gostamos do PS, do PC nem do BE, mas também não votamos à esquerda, credo! É por estas e por outras que, se calhar, o melhor remédio, para nós, é o suicídio, visto que já ninguém liga para a gente! Andamos desconfiados que se deve à nossa idade avançada! Afinal, já não somos nenhumas crianças! Queríamos saber a vossa opinião.

 

Nandinho e Nandinha»

ER: «Porra, morram os Dantas e as antas! Morram! Pim!»

 

 

 

 

 

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

coisas da bola.jpeg

«Mamã, não sei o que lhe aconteceu! Amo-o tanto, tanto e ele continua a jogar à defesa! Imagine, mamã, que andou quase dois meses para tomar uma decisão que já se previa! Graças a Deus que vai arrumar as botas porque o que é demais é moléstia e ele já demonstrou que trocar os pés pelas mãos, durante muito tempo, deixa marcas que não se podem delir, mamã! 

Às vezes exaltava-se, é certo, mas nunca o vi atacar fosse quem fosse, assim a modos que de frente, era sempre socorrendo-se de metáforas e subentendidos. Tampouco passou ao ataque e isso preocupava-me, mamã, pois quando tentava aproximar-me dele, rechaçava-me para lá da linha de cabeceira e exigia garantias de segurança e bola estável. Bem insistia, mas ele defendia todos os tentos!
Até experimentei ir à figura, mas ele afastava-me sempre com as pontas dos dedos. Nem sequer me sentia indefesa! Achas que esgotei todos os recursos, mamã?»


«Escuta, filha, pelo que me contas, creio que, idealmente, terias que treinar muito as jogadas de antecipação. Movimentavas-te ao primeiro toque, conduzias as pontas de lança pelo miolo do terreno e obrigava-lo a vários golpes de rins.
Como se não o conhecesses, valha-te Deus, minha filha! Sabes que ele só resiste até um determinado momento porque, lá no fundo da rede, adora ser batido. Tivesses feito como te digo e ias ver que tinhas conseguido dominar o histérico há mais tempo sem o prejuízo que, agora, se adivinha. Oxalá esteja enganada e não tenhamos que correr muito atrás dele (do prejuízo). Prosseguindo, teria que te marcar à zona, não tinha mais alternativas. Repara que ele limitou-se a adiar um desfecho que era inevitável. Por isso urge que seja substituído o mais depressa possível, filha!

Se a estratégia tivesse falhado, serias obrigada a mudar de flanco, parando no peito, e tentando meter na pequena área. Batido, ele nada podia fazer senão carregar-te à margem regulamentar. Se fosse assim, tinhas que fazer vista grossa. Caso contrário, ias beneficiar o infractor. Prevejo que, com esta estratégia, talvez tivesses conseguido um empate ao fim dos primeiros 45 minutos. Contudo, seria preferível a este arrastamento sem justificação. Agora, se continuasse tudo por definir até ao final do tempo regulamentar, então, minha filha, só te restava jogar fora de casa porque esta coisa não podia prolongar-se ad aeternum!»

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