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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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FOI FINALMENTE DESCOBERTA A PRIMEIRA GREVE NÃO POLÍTICA DA HISTÓRIA!

comissão parlamentar de inquérito.jpg

Apesar do segredo em que se encontra envolvida, segundo informação de fontes inseguras, penso estar em condições de afiançar que, nos modernos laboratórios do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo George (INSDRG), descobriu-se há pouco tempo a primeira greve não política da história.

Os segredos em Portugal têm este defeito: passam de segredos ocultos a segredos de polichinelo em menos de um segundo. Pelo menos, aqueles que não implicam descobrir carecas ilustres; e quando se descobrem, convém não puxar muito o fio à meada, senão seria o fim do mundo em cuecas. Assim, lá se vai descobrindo uma ou outra para sossegar as hostes e pouco mais. Mas isso, estamos carecas de saber. Divaguei, peço desculpa. Adiante:

O achado surgiu, repentinamente, sem aviso prévio e de repuxo. Tratou-se, efectivamente, da greve de uma prisão de ventre aguda e, por ironia do destino, na pessoa de um cu ministerial.

Para quem não sabe, as greves não políticas das prisões de ventre agudas são as mais raras e caracterizam-se por acções de despejo levadas a cabo por fezes anarquistas, vulgarmente espontâneas e muito moles, em contraposição com as duras, difíceis de expulsar sem a acção musculada da polícia de intervenção ou, em último recurso, de clisteres.

A prisão de ventre, tecnicamente conhecida por obstipação (não confundir com constipation que é uma vulgar constipação em inglês), afecta actualmente cerca de 99,9 por cento da população nacional, mais coisa menos coisa.

Contudo, segundo as mesmas fontes, tal descoberta, se não for devidamente controlada, pode atingir proporções catastróficas para a saúde pública, a ponto de ocorrer, inclusive, uma pandemia.

Para minimizar os efeitos imediatos desta greve, uma resolução apressada da Assembleia da República vai nomear na próxima semana uma comissão parlamentar de inquérito a este fenómeno reivindicativo.

Há muito tempo que os técnicos do INSDRG procuravam analisar minuciosamente, sem resultados positivos, quaisquer indícios que pudessem levar, até agora, à descoberta deste tipo de greve que, como referi, é raríssimo; daí o seu ineditismo.

No entanto, por muito contraditório que possa parecer, o achado poderá desempenhar um papel relevante (já para não falar na economia de papel higiénico) na vida social e económica das famílias. A talhe de foice e se bem me lembro, é de realçar o contributo meritório do antigo Ministro da Saúde do governo PAF, ao dar o primeiro passo no sentido de poupar despesas, neste tipo de papel individual, nos hospitais e centros de saúde. Até parecia que estava a predizer o futuro por inspiração divina! 

Pensa-se, em meios próximos de São Bento, embora sem corroboração oficial, que o actual governo, naturalmente com o indispensável aval do ministro das Finanças (às voltas com o fetiche do défice zero, sabendo-se que estes investimentos custam milhões ao erário), já terá alegadamente assegurado, a breve trecho, a produção de um fármaco, concebido no Instituto Superior  de Ciências Gastronómicas e Digestivas (ISCGD). Ora, tal fármaco vai concorrer para intensificar a coprostasia (era chato escrever retenção das fezes), cujo objectivo essencial é evitar, a todo o transe (ou trânsito), perturbações desnecessárias da ordem intestinal, inclusive perturbação do sossego (em caso de denúncia, invocar o artigo 24º, nº2, do Regulamento Geral do Ruído).

Segundo especialistas, a generalização da prisão de ventre poderia constituir um autêntico seguro de vida para qualquer governo em praticamente todos os campos da vida social.

Portanto, aproveitando o ensejo, aqui deixo o apelo: diga NÃO às greves não políticas das prisões de ventre agudas!

DENUNCIE QUALQUER PEIDO ACINTOSO, PERTURBADOR DA ORDEM INTESTINAL E PRESSAGIADOR DE EVACUAÇÃO PREMATURA (NÃO CONFUNDIR COM EJACULAÇÃO PREMATURA)!

TRISTE FADO, O DOS POETAS

pessoa.jpg

Após longa e forçada ausência da Pátria, Fernando resolve  regressar a Lisboa na companhia dos manos. Encorajado por uma anarco-sindicalista irlandesa, de nome Óscar, decide introduzir o modernismo em Portugal e em boa hora o faz porque, graças a esta inovação cultural, obtém uma tença vitalícia do "Presidente-Rei", Sidónio Pais, e o direito inalienável a comer uma sopinha até ao final dos seus dias.

Estabelece-se, então, no Largo do Intendente como astrólogo e tradutor, no que se aborrece supinamente, pois não está vocacionado para isso. Urge escrever, mas está difícil encontrar a veia poética devido a uma flebite crónica de que padece.

Álvaro, para o abstrair do desassossego em que vive, escreve-lhe cartas de amor a Ophélia Barbosa que Fernando, sempre muito reservado, ama em segredo.

Anos mais tarde e após a tentativa da relação amorosa com Ophélia ter fracassado, abala para Paris onde se envolve com um pintor, um tipo socialmente muito instável, chamado Santa-Rita. Este, por sua vez, deu-lhe a conhecer outro jovem poeta, curiosamente ligado à pesca do bacalhau, um romântico e boémio incurável nas horas vagas, Mário Gomes de Sá.

Porém, continua a negligenciar as suas actividades, tendo, nomeadamente, grande dificuldade em traduzir línguas mortas para línguas vivas por falta de visão e crises, cada vez mais acentuadas, de gota.

Perde dinheiro no casino, entra em falência e tenta fugir aos credores. Todavia, não passa da gare da Estação de Santa Apolónia, pois nem dinheiro lhe resta para o tabaco. Desesperado e à beira da loucura, escreve uma mensagem heróica em cima do joelho enquanto Alberto esfrega um olho.

António Mão de Ferro, editor de uma revista literária de carácter muito vanguardista para a época, cujo nome não recordo agora (pode ser que me lembre mais tarde), e um coração de manteiga, não obstante ser severo, também ele um modernista até ao tutano, concede-lhe uma bolsa de estudo nas tabernas do Cais do Sodré por feliz indicação do Centro Nacional de Cultura.

Por essa altura, Fernando, ainda longe do seu melhor, anima as noites do Grémio Literário, declamando poesia lírica camoniana para uma tertúlia muito restrita de figuras notáveis da intelectualidade alfacinha. Espaço onde também é frequente haver faustosos banquetes e, mesmo, sessões de espiritismo. Entre os habitués destaca-se a presença da fadista Florbela Espanta. A artista não falha uma, como é curial dizer-se.

Atravessa, então, o período mais criativo da sua carreira literária, mas também o mais boémio e dramático. Misantropo desde que sua mãe o abandonara e aos irmãos, à sorte, numa viela da Mouraria, entrega-se aos prazeres solitários num quarto de pensão da Rua dos Prazeres e joga às damas num salão de cabeleireiro ao Jardim dos Prazeres com uma manicura brasileira, Gustava dos Prazeres.

Por essa altura também lhe retiram, injustamente, uma menção honrosa nos primeiros Jogos Florais de Alcabideche por suspeita, que mais tarde se revelou infundada, de plágio de uma estrofe do poeta fascista, António Correia do Olival.

Finalmente, morre em Lisboa em 30 de Novembro de 1935, nos braços de um amigo, por alcunha "o Almada", com cirrose e uma overdose de ansiolíticos; alegadamente, sem fé em Deus. Certo é que, por coincidência ou obra do destino, exala o último suspiro no ano da morte de Ricardo. Não se sabe, ao certo, se os outros dois irmãos morreram antes ou depois dele, mas, segundo os mentideiros habituais, entre os quais saliento um tal Bernardo que parece ter sido um meio-irmão do poeta, nenhum escapou, nem mesmo o próprio (o Bernardo), carecendo tal afirmação de comprovação científica.

Actualmente, alguns apaixonados pela sua obra ainda regateiam, aos sábados na Feira da Ladra, as ceroulas, os lenços, as camisas do poeta e, pasme-se, os bilhetes de eléctrico que ele guardava religiosamente! Triste fado, o seu...

CARTA ABERTA AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR PROVEDOR DA CGR

carta aberta.jpg

Senhor Provedor da Caixa Geral de Reclamações

 

Excelência

 

Venho, por este meio, chamar Vossa Excelência à atenção, tendo em conta toda a atenção que Vossa Excelência me merece, para um caso sério na vida quotidiana nacional (vulgo vida do dia a dia). Um caso sério, na medida em que parece estar a transformar-se num caso omisso na nossa sociedade, à medida que os anos passam. Ou simplificando: passou da excepção à regra, por assim dizer.

Pois sucede, Excelência, que anda por cá uma desonestidade de proporções alarmantes e, por conseguinte, causadora de grande apreensão. É coisa nunca dantes vista, tampouco imaginada, visto que só visto e à vista desarmada, pois está à vista de toda a gente; mesmo de gente com a vista cansada. É claro que há quem faça vista grossa e até aplauda, mas é impossível ignorar porque dá muito nas vistas!

No fundo, todos se metem em vigarices, desde o pelintra ao ricalhaço. É um gamanço desenfreado, Excelência, uma enfermidade que não poupa tesos e, muito menos, endinheirados!

Excelentíssimo, está na sua mão ou em ambas, desde que estejam limpas - coisa rara, hoje em dia - , desmascarar a verdade, ela também uma mentirosa que nos ilude com verdades eternas e, sobretudo, com meias verdades, sabendo nós que umas são volúveis e as outras são velhas mentiras. Já para não dizer das mentiras piedosas...

Ora, vai Vossa Excelência desculpar-me a petulância, mas sabe perfeitamente que o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira (passe a Lapalissada).

Veja, Excelência, que só nos constam as piores vilanias e as mais capazes burlas no pior pano! Então, e no melhor pano?!  É injusto que sejamos nós a arcar com as consequências das trapaças dos malandros de colarinho branco!  E, além disso, é uma dupla injustiça porque calham-nos sempre advogados estagiários nomeados pelo Ministério Público! Reivindicamos as mesmas prerrogativas dos patifórios doutos! Queremos o Rogério Alves ou o Proença de Carvalho, por exemplo, para propugnarem os nossos direitos! Sim porque feitas as contas e graças a Deus somos um país de profícuos advogados e, nesse sentido, penso que também merecemos do bom e do melhor e, de preferência, pro bono que a vida está difícil, até para nós; há muita procura, Excelência! Portanto, não vejo razão para que não possamos escolher quem lute empenhadamente pela resolução satisfatória dos nossos pleitos com a Justiça que diabo!...Ai..., perdão, Excelência! 

Parcialidade é que não! E escrevo isto com o devido respeito e por respeito a Vossa Excelência. Longe de mim faltar-lhe ao respeito! Até porque o respeito é muito bonito, sabendo de antemão que, com respeito ao respeito já não há uma ponta de respeito.  

Sem outro assunto, de momento, sou a solicitar respeitosamente a Vossa Excelência que se digne, ao menos, deitar o rabo do olho à minha exposição, dado que se lê num abrir e fechar de olhos.

Subscrevo-me, com os meus melhores cumprimentos,

 

Zé Manel de Linquente, detido, preventivamente, na prisão de Alcoentre.

 

CENSO ESTATÍSTICO

censo estatístico.jpg

Basta porque a crise é vasta e já dura há uma eternidade! Isto, não obstante os senhores Costa e Centeno nos afiançarem, pela saúde das respectivas sogras, que a saída do "lixo" e a perspectiva de, pela primeira vez na nossa democracia, nos aproximarmos do défice zero em 2019, revelar um "notável desempenho" da economia nacional.

Chegou-se ao ponto em que não se sabe se é ponto final ou, ainda, ponto de partida; quiçá, ponto de fuga. Tal como a persistente dúvida entre o ponto de espadana e o ponto de rebuçado e aí é que bate o ponto! A somar a isto, fazendo o ponto de situação, constatamos que o capital continua de costas voltadas para o trabalho e vice versa, o que, segundo o meu ponto de vista, é um eterno ponto de conflito; um ponto fraco da democracia ou, se quiserem, o seu ponto nevrálgico...

Ah, e perguntam vocês porquê? Pois, olhem, não sei! O que sei e o que vocês também sabem é que a malta está farta de ouvir a sucessivos governos, declarações  programáticas e saturantes, algumas pateticamente populistas, sobre isto mesmo e não só, mas também, e continua tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.

Faltam as verdadeiras e definitivas políticas de trabalho, combate à exclusão social, desemprego e outras coisas que estamos fartos de saber. Nem quero dizer da corrupção! A propósito de corrupção, um senhor muito importante, ligado no passado recente ao combate a essa coisa, dizia, numa entrevista, que não se devia escavar muito fundo, dado que é um fenómeno muito difícil de controlar, et cetera...

Porém, não era bem este o propósito desta prosa; prometo que o desenvolverei com maior acuidade, em exclusivo e sob consulta. Queiram desculpar mais um dos meus inumeráveis devaneios.

Vamos lá ao que interessa: estatísticas. Após muita reflexão e algumas insónias, achei por bem partilhar convosco o resultado, em síntese estatística, da minha tese, em tudo não muito diverso do último censo que, segundo o motor de pesquisa, ocorreu em 2017.

Ora, aqui têm; "é fazerem as contas", como dizia alguém, não sei quem:

A leitura do censo estatístico oficial (peço desculpa por uma ou outra incorrecção), permite-me constatar o seguinte, a grosso modo, vá lá (se tiverem dados dignos de fé, agradeço que me corrijam porque estes não são, seguramente, fiáveis):

Número de habitantes:...........................................10 000 000

Pessoas com mais de 65 anos:.....................................2 800 000

População trabalhadora:..........................................7 200 000

População com menos de 18 anos:..................................3 200 000

Aptos para o trabalho:...........................................4 000 000

Funcionários da Administração Pública:.......................... 2 400 000

Aptos para o trabalho:.............................................600 000

Forças Desarmadas:..................................................30 000

Aptos para o trabalho:............................................. 60 000

Hospitalizados e demais enfermos (inclusive os que estão nas lonas)300 000

Aptos para o trabalho:.............................................100 000

Chulos e afins:.....................................................26 000

Aptos para o trabalho:..............................................74 000

Ociosos (políticos, presos de litro comum e outros):................73 998

Aptos para o trabalho:...................................................2

E quem são os dois que estão aptos para o trabalho? É claro e evidente (passe a redundância) que somos nós, caro(a) leitor(a): você e eu. Só que eu fui despedido por absentismo, portanto sobra você e faz muito bem porque demonstra um sinal inequívoco de portuguesismo exacerbado.

 

ANO NOVO...

ano novo.jpg

...Vida nova, como diz o provérbio. No entanto, na minha modesta opinião, parece-me que não é bem assim porque nos faltam a coragem e a determinação para renovar seja o que for, desde as nossas vidas até ao estado das coisas. Vai-se mantendo o  paradigma das rotinas a que nos fomos habituando, ou a que fomos habituados (que não é bem a mesma coisa), ao longo de gerações.

Acomodamo-nos, arrastamo-nos, arrasta-se o país e o tempo passa sem que nos apercebamos da sua passagem. Entretanto, há sempre uns mais astutos que não andam distraídos e tentam tirar o máximo proveito do nosso alheamento. E nós, negligentes, sustentamos as suas arbitrariedades com a maior das canduras, soltando, uma vez ou outra, um suspiro de raiva contida; como um peidinho para dentro, para não exalar o fedor para os narizes das manhosas personagens...

Bom 2019.

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