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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

O BOATO

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Embora se aguarde, com alguma expectativa, uma confirmação oficial ou pelo menos oficiosa, tudo leva a crer que, em suposta reunião efectuada durante a semana passada, à porta fechada, na cervejaria Trindade (estava um calor do caraças e o pessoal ia cheio de sede), os comandos da Guarda Nacional Republicana (GNR), Polícia de Segurança Pública (PSP) e director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) tenham proposto o actual Ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, para a candidatura ao Prémio Nobel, não se sabendo ainda de quê.

Os presidentes da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) não se pronunciaram porque, na altura, ainda se encontravam a gozar umas merecidas férias nas Seychelles. Afinal, aqui tão perto; era só darem um saltinho, cambada de comodistas!
A Liga dos Bombeiros Portugueses, (LBP), pela voz do seu presidente, Jaime Marta Soares, já veio a público contestar esta proposta por a considerar escandalosa por via de algumas declarações infelizes do ministro, entre as quais destaco a seguinte: "A época de incêndios está a correr bem". Com efeito, isto são frases que chocam qualquer pessoa. Eu, como qualquer pessoa, fiquei chocado, palavra! Todavia, toda a gente também sabe que o JMS é um homem do contra, por isso não conta.
Na votação, após muitas canecas de cerveja e marisco do Eusébio, Eduardo Cabrita teria batido aos pontos os seus mais directos competidores, nomeadamente o Ministro das Finanças (MF), Mário Centeno, o Ministro do Ambiente e da Transição Energética (MATE), João Pedro Matos Fernandes e a Ministra da Saúde (MS), Marta Temido.
Não obstante ter-se encontrado facilmente um candidato, parece não haver um consenso geral (lógico, senão não era consenso) quanto ao Prémio Nobel a que Eduardo Cabrita se deverá candidatar, como referi.
Os delegados sindicais do Corpo de Intervenção da PSP, a despeito da força dos seus argumentos, não teriam logrado impor a tese segundo a qual o notável ministro se deveria candidatar ao Prémio Nobel da Paz.
No entanto, o comando da PSP, à margem da posição divergente dos elementos do sindicato, inclinar-se-ia para o Prémio Nobel da Física, devido à personalidade multifacetada do candidato. Isto, apesar de um dos seus representantes ter afirmado: "Não sabemos o que é a física, mas soa-nos bem."
A GNR que tinha apresentado, a princípio, a proposta de candidatura ao Prémio Nobel da Pecuária, acabaria por recuar para uma proposição "mais sensata", segundo o porta-voz da corporação que concluiu: "Se o andidato fosse o apoulas Santos, vá ue não vá! Assim, pensamos ue o Prémio Nobel da uímica assenta ue nem uma luva ao nosso ministro. Questionado sobre a razão da escolha desta opção, respondeu: "orque sim, prontos!", despedindo-se com aprumo e alguma altivez, batendo a pala e as botas (não confundir com a expressão inglesa "kick the bucket" q'isso é outra coisa) altas nas pedras da calçada do quartel do Carmo.
Finalmente, o SEF, defendendo uma posição de compromisso, propôs o ministro da tutela para o Prémio Nobel da Língua Estufada, já que EC seria, na opinião do director da instituição, "Um vernáculo representante e continuador da língua de Pina Manique."

Mas, como disse inicialmente, por enquanto isto não passa de um mero boato.

Como é consabido, Diogo Inácio de Pina Manique foi Visconde de Manique do Intendente que, no seu tempo, já era um bairro mal afamado. Contudo, não vou adiantar mais nada sobre o assunto, dado que viria a despropósito. Bem, só mais uma achega:

Dona Maria Pia, que nunca escondera a enorme devoção ao seu intendente-geral da polícia, mandou exumar o seu corpo, depois de morto e enterrado, para confirmar se não tinha ficado com olhos de carneiro mal morto. Para certificar o acto, na presença do Bispo Auxiliar de Lisboa, cujo nome é irrelevante para a estória, tiveram que lhe puxar pela língua e constataram que, para além de comprida, tinha a língua morta. Enfim, superstições, misticismos e outros desvarios do espírito humano, naturais naquela época e carecidos de razão, à luz do racionalismo cartesiano (agora esmerei-me). Graças a Deus que os tempos mudaram!

O PARDAL

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Intróito: Na gíria, é voz comum chamar pardal a um espertalhão, finório ou manhoso. Porém, não sei se o Pardal deste post se enquadra nestes adjectivos; o tempo dirá ou talvez não. Longe de mim julgar sem saber...

 
Pardal Henriques, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), um sindicato criado em 08 de Novembro de 2018, é o homem que deu a cara por um movimento que está a deixar os patrões dos transportes, empresas e a generalidade dos portugueses (inclusive, eu, naturalmente) à beira de um ataque de nervos. 
 
O governo da "geringonça", semanas antes do início da greve, não quis ficar à margem do acontecimento e também deu o seu prestimoso contributo para alimentar este clima de "nervoso miudinho", ao sugerir, a grosso modo, que a malta açambarcasse combustível e esvaziasse as prateleiras dos supermercados. No dia anterior à paralisação dos motoristas, foi o histerismo que se viu, nomeadamente nos postos de abastecimento de combustíveis. 
A grande questão é que, se esta greve não for resolvida nos próximos dias, sou obrigado a dar um certo crédito (não todo) ao Pardal, quando afirmou que esta coisa "pode durar dez anos, se for preciso". 
Por outro lado fico mais tranquilo porque penso que os pobres motoristas não vão conseguir sobreviver uma década com a subtracção diária de "quarenta euros" ao seu, supostamente, parco vencimento. Quando muito, poderão aguentar um lustro, mas, ainda assim...é só fazer as contas, como dizia alguém, não sei quem.
Em última instância o Pardal pode dar uma ajudinha aos motoristas do seu sindicato, vendendo o carrinho desportivo e passando a andar de trotineta. 
Entretanto, os pequeninos metem gasosa nos popós às mijinhas e os grandes atestam até verter pelas bordas, como não pode deixar de ser.
Se o Pardal continuar a ser casmurro (aparentemente, o São Bento é um verbo de encher), os pequeninos vão ter cada vez mais dificuldades em mijar para os depósitos dos carros, o que pode indiciar graves problemas nas respectivas próstatas...
Com a malta dividida acerca da legalidade constitucional das medidas tomadas pelo governo, surgiu a notícia (maliciosa?), em vários jornais e televisões, apontando este advogado como alvo de queixas por alegada má prática. Dizem que decorre, pelo menos, um processo contra ele no DIAP. No entanto, como São Tomé (o santo), tenho que ver para crer...
Contudo ou com quase tudo dito, de uma coisa tenho a certeza: não gosto da pinta deste advogado. Até pode ser um santo ao serviço dos motoristas de matérias perigosas, um santo muito moderno que só se desloca em Maseratis ou, eventualmente, trotineta, mas não me convence com o seu discurso teatral a extravasar drama e intransigência, disparando a torto e a direito, contra tudo e contra todos.
O mesmo se aplica aos santos apóstolos das intenções dos patrões dos transportes, também eles, penso que muito modernos e com uma consciência social admirável. De tal modo que, repentinamente, sentem-se muito preocupados com o "bem estar dos trabalhadores"...
Queiram desculpar, mas não ponho o cu no lume por estes tipos. Nem por uns, nem por outros; não os posso ver, nem pintados! Andam, sem excepção, a brincar com as nossas vidas e uma parte substancial de nós não consegue encaixar isso na tola; é o que eu penso, q'é que querem? Até posso estar errado, admito!
O moral de mais uma de tantas histórias lixadas da vida da Nação é que, quando o mar bate na rocha, quem se fode é o mexilhão; é a sua perpétua sina.
Prometo que volto a escrever sobre o assunto, se tiver vontade.

ISTO NÃO É UMA ESTÓRIA!

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Há algum tempo tive de deslocar-me, na companhia da minha mulher, a Amadora, uma cidade dormitório às portas de Lisboa, para tratar de assuntos de natureza pessoal.

Procurei, então, com alguma antecedência, um quarto para pernoitar, numa plataforma chamada "Booking".
Como qualquer cidadão (remediado) habituado a usar o dinheiro com parcimónia, busquei o hotel mais acessível tentando, na medida do possível, não descurar o mínimo indispensável para podermos dormir uma noite em paz e sossego e, naturalmente, privacidade total. Afinal, não se tratava de uma viagem de lazer e, como tal, só precisávamos de uma cama e uma casa de banho imaculadamente limpas. Uma exigência básica...
Após poucos minutos de pesquisa consegui encontrar o quarto: uma "pechincha" por 49 euros, com uma classificação mediana, numa "residencial" chamada Jardim da Amadora, que reservei de imediato sem tomar atenção (a idade já vai pesando nos neurónios) a um pormenor que qualquer pessoa, com o mínimo de bom senso, muito preza: um quarto com casa de banho privativa. Tomar banho e fazer cocó ou chichi, à vez, não fazem parte dos meus hábitos desde que saí da tropa e é ideia que a minha companheira também não concebe. É muita promiscuidade junta (passe a redundância)...

Quando chegámos à "residencial" que tinha escolhido para pernoitar, como disse, sem ter medido bem as consequências dessa opção "baratinha", deparámo-nos com uma cena surreal: junto à entrada da dita deambulavam uns gajos mal encarados, com garrafas de cerveja nas mãos; um cenário insólito e fortemente perturbador para mentes mais despertas. Nunca tínhamos presenciado nada disto à entrada de hotéis e pensões onde havíamos entrado até ali. No entanto, não demos grande importância ao facto, talvez, porque já vimos muita coisa extravagante...
Entrámos, fizemos o "check-in", o "recepcionista" pediu-nos a identificação e, enquanto fazia, supostamente, o registo da nossa entrada, fui observando o movimento na área circundante à recepção da "residencial".
Ao lado do balcão da recepção estava o que me pareceu ser o bar da "residencial" onde mais indivíduos de aspecto "chunga" beberricavam, aparentemente, em "alegre" confraternização. Alguns lançaram-nos olhares que não descodificámos de imediato. Porém, sentimos, mais uma vez, algum desconforto. Aliás, bem evidente no semblante da minha mulher.
O recepcionista, solícito, desejou-nos boa noite e assim subimos até ao quarto que nos tinham atribuído. À entrada do elevador, outro fulano, um suposto hóspede, olhou-nos de forma ostensiva...
Quando abrimos a porta do quarto é que deparámos com a idiotice que eu tinha cometido: um quarto com um armário, uma cadeira, um caixote de lixo, uma cama de casal e um plasma de parede. Tudo muito pouco iluminado e a cheirar a humidade misturada com o odor nauseabundo de um qualquer ambientador. No átrio com acesso aos quartos, penso que contámos cinco, uma casa de banho comum (um cubículo com cabine de duche, uma sanita e pouco mais, dado o espaço exíguo daquilo), na qual não reparámos de imediato, tal foi a necessidade urgente de metermos a chave na porta, pormo-nos à vontade e tomarmos um banho retemperador.
Havíamos reservado um quarto para dois adultos e uma criança e achámos estranho o facto de o preço não ter sofrido alterações, mas, mesmo assim, não relevámos e até louvámos a "generosidade" da dita "residencial".
A criança acabou por não ir connosco e em boa hora o acaso ou o destino quiseram que assim fosse...
É claro que, depois do choque inicial, a atitude mais sensata foi a que tomámos de imediato: demos meia volta, entregámos as chaves na recepção e, sem uma palavra, abandonámos aquele sítio pomposamente chamado "Jardim da Amadora".
Quanto ao dinheiro perdido (caro para uma dormida num espaço a cheirar a quarto de pensão rasca), escrevi à tal "residencial", em e-mail que enviei através dos dados fornecidos pela plataforma, que fazia de conta que o tinha perdido por uma boa causa que não a do dono ou donos daquilo. Naturalmente, não obtive resposta, como era previsível...

Ao Booking respondi mais tarde, no contexto daqueles inquéritos da treta a perguntar se o cliente ficou bem servido, para terem mais cuidado com as "ofertas" que propõem.

Passado tempo, conclui que o meu grau de insatisfação foi irrelevante para que o "Booking" faça uma distinção clara entre serviço hoteleiro decente e dormidas em "residenciais" duvidosas, dado que também não houve retorno...
Uma última palavra, esta de confiança: Não obstante a Amadora não ser o lugar ideal para visitar, pois não é uma terra atractiva, penso que tem algumas opções hoteleiras (poucas) dignas de uma boa e honesta dormida na maior das privacidades.

Temos que estar mais atentos às "ofertas" destas plataformas que, aparentemente, não são filtradas...

UM CASO INSÓLITO

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Este é um caso de tal forma insólito que até parece mentira! É verdade! Todavia, penso que é caso para admirar e, assim, animar as discussões de café no preciso instante em que passo a divulgá-lo, em primeiríssima mão, e é para já antes que se me varra!

Afinal, o caso não é para menos, dado que é caso raro, pois não abundam por aí casos como este, dada a sua singularidade (lógico, senão deixava de ser raro, valha-te Deus!).

Aconteceu outro dia, à luz do dia (imagine-se), na Rua do Ouro: Um cliente de um conhecido banco foi assaltado à mão desarmada, em plena via ourinária, pelo cofre forte do referido banco que, por acaso, não foi referido.
O meliante, não obstante o peso excessivo e a consequente dificuldade em andar, pôs-se rapidamente em fuga, após o furto das poupanças que o cliente transportava numa mala, as quais, como mais tarde referiu à autoridade, havia levantado até ao último tostão. Este último (não o tostão, mas o cliente), sem razão aparente, ficou atónito e, simultaneamente, estupefacto com a bizarra ocorrência. Pudera, até eu, mesmo sem razão aparente! Mas, do mal o menos porque não houve mortos e feridos e, mesmo que houvesse, alguém havia de escapar, como comummente se diz. Até porque, como se constatou à vista desarmada, o assaltante também agiu desarmado.
O cofre forte viu-se imediatamente perseguido por, nada mais, nada menos que duas polícias montadas (não confundir com o caso da Polícia Montada em canadianas, outra situação insólita e badalada que deixou muita gente perturbada) em bicicletas que, por feliz circunstância, faziam uma ronda pela artéria áurea (não confundir com a artéria aorta que vai dar à horta).
Já a noite ia alta, dir-se-ia que muito próxima do meio-dia seguinte ao assalto, quando foram finalmente capturados e presos preventivamente, a vítima do assalto, o cofre forte e as polícias, depois de devidamente desmontadas, estas por envolvimento emocional com o infractor.
Após a detenção foram mandados despir, a vítima do assalto e as polícias desmontadas (o cofre foi dispensado por uma questão de decoro) e, através dos métodos habituais, utilizados em casos idênticos: identificação documental e impressão genital (não confundir com impressão digital que é um método completamente diferente), constataram que o cliente do banco era do sexo feminino.
Somente o cofre ficou a aguardar julgamento em liberdade, sendo dispensado de apresentações regulares na esquadra da sua área de residência, devido à sua manifesta dificuldade de locomoção.
Mais tarde, apresentados ao tribunal da comarca, entendeu o juiz que o cofre forte do referido banco que, por acaso, não foi referido, era um caso com muito peso e, na circunstância, alegou não ter competência para o julgar, pelo que o processo seguiu os trâmites legais para um tribunal arbitral, por acordo entre as partes, com o auxílio prestimoso de duas gruas que se dirigiram, diligentemente, ao local.
Com respeito à pena aplicada às polícias montadas, dado o carácter "nimiamente emocional e obsessivo" do seu envolvimento com o cofre - segundo as palavras do juiz de primeira instância - , ficaram proibidas de contactar o arguido durante um mês. Esperava-se uma pena mais pesada, em face do acto irreflectido das polícias montadas, mas o magistrado foi um bocadinho complacente. De tal modo que, também ele, se deixou emocionar até às lágrimas com o relato comovente das agentes da autoridade, quando estas irromperam num pranto capaz de abalar a justiça mais cega; e em boa justiça o fez. No meio de alguns sem coração ou até com pêlos no coração, ainda há juízes com o coração mole, graças a Deus.
Entretanto, sem acórdão do tribunal arbitral à vista, o Ministério Público está hesitante em relação à pena a aplicar ao cofre forte do referido banco que, por acaso não foi referido, porque, sendo o infractor useiro e vezeiro neste tipo de atentados às bolsas dos depositantes, adquiriu uma grande dose de impunidade e, consequentemente, alguma imunidade judicial.
Relativamente ao grau de gravidade da pena aplicada ao cliente (perdão, à cliente), por ter levantado todo o dinheiro, é considerada, praticamente, uma pena com grau de gravidade muito elevado, pelo que deverá perder a esperança de obter algum retorno proveniente de depósitos futuros, de qualquer outra entidade bancária, convidativo à sua manutenção.
Em face destas perspectivas, nada animadoras, o procurador do MP sugeriu que a senhora guardasse o dinheiro debaixo do colchão e rezasse a todos os santinhos para não ser, novamente, roubada...

A BARRIGA

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Um dia destes, ao acordar e observar a minha barriga (é a primeira coisa que vejo quando me levanto, sobretudo quando durmo de barriga para o ar), veio-me à ideia escrever qualquer coisa acerca dela, enfim, da barriga de um modo geral. Também conhecida por abdómen, ventre, pança, mula, saliência ou bandulho, não há gato pingado que não saiba o que é e o que aloja esta parte essencial do corpo humano. Digo essencial porque, se pensarmos bem, uma pessoa sem barriga não é a mesma coisa que uma pessoa com barriga. Também chegaram a esta conclusão, n'é verdade?

Mas, antes de prosseguir com a descrição, penso que é conveniente esclarecer os eventuais leitores e leitoras que cada um de nós tem somente uma barriga. Claro que sem contar com as barrigas das pernas, evidentemente.
Por conseguinte, a frase "tem mais olhos que barriga" faz todo o sentido e reforça a característica única deste extraordinário órgão do corpo humano. Por outro lado é completamente falacioso que alguém, em qualquer circunstância, tenha a "barriga vazia", isto porque contém muitos órgãos, sobre os quais escreverei um pouco mais adiante e de forma clara para que todos compreendam, inclusive eu.

A barriga situa-se imediatamente abaixo do tórax e estende-se até aos membros inferiores, ficando, normalmente, por aí, à excepção dos indivíduos e individuas obesos, cuja barriga pode distender-se um pouco mais até cobrir as partes pudendas. Se não tem a certeza se se enquadra nesta categoria de pessoas, faça o seguinte teste: coloque-se em pé, com as mãos atrás das costas, e olhe para baixo sem curvar o tronco. Das duas, uma, ou as vê e tem o peso ideal, ou não as vê e só consegue observá-las com a ajuda de um espelho ou, eventualmente, uma lupa. Claro que isto não é assim tão linear, mas já é uma preciosa ajuda para aquelas pessoas que não as vêem há muito tempo seja porque motivo for.

Na perspectiva do observador de fora (de dentro é muito difícil observar, como certamente já devem ter deduzido), a barriga pode ser chata, redonda, d'água, de abade, de freira, de bicho, de aluguer, et cetera.
Uma coisa é praticamente factual, apesar de nem sempre estar à vista: toda a gente só tem um bigo. Não há conhecimento, até ao presente, de casos de pessoas com mais do que um bigo. Não quer dizer que não possam existir, mas, como acabei de dizer, até ao momento não há nenhum caso digno de registo.

A barriga, de acordo com o género, contém geralmente quase tudo o que é necessário para o seu bom funcionamento, desde o estômago à bexiga, passando pelo fígado, rins, baço, intestinos, bebés, ovários, e outras coisas não menos importantes. Contudo, uma coisa é certa: garantidamente, não contém relógio nem rei, pelo que frases como "ter a barriga a dar horas" e "ter o rei na barriga", não passam de crendices populares, pois nunca se provou a sua existência.

Penso que descrever ao pormenor as funções dos diversos órgãos que a constituem, tornar-se-ia moroso e enfadonho, portanto, deixemos essa descrição para os especialistas na matéria. Assim, vou-me restringir ao básico, se me permitem.
Começo pelo fígado, cuja função é tentar impedir-nos o acesso ao consumo de bebidas alcoólicas, por assim dizer. Porém, é tentativa debalde (há quem beba de balde, é facto). Ademais, parece estar cientificamente comprovado que a dificuldade do fígado em controlar a nossa apetência inata para beber álcool é inversamente proporcional ao número de fígados ou seja:...bem, também não sei como é que os cientistas chegaram a esta conclusão, mas poderão pesquisar na Wikipédia se assim o entenderem.
Uma coisa é certa e, como tal, inquestionável: infelizmente ainda há gente com maus fígados e esta classificação simplista nem sempre está relacionada com o hábito de consumir bagaço, mas antes pelo facto de possuírem dois fígados. Faça um pequeno teste de verificação, mirando-se no espelho. Se tiver duas grandes protuberâncias laterais, para além da frontal, é sinal que também tem maus fígados. Se isso se confirmar, olhe, tenho pena!

O duodeno é aquela parte inicial do intestino delgado que sai do estômago e termina no final do jejuno, por altura da Páscoa. Isto, depois dos católicos terem andado na borga até à véspera de quarta-feira de cinzas.
Os muçulmanos também jejunam, no nono mês do calendário islâmico (Ramadão), do nascer ao pôr do sol, para terem direito a setenta e duas virgens quando forem para o Céu. É obra!...

Passemos, então, aos intestinos também chamados de tripas (não confundir com tripas à moda do Porto). É nos intestinos que se processa a papinha que é transformada em sangue e outras merdas, estas últimas expelidas de várias maneiras, normalmente, pelo ânus. Há casos, e não são raros, em que são lançadas pela boca, daí o provérbio "ou entra mosca ou sai merda" fazer muito sentido.
Os intestinos dividem-se em delgado e grosso. O comprimento varia, consoante a capacidade volumétrica da barriga. Existem registos, devidamente comprovados, de intestinos com mais de dez quilómetros de comprimento.
Explicar isto, numa perspectiva mais científica seria uma maçada para mim e entediante para quem lê. Além disso é preciso ter estômago para entender tal explicação. Por isso, peço desculpa àquelas pessoas que, ao ler este artigo, já estejam a sentir um buraco no estômago. O meu conselho é que, antes que isto lhes dê a volta ao estômago, o forrem com qualquer coisinha, sei lá, talvez um pratinho de grão de bico com mão de vaca, por exemplo.
Prosseguindo rapidamente com a descrição porque, sinceramente, isto já me está a nausear, segue-se a bexiga, também chamada de bexiga doida (não confundir com bexiga natatória que, como o próprio nome indica, é um auxiliar de natação) porque nos deixa ficar mal quando estamos à rasca para mijar e já não vamos a tempo.
A barriga também contém o útero que é um órgão exclusivamente feminino e serve para guardar bebés, mas também contém a próstata que é um órgão exclusivamente masculino e serve para dar chatices a partir de uma certa idade.
E pronto!

Olhem, peço encarecidamente desculpa por ter sido um bocadinho lacónico na exposição da barriga, mas assiste-me alguma razão, dado que o tema é muito complexo, para além de que não é dos meus temas favoritos. Mais a mais, acho que qualquer assunto à volta das entranhas é só para quem sabe, efectivamente, ler nas entranhas.

UMA ESTÓRIA DE ESPIONAGEM COM UM FINAL FELIZ

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Não é necessário consultar a Wikipédia porque a estória que vou contar não vem, lá, descrita.

Reza, então, que Francisco Toucinho, um cidadão luso-algarvio, foi um grande espião do princípio do século XX. Parece ser um facto inquestionável, mas pode ser revogável e o que mais houver a terminar em "ável"...

Em pequenino até lhe chamavam, carinhosamente, "o cheirinha", pois já tinha aquela tendência inata para meter o nariz onde não era chamado e, como se isso não bastasse, o petiz também gostava de meter o bedelho, vá-se lá saber porquê.

Já crescidinho, passou a ser conhecido por alguns pseudónimos entre os quais destaco: Chico Bacon, Big Foot e Pécurto porque, efectivamente, tinha dois pés: um comprido e um curto.
Presume-se, embora sem confirmação oficial (por isso é que se presume), que foi o primeiro agente secreto "free-lancer" da família Toucinho a espiar por encomenda e a cachet. Aliás, Toucinho, até tinha uma tabela de preços, contabilidade organizada e tudo o mais!

Francisco Toucinho foi pai de uma filha da mãe incógnita que lhe seguiu as pisadas, aliás, fáceis de identificar porque era um homem descomunal, para além das peculiaridades dos pés, como acabei de referir.
Um dia, juntaram-se os dois à esquina (pai e filha), disfarçados, respectivamente, de concertina e solidó, e Josefina - chamemos-lhe assim, dado o carácter ultra-secreto da operação em que ambos estavam, mais uma vez, envolvidos - decidiu revelar ao pai que ia romper a sociedade. Queria estabelecer-se por conta própria, devido à provecta idade do progenitor, mais a mais com a agravante dos seus pés já não terem a agilidade de outrora. Para não dizer da desproporção do peso em relação à altura. Com efeito, Toucinho media pouco mais do que um metro e quarenta e dois centímetros de altura, um metro e quarenta de largura e pesava cento e noventa e nove quilos e novecentos gramas. Era quase impossível dançar com aquele homem na condição em que estava e isso podia comprometer mais uma missão que se pretendia que fosse o mais discreta possível, como tinha sido até ali.

Assim que o pai se reformou, Jojo (chamemos-lhe assim para poupar letras) abriu uma oficina de espionagem, provisoriamente, num vão de escada e só muito mais tarde e após alguns melhoramentos, passou, definitivamente, para um elevador. Isto porque o seu lema era o de que mais valia definitivo definitivamente do que provisório provisoriamente.
Foi a espiar por conta própria que desabrochou em todo o seu esplendor e sensualidade. De tal forma que não havia mácula que lhe retirasse a graça da plenitude da sua feminilidade. Pode-se mesmo afirmar que, ao pé dela, até o milho era ruim.
Depois de se separar do pai, passou a andar de faca na liga o que lhe deu fama de má pinta porque estava sempre com os humores. Mas Jojo já era assim desde pequenina: uma rapariga com muita pinta e cheia de caprichos.
O mau feitio não a coibia de escancarar a porta de casa a muitos espiões que a vinham espiar, rendidos aos seus encantos e ao relato, na primeira pessoa, das suas peripécias furtivas nos vários cenários onde operou.
Simultaneamente matava dois ou mais coelhos com uma cajadada porque, sob a brancura alva dos lençóis, no meio do envolvimento copular, confessavam-lhe os segredos de estado mais bem guardados do continente europeu, inclusive de Portugal que estava longe de pertencer à Europa. Chegou a matar dez ao mesmo tempo, era obra! Ora, espiando conjuntamente muitos países, isso dava-lhe um jeitão do catano, como se deve calcular.

Foi então que surgiu, nesta estória, outro agente secreto, um tal Anacleto Périplo Pinto, cujo nome não vou revelar, a pedido do próprio, um homem que era muito viajado na Europa por força das várias missões (secretas) de que estava incumbido.
Era um tripeiro dos sete costados, muito feio e levado da breca. Mausinho como as cobras, o sujeito era mesmo do piorio; palavra!
Também não vem na Wikipédia, mas especula-se que tinha maus fígados, precisamente por via do veneno da mordida de uma víbora, de que tinha sido vítima em pequeno, não o matando, mas tendo-lhe provocado danos irreparáveis em ambos os fígados(1), tais como incapacidade de desopilar o fígado (no caso, ambos, o que é mais grave, como é óbvio). Era o chefe da contra-espionagem da União Europeia, aquele que, há muito tempo, tivera uma paixão assolapada por Jojo sem ela saber (evidentemente, senão não era assolapada!).

Mas antes de prosseguir com a narrativa, merece a pena mencionar a morte do espião Francisco Toucinho, aliás Chico Toucinho, aliás Bacon, aliás Big Foot, aliás Pécurto, como cinco das mais tristes ocorrências da estória da espionagem de cá e além fronteiras de Schengen.
Como se sabe, apesar da omissão na Wikipédia, Toucinho e os seus pseudónimos tinham a cabeça a prémio, não constituindo qualquer surpresa no mundo dos serviços secretos europeus. As suas mortes, portanto, não surpreenderam os observadores mais atentos. Ademais, para além da idade avançada, pesavam muito, tinham bicos de papagaio e pés de atleta (como se não bastasse terem quatro pés curtos e outros tantos compridos). A somar a isso, e não era pouco, sofriam de bronquite crónica e estrabismo. Ora, quando veio a "pneumónica" foi um ar que lhes deu. Ainda mudaram de ares, indo tomar ar para o Caramulo, mas já era tarde.

À semelhança do malogrado pai e seus pseudónimos, também Jojo tinha a cabeça a prémio na UE por ser filha de quem era. Contudo, quando ia às compras, lá conseguia disfarçar-se de Lady Godiva montada num camelo branco e passar despercebida por entre as multidões, sabe Deus como.
Porém, Anacleto Périplo Pinto, andava de olho nela, já para não dizer com olhos de carneiro mal morto quando não arregalava o olho. Pudera, ela era de encher o olho, isso saltava aos olhos, caramba!

Um dia, Jojo e Alzira, dirigiram-se a Santa Apolónia, tomaram o vapor da meia noite, meteram-se num vagão cama e, sem pregar olho, pintaram a manta durante toda a noite...
Perguntam vocês, caros leitores e leitoras, com toda a legitimidade: "Quem é a Alzira?!"... Pois, também não sei ao certo quem era a Alzira, mas é irrelevante para esta estória. Certo é que Jojo e essa misteriosa mulher viajaram até Campanhã e aguardava-as uma manhã de intenso nevoeiro. Foi assim que a Alzira saiu da estória tão depressa como entrou, desaparecendo no meio de uma espessa neblina matinal.

Havia de chegar uma altura em que era inevitável prolongar o jogo do gato e do rato ou melhor: do gato e da rata. Chegado esse momento tão próximo e crucial para o desfecho desta estória que já vai longa c'mo caraças, o chefe da contra-espionagem da UE, Anacleto Périplo Pinto, abeirou-se da plataforma onde o vapor acabara de estacar, aproximou-se discretamente de Jojo que já estava apeada, apertou o gatilho da sua pistola Luger e disparou, à queima-roupa, vomitando restos de tripas à moda do Porto. Estranhamente, vomitava tripas à moda do Porto, sempre que disparava a sua Luger, vá-se lá saber a razão de tal anomalia...
Atingida em cheio na parte inferior entre os joelhos e a cintura, apesar do impacto quente e viscoso da matéria, Jojo não perdeu o sangue frio, tampouco o quente:
«Seu desajeitado - disse ela, limpando o vestido e as meias de liga, conforme pôde, com um lencinho de seda de cor rosácea - tenho andado por Ceca e Meca à sua procura!»
«Ora essa! - respondeu o chefe da contra, feito espírito do contra - eu é que tenho percorrido Ceca e Meca à sua procura, desculpe lá!»
«Oh! - exclamou ela - então foi por isso que nunca nos encontrámos, olhe que engraçado!»... E mirava-o lá de cima com o olhar mais abrasador deste mundo e do outro.
«Está cá uma brasa!» - disse ele, despindo rápida e descuidadamente a gabardina e beijando-a na mão de supetão (Anacleto Périplo Pinto era baixinho)...

Depois deste acontecimento inesperado, mas muito significativo e lindo, pode-se afirmar, em bom rigor, que foi amor correspondido à primeira vista.
Jojo não perdeu tempo, dirigiu-se a um posto dos correios e mandou um telegrama à mãe do seu novo amado, pedindo-lhe a mão do filho. A respeitável senhora anuiu sem reserva e despachou a mão numa encomenda postal, registada e com aviso de recepção. Mesmo assim, Jojo acabaria por receber a mão de Anacleto Périplo seis meses depois de ter sido despachada pelos CTT, o que já era um grande avanço para a época. É claro que já vinha um bocadinho deteriorada por via do tempo que levou a chegar ao destino, mas, com muita paciência e força de vontade foi possível voltar a colocar os dedos com um bocadinho de Super Cola 3 (passe a publicidade).
Para quem está distraído, volto a repetir que o chefe da contra-espionagem da UE nasceu com três mãos, uma das quais ficou religiosamente conservada dentro de um frasquinho com formol que sua mãe tinha guardado até àquela altura, à espera que alguém, um dia, a pedisse.
Claro está que levaram muitos meses a consumar o casamento, pois casaram-se em todos os países da Europa e isso, burocráticamente, é muito complicado e moroso como é fácil de depreender por causa das bichas para isto, bichas para aquilo, horas de espera intermináveis nas conservatórias, et cetera.

Após a celebração do último acto de casamento, cerca de dez anos depois, fundaram, então, além de um lar da terceira idade para ex-espiões, a primeira "Sociedade Comercial de Espionagem e Contra-Espionagem, Lda" que, durante mais um bom par de anos, aviou todas as encomendas.
Porém, houve um dia em que a UE pôs a cabeça de casal a prémio, como não podia deixar de ser, acabando por condená-la à morte por guilhotinamento. Foi melhor assim porque era um processo de execução muito moroso e, ao mesmo tempo, era aborrecido serem guilhotinados aos poucochinhos. Por outro lado, esta estória é tão comovente que não merecia um desenlace triste. Além de que faziam um casal perfeito.

(1) Como é do conhecimento geral, era normal ter dois fígados naquele tempo o que, actualmente, já não se justifica. Ainda se aplica esta expressão em conversas do dia a dia, com tendência para desaparecer...

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