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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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ISTO NÃO É UMA ESTÓRIA!

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Há algum tempo tive de deslocar-me, na companhia da minha mulher, a Amadora, uma cidade dormitório às portas de Lisboa, para tratar de assuntos de natureza pessoal.

Procurei, então, com alguma antecedência, um quarto para pernoitar, numa plataforma chamada "Booking".
Como qualquer cidadão (remediado) habituado a usar o dinheiro com parcimónia, busquei o hotel mais acessível tentando, na medida do possível, não descurar o mínimo indispensável para podermos dormir uma noite em paz e sossego e, naturalmente, privacidade total. Afinal, não se tratava de uma viagem de lazer e, como tal, só precisávamos de uma cama e uma casa de banho imaculadamente limpas. Uma exigência básica...
Após poucos minutos de pesquisa consegui encontrar o quarto: uma "pechincha" por 49 euros, com uma classificação mediana, numa "residencial" chamada Jardim da Amadora, que reservei de imediato sem tomar atenção (a idade já vai pesando nos neurónios) a um pormenor que qualquer pessoa, com o mínimo de bom senso, muito preza: um quarto com casa de banho privativa. Tomar banho e fazer cocó ou chichi, à vez, não fazem parte dos meus hábitos desde que saí da tropa e é ideia que a minha companheira também não concebe. É muita promiscuidade junta (passe a redundância)...

Quando chegámos à "residencial" que tinha escolhido para pernoitar, como disse, sem ter medido bem as consequências dessa opção "baratinha", deparámo-nos com uma cena surreal: junto à entrada da dita deambulavam uns gajos mal encarados, com garrafas de cerveja nas mãos; um cenário insólito e fortemente perturbador para mentes mais despertas. Nunca tínhamos presenciado nada disto à entrada de hotéis e pensões onde havíamos entrado até ali. No entanto, não demos grande importância ao facto, talvez, porque já vimos muita coisa extravagante...
Entrámos, fizemos o "check-in", o "recepcionista" pediu-nos a identificação e, enquanto fazia, supostamente, o registo da nossa entrada, fui observando o movimento na área circundante à recepção da "residencial".
Ao lado do balcão da recepção estava o que me pareceu ser o bar da "residencial" onde mais indivíduos de aspecto "chunga" beberricavam, aparentemente, em "alegre" confraternização. Alguns lançaram-nos olhares que não descodificámos de imediato. Porém, sentimos, mais uma vez, algum desconforto. Aliás, bem evidente no semblante da minha mulher.
O recepcionista, solícito, desejou-nos boa noite e assim subimos até ao quarto que nos tinham atribuído. À entrada do elevador, outro fulano, um suposto hóspede, olhou-nos de forma ostensiva...
Quando abrimos a porta do quarto é que deparámos com a idiotice que eu tinha cometido: um quarto com um armário, uma cadeira, um caixote de lixo, uma cama de casal e um plasma de parede. Tudo muito pouco iluminado e a cheirar a humidade misturada com o odor nauseabundo de um qualquer ambientador. No átrio com acesso aos quartos, penso que contámos cinco, uma casa de banho comum (um cubículo com cabine de duche, uma sanita e pouco mais, dado o espaço exíguo daquilo), na qual não reparámos de imediato, tal foi a necessidade urgente de metermos a chave na porta, pormo-nos à vontade e tomarmos um banho retemperador.
Havíamos reservado um quarto para dois adultos e uma criança e achámos estranho o facto de o preço não ter sofrido alterações, mas, mesmo assim, não relevámos e até louvámos a "generosidade" da dita "residencial".
A criança acabou por não ir connosco e em boa hora o acaso ou o destino quiseram que assim fosse...
É claro que, depois do choque inicial, a atitude mais sensata foi a que tomámos de imediato: demos meia volta, entregámos as chaves na recepção e, sem uma palavra, abandonámos aquele sítio pomposamente chamado "Jardim da Amadora".
Quanto ao dinheiro perdido (caro para uma dormida num espaço a cheirar a quarto de pensão rasca), escrevi à tal "residencial", em e-mail que enviei através dos dados fornecidos pela plataforma, que fazia de conta que o tinha perdido por uma boa causa que não a do dono ou donos daquilo. Naturalmente, não obtive resposta, como era previsível...

Ao Booking respondi mais tarde, no contexto daqueles inquéritos da treta a perguntar se o cliente ficou bem servido, para terem mais cuidado com as "ofertas" que propõem.

Passado tempo, conclui que o meu grau de insatisfação foi irrelevante para que o "Booking" faça uma distinção clara entre serviço hoteleiro decente e dormidas em "residenciais" duvidosas, dado que também não houve retorno...
Uma última palavra, esta de confiança: Não obstante a Amadora não ser o lugar ideal para visitar, pois não é uma terra atractiva, penso que tem algumas opções hoteleiras (poucas) dignas de uma boa e honesta dormida na maior das privacidades.

Temos que estar mais atentos às "ofertas" destas plataformas que, aparentemente, não são filtradas...

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