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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

PORTAL DO CIDADÃO

portal do cidadão.jpg

Há tempos tentei registar-me num sítio chamado Portal do Cidadão, visto que, segundo o que reza o dito, requerer documentos via electrónica é um processo muito simples e, sobretudo, gratuito (sublinho gratuito)...
Após entrar no tal portal e tentar prosseguir com o propósito que me levara a fazê-lo, por muito que insistisse surgia no ecrã uma janelinha com a seguinte informação: "Não tem os perfis necessários para aceder a este portlet"... 
Passados uns dias repeti o processo de 'adesão' e lá consegui, pelo menos, registar-me. Foi-me atribuída uma chave de acesso. Só que, quando a introduzi, apareceu uma janelinha com outra informação: "Falha na Autenticação. Por favor, tente novamente". Desta vez não passei da primeira tentativa porque fiquei bestialmente chateado com o computador. No entanto, e sem grande expectativa, questionei quem de direito (acho muita piada à cena dos "elogios"), explicando o que se passava e obtive como resposta justificações demasiadamente evasivas (ou técnicas) para a minha iliteracia internética ou, em português simplificado: a prosa era "areia de mais para a minha camioneta".

Depois disto, até perdi a vontade de contactar telefonicamente o tal portal porque penso que nem as pessoas que atendem - e garanto que sou useiro em pedir esclarecimentos via telefónica - conseguem dar respostas cabais, salvo raríssimas e obviamente competentes excepções. Dou o exemplo de já ter ligado duas vezes para um número daqueles, tipo "Fale connosco ou contacte-nos" - algo assim parecido - , ser atendido por outro operador, e ter obtido explicações opostas às que me tinham sido dadas...

Devo presumir que não sou o único a ficar insatisfeito com tais explicações, algumas até com algum grau de comicidade...

Fico sem saber se, do outro lado, compreendem o significado do 'aramaico' em que, habitualmente e de forma automática, respondem às questões desta natureza ou similares. Personificando a coisa, até parece uma 'atitude sobranceira' do programa, só para baralhar a malta que não pesca nada desta porra, nomeadamente velhotes como eu que não têm licenciaturas em informática e que, a expensas 'intelectuais' próprias, lá conseguem completar heroicamente, pelo menos, a instrução primária dos computadores. Um erro crasso do governo do Sócrates, quando decidiu tentar ensinar exclusivamente os meninos das escolas a trabalhar com os famigerados computadores "Magalhães". Isto dava outra história...

Como fervoroso adepto da teoria da conspiração, fico sempre com um pé atrás com estas cenas e lembro-me de alguma cabecinha louca de programador, qual professor Pardal, cujo entretenimento é botar umas coisas incompreensíveis em programas de processamento de dados por puro gozo, quiçá para se masturbar à conta do drama eterno da má relação entre o cidadão e o Estado.
Portanto, não sei para que serve esta coisa. Será, efectivamente, para tornar a relação mais fácil entre os cidadãos e a administração pública, como enfaticamente refere?

No fundo, a minha pretensão é ajudar a Nação a ser menos burocrática, utilizando uma ferramenta, criada pelos seus dilectos servidores, para o efeito: simplificar tão somente...
Sei, de sobejo, o tempo que se perde num balcão de uma repartição pública, mormente num registo civil para que passem qualquer tipo de certidão: um papelinho singelo que nos é passado em cinco minutos, depois de horas seguidas de desespero para ser atendido. É stressante para as duas partes. Não posso desvalorizar a experiência desagradável e recorrente de quem atende o público. Pessoalmente, já tinha dado em marado; parece que vivemos numa dimensão Kafkiana. Contudo, os burocratas, esses espécimes calculistas, teimosos que nem burros (sem desprimor para a inteligência desses dóceis equídeos), só têm olhinhos para o dinheiro (fácil).

Se o objectivo é dificultar a vida à malta para que perca uma porrada de horas em filas de espera e pague ao "ladrão" 20 euros por uma merda de um papel timbrado, tudo bem, desisto. Que é que se há-de fazer? No entanto, não digam que estas tretas, via online, são à borliú porque, no meu fraco entendimento, contudo ainda não destituído de tino, não passam de um ardil. Se estiver enganado, peço desculpa aos malandros que nos vão, sistematicamente, ao bolso...
É o "Simplex", pá!

EXTRACTO DE UMA HISTÓRIA INACABADA, III

pai6.jpg

Recapitulando e resumindo: este é o epílogo da minha história. Afinal, o desenlace habitual de todas as histórias de vida.

O desfecho da minha, em alguns aspectos, não foi muito dissimilar de outros. Num ponto fundamental penso que, na generalidade, todos estamos de acordo: é sempre uma tragédia finar. Sobretudo para quem, há muito, esgotou o prazo, como foi o meu caso. No entanto, ainda não me sentia preparado para abalar. Por muito que lamentasse que não passava de um empecilho e desabafasse que já cá não estava a fazer nada, era a última coisa que eu desejava.

Enfim, "só faz falta quem cá está", como disse alguém, não sei quem. Para os que sobrevivem, o tempo é bom conselheiro e, por conseguinte, daqui a meia dúzia de anos ninguém se lembrará de mim. Bem, para ser honesto, não contribuí grande coisa para ser recordado mais tarde. Contudo, agora, é-me indiferente... 

 

Ainda alentei alguma esperança numa prerrogativa divina. Sei lá, se calhar porque houve coisas que não tive tempo de fazer, apesar de ter sido mais do que suficiente, o tempo que tive para as realizar, por muito paradoxal que possa parecer. Porém, não era Deus, mas a morte, por destino ou acaso, a reclamar a minha sorte.

 

Provavelmente, teria muito para contar pelo meio, mas a idade e o consequente declínio, encarregaram-se de apagar quase tudo da memória. Além disso, não tinha jeito nem visão para registar acontecimentos no papel, não obstante andar sempre a dizer que a minha vida dava um romance. Tenho que convir que foi repleta de dificuldades e decepções causadas pelo goro de algumas expectativas. Não por promessas porque nunca ninguém me prometera fosse o que fosse, mas por probabilidades. A concretização de objectivos - ou o seu malogro - assenta nas escolhas e caminhos que fazemos e tomamos, mas também em probabilidades mais ou menos aleatórias. No meu caso, diminutas em êxitos.

Contudo, sem embargo dos meus lapsos de memória, inevitáveis neste derradeiro extracto, lembro-me de dois, se assim os devo entender: um de quando, por mero acaso, reencontrei o meu pai perto da Rua das Pretas em Lisboa, ao fim de quatro anos de silêncio, nunca quebrado por ambos. O dele era justificável, não tendo como quebrá-lo, dado que desconhecia o meu paradeiro. Presumia, apenas, que eu estivesse na capital. Foi um acaso que caiu como sopa no mel, digamos assim, porque fazia, mais ou menos, um mês que eu acabara de regressar de uma estadia de um ano no Porto e estava à rasca, sem um tostão para as despesas essenciais. Inclusive, a dona da pensão onde tinha um quarto, só não me pôs na rua por uma questão de caridade...

Depois deste episódio, destituído de qualquer manifestação emocional, o senhor pareceu perdoar-me o ultraje de ter saído de casa "à francesa". De modo que selou o restabelecimento das relações com um aperto de mão e uma nota de cem escudos. Importância que me passaria a enviar religiosamente todos os meses, desde aquele momento. Pelo menos até que eu arranjasse "mulher para sustentar"...

O segundo êxito, julgo que foi o mais marcante, naturalmente. No mínimo, alterou radicalmente o meu modus vivendi: o de construir uma família. Todavia, mesmo esse, foi alicerçado com a ajuda inestimável da minha parceira. Com efeito, tão essencial e tão indefinível que não a pude estimar ou não tive vontade de o fazer, guardando a definição de tamanha grandeza, egoisticamente, só para mim.

Digamos que nem tudo foram falhas na minha vida. Houve um ou outro resultado feliz, quase sempre, fruto de casualidades. Nunca fui grande lutador. Entenda-se, por definição pessoal: não, o lutar pela subsistência, algo que fui obrigado a fazer, instintivamente, quando fugi de casa dos meus pais, mas esforçar-me para ter uma vida mais folgada e com menos embaraços. Julgo que me faltou a ausência de rigor no cumprimento de regras, atributo dos espertalhões. Herdara de meu pai um forte sentido moral e pensava que, se saísse da linha, ia viver os meus dias com esse peso e a consequente inquietação. Porventura, à espera de um julgamento severo do progenitor, cuja rigidez de princípios estava sempre presente na minha lembrança como um cisma.

 

A acrescentar às minhas limitações de ordem psicossomática, já na fase final, havia a falta de vontade para me debruçar sobre coisas do passado. Pretendia durar os últimos tempos da minha existência sem alterar substancialmente a rotina a que me tinha habituado desde sempre. Até, mesmo, no tempo em que a minha companheira era viva. Sem grandes sobressaltos, sem grandes incómodos e sem que me importunassem muito.
Utilizando, abusivamente, uma expressão, dita "Zen", que se pode adequar à minha idiossincrasia, eu resumiria a minha vida passada a isto: "Não andem atrás de mim porque posso desconhecer o caminho. Não andem à minha frente porque posso não querer seguir-vos. Não andem ao meu lado; deixem-me, apenas, andar sozinho." Foi assim que vivi e assim acabei...

 


Em conclusão, não lamentem a minha morte, assim como eu não lamento a vida que tive e os fragmentos de felicidade que desperdicei. Não tive culpa de ter vivido durante muito tempo e muito menos ter sabido aproveitá-lo conforme se proporcionou ou calhou, sempre de forma acidental. Pouco generoso, diga-se em abono da verdade, mas também nunca fiz grande esforço para tirar algum proveito dessa escassa generosidade...

 

Por último, não me posso queixar do amor incondicional da minha família, embora em vida nunca tivesse querido fazer um acto de contrição por não ter correspondido de igual modo ou de não ter jeito para expressar a minha gratidão por dádiva tão generosa...
Foi como foi, pronto e ponto. Cada um é para o que nasce, como diz o adágio.

Fui.

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