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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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A PRIMA FELISMINA II

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Minha querida prima Honorina, espero que estejas bem de saúde na companhia da tua gente q'a gente, tirando o estupor do frio, cá vai andando menos mal, graças a Deus. Olha, aqui bate-se o dente porque o aquecimento central está sempre avariado, filha!

Faz tempo que não te escrevo e, às vezes, até fico toda ralada com vocês, mas que é que tu queres? Sabes que sempre fui muito distraída. E ademais não tenho tempo para nada, quando mais para alguma coisa! E dá-te por muito feliz por me lembrar de ti só nestas alturas porque há gente que nem na Páscoa!

Também te escrevo para te dar uma novidade que, certamente, vai deixar-te muito feliz. Pois, então, aqui vai: Já não sou republicana, prima, não é uma boa novidade? Isto foi uma coisa que foi enchendo, enchendo e pronto, tinha de sair por algum sítio, q'é que queres?!

Gostava imenso que a monarquia voltasse outra vez e sabes, ainda tenho a esperança de ver o nosso rei regressar de Alcácer Quibir, a bordo de um submarino, numa manhã de nevoeiro; é cá uma fezada que tenho; tu nem calculas, prima! Acho que devia haver um referendo a perguntar às pessoas se querem um rei ou se querem continuar com aquele selfista compulsivo, sempre a fazer caretas e aos beijinhos. Além de que este país com um rei era outro asseio e era uma coisa vitalícia! Ai, e o nosso querido Dom Sebastião era um santinho, prima, não achas? Coitadinho, sabe Deus quanto sofrimento padeceu às mãos daquele turco maluco, o Mulei Moluco! 

Olha, diz-me cá outra coisa: tu não achas que o Dom Duarte Pio devia concorrer à Presidência da República? Se o Tino de Rans se candidatou, não encontro razão para que o Duque de Bragança não possa fazer o mesmo! Se ganhasse, pronto, já estava! Ficávamos todos marqueses e marquesas e acabava-se a poluição que é uma coisa que só há nas repúblicas. Se calhar passávamos a andar a cavalo e íamos para as santas cruzadas matar infiéis. Ai, era tão bonito! Agora que eles andam muito saídos da casca, a degolar por dá cá aquela palha, até os comia vivos, prima, que raiva!

Bem, mas, na melhor das hipóteses, isto só pode mudar depois da guerra porque a situação está muito má, até mesmo para as guerras. Então, tu não soubeste que o Trump andou a apregoar aos sete cantos que pode haver uma guerra atómica lá para os lados da Cochinchina?! Por via disso até já declarou, unilateralmente, Jerusalém como a capital de Israel, já viste? Ainda bem que é longe, credo! O que nos vale é que os sefarditas são pessoas mais evoluídas do que a gente, n'é? Podem ser um bocadinho safaditos, não nego, mas têm muita prática de guerras e isso tudo, o q'até dá muito jeitinho!

Acho que uma guerra não é para qualquer um; é preciso ter uma boa estrutura mental para aguentar o stresse de uma guerra, mais a mais atómica. No entanto, gostava muito que houvesse cá uma, já que o Benfica foi eliminado das competições europeias. Sempre eram mais uns euros que entravam nos cofres do "glorioso" e ajudavam a economia que bem precisada está, coitadinha! Fazia-se, desta forma, uma grande campanha nacional, tipo "Faça a guerra em Portugal, primavera todo o ano" ou "Make war in Portugal, spring time all year" (para inglês ver) ou ainda "Lance a sua bomba atómica na Costa da Caparica, de costas voltadas para o Barbas - passe a publicidade - e de peito aberto para as ondas revoltosas do mar encrespado". Que tal?
Acho que uma guerra atómica ia trazer ainda mais turistas a Portugal e ficava a balança de pagamentos mais que paga, prima. Assim, sempre a dever, até parece a Ponte 25 de Abril: a gente pinga para lá há mais de cinquenta anos, mas nunca mais paga o raio da ponte! É que, pelo menos, acabava-se com o tormento das moscas. Cá em casa são aos milhares, cruzes, canhoto! Estive fartinha de pedir ao Horácio para comprar "Dum Dum" - passe a publicidade - mas ele respondia logo que eram menos dois copos de vinho que bebia na taberna do senhor Isaías e sabes..., ele até tem razão, coitadinho, também não tem outras entretengas!
Vê lá tu que outro dia... as conversas são como as cerejas, umas arrastam as outras e vai tudo a eito ou a torto e a direito, desculpa, prima, mas antes que me esqueça..., dizia eu que o meu Horácio estava a falar com o patrão lá no emprego...ah, não te disse: o Horácio tem um emprego novo, daqueles sem contrato a prazo. Se não trouxer nada para casa, para além do que o patrão lhe paga, pode ser que fique a trabalhar mais uma semanita; estou muito esperançada em que ele não caia em tentações, prima, vamos ver... ele é tão inseguro!
Mas, como te dizia, um dia destes estava a falar com o patrão e não é que se assoou à gravata?! Mas, olha, do mal o menos; cada um assoa-se ao que é seu e ninguém tem nada a ver com isso, não é verdade? O chato é que ele assoou-se à gravata do patrão porque, coitado, tinha-se esquecido do lenço e era uma tremenda falta de educação assoar-se para o chão; cá em casa é uma porcaria, filha! Por muito que me esfalfe a esfregar o chão, não consigo tirar as nódoas; tu nem calculas! Agora imagina o molho de brócolos em que se ia metendo o meu Horácio. O que lhe valeu foi que, como te disse, ele não tem contrato a prazo senão já tinha sido posto no olho da rua. É o que faz a gente ser distraída! Vê bem, acabou por ir comprar o estupor do mata-moscas, mas como é um cabeça de alho chocho, trouxe um martelo! Eu também não reparei e olha, pôs-se a matar as moscas à martelada e escavacou-me a mobília toda. Achas que o meu homem está bem do tino? O pior foi a avó Felisbela que estava a passar pelas brasas na poltrona. A pobre tinha uma mosca pousada na testa e ele não foi de intrigas; distraidíssimo como é, deu-lhe uma martelada que a pôs a falar estrangeiro. A menos que o raio do insecto tivesse pousado no nariz, pois faria menos estragos! Mas, olha, o bicho teve morte imediata e sem sofrimento, graças a Deus! A avó Felibela, coitadinha, é que não se cala; até parece que está ligada à corrente, credo! Tivemos, inclusive, de chamar o endireita, mas o melhor que conseguiu foi pô-la a falar eslavo. Sempre é melhor que estrangeiro, não achas? Também ficou com um hematomasinho, mas penso que pode ser do reumático. Sim porque de reumático é do que sofre mais o nosso país. Nunca mais entramos para a Europa, credo! Não é que eu deseje mal aos outros, mas quem deve entrar primeiro são os europeus e depois, por ordem de chegada, a gente, os suevos, os visigordos, os vândalos, os energúmenos, os cartagineses, os otomanos, os australopitecos e os gregos...

Ai, os gregos, coitadinhos, o que eles se têm visto gregos para entrar na Europa!
Por hoje é tudo porque, desde que aderimos à monarquia cá em casa, sua alteza, El Rei Dom Horácio I "D'Aquém e D'Além Mar", elegeu-me regente da cozinha e marquesa da Alorna (boa pinga!) e da marquise, o que me dá água pelas barbas de milho (ou de molho).

Pronto, prima, vou ver se depois das canseiras da regência ainda me sobra um bocadinho de tempo para ler o último romance da Margarida Rebelo Pinto. Há mais de meio ano que o tenho em cima da mesa de cabeceira e ainda não lhe consegui pegar; e lê-se num ápice porque só tem trinta páginas, vê tu! É mesmo preguiça mental...

Tem um santo Natal e recebe muitos beijinhos desta tua prima que te estima e s'assina,
Felismina

P.S.: Um dia, o Santo Padre vai canonizar o nosso querido Rei Dom Sebastião. Tu vais ver, prima!

CARTA REDIGIDA PELO DR. FREDERICO DE MOURA, MÉDICO E HISTORIADOR DE VAGOS, AO SEU COLEGA, DR. NOGUEIRA DE LEMOS, MÉDICO CIRURGIÃO DE AVEIRO

Transcrevo-a tal como a recebi de um amigo, via e-mail. Porém, não garanto a sua fidedignidade. Todavia, seja ou não uma carta forjada, penso que é um escrito de fino recorte literário e, por isso, merece uma leitura atenta e agradável. É este o seu teor:

 

"Meu caro Lemos,

É coisa axiomática que o pénis não obedece a freio; e é coisa de esperar que, a natureza o tenha dado a animal que lhe não obedece. Mas como a esta estuporada profissão que exercemos só aparecem anormalidades, aberrações e coisas em desacordo com a natureza, surgiu-me hoje no consultório esse rapazinho que lhe envio, com um freio de tal dureza e de tal conformação que o insubmisso pénis, tradicionalmente indomável, não teve outro remédio senão ceder.

Calcule os mistérios e os paradoxos desta ladina natureza! Esse moço, na casa dos 20 anos com uns corpos cavernosos que devem estar isentos de qualquer esclerose ou de qualquer obstrução, e concerteza dispondo de uma libido afinada capaz de lhe fazer sair, erecto, o próprio umbigo, resolve ir para o casamento com os seus (dele) três vinténs e confirma, então a suspeita que já tinha, de que no auge da metálica erecção, o pénis fica em crossa como o báculo de um bispo, por incapacidade de vencer a brevidade e a dureza do freio que lho verga para a terra.

Calculará o meu prezado Lemos, as acrobacias de alcova que este desgraçado terá de realizar para conseguir a penetração de um membro viril, quase tão torto como uma ferradura, na vagina suplicante da consorte.

De modo que o rapazinho veio pedir-me socorro, e eu condoído peço-lhe a sua colaboração em favor da harmonia conjugal, com a certeza de que por isso ninguém nos irá acoimar de chegadores.

Condoa-se a cirurgia de braço dado com a medicina que, por intermédio deste fraco servidor que eu sou, já se condoeu e endireitemos o pénis torto (e nada de confusões, que não é mole pelo que me afirma o proprietário).

Lembremo-nos, sobretudo, ao praticarmos esta obra, que vem aí um tempo em que um pénis destes, mesmo em arco ou em forma de saca-rolhas, nos faria um jeitão, e ajudemos o pobre rapaz que se compromete comigo a fazer bom uso dele, emprenhando a mulher da primeira vez que o usar, depois da operação ortomórfica que o meu amigo lhe vai fazer sem sombra de dúvida.

Desculpe mandar-lhe desta vez uma tarefa fálica! Ouvi uma mulher um dia dizer que um Phallus é um excelente amuleto e que dá sorte verdadeira. Se quiser tirar a prova não tem mais que endireitá-lo... e jogar a seguir na lotaria. Desculpe, pois, a remessa de bicho tão metediço que eu por mim prometo, logo que possa, e em compensação, mandar-lhe uma vulva virgem e nacarada como uma concha de madrepérola.

Um abraço do seu amigo certo Frederico de Moura

P.S. – Como a minha letra é muito má segundo a sua opinião, e como o assunto desta carta é muito importante para duas pessoas, uma das quais do sexo fraco, entendi do meu dever dactilografá-la. Assim, não haverá nenhuma razão para o meu amigo dizer que não entendeu o que eu queria e, por partida, deixar o aparelho na mesma ou pior ao rapaz.

Quero ainda dizer-lhe que para sua compensação, tenciono depois do êxito que o seu ferro cirúrgico vai alcançar, comunicar o seu nome à mulher beneficiada que, por certo, lhe ficará eternamente grata, ficando sempre com a sua pessoa presente na memória nos momentos – e oxalá que sejam muitos! – em que se sentir penetrada por um pénis que só o meu Amigo conseguiu endireitar. E nem sei se o Estado virá louvar a sua acção, se lhe for dado conhecimento que os filhos que saírem daquele casal são devidos em grande parte (não ao seu pénis) mas, sem dúvida, à sua mão. E filhos com a mão nem toda a gente se poderá gabar de os fazer!

Creia-me seu afeiçoado, Frederico 27/3/1958"

 

António Frederico Vieira de Moura, Licenciado pela Faculdade de Medicina de Coimbra em 1933, e em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras de Coimbra em 1960.

A PRIMA FELISMINA I

a prima felisbela.jpg

Minha querida prima Honorina, espero que estejas bem de saúde, na companha dos teus, que a gente cá vai indo menos mal, graças a Deus.

Há tempos que não te dou notícias e quero pedir-te muitas desculpas; e, olha, juro-te pela alminha da avó Felisbela, que já tem lugarzinho garantido no Céu, pois está mais para lá do que para cá, que não são esfarrapadas!

Tu bem sabes que não é por mal; eu gosto muito de ti, mas é raro apanhar um tempinho para pormos a escrita em dia e olha, aproveito agora q'é Natal para te dar notícias da gente.
Este ano fartámo-nos de matutar acerca do destino das nossas férias. Como o carcanhol já nem dá para ir até às Berlengas - também com a pensão de miséria que recebemos, imagina, n'é? - , decidimos, então, seguir aquele velho conselho da televisão de ir passar férias cá dentro e ficámos aqui na Buraca e viva o velho! Depois, mesmo q'a gente saísse de cá, havia a chatice da língua. Nem eu, nem o meu Horácio pescamos uma palavra de estrangeiro. E é uma pena porque nunca visitei o estrangeiro, a não ser aquela vez em que fomos à Ilha de Tavira.

Às vezes, dão umas coisas na televisão sobre as belezas de Portugal e eu fico encantada. Não desfazendo da Buraca que, aqui nas redondezas, modéstia à parte, não tem nada que se lhe compare. Nem mesmo a Reboleira!


Olha, mudando de assunto, a avó Felisbela passou as passas do Algarve com dores nas costas e o médico de família disse-lhe que precisava de apanhar muito sol e ela, como é muito esperta, lembrou-se do letreiro de néon da leitaria do senhor Hermenerico e não foi de intrigas: passou todas as noites de Verão debaixo do letreiro da "Flor da Buraca", vê lá tu! E não é que melhorou?! Agora diz que lhe doem as pernas, mas, com receio de fazer tratamentos por causa do frio intenso que se tem feito sentir, arranjámos-lhe um calorífero daqueles de resistência e ela tem-se sentido muito melhor, apesar das queimaduras de quarto grau.


Mas nem tudo está mal por aqui, priminha, olha, sabes, o meu Horácio esteve a passar um tempinho na Penitenciária. Acho que foi por causa de uns 'póses' mais umas pistolas de alarme transformadas e uns canivetezitos que ele tinha para ali, coisas que, pelos vistos, nem eram dele; disse que foi um amigo que lhe pediu para guardar, mas, mesmo assim, veio cá a Judiciária e levou-o. Gostaram tanto dele que o convidaram logo a passar lá seis meses, vê lá tu! Pensando bem, sempre foi uma ajuda ao orçamento familiar, pois foi menos uma boca a comer, muito embora os morfes continuem a mingar cá por casa. São favores que a gente não esquece. E depois o meu Horácio disse-me que as instalações e o rancho eram muito bons. Como ele gostou muito de lá estar, até se prontificaram para lhe prolongar a estadia, vê lá tu!
O meu homem é assim a modos bruto que nem uma porta, mas quando quer, sabe ser arrebatador e cativante, benza-o Deus Nosso Senhor!
De maneiras que a porta ficou aberta, como lhe disseram os senhores inspectores e, quem sabe, da próxima vez a gente vá toda junta; vamos ver, prima!
Também não me posso queixar muito porque estive a banhos na casa da dona Hortense do primeiro esquerdo, por via do estupor do nosso esquentador que anda sempre avariado. Já me chateia incomodar a vizinha, mas ela está sempre prontinha a ajudar a gente, que até parece mal recusar, não achas?
Além disso aproveitei para viajar muito no 764. Fartei-me de ir visitar a minha cunhada Idalina ao Santa Maria, às voltas com uma hepatite. As visitas ficaram-me um bocado carotas, mas parecia mal não lhe levar nada; e olha, fiz das tripas coração, sabe Deus com que sacrifício! Levava-lhe umas bolinhas de Berlim e um vinhinho abafado, coisinhas pelas quais ela se pela, coitadinha!

E prontos, prima, tirando isto, cá vamos andando. O meu Horácio evita, ao máximo, comer cá em casa, coitado! O senhor Isaías já não nos fia mais mercearia, nem o senhor Fernando do talho. A esse pedi umas pelinhas de frango, por caridade, para fazer uma canjinha e nem o raio das peles o estupor me deu, prima, vê tu bem o somítico! Peixe, só lhe sinto o cheiro quando passo pela praça. E é assim; olha, paciência, vai-se para a sopinha do Sidónio, sempre vimos de lá mais aconchegados.
Por hoje é tudo. Tem um santo Natal e recebe muitos beijinhos desta tua prima que te estima e  s'assina,


Felismina

CARTA AO MENINO JESUS

natal feliz.jpeg

Tinha escrito uma cartinha muito bonita ao Menino Jesus, como o senhor professor de Educação Moral e Religiosa Católica sugerira a todas as crianças.

Pensava que, desta vez, não haviam razões, devidamente fundamentadas, que levassem o Deus Menino a recusar o seu pedido. Ademais, com toda a justiça, diga-se de passagem, pois até parecia que Ele andava de candeias às avessas com ele, sem saber a causa de tanta animosidade. Isto porque era uma criança que comia a sopa toda, não se metia em rixas, ia regularmente à missa, frequentava a catequese, enfim, ele era mesmo um menino muito bem comportado; um anjinho se assim se pode dizer. Por conseguinte, passarem Natais a fio sem responder às suas cartas, sem uma lembrança no sapatinho, por muito singela que fosse, era razão para se sentir triste e incomodado.

Afinal, até nem era um rapaz muito exigente; queria apenas aquela XBox 360, ou a Nintendo Wii que tinha visto naquela montra, apelando, fascinantes, para que as levasse. Claro que as duas seriam o ideal, mas convinha não abusar da bondade do Menino Jesus e, como referi, ele era um garoto que se contentava com pouco, coitadinho.

Depois de ter remetido a carta para o endereço habitual, algures no Céu, desejou que o tempo passasse depressa até àquele dia tão apetecido em que os meninos, maravilhados com o espírito natalício, se enchem de sorrisos e muita ansiedade. Mesmo os meninos pobres, porque não que diabo (ai, perdão!)?! Compreensível, n'é?
Quando chegou o dia e a hora de abrir as prendas teve mais uma grande decepção: à medida que ia desembrulhando a sua, com a impaciência que caracteriza as crianças com expectativas muito elevadas, anteviu logo a coisa que se escondia dentro daquele embrulho tão dolosamente atraente: um comboio de plástico, horrível, ainda por cima "made in China", pormenor que o deixou muito irritado. Largou o estúpido brinquedo e saiu dali lavado em lágrimas e indignado com o Menino Jesus. Ele acabara de lhe frustrar as esperanças mais uma vez.
Depois ainda se admiram com o facto de as crianças não gostarem de rezar, valha-lhes Deus!...

 

 

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