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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

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AS PERNAS

as pernas.jpg

Por razões que a própria razão desconhece; e sublinho que não tem nada a ver com o coração, apeteceu-me escrever sobre as pernas. Para quem não sabe, em princípio, são duas e façam o favor de não confundir a expressão com o acto de escrever em cima das pernas (ou dos joelhos, como vos aprouver). A propósito, é um (mau) hábito que tenho, mas é assunto que poderei abordar noutra altura.

Bom, em relação às pernas, propriamente ditas, poder-se-á até afirmar, com algum rigor científico, que só existem dos joelhos para baixo. Se se pretender confirmar tal evidência num sentido estrito, então, teremos de admitir que, efectivamente, as pernas começam na bacia e terminam nos pés que também são dois, até ver.
As pernas, à semelhança de outras partes do corpo, podem classificar-se de duas maneiras: localização relativa e forma. Relativamente à localização, ou localização relativa, que não é a mesma coisa que localização absoluta - já descrita nos primeiros parágrafos - , temos as pernas esquerda e direita. Já foram relatados casos em que existe mais uma perna: a do meio, mas isso será tema para outro artigo, uma coisa mais elaborada, lá mais para a frente. Assim me lembre.
É fácil distinguir quais são as pernas direita e esquerda se, de antemão, estivermos habituados a escrever com a mão direita e a coçar uma orelha, habitualmente a esquerda que é onde se tem mais comichão (não tem explicação), com a mão esquerda. Isto se a pessoa não for canhota, porque se for o caso, então, muda de figura (o caso, claro. As vírgulas são lixadas!).
No respeitante à forma, as pernas podem ser perninhas; pernocas; pernões; pernaças; pernas-longas; pernas às costas; pernas para o ar; pernas de alicate; perninhas de rã; pernas de frango; pernas de peru; presuntos; et cetera.
As pernas, ou membros inferiores, não obstante serem maiores do que os membros superiores (geralmente), são constituídas pelas ancas, coxas, por si próprias e, naturalmente, pelos pés.

Uma perna sem pé, é uma perna coxa. Porém, um pé sem perna é um pé coxinho. Em ambos os casos há uma perna que é sempre mais curta que a outra que se convencionou chamar de perna manca.
A articulação das coxas com as pernas é feita através dos joelhos que encerram as rótulas, elementos indispensáveis neste processo de ligação dos ossos, sem as quais estaríamos constantemente a dar pontapés na testa, o que, convenhamos, não seria nada agradável! Para esse efeito existem as canelas que não são propriamente uma especiaria, mas antes aquele espaço entre os pés e os joelhos, esse sim, apropriado para levar pontapés.
Os pés merecem, ainda, uma referência especial, como é óbvio, embora me faltem as palavras para explicar os motivos de tal obviedade.

Independentemente de serem grandes ou pequenos, podem ser chatos; de galinha; de galo; de lã; de atleta; de meia; de bailarina; de dança; de elefante; de lótus; de feijão; de salsa; de cabra; de chumbo; de pato; de igualdade e de cereja. Isto para não dizer dos tão apreciados pezinhos de coentrada e de leitão.

Trata-se, também, de uma zona anatómica que, às vezes, gera alguma confusão nas pessoas menos esclarecidas. E porquê? - perguntam vocês com toda a propriedade. Porque, com efeito, as partes baixas do corpo são os pés e não as partes pudendas, como erradamente devem ter presumido.
A talhe de foice, os pés articulam-se com as pernas através do calcanhar de Aquiles (em princípio são dois ou seja: um em cada pé). No entanto não se pode esquecer o papel complementar e determinante do tendão de Aquiles (igualmente dois, até ver) em qualquer acção locomotriz dos membros inferiores.
Quanto à utilidade dos pés, vou ter que pedir a vossa ajuda para a seguinte experiência:

Façam o favor de não se sentarem, ou se estiverem sentado(a)s, levantem-se. Em seguida avancem, naturalmente, a perna direita cerca de vinte centímetros, mais coisa, menos coisa. Se já fizeram esse pequeno movimento pedestre, acabaram de dar "um pequeno passo para o Homem".  Agora, avancem a perna esquerda cerca de três metros. Já está? Em linguagem coloquial, deram, portanto, "um salto gigantesco para a Humanidade".
Finalmente, avancem alternadamente uma perna e outra, tanto para trás, como para a frente. Podem até recuar, estrategicamente, um passo para dar dois à frente, enfim, fica ao vosso critério.

É para o que as pernas servem: para andar; tanto para trás, como para a frente, como facilmente depreenderam; e também deduziram que esta coisa da anatomia é uma grande pepineira.
E pronto; se quisermos e tivermos muita força de vontade, podemos fazer muita coisa com uma perna às costas ou até com as duas.
Resta a velha e sacramental exclamação: Pernas pra que vos quero!

A PILINHA E O PIPI

poema ao morgado.jpg

Antes de prosseguir convém referir que o tema não sendo novo também não é velho e, como tal, é susceptível de provocar alguma controvérsia, como é natural. Isto, não obstante a educação sexual fazer parte do programa oficial de ensino desde tempos imemoriais. Nesse sentido, penso que o controlo parental é dispensável; até porque estamos quase no Natal e não se deve desagradar às crianças.

Por conseguinte, este texto pode ser lido em família e sem embargo da quadra que se avizinha.

Depois desta curtíssima introdução, vou passar, então, à descrição taxinómica dos órgãos em epígrafe.

Ora, imediatamente surgem os primeiros obstáculos. Isto porque existem órgãos externos e internos. Todavia, quando se mencionam, pensa-se invariavelmente nos que estão à vista desarmada, embora estejam ordinariamente tapados. No que concerne aos nomes que lhes atribuímos, são tantos que não sabemos por que ponta lhes devemos pegar. Desde torneirinha, pilinha, pirilau e piloca nos meninos, até pipi, rosinha, pombinha e rolinha nas meninas.

É claro que existem outras designações menos simpáticas que me recuso a transcrever por uma questão de decoro e porque são sobejamente conhecidas do público em geral e do púbico em particular, não esquecendo o púdico, evidentemente.

Tudo o que a nossa imaginação permitir, poder-se-á assemelhar aos órgãos sexuais, sei lá, uma simples esferográfica, ou a cratera de um vulcão, sofás, lava-loiças, despensas, sanitas, banheiras, enfim, uma infinidade de coisas que não caberiam aqui. Portanto, e antes que este texto degenere, vou passar à frente.

Como descrever seriamente, e de uma forma geral, os órgãos sexuais? Uma questão sempre difícil para a perspectiva analítica do anatomista, dado que o acessório está inevitavelmente inserido na percepção do sujeito. Efectivamente são órgãos que, naturalmente, merecem descrições particulares. No caso dos órgãos sexuais masculinos as coisas podem assumir vários aspectos, conforme as circunstâncias. Porém, em condições normais, podemos considerá-los como órgãos extraordinariamente versáteis, capazes de assumir diversas posturas. Julgo que é suficiente para se ter uma compreensão abrangente da sua dissimilitude em relação a outros órgãos com menos visibilidade postural, mas não com menos atitude corporal. No género feminino a coisa muda de figura, pois os órgãos externos são muito diferentes ou, pelo menos, a atitude é mais subtil, como já devem ter presumido ou tido a oportunidade de constatar.

Depois da descrição ao pormenor, tratemos do tema da sua utilização ou seja, para que servem? Outra questão delicada. Peço desculpa àquelas pessoas mais recatadas, pela exposição dos órgãos de uma forma um bocadinho despudorada, mas, para simplificar a explicação vou designá-los por pilinha e pipi para não provocar muitos melindres.

Então é assim: A pilinha, se observarem bem (as pessoas obesas podem socorrer-se do vulgar espelho), está situada, mais ou menos, a um palmo abaixo do umbigo e serve para fazer xi-xi e perpetuar a espécie, segundo o conceito de um famigerado deputado do CDS, João Morgado: "A igreja Católica proíbe o aborto porque entende que o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho" (1982 em pleno parlamento).

O pipi é quase a mesma coisa (mais uma vez, as pessoas obesas podem socorrer-se do espelho), com uma ou outra nuance.

A pilinha e o pipi, quando estão pelos ajustes, são porreiros um para o outro. Toda a gente se lembra daquela quadra muito bonita que aprendeu nos primeiros aninhos de escola e que reza assim: A pilinha e o pipi, são dois amigos leais / quando o pipi está contente / logo a pilinha dá sinais. Lembra, certamente, claro!

E pronto, penso que, quanto à anatomia, descrição, classificação e utilização dos órgãos sexuais, mais haveria a dizer; o assunto não se esgota aqui, nomeadamente em relação ao sexo, mas, como sou oriundo de uma família de convicções e rituais profundamente católicos, constrange-me falar abertamente sobre este tema sempre polémico. É que falar de sexo, oralmente, já é difícil; fará por escrito!

Isto é muito sério, como certamente devem ter-se apercebido. "Com o sexo não se brinca!" - já dizia a minha avó com a sabedoria que lhe era peculiar - , mas se não podemos brincar com o sexo, brincamos com o quê? Ora, bolas!

P.S: A talhe de foice, eis a resposta da poetisa e deputada parlamentar do PSD, na altura, ao morcão Morgado:

Truca-Truca

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

O TÓRAX

dor no tórax.jpeg

Para quem já esqueceu o que aprendeu na escola sobre a morfologia do corpo humano, apraz-me relembrar que o tórax situa-se ligeiramente abaixo do pescoço, medindo pouco mais do que um palmo de comprimento.
Muitas pessoas ainda acreditam que as pernas saem do tórax. Ora, tal crença há muito que foi desmistificada. No entanto, acho que ainda vai decorrer bastante tempo até que esta superstição seja erradicada da nossa sociedade. A talhe de foice importa referir que o umbigo é uma aberração geográfica do abdómen, como veremos a seguir, se não me esquecer. Pode-se, portanto, inferir que o tórax está bestialmente bem situado.
Imaginemos, só por breves momentos, que o tórax se situava acima da cabeça. É evidente que não dava muito jeito; não é preciso ser muito esperto para chegar a esta conclusão, julgo eu, sabendo que não estou muito certo.
Pensa-se que o tórax foi descoberto pelos fenícios, embora não existam estudos que sustentem a veracidade de tal pensamento, ou seja, por enquanto é tudo muito vago. Todavia, desconhecendo-se em pormenor as circunstâncias que rodearam esta hipotética descoberta, também não é difícil imaginar como pode ter acontecido: um fenício lembrou-se de olhar para baixo, reparou que havia qualquer coisa a separar o seu pescoço da sua barriga e apressou-se a registar a patente. Penso que toda a gente deve ter concebido a coisa assim, não vejo outra explicação.
É difícil explanar, por palavras simples, a composição do tórax. Difícil e moroso, portanto o melhor é passar à frente. Bastará referir que o tórax contém o peito que por sua vez contém o coração, os pulmões e as costelas que protegem os dois órgãos em caso de queda ou choque.
Os pulmões são dois e servem para respirar. Se se tapar a boca e o nariz, em simultâneo, chegar-se-á facilmente a essa conclusão ao sentir-se falta de ar.
O coração, como é comummente aceite, é uma bomba e, paradoxalmente, não se pode viver sem ele. Há quem o tenha colado ao peito, na boca, nas mãos, aos saltos, ao alto, uns com coração mole e outros empedernido. Há gente com muito bom coração e com coração de leão (não está cientificamente provado que alguém tivesse sobrevivido com um coração de leão. Nem mesmo aquele gajo inglês - o Ricardo), mas também a há sem coração. Esta última só pensa em si, alheia que está ao que a rodeia. Porém, está sempre a bater com as mãos no peito num gesto falso de arrependimento e reconhecimento do pecado, na esperança de ganhar um lugarzinho no Céu.
Quanto ao peito, a mulher leva, quase sempre, vantagem sobre o homem. Com efeito, ela possui dois peitos, não obstante ter um tórax. Bem, o homem não é carecido de igual número de peitos, mas, na generalidade, não é tão evidente. Certo, certinho, é o facto indesmentível (até prova em contrário) de o peito ficar à frente das costas em ambos os sexos. Para fechar o assunto do peito, temos as vulgares dores de peito que nem sempre são sintomas de angina ou infarte. Ás vezes são gases ou crises existenciais ...

Em jeito de conclusão e a propósito das costas, elas representam a parte de trás do tórax e são, também, um elemento fundamental na sua constituição; não fossem elas e via-se tudo. Para além desse facto insofismável, as costas servem para carregar objectos, pessoas e animais e também para levarem palmadinhas e facadas. A somar a tudo isso, é sempre por elas que se trama quem não se grama, quem as tem largas, ou quem queira ver alguém por elas.
Enfim, se me lembrar, pode ser que me debruce mais profundamente sobre a importância das costas, nomeadamente as dores de costas. Ora, quem não tem dores de costas, hã? Vá, digam lá!

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