Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

DIÁRIO DE UM AMNÉSICO

diário de um amnésico.jpg

Aqui há largos anos encontrei este comovente texto apócrifo num alfarrabista da baixa que, em jeito de desabafo, disse-me que se ia mudar para o ramo imobiliário.

Contou-me que, após noventa anos a mexer nas páginas poeirentas dos livros, chegou à conclusão de que não tinha vocação para aquilo.

Nunca é tarde para mudar, como se costuma dizer, enfim, mas isto foi só uma curiosidade, peço desculpa pela tendência inata para me dispersar.
Chamo a especial atenção dos eventuais leitores e leitoras para um documento que me pareceu mais um raro exemplo de pertinácia, perspicácia e o que mais houver a terminar em "ácia".


3 de Janeiro: Acordei mal disposto na cama: os pés estavam sobre a almofada, a cabeça jazia sobre o tapete e só o corpo se mantinha, embora vacilante, sobre o leito. Ergui-me a custo, apoiando-me numa peça que julgo ser de mobília (pelo menos é móvel) que tenho aqui no quarto, cujo nome não recordo, mas é, aparentemente, uma espécie de tábua quadrada, almofadada, com quatro pernas e, perpendicular a ela, tem fixado algo parecido com um espaldar.
Ao longo dos últimos dias, tenho matutado sobre a utilidade desta coisa, mas ainda não cheguei a qualquer resultado. Quanto ao outro objecto, não muito diferente do anterior, se bem que redondo, colocado numa divisão contígua, coberta de azulejos até ao tecto, julgo que já descobri a sua utilidade. Depois de várias tentativas e alguns enjoos (o assento anda à roda) consegui pará-lo e sentar-me nele. Descobri que o conforto era quase total. Pelo menos, fiquei bastante aliviado. Atribuí-lhe o nome de sanita, embora sem certeza.
Uma vez por outra, tenho lampejos de memória e saltam-me as ideias como torrentes de lava, dado que fico com a cabeça a escaldar. No entanto, a esperança é a última a morrer e, por conseguinte, um dia destes, hei-de recuperar a memória na totalidade. Assim, Deus permita e me dê alento para lutar contra esta adversidade.

Apesar da provação por que estou a passar, paradoxalmente, vou descobrindo este estranho, mas maravilhoso mundo dos objectos que me rodeiam. Isto é a prova, mais que provada, de que estou no bom caminho.

6 de Outubro: A ideia de escrever um diário foi boa, não acham? É que, assim, vou registando regularmente a evolução do meu regresso, pelo menos, à memória de grilo; se bem que o ideal seria mesmo a memória de elefante, mas mais vale ter um grilo na mão do que dois elefantes a voar, como se costuma dizer. Nem sei se é o termo mais apropriado para o caso, mas adiante.
Hoje, por exemplo, vi onde fica o umbigo. Tenho quase a certeza de que é o umbigo. Foi assim: Na tal sala azulejada, onde existe a já descrita, ao que suponho, sanita, na qual me sento uma ou várias vezes ao dia, consoante a vontade, entre outros objectos que ainda não descobri para que servem, há uma espécie de tina côncava, de formato ovalado, com duas peças metálicas, paralelas, inseridas numa borda. Cada uma possui dois manípulos móveis que rodam para ambos os lados, sendo que, ao rodá-los para o lado esquerdo, brotam água com maior ou menor fluxo, dependendo da maior ou menor abertura dos manípulos. Fiquei deslumbrado com a descoberta e, ao mesmo tempo, intrigado, pois não sei para que efeito servem.
Porém, depois de as abrir e fechar várias vezes, cheguei à conclusão de que servem para lavar as mãos. Ora, se servem para lavar as mãos também servem para lavar a cara, como, com toda a lógica, inferi sem pestanejar. Fiquei de tal modo maravilhado com a descoberta que não me cansei de lavar a cara para aí umas duzentas e tal vezes, mais coisa menos coisa. Foi uma lavagem de tal modo intensa que as mãos ficaram engelhadas e a cara mudou de branca para roxa. Porém, não me canso de pensar que estou a melhorar a olhos vistos.
Assim, esta tina côncava só pode ser um bidé porque consigo ver-me reflectido numa superfície polida, imediatamente acima. Foi desta maneira que descobri o umbigo, mesmo debaixo do meu nariz. Só não sei, ainda ao certo, para que serve, além de mastigar e produzir saliva, mas vamos por partes.

24 de Março: Hoje, reparei, por mero acaso, que a água não sai apenas daqueles dispositivos metálicos presos ao bidé: fui acordado por um barulho intenso e dirigi-me, com alguma apreensão, à abertura que existe numa das paredes do edifício onde acho que moro, a qual dá para o exterior. Lá fora, constatei que chovia que Deus a dava, proveniente não sei de onde, acompanhada pelo barulho que referi, carregado de luminosidade dispersa dentro de uns flocos parecidos com o algodão, mas, ao contrário da alvura do algodão, estes eram muito escuros. Não obstante o som ensurdecedor, achei a experiência linda e até lavei a cara, para aí, umas trezentas vezes. Curiosamente, pareceu-me ser mais eficaz do que as simples lavagens a que já me acostumei e aproveitei para me lavar todo, inclusive as ceroulas que trazia no corpo, algo que não fazia, ia para muitos meses. Pelo menos, serviu, temporariamente, para acabar com o mau cheiro persistente que me tem andado a seguir por todo o lado.

28 de Fevereiro: Afinal, sofri a minha primeira grande desilusão ao constatar que a peça onde me costumo sentar não é uma sanita. De manhãzinha, quando me sentei à pressa em cima do tampo rotativo para me aliviar, descobri, subitamente, que aquilo é um descanso, pois, após a satisfação da necessidade, senti-me em paz e sossego. Bom, se calhar até estou a exagerar um bocadinho ao chamar grande desilusão à minha constatação. O termo sanita é que não estava correcto, foi só isso.
Olhem, agora é que baralhei tudo e já não sei como se chama a tina côncava. Todavia, tenho uma teoria de que o nome correcto daquilo seja um bacio.
Com esta estória tão emaranhada, ainda me passo, ponho os pés à parede e faço em pé. Curiosamente, outro dia pus-me a mirar um bicho peludo a fazê-lo, com a língua de fora e ar muito satisfeito. Ora, se ele ficou satisfeito, acho que também devo ficar, não obstante apreciar muito o descanso. Entretanto, não arredo pé, pois já ando a meter os pés pelas mãos. Nestas cenas, por vezes, precisamos ter os pés bem assentes na terra.

4 de Agosto: Há algum tempo que não cai água para me lavar dos pés à cabeça. Porém, enquanto houver no bacio, posso lavar, pelo menos, a cara as vezes que me apetecer. Também descobri, assim de repente, que o lavatório serve para fazer chichi. Ora, se serve para fazer chichi, é natural que também sirva para fazer cocó. O chato, no meio destes sucessos, são os retrocessos porque, agora, não sei para que serve o descanso.
O mau cheiro continua a incomodar-me bastante, mas que se lixe, o meu nariz parece ter-se habituado.
Entretanto, apesar dos avanços e recuos, fiz novas descobertas que me deixaram mais esperançado em relação ao futuro: Na divisão que penso que seja uma cozinha, existem duas caixas metálicas com aberturas circulares no meio, ambas com tampas: uma em plástico transparente e outra em plástico opaco. Com efeito, ainda não descobri ao certo para que servem, mas estou cá desconfiado que sejam cabine de duche e secador de cabelo, respectivamente. Isto porque uma delas enche-se de água e às vezes roda a uma velocidade vertiginosa. Já tomei lá banho e vomitei-me todo. Contudo, penso que com o tempo, acabo por me acostumar; é como tudo. Experimentei meter a cabeça na que penso ser um secador e ia ficando com um torcicolo. Já para não dizer do calor intenso que brota do seu interior. Julgo que deve estar avariada. Ele, há males que vêm por bem porque não tinha necessidade de ter metido lá a cabeça, pois sou desprovido de cabelo. 
Com muita perseverança e com a ajuda de Deus vou recuperando a memória aos poucos, vocês vão ver!

A ZONA EXCLUSIVA DA COSTA DA CAPARICA

a zona exclusiva da caparica.jpeg

A ministra do Mar da Caparica e da Pesca à Linha (MCPL), reuniu-se com um grupo de jornalistas para dar uma conferência de imprensa subordinada (dedicada também não ficava mal, mas subordinada soa melhor) ao tema da falta de vigilância nas duzentas milhas da Costa da Caparica. Nesta conferência a ministra recusou-se a responder a quaisquer perguntas fora deste âmbito particularmente delicado para a defesa da Zona Exclusiva da Caparica (ZECA).

Justificou a recusa, confessando que o momento não era o mais adequado para falar sobre matérias à margem do tema sobre o qual se propusera conferenciar, dado que era um problema que lhe "ia dar água pela barba".
Ora, toda a gente ficou a saber que a observação da tutelar das referidas pastas, na altura em que se dirigiu aos jornalistas presentes, não tinha qualquer fundamento porque, surpreendentemente, a sua barba apresentava-se imaculadamente escanhoada.
Cofiando o bigode (esse é que não o dispensa nem por nada!), aquela governante adiantou que, "na ausência de corvetas, a vigilância será exercida por corvinas, dada a escassez do robalo".
A propósito desta problemática, foi feito um pequeno inquérito junto da opinião pública capariquense e apurou-se que apenas dez por cento dos habitantes da Caparica sabem o que é a ZECA; vinte e dois por cento das pessoas inquiridas, como sofrem de cataratas, pensaram tratar-se da Secretaria de Estado da Pesca da Sardinha (SEPS). Ademais, mostraram-se particularmente indignados com o preço, cada vez mais proibitivo, deste pequeno clupeídeo e, inclusive, ameaçaram passar a comer sardas; quarenta e nove vírgula nove por cento, ao ouvirem pronunciar ZECA, tiveram um ataque violento de riso e disseram duvidar que a Caparica consiga vigiar seja o que for, acreditando piamente que o peixe, qualquer dia, vai todo por água abaixo; os restantes recusaram responder, alegando quererem passar despercebidos por entre a multidão.
Finalmente, dos tais dez por cento de inquiridos iniciais que se mostraram esclarecidos, nove virgula nove por cento declararam que a ZECA era a Zona Exclusiva dos Carapaus e, por conseguinte, zona interdita à navegação sob risco de ser interceptada por jaquinzinhos armados em carapaus de corrida.

PEQUENA NOTA BIOGRÁFICA ACERCA DE CARLOS HENRIQUES MARQUES

carlos henriques marques.jpg

No ano de 1828 do século XIX, Carlos Henriques Marques, um algarvio naturalizado alemão, despertou para a política sem saber como nem porquê. Parece ter sido uma espécie de epifania, mas não passa de mera conjectura, dado que já morreu há muito tempo e, pelo que se sabe, não deixou testamento. Todavia, especula-se que, enquanto a mãe lhe dava a sopinha à boca, estava tão absorto numa lagarta que boiava à superfície do caldo que nem reparou que decorria um debate entre Hegel e Engels no Correio da Manhã TV.

A dado momento o despertador despertou (claro!) inusitadamente e o jovem Carlos Marques, sobressaltado com o barulho estridente do relógio, deu inadvertidamente com os olhitos no écran do aparelho; um pequeno acidente que, por pouco, não lhe provocou uma catarata no olho esquerdo e a dilatação da menina do olho direito. Se calhar, era porque a menina estava predestinada...perdão, o menino..., enfim, só Deus sabe.
No entanto, como era avesso a contrariedades, apesar de ser uma criança de tenra idade, não desistiu. Ele era um miúdo muito precoce e, por conseguinte, aguentou a dor que nem um homenzinho. Assim, com olho vivo e num volver de olhos, disse à mãe:
«Mãezinha, quando for grande quero ser um político português!»
A mãe, às voltas com a loiça suja e irritada com os esfregões de arame que lhe enferrujavam os fundos dos tachos (não confundir com outros fundos e tachos) e das panelas, replicou:
«Olha, para isso mais vale fazeres só a instrução primária, meu filho! Sim, mais vale! Vê os exemplos do engenheiro Sócrates e do doutor Relvas!
Carlos Marques, acabou de comer a sopa precipitadamente, tendo primeiro o cuidado de colocar a lagarta na beira do prato, correu apressadamente (passe a redundância) para o seu quarto, abriu a escrivaninha, pegou na sua sebenta e escreveu: "Manifest gegen das Kapital", enquanto trauteava a "Tia Anica de Loulé".

Depois deste primeiro episódio, digamos premonitório, passado na sua infância e volvidas algumas décadas, o manifesto que manuscrevera em tenra idade seria passado, de forma clandestina, para lá da fronteira a fim de ser imprimido, dado que, cá, ainda não existia a máquina do Gutemberg e o inventor do estêncil ainda não era nascido. Porém, como foi editado em bilingue, não se vendeu, sequer, um exemplar porque se esqueceram de o traduzir para outras línguas e a língua teutónica era, então, pouco conhecida, assim como a algarvia.
Furibundo com tal insucesso, Carlos Marques terá exclamado "mas estes gajos não sabem rever as provas, porra?!", expressão dramática que estará, eventualmente, na base do revisionismo moderno. Mercê deste lamentável incidente, Marques esteve tem-te não caias para aderir ao euro-comunismo (não confundir com o euro-ecumenismo). Todavia, antevendo maus ventos para o seu pensamento filosófico e para as suas convicções ideológicas, preferiu afastar-se da vida política activa e dedicar-se à criação de frangas, abrindo um aviário em Vila Real de Santo António, em sociedade com Kerensky e Bakounin, um social democrata e um social anarquista, respectivamente.

Detentor de um notável ascendente económico, dado o sucesso imediato do negócio, adquiriu um apreciável prestígio e importância sociais. Da noite para o dia, Marques tornou-se uma imagem de marca, muito bem paga, deixando crescer o cabelo e a barba e fazendo-se grafitar em muros e paredes pelo MRPP (Movimento dos Rapazes (e Raparigas) que Pintam as Paredes).
Ofereceu umas botas da tropa e um boné ao seu amigo Lenine, por altura do nonagésimo nono aniversário natalício deste e custeou os óculos novos de Trotsky, um pobre proletário míope, cheio de ideias fixas, que tratou como se fosse seu irmão.
No meio de tanta solicitação, envolvência e tempo dedicado à luta pelos direitos dos povos oprimidos, para além de um altruísmo desmedido, ainda lhe sobrou disponibilidade para cometer a proeza de escrever (apenas numa noite!) uma obra que foi "best seller" naquela altura: "O Capital" (Volumes I a III). O primeiro foi um estudo profundo sobre instalações sanitárias públicas e higiene em geral; o segundo versou sobre a gripe das aves e a conservação dos ovos; o terceiro, finalmente (claro!), sobre reinvestimento e fuga de capitais para a Suíça.
Ao contrário do que acontecera com o seu primeiro ensaio "Manifest gegen das Kapital", assumidamente revolucionário, mas pouco mobilizador de massas, "O Capital" vendeu-se que nem água e, naturalmente, Marques ganhou umas massas o que constituiu para a sua apreciável conta bancária, sinal por demais evidente de que os tempos eram favoráveis ao empreendedorismo e afins. Ademais, "O Capital" foi traduzido em tantas línguas e por tantos incompetentes que a sua essência se perdeu no tempo, dando origem às confusões actuais.
Incompreendido, Marques começou a viajar pela Europa. Passou por Paris onde testemunhou o fracasso do socialismo de notrami Miterã e a ascensão do populismo de Le Pénis, comeu algumas francesinhas (pensa-se que foi ele que lhes pagou as passagens para o Porto, onde se instalaram definitivamente até aos nossos dias), beijou, longa e apaixonadamente, Anita Ekberg na Fontana di Trevi em Roma, comeu paelha e valencianas em Valência, turrón em Alicante, et cetera.
Preparava-se, também, para fruir o mundanismo e a fleuma Londrina, à luz dos primeiros candeeiros eléctricos e sob o ruído dos primeiros carros a vapor, quando descobriu que estava teso, tendo-lhe sido cancelados todos os cartões de crédito. Enviou, então, um telegrama a Henry Miller, a quem tinha apresentado anos antes Anaïs Nin e Maria de Medeiros, para que este lhe valesse com dois mil dólares. Como não obteve resposta do amigo (mal agradecido), mendigou anos a fio entre a zona aristocrática de West End e a zona deprimida de East End.

Foi na Pinchin Street que travou conhecimento com Jack , o "estripador" e o "homem elefante", dois amigos que se condoeram com a sua miserável condição e o acolheram na sua água-furtada. Humanamente, era o máximo que podiam fazer para o ajudar porque a vida estava má para todos (menos para a aristocracia, naturalmente!).
Carlos Marques regressou à Alemanha carregado de dívidas, cheio de dúvidas e sem a glória de outrora. No entanto, a sua barba e o seu corte de cabelo continuaram a ser moda desde a Rue de Saint-Lazare em Paris até à rua de São Lázaro em Lisboa. Coco (pronuncia-se cocó) Chanel, Dior, Lapidus, Versage, Ach Brito, Jerónimo de Sousa, Cavaco Silva e o "Barbas" foram alguns dos que espalharam aos quatro ventos e aos sete mares o encanto inconfundível de Marques.
Mas, como dizia, regressado à Alemanha, o nosso teórico socialista é imediatamente preso pela Gestapo, por ordem do chanceler Adolf Hitler, acusado de ser um agitador comunista da pior estirpe e por suspeitas de ligação à Opus Dei (também pensei que não tinha lógica, mas que se lixe).

Longo foi o cativeiro de Carlos Marques e, durante o seu calvário, apanhou muita chuva e muito vento porque as prisões ainda não eram climatizadas. Consequentemente, apanhou gripe, escarlatina e tosse convulsa. O advogado oficioso nomeado para o defender, esforçou-se, conforme pôde, para lhe fazer ver as razões da detenção. De tal forma o fez, tanta literatura lhe levou que, se até então Carlos Marques tinha sido um comunista convicto, a partir dali passou a ser um anti-comunista primário.
Após quarenta anos de prisão, a primeira atitude que tomou foi dirigir-se a Vila Real de Santo António, partir a cara a Karensky, dar um pontapé no cu do Zinoviev e soltar a franga, a única sobrevivente do aviário.
Depois desse episódio, Marques, arruinado, velho e cansado, retirou-se para a sua casa de campo na Aldeia da Coelha, comprou um pacote de esferográficas "BIC" (passe a publicidade), oitenta maços de papel cavalinho e, como até então sempre fora um atado, desatou a escrever, compulsivamente, a sua teoria económica do anti-comunismo científico que também chamou de "O capital é que está a dar".
A partir daquela altura tornou-se tão mais teórico do que tinha sido até ali que até plagiou a teoria da relatividade de Albert Einstein, só para lhe fazer pirraça.
Assim, passou Carlos Henriques Marques os últimos anos da sua vida: a escrever, raladíssimo com a profusão de discípulos que copiaram, mal e porcamente, as suas ideias, um pouco por todo o mundo, nomeadamente na Rússia (URSS) onde Josef Stalin, um "social-fascista" georgiano, semi-analfabeto, foi disso o exemplo mais paradigmático.
Finou-se em Boliqueime, no ano de 1883, com um enfarte durante um jogo de xadrez que disputava a Andrei Sakharov, um russo naturalizado algarvio que, curiosamente, não era xadrezista. Diziam as más línguas lá da terra que o homem era um bebedor compulsivo de aguardente de medronho. Contudo, já se sabe que, nestas estórias (ou contos) há sempre quem lhes acrescente uns pontos.
Desde o seu desaparecimento, as suas ideias e obra, continuam a ser incompreendidas, daí a razão pela qual nunca foi nomeado para prémio Nobel de qualquer coisa.

ÀS VOLTAS COM UM "CASAMENTO" ANUNCIADO

o casamento gay do ano.jpg

Quem sabe? O mundo dá tantas voltas que este pode vir a ser o grande acontecimento do ano. Quem somos nós para duvidar das voltas que o mundo dá, se volta e meia nos surgem rumores e até notícias à volta dessa eventualidade? E, por muitas voltas que dêmos ao miolo, torna-se cada vez mais difícil trocar-lhe as voltas. Isto porque tudo gira em volta deste tema; estamos perante um desenlace quase inevitável. 

Na volta, quero é que eles sejam felizes e tenham muitos meninos nas barrigas das pernas!

Olhem, vou dar uma volta na volta do mar que o tempo é de remanso.

Mais sobre mim

foto do autor

NOTA MUITO IMPORTANTE

O AUTOR DESTE BLOGUE ESTÁ-SE A MARIMBAR PARA O ACORDO ORTOGRÁFICO!

ESPREITADELAS

hitwebcounter

FLORES DE MAIO

Mensagens

JAZZ COM BIFANAS

O SEU A SEU DONO

Se, neste blogue, houver lugar à existência de qualquer violação de direitos de autores de obras intelectuais, agradeço que me contactem através de joaoratao1@sapo.pt (ou aqui), por forma a poder corrigir a situação. Obrigado.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Calendário

Julho 2019

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Comentários recentes

  • Anónimo

    Bocage in "O Bordel Português"Saudações cordiais

  • Anónimo

    Faz-nos pensar que, aqui e ali, ainda se vão encon...

  • Anónimo

    Faz lembrar essa grande quadra de autor desconheci...

  • Anónimo

    Eu ia dizer - que f.... da ..... de texto tão rico...

  • João Ratão

    Pois, com certeza, nem refuto!

subscrever feeds

Pesquisar