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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

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A DERRADEIRA VIAGEM

 

Aconteceu hoje. Uma data que merecia ser vivamente comemorada e não tragicamente recordada. O estupor da vida (ou da morte) tem destas ironias...

Conhecemo-nos desde putos, desencontrámo-os, reencontrámo-nos e pronto; a tua história tinha que ter um epílogo doloroso porque inesperado. São coisas que só acontecem a quem está vivo e que têm um peso desmedido, a tal ponto de ainda pensarmos que não podiam ter sucedido; quis a má sorte que abalasses mais cedo...

Quanto a mim, ainda por cá vou ficar, até que a tal sorte ou o acaso queiram. Não exijo muito da vida, mas peço-lhe que interceda por mim, junto da morte, para que me poupe por mais algum tempo. Apenas o suficiente para poder usufruir da companhia da família até poder concluir que foi um tempo bem passado e nada ficou por fazer.

É sempre mau morrer, mas morrer assim é injusto; a vida, às vezes, é uma merda, meu amigo!

Há quem chame destino ou fado, àquilo que nos está reservado, mas acho que tem mais a ver com as escolhas que fazemos. No entanto, sublinho e aceito que, mesmo que façamos escolhas certas, há factores que podem precipitar o fim de tudo, os quais são inevitáveis. Porém, continuo com a ideia de que, não se podendo evitar, pelo menos podem-se minimizar os seus efeitos e contribuir para enganar o tal destino por mais uns anos...

Contudo, Manel, decidiste desistir, não agora, mas há muito tempo. Jamais vou saber a razão da tua desistência.

Com efeito, fomos bons amigos durante meio século, mas nunca me conseguiste explicar (ou não quiseste) a razão ou razões da tua renúncia à felicidade. Agora, qualquer reflexão acerca da tua resignação, será, para sempre, baseada em indícios ou probabilidades. 

Tenho pena, amigo, mas também muita raiva porque penso que foi inglório o tempo que perdeste com os teus projectos irrealizáveis. Ou, se calhar, foi o suficiente; fizeste o que pudeste e com alguma satisfação, vá-se lá saber...

Contudo, foste cedo de mais, pronto, e considero que isso foi uma decisão arbitrária...

Pode ser que um dia nos possamos reencontrar, sabe-se lá aonde, e me possas esclarecer sobre todos os motivos pelos quais não quiseste ser feliz, muito antes de te surgir essa coisa que nos roubou a tua companhia...

Apossando-me de uma passagem da música do Sérgio Godinho "Com um brilhozinho nos olhos", reescrevo-a à minha maneira e que me perdoe o cantautor pelo aproveitamento: É que hoje perdi um amigo e coisa mais trágica no mundo não há.

Até qualquer dia, Manel...

 

 

 

 

DOM JOÃO I

dom joão i.jpg

Olá, caros e caras amantes da boa leitura. Cá estou, mais uma vez, a debruçar-me sobre uma das minhas grandes paixões: A História de Portugal, como sabem. A talhe de foice quero-vos pedir desculpas por alguns anacronismos que possam surgir numa ou outra passagem deste artigo, mas sem eles isto ainda tinha menos piada, acreditem.
Já aqui tinha aflorado, levemente (passe a redundância), um dos períodos mais marcantes da nossa História, sob o título "A Ínclita Geração. Todavia, achei que seria injusto não abordar, mesmo em síntese (para uma abordagem mais profunda, queiram consultar as obras completas do professor José Mattoso), os percursos de algumas personagens que marcaram essa época. Ou, pelo menos, descrever mais algumas particularidades das suas vidas que me parecem relevantes. "No fundo é um esforço pessoal, sem fins lucrativos" (já escrevi esta frase em qualquer lado, peço desculpa), no sentido de que as novas gerações, que continuam a ser tudo menos "rascas", não esqueçam os feitos heróicos dos nossos antepassados. Vamos lá, então, porque sei que é do vosso agrado recordar as façanhas dos nossos "egrégios avós" e o saber não ocupa lugar, como disse alguém, não sei quem. Adiante que o Zé pestana reclama pelo meu descanso.

Então, reza assim, menos conto mais ponto ou vice-versa: Depois daquele período fantástico ao qual se convencionou chamar Interregno, subiu ao trono, leve como um passarinho, apesar da obesidade mórbida de que padecia - passe o paradoxo - , Dom João I, o de "Boa Memória", filho bastardo de uma relação extra-conjugal entre Dom Pedro I e uma cortesã galega danada para a brincadeira.
João era um cromo do caraças, pois conseguia recordar-se, tintim por tintim, de todas as batalhas travadas contra Castela e, naturalmente, contra os infiéis do Estado Islâmico. Também sabia, de cor e salteado, os nomes dos presidentes portugueses, desde Teófilo Braga até ao professor Marcelo, sem esquecer a raiz quadrada de nove. Para aquele tempo era obra! Contudo, o nosso rei, que era muito belicoso, sentiu a necessidade de ter alguém, como seu braço direito (como sabem, ele tinha perdido o braço numa das incontáveis batalhas que travou e nunca se ajeitou com o esquerdo), que percebesse algo mais acerca da arte da guerra.
Ora, como o General Sun Tzu já estava aposentado da tropa, ia para vinte e um anos e seis meses; para mais, andava sempre a dormir na fila por via da sua dependência do ópio, Dom João I pensou que a escolha do general seria uma má opção. Ademais, para piorar a situação, viajar da China até cá, seguindo a rota da seda, demorava cinco anos e nove meses, mais coisa menos coisa. Assim, optando pelo mal menor, decidiu que Dom Nuno Álvares da Câmara Pereira, na altura já com 56 anos (idade muito avançada para a época) e cheio de bicos de papagaio, ainda estava apto para ser novamente mobilizado. Continuaria como o Incontestável do reino (não confundir com o Santo Condestável, dado que DNACP era muito instável).

É claro que ninguém ousou contrariar a decisão do rei, sob pena de ir parar às masmorras de Fez, lá para os lados do reino de Marrocos, que era uma prisão com muito má reputação (para quem não sabe). O Infante Santo que o diga!...
O problema é que os sacanas dos castelhanos não desarmaram - aliás, estavam muito mais bem armados q'a gente - e entraram em Trancoso (segundo o professor José Mattoso, eles entraram em Viseu, carecendo, ambas as teses, de confirmação científica), cheios de más intenções.
Os portugueses, em menor número e bestialmente mal armados (é o costume, nunca há bestas que cheguem para todos), formaram-se em dodecaedro e derrotaram os espanhóis à trancada q'é por causa das tosses. Esta batalha vem descrita nas Profecias do Bandarra, famoso sapateiro de Trancoso. Façam o favor de as ler; a preguiça intelectual é muito feia!
Porém, o rei de Castela não quis abdicar, do pé para a mão e muito menos da mão para o pé, deste torrãozinho à beira-mar plantado e, em meados de 1385, voltou a invadir terras lusas, desta feita com um exército altamente apetrechado e fortemente motivado. Pudera, pois nem todos os exércitos se podem gabar de trazer consigo um canil completo; inclusive com um veterinário e tudo! Traziam, também, canhões sem recuo da Primeira Grande Guerra, capturados aos hunos, e até umas roupinhas fim de estação que haviam sobrado das últimas "rebajas de verano", imaginem!
DNACP que não havia nascido ontem, muito antes pelo contrário, e sendo instável, mudou de táctica e desta feita avançou ao encontro dos invasores com um pequeno exército de pouco mais de meia dúzia de gatos pingados, mas com uma fé inabalável numa vitória esmagadora.
O encontro teve lugar numa povoação denominada, ao tempo, Ajubarrota (do árabe Al Juba Rota, topónimo que se manteve quase até aos nossos dias. Actualmente, chama-se Aljubarrota), junto a uma padaria cujo dono, um possante e garboso padeiro chamado Beatriz Brites de Almeida, ficou lendário por ter despachado, à pazada, uns quantos castelhanos que se tinham escondido no forno da sua padaria. Prometo que, lá mais para a frente, dedicarei um artigo a este famoso padeiro de Aljubarrota. Prossigamos, senão disperso-me.
O exército português dispôs-se, desta vez, em icosaedro regular, não tendo qualquer dificuldade em dispersar as tropas inimigas, as quais foram parar a Salamanca sem saberem como nem porquê. Pode-se dizer que foi uma vitória e pêras (ou em toda a linha se vos soar melhor), graças à estratégia instável do Incontestável do reino.
É óbvio que o bom êxito das nossas tropas sobre os nuestros hermanos, só foi possível graças à mais "velha aliança" que Dom João I fez com os ingleses. Os "bifes" apoiaram-nos, enviando para cá umas bestas já obsoletas, utilizadas na guerra dos cem anos, e Dona Filipa de Lencastre que media mais de dois metros de altura e pesava cerca de cento e cinquenta quilos, sem confirmação oficial...
O rei, para consolidar a "velha aliança", casou-se com Dona Filipa e, de uma assentada, fez-lhe oito filhos, não se sabendo qual o método que utilizou para o efeito, dado que só media um metro e cinquenta e dois centímetros de altura. Mas, lá que foi um feito (aliás, oito), isso é insofismável! Porém, como nesse tempo ainda se estava muito longe da eficácia dos actuais testes de paternidade, jamais se saberá se, efectivamente, seriam seus. Uma coisa é certa: Dona Filipa de Lencastre era uma rainha muito mundana e dada a festas; nomeadamente nocturnas. Por outro lado também é consabido que o rei passava mais tempo na guerra do que na corte, descurando, assim, as suas obrigações conjugais...
Bom, mas deste badalado casamento, resultou, então, a chamada "Ínclita Geração", de que faziam parte Dom Duarte que foi rei, Dom Pedro que foi culto, Dom Henrique que foi navegador, Dom Fernando que foi mártir e santo, Dom João que foi infante e Dona Isabel de Herédia que foi uma Borgonha e casou, séculos mais tarde, com Dom Duarte Pio, bispo de Bragança.
Dom João I, para além de um excelente fazedor de filhos (sem confirmação científica) e um valente guerreiro que nos deu livre esta nação, era um excelente contador de histórias; sobretudo, histórias da carochinha. Diz-se, embora sem comprovação, que este monarca também era muito amigo do povo, concedendo-lhe algumas regalias (naquele tempo ainda não se falava em direitos fundamentais, livre arbítrio e outras tretas modernas da democracia) e muito justamente porque o povo sempre o tinha apoiado nos momentos mais difíceis da sua reinação (reinação porque o rei, quando não estava a guerrear, estava na pândega) e até antes, durante a campanha eleitoral.
Recorde-se que, se não fosse a plebe, ele nunca teria sido rei porque era gordo e muito baixinho. Assim, por decreto régio, decidiu criar uma câmara baixa, por contraposição com outra já existente, a câmara alta (só para os lordes). Diga-se, em abono da verdade, que o fez sob a influência de Dona Filipa de Lencastre, aliás, Philippa of Lancaster. Com a extraordinária e persuasiva presença da consorte, o rei limitava-se a assinar por baixo.
Dom João I, para além de rei d'Aquém, também pretendia ser rei d'Além-mar e levar a fé cristã até aos povos pagãos de outras paragens. Em face dessa tão nobre ambição, decretou a constituição de uma poderosa e "invencível armada" de cerca de duzentas naus catrinetas, uns tantos barcos rabelos de apoio logístico e a malta lá rumou até Tanger, com largada do cais do Sodré. Foi difícil, mas, com jeitinho, couberam todos e não houve abalroamentos. Decorria o ano de 1415, fazia um calor de ananases e o vento não estava de feição para o velame. Contudo, fizeram-se ao mar da Palha, remando contra a maré.
Entretanto, o Infante Dom Henrique, em gozo de férias na Ponta de Sagres, pôs-se à coca a ver se os via passar para além da Taprobana (que me desculpe, mais uma vez, o professor Mattoso, por alguma incorrecção histórica, mas a minha memória não é tão boa, como foi a do Mestre de Avis).
Henrique deu novos mundos ao mundo, de facto é facto, mas isso será tema para outra história porque já estou com uma soneira do caraças. Vou abreviar isto às três pancadas, desculpem lá!
Foi mais ou menos por essa altura que DNACP decidiu recolher ao convento das Carmolitas de Nossa Senhora do Carmo(*) para se dedicar à prática do bem, donde se deduz que até ao seu recolhimento tinha sido um grande bargante...

(*) Actualmente, só restam ruínas deste convento que, como é do conhecimento geral, ruiu juntamente com a Trindade durante o terramoto de 1755. Daí a expressão corrente, "cair o Carmo e a Trindade".

SEGISMUNDO FREUD

segismundo freud.jpg

Ao ceder lugar ao Verão que está prestes a regressar, embora insípido, a Primavera parte, mais uma vez, com todas as suas anteras de pólen (eu que o diga...). Deixou-nos a germinação, o desejo e o refazer da vida que nada mais é senão a recuperação de forças e o doce mistério da continuidade (lindo! Desta vez esmerei-me na linguagem poética).

A somar a tudo isto, vêm a praia, as carnações bronzeadas, também os escaldões, um rosário de pulsões sexuais e outros arrebatados impulsos, próprios do tempo quente.

Valerá a pena alguma interpretação psicanalítica que justifique esta evidente transição sazonal? Aliás, uma das mais belas, quiçá únicas, da natureza animal ou até das outras naturezas?

Quem, senão o doutor Segismundo Freud, com a sua eminente e autorizada sabedoria, para nos esclarecer?

Fui encontrar o eterno candidato a um Prémio Nobel, em Viena do Castelo (não confundir com Viena do Alentejo e, muito menos, com Viena de Austria), na absorvente, e não menos excitante, leitura de um livro intitulado "Um equívoco de cem dólares" de Robert Gover, "uma crónica vibrante de um fim de semana de prazer", segundo a revista Playboy da altura...

A TORTO E A DIREITO:  «Comecemos pelo seu nome. Ganhou uma notoriedade sem precedentes e ainda hoje é uma referência de nomeada para a moderna psicanálise...»

SEGISMUNDO FREUD: «Mas é que sou mesmo! Disso não tenha dúvida, meu amigo! Já, agora, pode tratar-me por Doutor Varicela. Porém, devo esclarecê-lo que, para efeitos clínicos e, naturalmente, de rigor científico, existem algumas diferenças subtis entre assinalar um mecanismo freudiano e um mecanismo bexigoso...»

ATEAD: «Não compreendi. Isso quer dizer o quê?!»

SF: «Quer dizer isso mesmo. Olhe, nem vou mais longe; cito-lhe o caso paradigmático de Woody Allen, aliás, Maximino da Silva, conforme consta no seu assento de nascimento. Um dia veio ter comigo, bestialmente desalentado, com o propósito de me perguntar se tinha aptidão para ser cómico. Isto porque toda a gente se desmanchava a rir, compulsivamente, antes que tivesse tempo de pronunciar o nome; um exemplo típico de frustração, compreende? Então sugeri que mudasse o nome para Woody Allen, sem demora, antes que cometesse alguma loucura. É consabido que alguns estados de depressão podem gerar tendências suicidas...

Mas, prosseguindo: O gajo estava literalmente nas lonas. Essa situação chata, associada a outros constrangimentos, ajuda a baixar o ânimo a qualquer um, compreende?

Veja, no tempo do McCarthy, nenhuma estação de televisão arriscava comprar as suas piadas e roteiros para televisão porque, além de muito foleiros, o tipo era um comunista primário (não confundir com anti-comunista primário) e tinha o hábito tramado de comer criancinhas ao pequeno almoço. Não obstante essa pequena fraqueza, demais a mais muito freudiana, tive pena dele e em paga também me ajudou a mudar de nome. Coisas de "transferências" e cenas psicanalíticas do género, compreende?»

ATEAD: «Ah, então, foi ele que lhe propôs o nome de "Doutor Varicela", n'é verdade?... E a clínica era de...?»

SF: «Minha, evidentemente!»

ATEAD: «Sim, mas para que tipo?»

SF: «Eh pá, não era só para um, mas para vários, assim, como ele, compreende?»

ATEAD: «Sim, mas qual era a especialidade?»

SF: «Mormente, urologia.»

ATEAD: «Mudemos de assunto: Será possível facultar-me alguns dados pessoais?»

SF: «De quem?»

ATEAD: «Dele, claro!»

SF: «Desculpe, mas não posso! Do ponto de vista deontológico seria reprovável, compreende? Até porque naquela altura ainda não existiam bases de dados!»

ATEAD: «Ok. Então, gostaria de abordar algumas questões sobre sexo e sexualidade, pode ser?»

SF: «Bom..., sexo?... Sexualidade?... Confesso que não me são estranhos. Além disso, tenho um fraquinho particular por esse tipo de abordagens; já li muita coisa sobre o tema e, inclusive, fui um viciado em sessões contínuas no velho Olímpia (não confundir com o Olympia de Paris, "autre salle mythique"), imagine! Bons tempos, caraças! Ainda bem que lhes fez referência porque é uma associação muito interessante...tenho que conferenciar com o Carl Gustav sobre isso; peço-lhe sempre opinião!»

ATEAD: «Porquê essa fixação? Houve algum acontecimento que o tivesse levado a interessar-se pelo assunto da sexualidade?»

SF: «Repare: se a sexualidade, como é entendida, é um conjunto de propriedades morfológicas, fisiológicas e psicológicas relacionadas com o sexo, então, julgo que certo dia, ainda púbere, tive o meu primeiro clímax. Meu pai, um jacobino dos sete costados (ou ele não se chamasse Jacob), tinha-me levado a uma clínica psiquiátrica para saber da razão porque me urinava durante o sono. Infeliz da vida por causa da incontinência crónica e da profusão de borbulhas que me cobria o rosto, para ajudar a passar o tempo, comecei a espremê-las com um prazer incontrolável e a fazer gestos feios com os dedos; actos que o meu pai não conseguia conter, apesar do seu sufocante domínio paternal. Ao mesmo tempo proferia impropérios, mesmo obscenidades, contra o médico. Ao princípio, estranhei a sua indiferença, pois não teve a dignidade de mexer uma pestana. Contudo, não demorei muito a perceber que era cego, surdo, mudo, hemiplégico e sócio número 120845 do Sporting Clube de Portugal. No entanto, foi um momento único de êxtase, culminando numa enorme explosão de alegria...»

ATEAD: «Ora, ai está! "Obscenidades"! Porquê, obscenidades?»

SF: Eh pá, sei lá, talvez se prenda com a minha obsessão pelos versos eróticos de poetas como o Bocage e o António Boto! Só mais tarde é que me apaixonei pela Natália Correia. Porventura, devido ao seu ar masculino e encantadoramente dominador...»

ATEAD: «Mas, isso é extraordinário porque pela sua cultura e formação, pareceria...»

SF: «Lá vem você com essa mania dos portugueses, porra! Parcerias a torto e a direito... Olhe, por exemplo, conheço muitas, nomeadamente o "PAF" ou, mais recentemente, a "geringonça", Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, parcerias publico-privadas (PPP) e outras que seria fatigante estar aqui a enumerar. Há umas que, normalmente, são efémeras, mas também há outras que duram mais que as pilhas "Duracell" (passe a publicidade). Estas últimas, sim, são um fartote para os parceiros! Também é um defeito lixado que vocês têm...»

ATEAD: «E relativamente aos tão falados mecanismos freudianos?...»

SF: «Coisitas insignificantes: uns relógios de parede armados aos cucos e outros armados ao pingarelho. Ainda me lancei a construir um armado aos cágados, mas chateei-me e pus-me a projectar algo em que nunca tinha pensado. Contudo, acabei por não saber para que é que aquilo servia. 

Enfim, entretengas para quando não estou a psicanalizar. Se não fossem estes mecanismos, dava em maluquinho, você sabe lá!»

ATEAD: «Isso deixou-lhe recalcamentos?»

SF: «Só calco uma vez e é quanto basta! Já não tenho idade para recalcar, meu amigo, isso era dantes!»

ATEAD: «Com cedilha e tudo?»

SF: «Aí, já uso calçadeira.»

ATEAD: «Queria agradecer-lhe a exclusividade desta entrevista...»

SF: «Então, agradeça!»

ATEAD: «Pode ser em alemão?»

SF: «Já.»

ATEAD: «Dank!»

 

 

IRS

novo imposto.jpg

O governo da "geringonça" promete que vai fazer todos os esforços, mesmo os mais depurativos, no sentido de abolir este tão contestado imposto. Isto, caso obtenha uma vitória com maioria absoluta  nas próximas legislativas que, como quase todos sabemos, são já no próximo ano.

A nobre intenção do executivo poderá vir a lume brando a breve trecho. Assim, cautelosamente, o órgão tutelar já mandou instalar extintores de incêndio, adicionais, nos corredores de São Bento.

"A actual situação económica, não sendo brilhante também não é desluzida e, por via de algum equilíbrio, permite, pelo menos, abolir este tributo tão impopular e mesmo de difícil justificação". Afirmou a um jornal diário (o nome é irrelevante para o caso) um porta-voz do Ministério das Finanças ausente em bloco e em parte incerta, devido ao cargo muito importante e de enorme responsabilidade que o ministro da tutela exerce, dentro da União Europeia.

"Posso acrescentar - continuou o porta-voz do ministério ausente em bloco e em parte incerta - que grande parte dos objectivos da criação do Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares (IRS) que, como é do conhecimento geral, veio substituir o Imposto Complementar (IC), também esse de má memória, foram compridos (leia-se compridos em vez de cumpridos) e ultrapassaram, mesmo, o limite métrico da decência fiscal." 

E detalhou:

"Temos um ensino de excelência, um Serviço Nacional de Saúde que ombreia com os melhores da Europa da União, hospitais de referência, serviços administrativos altamente eficientes (graças ao programa Simplex), modernas autoestradas que levam a nenhures, um extraordinário PIB per capita, et cetera. Portanto, em nome do governo, declaro que é com um prazer desmedido que anunciamos aos nossos concidadãos que estamos dispostos a aliviá-los deste imposto arbitrário que absorve, a grosso modo, cerca de vinte por cento dos rendimentos mensais da generalidade dos portugueses."

"Entretanto - ainda segundo o porta-voz do ministério ausente em bloco e em parte incerta - embora não seja intenção do governo onerar a carga fiscal dos contribuintes, está prevista a criação, também a breve trecho, de um novo imposto. Um imposto suplementar (IS), digamos assim."

"Porém - prosseguindo o porta-voz do ministério ausente em bloco e em parte incerta - , pensamos que os portugueses vão, certamente, compreender a necessidade imperiosa de criar um fundo de maneio que permita garantir a manutenção das belas autoestradas que levam a nenhures, formar professores de excelência para escolas modelares, manter as boas referências do SNS e, por consequência, das unidades hospitalares e, claro, motivar monetariamente os altos quadros do Estado, sob risco de fugirem para o privado. Simplificando, trata-se de garantir a nossa magnífica posição no ranking europeu dos cidadãos com melhor qualidade de vida, ao lado dos dos países do leste. Ora, isso custa muito dinheiro!"

"Quanto ao montante da nova tributação que está em estudo, ainda não há certezas, mas presume-se que oscilará entre 30 e 50 por cento dos rendimentos do agregado familiar e terá de ser deduzido automaticamente todos os meses, pondo fim aos procedimentos oficiais, tantas vezes desnecessários, na entrega da declaração anual de rendimentos."

O governo não vê qualquer razão plausível para que o seu empenho no lançamento deste novo imposto seja reprovado pelos portugueses, dado que, suprimir o IRS, representa uma mudança substancial na relação entre os cidadãos e o fisco!" - concluiu o porta-voz do ministério ausente em bloco e em parte incerta. 

Pensa-se que o imposto suplementar (IS) poderá ter efeitos 'rectoactivos' para a maioria dos portugueses. No entanto, caso seja posto em prática, aconselha-se o uso do creme do Dr. Santinho, cuja eficácia parece ter sido comprovada. A ver vamos...

 

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