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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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SARL, RELATÓRIO E CONTAS

sarl, relatório e contas.jpg

Prezadas e prezados accionistas, minhas senhoras e meus senhores:
É com imenso prazer e justificado orgulho que aproveito a generosa oportunidade que me é dada, para pedir a vossa atenção para a análise dos Relatório e Contas, anuais, da nossa Sociedade, referentes a 2017.
 

 

INTRODUÇÃO:
Não sem alguma ponta de mágoa e até pesar - passe a redundância - , começaria por recordar a Vossas Excelências que as bases programáticas para o OGSARL (Orçamento Geral da SARL) de 2017 - aliás iniciadas no ano de 2016, conforme em tempo oportuno se demonstrará - começaram da pior maneira para as nossas aspirações.
Recordaria, em primeiro lugar, esse recente e infeliz revés que foi o afastamento do Benfica de todas as competições europeias, já para não dizer do fraco desempenho nas competições domésticas. Tal facto veio comprovar, uma vez mais, que a metodologia seguida pelos nossos conselheiros não foi a mais adequada às necessidades do mercado cada vez mais competitivo.
Com efeito, em resultado do rigoroso inquérito prontamente ordenado pelo Conselho de Gerência, a tal propósito, foi já notificada a empresa Páginas Amarelas sobre a firme decisão de prescindirmos dos seus serviços.
Senhoras e Senhores accionistas: Em conformidade, tenho o grato prazer de vos anunciar, em primeira mão, que o nosso próximo candidato à Presidência já não será escolhido pelo método obsoleto da Lista Classificada.
Prossigamos na exposição que se pretende que seja objectiva, isenta e minuciosa antes que comece a divagar.

 

EXPECTATIVAS POLÍTICAS GERAIS DO EXERCÍCIO:
1 - Uma das grandes propostas de discussão de alteração dos nossos estatutos no sentido de corrigir, a páginas tantas, a clausula que diz que a nossa democracia empresarial é uma "democracia a caminho do socialismo", ainda não foi aprovada na generalidade por via da teimosia de alguns generais de três estrelas mais obstinados e a abstenção de mais uns tantos de cinco estrelas. Assim vai ficar a aguardar até ver se chove, dada a seca severa que se continua a fazer sentir.
2 - Todavia, esperamos ver atingida a maioria de dois terços "nem que seja necessário ir a arrastar os joelhos até Fátima!", parafraseando a nossa querida accionista Idalina Calvário do Rosário, no acto da entrega dos seus únicos dois terços na Comissão de Revisão da Constituição.
3 - Durante o corrente exercício foi lançado, numa fase experimental, o projecto da primeira rede nacional de frio glaciar, devido a uma massa de ar gelado proveniente do Polo Norte, cujos efeitos já se começaram a fazer sentir, como certamente algumas e alguns accionistas tiveram a oportunidade de constatar. Nomeadamente aquelas e aqueles que são defensores acérrimos da economia energética e que, por consequência, andam a tremer de frio.
4 - No concernente à nossa política externa, a prioridade das prioridades, depois do afastamento do Benfica e do Sporting da "liga milionária", passou a ser a manutenção do Futebol Clube do Porto na Taça das Feiras dos enchidos de atar e pôr ao fumeiro..., quiçá a passagem automática à Terceira Sub-distrital, série B.
5 - O processo de saída da União Europeia (Ptexit - pronunciar petéxit), teve um retrocesso inesperado, devido ao facto de o actual Director de Finanças ter passado de "patinho feio a cisne resplandecente" na visão turva de um alto responsável de uma congénere alemã, facto que, aparentando algum atraso, é de facto um avanço, dado que se perspectiva, a longo prazo (na pior das hipóteses, sublinhe-se), que saiamos de marcha-atrás. Aliás, um dos sócios gerentes, Adalberto Damásio, anunciou durante a reunião da Associação de Jornalistas Europeus que teve lugar em Lisboa, sob o alto patrocínio do Correio da Manhã e da revista Sábado, que a deslocalização da nossa sociedade para Telangana é um dos propósitos da Administração a breve trecho. Para que tal se concretize é necessário que passe esta onda eufórica que coloca a nossa sociedade uns pozinhos acima do lixo. É questão de deixar assentar o pó...
6 - Durante o exercício em apreciação, o terceiro anel manteve-se praticamente cheio e sob risco de desabar, não obstante a grande quantidade de bilhetes falsos emitidos durante 2016, segundo a OCDE e o FMI (sempre os mesmos, foda-se!). Porém, tendo em conta os demais anéis e também o cachucho do Professor Marbello, a inflação não se excedeu, graças a Deus.
7 - Em compensação registou-se um importante crescimento do PCIB (Produto Cultural Interno Bruto) o qual se deve, principalmente, a alguns programas emitidos regularmente pelas televisões "generalistas", designadamente "O Preço Certo", "Querida Júlia", "A Tarde é Sua" e "Manhã CM na RTP1, SIC, TVI e CMTV, respectivamente. A gerência não dispõe, ainda, de dados definitivos sobre o espectacular aumento do PCIB durante o corrente ano, mas pode assumidamente garantir que os valores actualmente atingidos só encontram paralelo em resultados obtidos no longínquo ano de 1975 do século passado, durante as campanhas de dinamização cultural do MFD (Movimento das Forças Desarmadas)
8 - Ainda, no plano cultural, cumprirá assinalar que no ano transacto se realizaram, em território nacional, incluindo as regiões autónomas, qualquer coisa como 969.696 discursos oficiais, alguns dos quais em português. É obra!
9 - Prevêem-se para 2018 alguns movimentos de contestação independentista nos territórios insulares (sabe-se, lá, porquê), os quais podem pôr em causa a continuidade do nosso investimento nas ilhas. Aqui, por enquanto, nada se sabe.
10 - No sector agrícola, a tendência, a médio prazo, é para o alargamento da reforma agrária para os 90 anos, com propensão gradual para aumentar até já não haver necessidade de reformar, seja quem for.
11 - No plano da educação o número de chumbos pouco excedeu o milhão e meio, o que num ano de seca e das oscilações habituais do preço dos combustíveis (descidas irregulares de 1 cêntimo e subidas regulares de 5 cêntimos), não pode deixar de ser considerado positivo e, por consequência, antecipar um cenário mais optimista para a nossa capacidade produtiva.
12 - No plano político imediato, dois pontos avultam decisivamente:
1º - O Bloco Central ainda não foi constituído por subsistirem dúvidas em relação à sua constituição. Assim, enquanto alguns peritos defendem o cimento armado, outros mais afoitos preferem armar aos cucos.
2º - A produção de factos políticos vai ser sistematizada em regime de plano quinquenal dadas algumas fragilidades do sistema inicialmente previsto que, como é do conhecimento geral, era para ser concebido em regime de plano inclinado.
13 - Finalmente, o conselho de gerência espera ver aprovada, no próximo exercício, a sua proposta democrática e patriótica para a delimitação dos sectores, a qual assenta em bases muito sólidas, práticas e pragmáticas - passe a redundância - e que aqui se enfatizam, mais uma vez: Independentemente de dar lucro ou prejuízo, tudo deve ficar nas mãos da iniciativa privada, permanecendo no sector público, apenas e por enquanto, as Forças Desarmadas e em parada, apenas por uma questão de prestígio.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Senhoras e Senhores accionistas: Sem pretender afastar-me do assunto que me trouxe a esta assembleia geral ordinária - a prestação de contas da nossa sociedade - e para dar por encerrada esta sessão, pediria, contudo, a vossa indispensável atenção para uma última e pertinente questão que é a seguinte: 
O ano que finda, ainda não terminou de facto, e por muito estranho que vos possa parecer, o ano que teve inicio no final do ano anterior, veio, efectivamente, pôr termo ao ano que ainda decorre. Como é consabido, La Palice (ou La Palisse) já tinha chegado a esta conclusão em estudos exaustivos que efectuou exaustivamente - passe o pleonasmo (estavam à espera que eu repetisse redundância, n'era?) há uma porrada de anos.
Mesmo estando perante uma problemática aparentemente complexa, na verdade é bastante simples. No fundo tudo resulta, contrariamente ao expectável, da incompatibilidade existente entre o ano económico e o ano civil, a qual existe, por seu turno, entre outros anos, sejam comuns ou bissextos. É uma questão que dá dores de cabeça, sobretudo a quem sofre de enxaquecas, mas não há dor que uma aspirina - passe a publicidade - não possa, pelo menos, atenuar.
Então, para terminar sem mais delongas, se os anos religiosos não coincidem entre si, e tendo o ano ateu profundas raízes marxistas, a gerência deliberou pedir à Comissão de Revisão da Constituição um parecer, a fim de se determinar em que ano estamos.
Nas actuais condições, sentimos o dever de não apresentar a Vossas Excelências, afinal, quaisquer contas, o que aliás se insere na melhor tradição da nossa sociedade.
Aproveitando o ensejo, desejo a Vossas Excelências, Senhoras e Senhores accionistas, amigas e amigos, a continuação de um Santo Natal e um próspero Ano Novo.

 

 
                                   O Presidente do Conselho de Gerência em exercício até ver,
                                                                   António do Ó Costa

A PRIMA FELISMINA II

a prima felisbela2.JPG

Minha querida prima Honorina, espero que estejas bem de saúde na companhia da tua gente q'a gente, tirando o estupor do frio, cá vai andando menos mal, graças a Deus. Olha, aqui bate-se o dente porque o aquecimento central está sempre avariado, filha!

Faz tempo que não te escrevo e, às vezes, até fico toda ralada com vocês, mas que é que tu queres? Sabes que sempre fui muito distraída. E ademais não tenho tempo para nada, quando mais para alguma coisa! E dá-te por muito feliz por me lembrar de ti só nestas alturas porque há gente que nem na Páscoa!

Também te escrevo para te dar uma novidade que, certamente, vai deixar-te muito feliz. Pois, então, aqui vai: Já não sou republicana, prima, não é uma boa novidade? Isto foi uma coisa que foi enchendo, enchendo e pronto, tinha de sair por algum sítio, q'é que queres?!

Gostava imenso que a monarquia voltasse outra vez e sabes, ainda tenho a esperança de ver o nosso rei regressar de Alcácer Quibir, a bordo de um submarino, numa manhã de nevoeiro; é cá uma fezada que tenho; tu nem calculas, prima! Acho que devia haver um referendo a perguntar às pessoas se querem um rei ou se querem continuar com aquele selfista compulsivo, sempre a fazer caretas e aos beijinhos. Além de que este país com um rei era outro asseio e era uma coisa vitalícia! Ai, e o nosso querido Dom Sebastião era um santinho, prima, não achas? Coitadinho, sabe Deus quanto sofrimento padeceu às mãos daquele turco maluco, o Mulei Moluco! 

Olha, diz-me cá outra coisa: tu não achas que o Dom Duarte Pio devia concorrer à Presidência da República? Se o Tino de Rans se candidatou, não encontro razão para que o Duque de Bragança não possa fazer o mesmo! Se ganhasse, pronto, já estava! Ficávamos todos marqueses e marquesas e acabava-se a poluição que é uma coisa que só há nas repúblicas. Se calhar passávamos a andar a cavalo e íamos para as santas cruzadas matar infiéis. Ai, era tão bonito! Agora que eles andam muito saídos da casca, a degolar por dá cá aquela palha, até os comia vivos, prima, que raiva!

Bem, mas, na melhor das hipóteses, isto só pode mudar depois da guerra porque a situação está muito má, até mesmo para as guerras. Então, tu não soubeste que o Trump andou a apregoar aos sete cantos que pode haver uma guerra atómica lá para os lados da Cochinchina?! Por via disso até já declarou, unilateralmente, Jerusalém como a capital de Israel, já viste? Ainda bem que é longe, credo! O que nos vale é que os sefarditas são pessoas mais evoluídas do que a gente, n'é? Podem ser um bocadinho safaditos, não nego, mas têm muita prática de guerras e isso tudo, o q'até dá muito jeitinho!

Acho que uma guerra não é para qualquer um; é preciso ter uma boa estrutura mental para aguentar o stresse de uma guerra, mais a mais atómica. No entanto, gostava muito que houvesse cá uma, já que o Benfica foi eliminado das competições europeias. Sempre eram mais uns euros que entravam nos cofres do "glorioso" e ajudavam a economia que bem precisada está, coitadinha! Fazia-se, desta forma, uma grande campanha nacional, tipo "Faça a guerra em Portugal, primavera todo o ano" ou "Make war in Portugal, spring time all year" (para inglês ver) ou ainda "Lance a sua bomba atómica na Costa da Caparica, de costas voltadas para o Barbas - passe a publicidade - e de peito aberto para as ondas revoltosas do mar encrespado". Que tal?
Acho que uma guerra atómica ia trazer ainda mais turistas a Portugal e ficava a balança de pagamentos mais que paga, prima. Assim, sempre a dever, até parece a Ponte 25 de Abril: a gente pinga para lá há mais de cinquenta anos, mas nunca mais paga o raio da ponte! É que, pelo menos, acabava-se com o tormento das moscas. Cá em casa são aos milhares, cruzes, canhoto! Estive fartinha de pedir ao Horácio para comprar "Dum Dum" - passe a publicidade - mas ele respondia logo que eram menos dois copos de vinho que bebia na taberna do senhor Isaías e sabes..., ele até tem razão, coitadinho, também não tem outras entretengas!
Vê lá tu que outro dia... as conversas são como as cerejas, umas arrastam as outras e vai tudo a eito ou a torto e a direito, desculpa, prima, mas antes que me esqueça..., dizia eu que o meu Horácio estava a falar com o patrão lá no emprego...ah, não te disse: o Horácio tem um emprego novo, daqueles sem contrato a prazo. Se não trouxer nada para casa, para além do que o patrão lhe paga, pode ser que fique a trabalhar mais uma semanita; estou muito esperançada em que ele não caia em tentações, prima, vamos ver... ele é tão inseguro!
Mas, como te dizia, um dia destes estava a falar com o patrão e não é que se assoou à gravata?! Mas, olha, do mal o menos; cada um assoa-se ao que é seu e ninguém tem nada a ver com isso, não é verdade? O chato é que ele assoou-se à gravata do patrão porque, coitado, tinha-se esquecido do lenço e era uma tremenda falta de educação assoar-se para o chão; cá em casa é uma porcaria, filha! Por muito que me esfalfe a esfregar o chão, não consigo tirar as nódoas; tu nem calculas! Agora imagina o molho de brócolos em que se ia metendo o meu Horácio. O que lhe valeu foi que, como te disse, ele não tem contrato a prazo senão já tinha sido posto no olho da rua. É o que faz a gente ser distraída! Vê bem, acabou por ir comprar o estupor do mata-moscas, mas como é um cabeça de alho chocho, trouxe um martelo! Eu também não reparei e olha, pôs-se a matar as moscas à martelada e escavacou-me a mobília toda. Achas que o meu homem está bem do tino? O pior foi a avó Felisbela que estava a passar pelas brasas na poltrona. A pobre tinha uma mosca pousada na testa e ele não foi de intrigas; distraidíssimo como é, deu-lhe uma martelada que a pôs a falar estrangeiro. A menos que o raio do insecto tivesse pousado no nariz, pois faria menos estragos! Mas, olha, o bicho teve morte imediata e sem sofrimento, graças a Deus! A avó Felibela, coitadinha, é que não se cala; até parece que está ligada à corrente, credo! Tivemos, inclusive, de chamar o endireita, mas o melhor que conseguiu foi pô-la a falar eslavo. Sempre é melhor que estrangeiro, não achas? Também ficou com um hematomasinho, mas penso que pode ser do reumático. Sim porque de reumático é do que sofre mais o nosso país. Nunca mais entramos para a Europa, credo! Não é que eu deseje mal aos outros, mas quem deve entrar primeiro são os europeus e depois, por ordem de chegada, a gente, os suevos, os visigordos, os vândalos, os energúmenos, os cartagineses, os otomanos, os australopitecos e os gregos...

Ai, os gregos, coitadinhos, o que eles se têm visto gregos para entrar na Europa!
Por hoje é tudo porque, desde que aderimos à monarquia cá em casa, sua alteza, El Rei Dom Horácio I "D'Aquém e D'Além Mar", elegeu-me regente da cozinha e marquesa da Alorna (boa pinga!) e da marquise, o que me dá água pelas barbas de milho (ou de molho).

Pronto, prima, vou ver se depois das canseiras da regência ainda me sobra um bocadinho de tempo para ler o último romance da Margarida Rebelo Pinto. Há mais de meio ano que o tenho em cima da mesa de cabeceira e ainda não lhe consegui pegar; e lê-se num ápice porque só tem trinta páginas, vê tu! É mesmo preguiça mental...

Tem um santo Natal e recebe muitos beijinhos desta tua prima que te estima e s'assina,
Felismina

P.S.: Um dia, o Santo Padre vai canonizar o nosso querido Rei Dom Sebastião. Tu vais ver, prima!

RECEITA FÁCIL DE PAI NATAL NO FORNO

receita fácil de pai natal no forno.jpeg

Olá, meus caros e minhas caras. Sei que uma boa parte de vós estaria mais interessada em ler uma estória picante, mas por estarmos a celebrar, mais uma vez, o Natal que, como sabem, é uma quadra cheia de paz, amor e comezaina até rebentar, não vou fazer-vos a vontade, desculpem lá, mas é inapropriado para um momento tão bonito como este. Daí que, para não pensarem que sou um desmancha prazeres, tive uma ideia que considero luminosa, ao fim e ao cabo enquadrada no verdadeiro espírito natalício, n'é verdade? Ideia luminosa, estão a ver? Assim, aproveitando o ensejo de que o Natal, para além de significar amor (João 3:16-17), também significa mesa farta (José 4:2-3,14159), resolvi proporcionar-vos uma receita muito fácil de fazer e que vai agradar-vos de certezinha absoluta. Dei-lhe o nome sugestivo (se calhar pomposo de mais, peço desculpa) de Pai Natal à "Tocam os sinos". No entanto é um vulgar prato de Pai Natal no forno sem grande dificuldade de confecção,  como já referi.

Contudo, se por um lado é um pitéu de trás da orelha; e olhem que a mim, nestas coisas, ninguém me faz o ninho atrás da orelha porque ando sempre com a pulga atrás dela - acreditem - , por outro lado também não sei porque é que se diz orelha em vez de orelhas, pois são duas: precisamente, uma em cada lado do rosto, mas enfim...

Espero que gostem da sugestão e, a talhe de foice, bom apetite (também concordo convosco; "bon appétit", neste contexto, suava pindérico de mais)!

 

Ingredientes:

-Pai Natal anafado qb.

-Esmero e fuligem de chaminé qb.

-Alho e salsa qb e depois logo se vê.

-Tapas qb.

-Bota e perdigota (dizem que não dão, mas não é verdade!).

-Batata nova qb (Se não houver batata nova, pode ser seminova - não confundir com Uļjana Semjonova, uma famosa ex-basquetebolista russa, que mede uns fantásticos três metros e setenta de altura!).

-20 quilos de banha, mais coisa, menos coisa (se o Pai Natal for muito gordo, deve-se reduzir a quantidade de banha, mais ou menos, para metade).

-Saco de prendas.

-Dois biqueiros no cu, previamente untado.

 

Modo de preparação:

Toma-se um Pai Natal, de preferência bem nutrido. Limpa-se muito bem com esmero e fuligem de chaminé. Nesta fase da preparação, experimentem com alho e salsa porque a bota e a perdigota ligam perfeitamente, ao contrário do que se diz.

Seguidamente, retira-se-lhe a barba (sai sem dificuldade porque, normalmente, é postiça) e outros adereços inúteis que costuma usar na circunstância.
Se o sujeito começar a espadanar é conveniente ferrarem-lhe algumas tapas. Conferem algum ambiente e abrem o apetite.
Bota-se o Pai Natal num pirex de dimensões generosas e junta-se-lhe batata nova (ou seminova) e, mais ou menos, 20 quilos de banha. Como já tinha aconselhado, não convém pôr muita para aproveitar a gordura do sujeito. Para ornamentar pode ficar ao vosso critério, mas proponho que se lhe despeje o saco das prendas em cima. Aposto que os putos vão gramar à brava!
Recomendo que se lhe junte molho tártaro e muito vinagre na expectativa de que liguem horrivelmente mal com algum resto de fuligem que possa ter ficado alojado nas virilhas ou atrás das orelhas que são partes escondidas e, por consequência, mais difíceis de limpar. Polvilha-se com vinte quilos de coentros picados "et voilà" (não sou apologista de estrangeirismos, mas acho que esta expressão vem muito a propósito)!
É possível que o Pai Natal se sinta um bocado marfado e ofereça alguma resiliência à entrada do forno. Todavia, ao contrário do que possam pensar, isso é sinal de que tudo corre pelos ajustes e o petisco vai ficar bem apurado. Portanto, e em jeito de conclusão, se ele conseguir escapar, pois que escape! O apreciador mais exigente pode mesmo ajudá-lo a fugir com dois biqueiros no cu, previamente untado com a banha que escorreu para o pirex.
Quando já só se vislumbrar a sua silhueta no horizonte, desliga-se o forno, parte-se o pirex, deita-se tudo para o lixo, canta-se, naturalmente, o "Tocam os sinos", preparam-se umas sandocas de mortadela, abre-se um tetrapack de vinho tinto rascante Camilo Alves - passe a publicidade -  e passa-se a consoada a contar anedotas do Bocage. De preferência, daquelas muito porcas. Espero que gostem.

E pronto. Aproveito o ensejo para desejar a todo o mundo e mais além (mais além a título excepcional), um feliz natal, fatal neliz(*), fiztal nariz, feloz natil, fenat lozil, fafel lizal, flafli naet, joyeux nöel, joel noyeux, jeux lyon, noyl xeus, yon losel, jylu nejol, merry christmas, gaja christas, masist cherry, maschmas merry, tsis maschyrre, mastem rrrich, tsisma yrrem, felices pascuas, facus sapecic, pelcu fosa, feluas icespas, et cetera.

 

(*)Não descarto a remota possibilidade de existir aqui uma ou outra incorrecção na tradução dos votos de feliz Natal em várias línguas, mas a  culpa é do tradutor do Google que eu de línguas, vivas ou mortas, pesco zero. Aqui fica a ressalva, com o meu mais veemente e humilde pedido de desculpas. 

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