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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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A ÍNCLITA GERAÇÃO

a ínclita geração.jpg

Bom dia, boa tarde ou boa noite e continuação de boas festas q'isso é q'é preciso, pois o que faz falta é animar a malta - parafraseando o nosso Zeca Afonso.

Hoje, vou escrever ou passar a escrito, conforme vos aprover, qualquer coisinha sobre a "Ínclita Geração". Posso garantir, a pés juntos, que não se tratou de uma "geração rasca", antes, pelo contrário (aqui, os conceitos 'antes' e 'pelo contrário' não se me afiguram idênticos; somente próximos. Daí a minha hesitação em classificar a frase de redundante)! Prossigamos, então, na descrição deste epíteto que é dado na História de Portugal aos filhos do rei Dom João I.
Ora, após a morte do rei, paizinho desta tão nobre e ilustre geração, Philippa of Lancaster, Indeed Leicester, aliás Dona Filipa de Lencastre, aliás a mãezinha, subiu ao trono provisoriamente até um dos filhos, Dom Duarte, "O Mudo", aprender a falar definitivamente. É desses tempos imemoriais que provém a velha máxima (velha porque ainda é utilizada de modo coloquial) "mais vale definitivos definitivamente, do que provisórios provisoriamente", como sabem.

A mudez, como característica inata do rei Dom Duarte desde tenra idade (vários historiadores crêem que já era mudo à nascença, dado que não há registo sonoro do primeiro vagido. Porém, tal convicção, sem grande profundidade, carece de ratificação científica), manifestou-se, sobremaneira, anos mais tarde, no campo legislativo. Foi durante o seu reinado que foi elaborada a "Lei Mental" que nunca se chegou a saber o que era. Como era mental, nunca foi escrita nem verbalizada. Desse facto ter-se-ia instalado, com toda a probabilidade, um ambiente reinadio, o qual reinava de modo reinante em todo o reino de Portugal e dos Algarves, inclusive do Brasil, que ainda estava longe de ser descoberto.

Durante o reinado efémero de Dom Duarte, um dos manos, Dom Henrique, prosseguiu com o projecto megalómano de mandar erigir o Padrão dos Descobrimentos, apesar dos avisos do rei (convém referir que os avisos eram feitos, obviamente, em linguagem gestual) de que aquilo ia transformar-se num enorme mamarracho e ia custar um balúrdio aos cofres do tesouro que estavam nas lonas; já naquele tempo, valha-nos Deus!

É claro que tudo se recompôs temporariamente depois do descobrimento do Brasil, graças aos bandeirantes. Foi desse modo que outro mano, o Dom Manel, que sucedeu a Dom Duarte (é claro que o Dom Manel não fez parte desta nobre fraternidade, mas, por outro lado, o objectivo desta crónica não é dar lições de história, seja a quem for. Por isso só tenho que pedir desculpa ao professor Mattoso pela minha imperdoável ignorância), derreteu todo o ouro que veio do lado de lá do Atlântico, mandando construir o Centro Cultural de Belém, ao seu estilo (Manelino), e uma fábrica de pastéis de nata mesmo ao lado, para não ficar atrás do mano.

Dom Henrique, sentindo a sua obra ofuscada pela mania das grandezas do irmão, não esteve com meias medidas e, de uma assentada, fundou a Escola Náutica de Paço de Arcos, enviando naus catrinetas por mares nunca dantes navegados. Em boa hora o fez, pois foi graças à sua visão, muito avançada para a época, e aos seus audazes capitães das naus, que foram descobertas as ilhas Berlengas, a Brandoa, Telheiras Sul e "se mais mundo houvera lá chegara". No entanto, os desmandos da Ínclita Geração colocaram o tesouro do reino, novamente, numa situação periclitante, fazendo com que as agências de notação financeira baixassem o nosso nível para mais uns pontos abaixo de lixo, o que já era muito chato para os propósitos do rei que, para obviar a grave situação económica, sobrecarregava a plebe com impostos atrás de impostos, no sentido de descer a dívida pública.

Regressando a Dom Duarte: foi no seu curto reinado que aconteceu um feito militar relevante e que ficou para os anais (atenção ao étimo da palavra anais e ao contexto onde está inserida) da nossa História: Dom Fernando, o mano caçula, cognominado de "O Mártir" (não confundir com um jihadista islâmico), na altura a residir ali para os lados dos Prazeres à Infante Santo, teve uma vontade danada de comer tângeras. Foi um desejo assim a modos muito repentino e intenso. Todavia, como não havia tângeras, nem no mercado da Ribeira, nem no de Campolide, Dom Fernando tentou persuadir o mano Dom Duarte a enviar a armada a Tânger a fim de adquirir no mercado local umas boas toneladas do citrino dos seus desejos. O rei hesitou em aceder ao pedido do irmão porque, como já tinha referido, Portugal estava novamente falido, o FMI intimidava o reino com mais medidas de austeridade e, evidentemente, o ministro do tesouro alemão e a puta da troika ameaçavam vir meter o nariz no cu dos portugueses outra vez.

Para compor o ramalhete da desgraça, os estaleiros navais de Viana do Castelo, importante pólo de construção de naus catrinetas e caravelas, tinham sido vendidos a um armador grego, falido - um tal Dilza Erotides - que se revelou um mau negócio para o reino de Portugal. Porém, Dom Fernando contra-argumentou com a velha história de que se podia aproveitar a ocasião para combater os sarracenos e dilatar a fé cristã além mar e isso convenceu Dom Duarte a consentir a expedição sem olhar a meios e despesas. 
Reza a História que a "Invencível Armada" (eu sei que não se tratava da armada em que estão a pensar, mas de uma excursão de cacilheiros. Apesar disso deixem-me continuar que depois explico) capitulou às mãos dos "infiéis" e, para cúmulo, capturaram Dom Fernando e mandaram-no para as masmorras por causa das tosses.
Quanto aos marinheiros que restaram desta expedição inglória, uns regressaram a nado a Vila real de Santo António e outros converteram-se ao islamismo, indo engrossar as fileiras do Daesh.
Entretanto o tempo passou e os Mouros, através da sua encarregada de negócios em Lisboa, a embaixadora Omar Zayn, exigiram a devolução de Ceuta em troca da libertação do infortunado Dom Fernando. Em face deste ultimato sarraceno, as cortes reuniram-se na Quinta da Sardinhano Pinhal de Leiria e, depois de uma valente sardinhada regada com vinho tinto rascante do Cartaxo, já muito bêbedas (as cortes, claro), decidiram que a vida de "O Mártir" não valia a ponta de um corno em comparação com Ceuta.

Por puro revanchismo e vingança - passe a redundância - os mouros mantiveram Dom Fernando preso numa masmorra até ao fim dos seus dias. Não a pão e água, tampouco a tângeras, mas a tangerinas, pois era consabida a sua alergia intestinal às tangerinas.

É facto, embora careça de confirmação, que nos últimos dias de vida, Dom Fernando, já só ossinhos e peles, implorava a Alá que aqueles bárbaros berberes lhe dessem, ao menos, um pratinho de kebab acompanhado com arrozinho árabe. Até dispensava os talheres pois, naquelas paragens sempre se comeu com as mãos e ele já se habituara aos costumes daquela gente. Os mouros, sabendo que aquilo era tudo fita, pois Dom Fernando fincara sempre o pé a uma possível conversão à fé islâmica, martirizaram-no ainda mais, com tangerinas, tendo "O Mártir" falecido, depois de morto com tanto martírio, já Infante Santo.

Voltando, ainda, a Dom Duarte, está devidamente documentada a sua veia literária, mas também científica, legando-nos obras como - agora a sério - "Leal Conselheiro", obra profusamente ilustrada da sua colecção iconográfica, com conselhos e orientações sobre a sexualidade nos gafanhotos tailandeses; "Livro de bem cavalgar toda a sela sem cavalo" que, como o próprio título indica, se destinava a ensinar a montar sem cavalo, o qual foi considerado pelos críticos literários um "best seller", não tendo merecido, imerecidamente, um prémio Nobel porque, já naquela altura, aquela cambada de incultos da Europa não ia à bola com Portugal.

Foi preciso sermos campeões europeus para nos terem mais respeitinho, mas isso é outra história. Finalmente, um terceiro livro que deu brado, "O Livro da Misericórdia" que é, com efeito, "O Livro da Misericórdia".

Todavia, o êxito das vendas dos seus livros foi demasiadamente agitado para a sua frágil cabeça que não aguentou um esgotamento cerebral e teve morte imediata, vindo a falecer de peste numa manhã de nevoeiro em Alcácer Quibir.

Enfim, são as voltas que o mundo dá...

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