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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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COISAS DO ARCO-DA-VELHA

coisas do arco da velha.jpg

É uma expressão popular que, se calhar, as gerações mais novas desconhecem. Isto porque caiu em desuso, naturalmente. E digo "naturalmente" com muita convicção, dado que, como diz o Poeta, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".

"No meu tempo", aquele longínquo tempo em que o feijão era a cinco tostões o litro, era comum dizer-se esta frase quando alguém ficava admirado com algo insólito ou um acontecimento imprevisto.

Penso que as "coisas do arco-da-velha", também têm alguma relação com a expressão que usei no parágrafo anterior: o "tempo em que o feijão era a cinco tostões o litro". Ambas fazem referência a um passado remoto que a época em que vivemos pretende apagar da memória colectiva. Porém, aceitável porque, entretanto, foram substituídas por expressões mais consentâneas com estes tempos.

E é claro que algumas coisas inexplicáveis à luz da razão passaram a ser invenções ou histórias da carochinha; petas de raiz popular em que muita gente ainda acredita piamente, por via da sua iliteracia. Contudo, digo-o sempre com alguma reserva, o que hoje é mentira, amanhã pode ser verdade (o contrário também se aplica)...

As línguas dos povos também vão assimilando novos modos de comunicar; alguns são importados, mas isso é uma mais valia e também um resultado da globalização.

Afinal são as comunidades linguísticas (os cidadãos comuns) que fazem com que as línguas permaneçam vivas, e em constante mudança, e não os acordos ortográficos obscuros.

A nossa, com a vinda de pessoas oriundas de África e de outros continentes desde há décadas, está bem viva e recomenda-se; é o produto de uma sociedade multicultural. Por conseguinte, mantém-se sempre aberta a novas introduções de hábitos e costumes, normalmente de origem oculta, mas nem por isso menos essenciais para o enriquecimento dos nossos léxico linguístico e modus vivendi.

Ainda se conseguem ouvir da boca de algumas pessoas, particularmente de idade avançada, frases do tipo: "no meu tempo era assim ou assado", mas, como disse, têm caído inevitavelmente em desuso. Algumas foram substituídas e outras assumiram um novo significado.

Mas, concentremo-nos no "arco-da-velha" e nas várias interpretações em torno do seu significado: Por volta do século XIX, esta expressão - com carga bíblica - servia para simbolizar o arco-íris. Uma de várias explicações teria que ver com a "arca de Noé" e o "dilúvio" ou seja: após a "inundação universal", consta que Deus fez o arco-íris para celebrar um pacto com o Homem:  uma espécie de tratado de não agressão celebrado com Noé. Uma das cláusulas referia que o Criador não voltaria a enviar outra grande enxurrada tão devastadora como aquela. Todavia, Noé parece que não leu aquilo até ao fim, por preguiça, e assinou o documento às cegas. Não leu, sobretudo, nas entrelinhas. Mais a mais, naquele tempo, ainda não tinham inventado os óculos para ler ao perto e a malta limitava-se a passar os olhos pela papelada, o que era muito chato para o contraente, como é fácil de intuir.

Outra explicação para isto, teria sido a suposição generalizada de que Noé não sabia ler nem escrever, o que, até hoje, tem permanecido um mistério.

Contudo, o resultado dessa confiança excessiva em Deus está à vista: dilúvios, furacões, tornados, maremotos, terramotos, erupções vulcânicas e outras catástrofes tramadas são coisas que não têm faltado por esse mundo fora; e são cada vez mais devastadoras. É claro que se debatesse isto com uma pessoa crente, essa pessoa iria certamente contrapor com aquele aforismo que nunca cheguei a compreender: "Deus escreve direito por linhas tortas". Parece que tem várias interpretações, entre as quais registo uma que pretende dar a entender que as pessoas que mais sofrem na vida é que conseguem realizar-se (ou ter um lugarzinho no Céu). Tretas inventadas pelos católicos... Mas, continuando!

A palavra "velha" representaria, então, a velha aliança entre Deus e o Homem que, afinal, o Criador tem vindo a violar sistematicamente. Fora do contexto, é como a "velha aliança" celebrada entre os reinos de Portugal e Inglaterra, conhecida como "Tratado Anglo-Português de 1373", no qual impingiram a Dom João I, Filipa de Lencastre que, além de ser muito alta e muito feia, sofria de bicos de papagaio. Em troca, a gente enviava para eles vinho do Porto.

Também essa estuporada aliança tem sido sucessivamente violada, ao longo dos séculos, pelos sacanas dos "bifes". Por outro lado, a malta também se vingou dos gajos: como bebem vinho do Porto como quem bebe água, os filhos da mãe andam cheios de gota! Mas, isso é outra história.

Outra explicação para a frase  "arco-da-velha", esta de origem duvidosa, teria que ver com o facto de as pessoas antigas, muito antes de Benjamin Franklin ter inventado a electricidade (ressalvo que, em Portugal, esse hábito prolongou-se durante séculos após a invenção da corrente eléctrica), terem o hábito de salgar as carnes, nomeadamente os presuntos dentro de arcas com sal e, assim, em vez de "arco-da-velha", seria "arca da velha" (vulgo salgadeira da velha). Todavia, isto não é certo. Penso, até, que é uma improbabilidade porque ele há coisas, mesmo, do arco-da-velha, pá!

Já, agora, uma nota final: O arco-íris também é conhecido como Arca da Aliança que era um tabernáculo onde os judeus guardavam o vinho. Tabernáculo, estão a ver? Está de caras! Não? Eu também não disse que sabia muito de História Sagrada, n'é? Prometo que nunca mais publico histórias do arco-da-velha, eu seja ceguinho!

"FAKE NEWS" OU, SE QUISEREM, COM MUITA RESERVA

novas regras desportivas.jpg

Correndo o sério risco de estar a publicar "fake news"...isto, hoje em dia, está na moda; toda a gente publica notícias falsas, pá, que se lixe!

Assim, pisando o risco por minha conta e risco, aqui vai:

Circulam alguns rumores, algures por aí, sobre alterações às regras de algumas modalidades desportivas. Quiçá, no sentido de as tornar mais apelativas para as massas, nomeadamente para a massa mãe e para o pai também, sem esquecer as massas velhas e as massinhas tenras. Alguém disse um dia que não há nada mais precioso no mundo do que as massas velhas e as massinhas tenras e não posso estar menos de acordo.

Bom, mas tais medidas têm que ver com a constatação de que, lamentavelmente, os pavilhões gimnodesportivos e os estádios estão a ficar cada vez mais vazios.

De outro modo é uma maneira de simplificar alguns preceitos e, por conseguinte, agilizar o trabalho dos árbitros. Assim, à semelhança, por exemplo, das resoluções tomadas pelo Comité Internacional de Hóquei em Patins (CIRH), a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) poderá vir a aprovar regras que permitam o toque de bola nos patins dentro do garrafão desde que seja empalhado e contenha palhete. Não será permitido o toque em garrafões com revestimento plástico. O ambiente agradece.

Também, a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) parece estar em vias de introduzir o castigo máximo nas regras do jogo. Já utilizado com êxito noutras modalidades, o penálti seria, experimentalmente, indirecto no voleibol.

Para os lados da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), pensa-se também que, a breve trecho, venha a ser aprovada a marcação de golos de cabeça na modalidade, dado que é um jogo muito cerebral. No entanto, ainda é prematuro dar cabo da cabeça com conjecturas sem pés nem cabeça.

Por seu lado, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pensa promover, a médio prazo, a implementação do tradicional jogo de matraquilhos como desporto profissional, visto que a concorrência desleal das tecnologias de informação não poupa meios para fazer "reset" a estas memórias da nossa juventude. A FPF poderá, portanto, tentar, atrair praticantes para esta actividade tão antiga e salutar. O Benfica, o Sporting e o Porto foram os primeiros a aderir a esta feliz iniciativa da FPF que, por enquanto, é só uma ideia. Vamos esperar que outros clubes se lhes juntem e tenha pernas para andar, quando mais não seja com uma perna às costas; e sem passarem a perna uns aos outros porque isso é muito feio no desporto, meus senhores!

Por seu turno (não confundir com "por Saturno") o lançamento (ou arremesso) do peso poderá vir a ser levado a efeito, utilizando a técnica do piparote, o que requer robustez, destreza e alguma hipertrofia das extremidades dos membros superiores.

Relativamente à pesca desportiva, pensa-se também que deverá incluir na sua lista de iscas oficiais, não só as iscas com elas, mas também outros engodos como os tradicionais couratos e pezinhos de coentrada. Simultaneamente, os concorrentes vão petiscando durante a competição e não adormecem. A menos que o vinho seja uma pomada.

Finalmente, em relação ao futebol, o dito desporto-rei, e fazendo fé nos mesmos boatos, a Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA), poderá vir a aprovar a utilização, pelo árbitro, não de dois cartões (amarelo e vermelho), como até agora, mas de trinta e sete, em tons que podem ir do magenta ao verde alface ou do azul zeferino ao azul cueca. Cada um destes cartões destinar-se-ia a ser utilizado para vários tipos de faltas, tanto em campo como nas bancadas, e a serem aprovados, os árbitros teriam que passar a apitar todos os jogos, inclusive o fora de jogo; o jogo directo; o jogo interrompido (não confundir com coito interrompido); o jogo limpo; o jogo perigoso, et cetera. Claro que para facilitar a sua tarefa, traria para todo o efeito, mas sem armar ao efeito, um saco a tiracolo com os trinta e sete cartões que, em caso de falta, seriam seleccionados ao acaso (o árbitro limitar-se-ia a tirar um cartão sem olhar para dentro do saco). O castigo variaria, consoante a cor do cartão, logicamente. Tal método faria com que se banisse definitivamente a videoarbitragem (VAR) dos campos de futebol que, na opinião de alguns especialistas, parece ser um sistema de monitorização obsoleto e, por consequência, falível, daí que não agrade a gregos e troianos, sobretudo quando os seus clubes perdem. Vá-se lá saber porquê...

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