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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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MILAGRES

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É bestial viver num país cheio de milagres, pá!

Desde o celebérrimo milagre de Fátima até aos milagres actuais, continuam a ter a mesma vertente de mistério que os torna excitantes.

Olhem, não vamos mais longe. Cito, já, o exemplo milagroso daquelas pessoas que,  independentemente do credo, orientação sexual, paixão clubista ou cor política, podem mudar de estatuto da noite para o dia, passando de  senhor fulano ou senhora sicrana, a senhor engenheiro ou senhora doutora. E mais: querem que todos os reconheçam como titulares desses graus académicos, sem fazerem a ponta de um corno para os obter. Apenas usam de expediente e esperteza saloia.

É claro que os milagres não surtem o mesmo efeito em todas as pessoas: em algumas resvalam pela couraça da sua indiferença; nem que caiam raios e coriscos, querem lá saber! É como se não acreditassem em acontecimentos extraordinários. Até irritam, irra! Outras parece que ficam abismadas, tal a velocidade estonteante a que os milagres se multiplicam. Por conseguinte, apanham-nas de surpresa, de tão inesperados.

Vou exemplificar um aspecto dessa profusão de milagres no quotidiano dos portugueses, o qual se refere ao "doutor" Pedro Passos Coelho (acho que também tenho legitimidade para juntar a minha opinião à de milhares de opinantes):

Parece ser quase certo que vai dar aulas de Administração Pública no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, conforme se fez eco nos média, nos últimos dias, e continua a merecer algum destaque, embora julgue que vá cair no esquecimento como é costume (para bem do "doutor" PPC)....

Na minha modesta e ignorante opinião, presumo que devem existir preceitos legais, supostamente previstos no Estatuto da Carreira Docente Universitária (ECDU), que regulam a contratação de professores em estabelecimentos do ensino superior. Com a ressalva de que me baseio no que leio e oiço, pois, obviamente, navego em águas turvas. Todavia, penso que não estou a incorrer numa asneira, ao questionar a competência de uma pessoa para leccionar no ensino superior, não sendo possuidora de um grau de doutoramento. Quando muito uma licenciatura tirada com muito sacrifício, como nos casos do "engenheiro" Sócrates, do "doutor" Relvas e doutros que, de vez em quando, vão emergindo. Parafraseando o poeta Aleixo: "Eu não sei porque razão certos homens, a meu ver, quanto mais pequenos são, maiores querem parecer"...

Contudo, pelo que consegui apurar, via Internet, parece haver outra possibilidade, permitida por lei, em que o "doutor" PPC se baseia para ser contratado: uma coisa chamada "regime de contratação de professores convidados". O Decreto Lei nº 448/79, sucessivamente alterado por Leis e Decretos-Leis que me abstenho de mencionar, no seu Artº 3º referente a "pessoal especialmente contratado", alínea 1, reza assim:

"Além das categorias enunciadas no artigo anterior (...), podem ainda ser contratadas para a prestação de serviço docente individualidades, nacionais ou estrangeiras, de reconhecida competência científica, pedagógica ou profissional, cuja colaboração se revista de interesse e necessidade inegáveis para a instituição de ensino superior em causa."

Assim, o "doutor" PPC, sendo um "professor" convidado, tem que ter, de acordo com este princípio, currículo científico e pedagógico comprovado. Ora, o facto de ter sido primeiro-ministro faz prova de perícia em Administração Pública e Economia, supostamente as áreas em que vai leccionar? Mais a mais, indo auferir o vencimento de um catedrático que é, a bem dizer, o topo da carreira docente universitária!... Apetece-me ser "politicamente incorrecto": Mas que merda vem a ser esta?!

Veicula-se por aí que são "favores que se pagam com favores", por o ISCSP ser, presumivelmente, um baluarte do poder laranja, et cetera. Não quero alinhar pelo mesmo diapasão do diz que disse, mas julgo que é desprestigiante para um ensino superior que se pretende rigoroso e, por consequência, reconhecido dentro e fora do país. Já para não falar no que os estudantes e os docentes universitários pensam desta coisa...
Vale a pena queimar as pestanas para fazer licenciaturas, mestrados, doutoramentos, atingir cátedras e topos de carreiras?

O que dizem, o actual ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e outros doutos senhores da nossa praça?
Sem questionar a literacia ou iliteracia do "doutor" PPC, pergunto, tão simplesmente, se tem habilitação superior para dar aulas de Administração Pública ou Economia.
Por aqui me quedo, parafraseando, mais uma vez, o poeta Aleixo: "Há tanto burro a mandar em homens de inteligência que, às vezes, chego a pensar que a burrice é uma ciência."

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