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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

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RALI LISBOA-DAKAR

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O Rali Dakar de 2007 foi a vigésima nona e última edição do evento, decorrido entre a Europa e a África. O de 2008 não se realizou, alegadamente, por motivos de segurança.

Até ao ano de 2007 havia sido dividido entre algumas cidades de França, Espanha e, por último, Portugal.

Porém, foi em Paris onde a primeira edição da prova (26 de Dezembro de 1978 a 14 de Janeiro de 1979) teve lugar e passou a ser conhecida em todo o mundo por Rally Paris-Dakar.

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Lisboa foi a anfitriã dos Ralis Dakar de 2006 e 2007.

A prova começava no continente europeu, sendo interrompida por um dia para fazer a travessia do Mediterrâneo, prosseguia pelo deserto do Saara e terminava em Dakar.

A derradeira teve início em 6 de Janeiro e terminou em 21 de Janeiro.

A partir de 2009 mudou-se, de "armas e bagagens", para a América do Sul.

 

 

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Estas fotos foram tiradas na Praça do Império em Lisboa, junto aos CCB e Mosteiro dos Jerónimos.

Curiosamente, captadas numa manhã de nevoeiro; um sinal quase messiânico de mau presságio. Uma antevisão do que, por coincidência, se viria a confirmar: o não regresso da organização do rali ao "velho continente". Penso que com muita pena dos entusiastas da tradicional realização do evento no lado de cá do Atlântico.

Fico sem saber porque razão lhe continuam a chamar "Rally Dakar"...

A TODOS OS HABITANTES DOS MARES DE PORTUGAL

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A todos os habitantes dos Mares de Portugal e dos Algarves, nomeadamente o Mar Alto, o Mar Chão, o Mar de Rosas, o Mar Territorial, o Mar da Palha e "se mais (Mar) houvera lá chegara":

Artrópodes, fitozoários, pisciformes, cetácios, lamebrânquios e cefalópodes (se não referi outros espécimes, queiram, desde já, aceitar as minhas desculpas porque não é que tenham menos importância; é mais por ignorância):

Esta é a grande novidade há muito tempo almejada pela população submarina e sucessivamente adiada por motivos que não vêm ao caso, mas, em todo o caso, deve-se salientar que foram objecto de negociações aturadas com alguns parceiros sociais, às quais não faltou a indispensável peixeirada e a inevitável salgalhada. Nestas coisas, sobra sempre para o mexilhão!

O senhor Ministro dos Mares e das Marés, Doutor Marinho do Ó Carapau, sempre atento aos anseios da comunidade marinha, ou ele não fosse marinho, e aproveitando a maré alta, dado que o país atravessa uma maré de sorte, decidiu, finalmente, fazer aprovar por unanimidade, com algumas trocas de solhas e muita caldeirada à mistura, uma medida de apoio extraordinária que vai de encontro às expectativas da generalidade dos seres subaquáticos: mandar construir o Lula Parque que era uma enorme lacuna (não confundir com laguna) no panorama lúdico-subaquático nacional.

Em verdade verdadíssima, dentro em breve, vai ficar tudo em polvorosa (deve pronunciar-se polvo rosa, senão não tem piada).

Tudo será feito para que nos possamos divertir à brava no Lula Parque.

Podemos andar às voltas, sem cessar, nos carrissóis de camarão, conduzir carrinhos de chocos, visitar o Submarino Nautilus do Capitão Nemo e deixarmo-nos tactear nas escamas, barbatanas e conquilhas, por ventosas de górgonas tailandesas, com a garantia, devidamente certificada, de finais felizes. Contudo, não há bela (não confundir com linda) sem senão: Segundo a mitologia grega, as górgonas tailandesas são muito feias e más como as cobras. Logo, não devemos encará-las, sob risco de ficarmos petrificados ou, na pior das hipóteses, sermos transformados em caras de bacalhau.

Ficaremos sem pinta de sangue nas guelras e bestialmente escamados quando deslizarmos vertiginosamente na montanha russa do Canhão da Nazaré.

Pescadinhas ciganas de rabo na boca ler-nos-ão a sina na palma das barbatanas! Vai ser um fartote de prazer no Lula Parque! Garanto-vos pelas alminhas das belas nereidas a quem Camões, num momento de insuflação criadora, chamou Tágides.

Por isso, é justo que lancemos daqui um viva ao nosso querido Ministro! Viv'Ó Carapau!

 

 

A PRIMA FELISMINA III

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Minha querida prima Honorina, espero que estejas bem de saúde, na companhia dos teus que a gente cá vai indo conforme a graça de Deus.

Hoje, escrevo-te muito à pressa porque tenho a minha cozinha num autêntico rebuliço! Se visses, até te assustavas, filha!

Contudo, estou tão contente e, ao mesmo tempo, tão comovida que tinha que partilhar uma novidade contigo:

Trata-se dos estudos do meu Pedrinho. É que não caibo em mim de tão orgulhosa com as notas dele. Então, não é que o raio do cachopo teve "um" na média geral?! Parece que é a melhor nota que dão agora. No nosso tempo não era nada assim, lembras-te? Modernices, é o que é!

Também não admira que o meu Pedrinho tenha tido uma média tão elevada porque a escola onde anda obteve, este ano, a melhor classificação de sempre no "ranking" das melhores escolas oficiais do país. Em Junho já dispunha da quase totalidade dos professores e, por sinal, pessoas muito competentes, diga-se de passagem!

O meu Pedrinho contou-me que até tem um professor de inglês, um engenheiro formado em Ciências Sociais Ocultas na Sorbonne, vê lá tu! Como é que eu não hei-de estar tão satisfeita, prima, diz-me tu!

Nos números, desembaraça-se muito bem! De tal maneira que, agora, vai a uma coisa chamada "Paraolimpíadas da Matemática". Parece que é só para crianças que sofrem de discalculia, seja lá o que isso for, prima, que eu de discalculia só percebo de cálculos, infelizmente!  Ai, o meu Horácio padece tanto disso que nem tu calculas! Ainda um dia destes urinou uma pedra que parecia um berlinde, filha! O meu homem, c'os olhos fora das órbitas, até parecia um doido quando m'a mostrou, credo! Estive para fugir! O médico de família bem o aconselha a beber montes de água, mas ele, feito nhurro, prefere bagaço e eu não posso fazer nada, n'é?!

Mas continuando:

Mesmo assim, o meu Pedrinho conseguiu "dois", superando a média, coitadinho.

De maneira que isso enche-nos também de muita satisfação, como deves imaginar. Olha, cada um é para o que nasce, prontos!

Em português é que o meu menino tem tido mais dificuldades. O professor diz que lhe falta conversação. Também, a bom dizer, se não fossem as telenovelas, não se aprendia nada, filha!

Por exemplo, com a telenovela da SIC, "Alma e Coração" (passe a publicidade), sempre vai aprendendo mais alguma coisinha, mas, por outro lado, é uma má influência, prima, sabes lá! Então, agora, anda levado da breca, côa breca! Vê lá tu que, feito malvado, partiu a loiça toda e até pendurou o gato no estendal pelo pescoço! Apanhou-nos distraídos, foi o que foi! Achámos que o pobrezinho deve ter estrebuchado um bocadinho antes de morrer, mas o que é que podíamos fazer se o mal já estava feito, n'é?

Olha, pronto, tivemos muita pena do bicho e lá fizemos uma campazinha muito singela, no quintal para o meu Pedrinho se lembrar que não se fazem maldades destas aos animaizinhos indefesos.

Às vezes, ganho cismas e acho que o rapaz tem o Diabo no corpo, prima! Até já pensei em levá-lo ao senhor Prior para lhe fazer um esconjuro ou algo assim parecido, sei lá! Estas coisas passam-me pela cabeça, sabes?

Ao contrário das minhas preocupações com a educação do menino, o meu Horácio desvaloriza e incha de vaidade. Já tem desabafado que ele é o retrato vivo do avô! Se calhar deve ter herdado alguma coisinha do meu Horácio, vá-se lá saber. Isto sem ter a certeza absoluta de que o meu Pedrinho seja nosso neto, pois fazem-se tantas trocas nas maternidades, filha! Mas, lá que tem parecenças, no feitio, com o meu Horácio, não o posso negar; raio do moço!

Repara que o meu Pedrinho tem tanta imaginação ou tão pouca que andou a treinar cirurgia plástica nas galinhas da Dona Conceição! Como as pobrezinhas andam sempre à solta no pátio, ele não foi de intrigas e fez-lhes umas operações a custo zero. É claro que, como o menino tem pouca prática destas operações, andámos a comer canja, durante um mês, ao almoço e ao jantar. Olha, do mal o menos porque sempre ouvi dizer que cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, desde que não tenhamos o caldo entornado, não é, prima? 

Mas, olha, o moço tomou-lhe o gosto e já dá consultas de borla à vizinhança, só pelo prazer que tem em cortar! Agora, toda a gente aqui da rua quer ficar sem carquilhas, vê tu bem! A dona Natércia do rés-do-chão até ficou um bocadinho mais composta depois de uma operação facial. Também não deve nada à beleza, benza-a Deus Nosso Senhor! Porém, o meu Pedrinho, desta vez, descuidou-se um bocadinho com o bisturi e deixou-lhe uma orelha maior do que a outra. Nestas coisas, prima, ninguém é perfeito. Mais a mais sendo curioso.

Aqui há dias, a avó Felisbela teve mais uma daquelas crises chatas de logomania e o meu Pedrinho não esteve com meias medidas: besuntou-lhe a  boca com  "Super Cola 3" (passe a publicidade), que era o que havia mais à mão, e foi remédio santo, filha! É preciso muita paciência para aturar a velha, tu nem calculas! Imagina que o meu Horácio, às vezes, fica de tal modo transtornado ao ponto de pensar em largá-la nas urgências do Hospital de São José! Tu já viste como ela nos transtorna, filha?!

É por estas e outras que o meu Horácio se passa dos carretos, sai de casa e está temporadas sem pôr cá os pés, sabes tu?! Depois mete-se em alhadas e isso deixa-me muito ralada porque não são exemplos que se dêem a uma criança!

Bem, vou terminar por aqui, prima, desculpa lá! Tenho que acabar de fritar o resto das pataniscas e rissóis. Estou a vender salgados para fora porque o meu Horácio só dá despesas e demais chatices e, a somar a tudo isso, já não tem direito ao RSI. Mais a mais, a cabra da minha filha só sai do chilindró lá para meados do ano que vem. Como vês, tenho que me fazer à vida! Para ajudar à festa, a crise continua, apesar deste governo nos dizer que isto nunca esteve tão bem.

Recebe um beijo desta tua prima que te estima e s'assina,

Felismina

DITO E ESCRITO

PETIÇÃO PATÉTICA DE JUDAS ESCARIOTES

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Com a assinatura do conhecido apóstolo, reconhecida em escritório de notário (não confundir com São Judas Tadeu que foi um verdadeiro santinho, benza-o Deus!), também conhecido pelos epítetos de "o trinta dinheiros" e "o beijoqueiro", foi entregue na Procuradoria Toponímica Bíblica, à rua de São Roque da Lameira, ao cuidado de Santa Ifigénia da Etiópia (não confundir com Santa Efigénia de Aquiles que era tudo menos santa), um pedido de supressão, com efeito rectoactivo, da expressão onomástica, de origem duvidosa, "Cu de Judas". Recorde-se que tal pedido foi feito com carácter de urgência, dado que é um carácter que não permite dilações de tempo. Daí, o seu carácter de urgência.

O conhecido apóstolo aduz, em defesa deste inédito rogo, que já vai sendo tempo de a tradição judaico-cristã deixar de lhe estigmatizar aquela parte do corpo porque, segundo a sua opinião pessoal (ou não fosse a sua opinião), é injusto que as pessoas persistam, passados milénios, em fazer insinuações maliciosas como, por exemplo, "estar no Cu de Judas" ou "ir ao Cu de Judas" e outras vilezas de gente reles e ignorante que em nada abonam a favor do conhecimento etimológico dos topónimos. Além de que a única referência que há sobre a existência de tal sítio, leva-nos até uma zona montanhosa na freguesia de Água Retorta na Ilha de São Miguel nos Açores e com alguma reserva. Se algum açoriano, porventura, passar por aqui e estiver no Cu de Judas, faça o favor de se pronunciar!

Para que se deixe de mencionar "Cu de Judas", susceptível a interpretações ambíguas, sugere, em alternativa, algumas expressões menos manifestas e, por conseguinte, mais abonatórias para o seu bom nome e reconhecido contributo para o conhecimento histórico da Cristandade. Por exemplo:

O "Assento de Santo Agostinho"; o "Fundo da Agulha de Coser de Santa Catarina"; o "Annus (não confundir com a palavra ânus que se presta muito a trocadilhos) Horribilis de São Teotónio"; o "Buraco Negro de Santa Hermengarda" e, finalmente, o "Túnel de São Gotardo".

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