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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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DURÃO E A AUSTERIDADE

durão e a austeridade.jpg

"Eu vejo países que fizeram grandes esforços, incluindo as chamadas "políticas de austeridade". Na verdade, alguns deles estão entre os melhores desempenhos”. 

Durão Barroso, aliás, o "doutor cherne"; aliás, o "mordomo das Lajes"; aliás, aquele que afirmou que Portugal estava de "tanga"; aliás, aquele que pôs o lugar de Primeiro Ministro à disposição e baldou-se para Bruxelas; aliás, condecorado pelo ex-Presidente da República com o "Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique", pelo cargo "prestigiante" de Presidente da Comissão Europeia, dá o exemplo da Espanha que não precisou de um resgate completo; de Portugal que subiu de "rating" e da Grécia que "apesar das condições políticas", fez progressos.

Perante isto, acho que o senhor estava a fazer-se passar por parvo (para os espertos é a melhor maneira de se safarem na vida) ou a querer comer-nos como parvos...

As medidas de austeridade, "basicamente, mostraram que funcionaram”, prosseguiu o "chairman" do Goldman Sachs, o tal banco que (supostamente) favoreceu, enquanto presidia à CE.

Terá sido verdade que olhou para o lado quando o "seu" banco ajudou a esconder mais de cinco mil milhões de dívida grega, e depois apostou na sua falência?

Verdade ou mentira? Sobra a eterna dúvida, como é habitual, nesta promiscuidade entre a política e a banca. No final, a culpa morre sempre solteira...

Há quem tenha a memória curta...

AVÔZINHO

avozinho, avozinho!.jpg

«Avôzinho!»

«Diga lá, menino!»

«O avôzinho tem que dar bolas de naftalina ao Rex!»

«Bolas de naftalina?! Coitadinho do cão! Ganhe juízo, menino!»

«Ó avôzinho, mas o Rex está cheiinho de fome e não há ossinhos cá em casa, avôzinho!»

«Valha-lhe Deus, menino! Então, não sabe que a naftalina é venenosa e o Rex pode morrer?»

«Ó avôzinho, mas o avôzinho costuma pôr bolas de naftalina nas gavetas do guarda-fatos, avôzinho!»

«Ó menino, mas isso é para a traça, alminha de Deus!»

«Pois é, avôzinho; e olhe que o Rex anda cá c'uma traça daquelas que nem lhe conto!»

 

«Avôzinho!»

«Que é agora, menino?»

«O que é "estar na cauda", avôzinho?»

«Estar na cauda é estar atrás, no fim ou na retaguarda, menino!»

«Ó avôzinho... e "estar na cara", avôzinho?»

«Estar na cara é o mesmo que constatar indubitavelmente um facto, menino!»

«Ó avôzinho, então, uma frase como: "Está na cara que Portugal está na cauda da Europa", faz todo o sentido, n'é, avôzinho?»

«Ó menino, com tiradas dessas a gente nunca vai entrar no clube dos países ricos!»

«Ó avôzinho, nem mesmo como "membro posterior", avôzinho?»

 

O ROQUE E A AMIGA

Respirou, lenta e profundamente; procurou uma cadeira; sentou-se, apoiando-se na bengala de bambu; arregaçou as mangas da camisa e descalçou a bota.
Com efeito, o Roque era perneta e, por consequência dessa privação, sentia-se bestialmente exausto, com dores na tíbia e muito encalorado.
Gotículas de suor caíam-lhe do frontispício em catadupa; as veias do pescoço e têmporas haviam crescido tanto que ameaçavam rebentar. O caso não era para menos: lá fora estavam 45 graus à sombra e ali não era propriamente a Amareleja.
«Ora, então, venha de lá esse cafezinho que tenho cá umas coisas giras para lhe dizer!»
Ela correu, ladina, a ligar a Krups - passe a publicidade - e voltou a colocar-se à frente dele, docemente voluptuosa e provocante, atributos que nenhuma outra possuía, daquele modo tão particular, segundo o ponto de vista do Roque, ainda que ligeiramente desfocado.
«Não quer, antes, uma cerveja fresca, Roque? Está tanto calor, meu Deus! Você é mesmo um viciado no café, credo!... Então, diga lá que coisas é que tem para me contar!»
Ele postou-se numa atitude provocadora, com um sorriso impudente estampado no rosto.
«Você esqueceu-se, quando me chamou os nomes que lhe vieram à cabeça, de acrescentar que a minha paciência é infinita e você sabe a razão disso!»
«Chamei-lhe nomes?! Olhe, que eu saiba, nunca dei conta!»
Ele dobrou, ainda mais, as mangas da camisa e coçou a canela.
«Isso acontece porque você é uma mulher muito distraída!»
«Ah, eu é que sou distraída, n'é? Até parece que você se está a ver ao espelho!»
«Pois é!» - Disse ele com um ar, agora, meio carinhoso e simultaneamente paternalista.
Roque levantou-se da cadeira, com dificuldade, e recostou-se no sofá onde era habitual o Alex dormir enrolado. Velho e naturalmente sem vigor para saltar, já não se importava que lhe devassassem o domínio.
Confortavelmente recostado, esticou a perna, estendendo-a à largura do sofá, puxou um cigarro apertou-o num canto dos lábios, acendeu o isqueiro, aspirou o monóxido de carbono; a nicotina; a acroleína; os fenóis; o peróxido de nitrogénio; o ácido cianídrico e o amoníaco. Continuou a fumar até o borralho atingir o filtro, engolindo todos os seus componentes com avidez, de vários tragos; e após cada sorvo fazia uma contracção de prazer tão específica, tão profunda, tão.... Só visto; contado ninguém acredita.
«Você recorda-se da música que pus a tocar no leitor de cassetes do carro, naquela noite memorável, "Whole Lotta Love" dos Led Zeppelin?»
«Podia lá esquecer-me, Roque! Lembro-me perfeitamente, como se fosse hoje! Afinal, não decorreu, assim, tanto tempo!»
«Então, deixe-me dizer-lhe que vai ser reeditada uma colectânea da banda em vinil e vou comprá-la para revivermos os velhos tempos. Desta vez não vai ser no banco traseiro do carro, mas isso é pormenor. Não acha uma boa ideia?»
Ela, que não partilhava a paixão do Roque, ficou em silêncio, apenas numa minúscula fracção de tempo. O suficiente para ir à cozinha buscar o café e, no regresso, responder peremptória:
«E depois? Sou obrigada a andar a par das novidades ou reedições de música, Roque?»

PREVISÕES DA LULA PARA 2018

previsões da lula para 2018.jpg

2018 pode vir a ser um ano muito sinuoso para a vida nacional. E porquê? - pergunta você, aí, com toda a propriedade. E a lula responde que vão acontecer muitas coisas juntas, entre as quais destaca a do camarada Jerónimo de Sousa que vai oferecer um grande bigode à Zé Estaline ao senhor Costa, revogando a sua decisão de dar luz verde ao orçamento, sabendo-se que é uma cor à qual é avesso; a do professor Marcelo que, finalmente, após profunda reflexão, vai puxar o tapete à "geringonça" e, em face desta decisão deveras drástica, obrigar o senhor Costa a sair da sua "zona de conforto" e emigrar para uma destas paragens: Goa, Damão ou Dio.

A lula ainda não descortinou, em concreto (por enquanto é tudo em abstracto, por isso é que são previsões), qual será a escolha - dentro destas opções migratórias - do próximo ex-primeiro ministro; a do doutor Passos Coelho que, depois de deixar a liderança laranja, vai encarar a hipotética possibilidade de aderir à Juventude Socialista; a da bloquista Catarina Martins que, finalmente, vai assumir publicamente que é lésbica, pondo fim a uma série de especulações em torno da sua suposta heterossexualidade. "Já não era sem tempo!" - desabafa a lula; a do casal, Aníbal e Maria Cavaco silva que vai viver para Roma para estar mais perto do Papa; a do Paulinho das feiras que vai regressar à liderança centrista, quiçá numa manhã de nevoeiro, alegando que no centro é que estão a virtude, os papéis dos submarinos e o suposto financiamento do CDS/PP como contrapartida pós-aquisição dos ditos. "É muita coisa junta ou não?" - pergunta a lula.

Estas são apenas algumas das previsões da lula sobre os possíveis acontecimentos políticos durante o ano que se avizinha a passos largos, mas há mais porque a lula não dorme, nunca tem dúvidas e raramente se engana. Prossegue, então: O Governo Constitucional (obviamente, pois não temos outro) que vier depois da "geringonça" vai ter que governar à base de factos políticos e fatos de qualidade e de bom corte; vai ter, também, de pagar as deslocações; estadia; despesas de representação; ajudas de custo e compensações pela deslocação de viaturas próprias dos seus digníssimos membros e de forma discreta para não se tornarem despesas públicas (faites la confusion - épa, fica muito pindérico aqui, mas que se lixe!); vai pedir, também, a colaboração dos "chefs" mais consagrados da nossa "cuisine" para aumentar as receitas e diminuir o sal por via da tensão alta que pode subir (passe a redundância); vai desincentivar a produção de ar comprimido a fim de obviar ao aumento da inflação que, como sabem, é responsável pelas ventosidades, ruidosas ou não, causadoras do efeito de estufa; vai fomentar também o incremento do produto interno delicado, dado que estão todos a marimbar-se para concorrer para o aumento do produto interno bruto.
Noutro âmbito que não o político, embora a lula julgue que lhe está associado - pelo menos tem a noção de que existe, desde sempre, uma relação promiscua entre ambos: política e futebol - , a Lula prevê que a Federação Portuguesa de Futebol vá propor à FIFA uma profunda alteração às leis do jogo, ou seja: quem meter a bola na baliza do adversário, passa a ser punido com cartão vermelho directo (sem direito à habitual opção da cabeçada ou empurrão no árbitro), multa de um milhão de euros (não extensiva aos jogadores dos clubes cujos estádios são desprovidos de relvados, evidentemente), apreensão das botas e da carta de condução por pontos, corte de cabelo à máquina zero e, finalmente, a obrigatoriedade de se apresentar todos os dias na esquadra da polícia da freguesia onde o nascimento foi registado, durante o tempo estipulado pelo juiz de campo.

Por fim, a lula acha que a FPF já deve ter feito uma avaliação exaustiva aos malefícios da inibição temporária de jogar e, por conseguinte, não deve ser enquadrada na sua filosofia. Com esta avaliação, o órgão máximo do futebol nacional, espera que a FIFA adopte o mesmo princípio. O objectivo, afinal, é, tão só, premiar os empatas e tornar o "desporto-rei" mais apelativo para as massas associativas, sem esquecer as massas tenras. Não há pão p'ra malandros q'é por causa das tosses!

A REINTEGRAÇÃO OFICIAL DE POSSE DO SENHOR JOSÉ JUSTINO DE SOUSA E PINTO

a reintegração oficial.jpg

Antes de prosseguir com este pequeno extracto ou substrato - conforme vos aprouver - duma entrevista inverosímil, digamos as partes mais significativas, cumpre-me elucidar os eventuais leitores que a acção de reintegração oficial de posse também conhecida como acção oficial de esbulho possessório, é o tema sobre o qual a mesma se debruça. Mais uma vez recordo que esta entrevista nunca existiu e relembro que qualquer semelhança, mesmo subtil, com algum episódio da realidade, é meramente virtual. Posto isto, avancemos sem mais delongas proemiais:

Interlocutor 1 - O senhor, apoiou ou não a reintegração oficial de posse do senhor José Justino de Sousa e Pinto?
Interlocutor 2 - Não houve lugar à reintegração oficial de posse do senhor José Justino de Sousa e Pinto.
I1 - Mas, a fazer fé no pedido de reintegração oficial de posse, e no pouco sucesso da acção especial de impugnação do pedido, o senhor José Justino de Sousa e Pinto foi ou não declarado oficialmente reintegrado?
I2 - Só foi produzido um acto declarativo oficioso, apenas isso.
I1 - Precisamente! Foi declarado reintegrado oficiosamente de posse. Uma coisa, assim, por obséquio, sem grandes alaridos, correcto?
I2 - Nada disso; vamos ver se me faço entender: Apenas foi produzido um acto declarativo oficioso, tendo como base a Lei vigente.
I1 - Qual Lei? A das reintegrações oficiosas de posse?
I2 - Não, senhor, a das suspensões oficiais de reintegração!
I1 - Está a querer dizer-me que o senhor José Justino de Sousa e Pinto foi reintegrado por força da Lei das suspensões oficiosas?
I2 - Acabei de lhe dizer que a Lei da reintegração oficial de posse nunca existiu!
I1 - Mas, sendo assim, como é que o senhor José Justino de Sousa e Pinto foi reintegrado oficialmente de posse?
I2 - Meu caro senhor, se o senhor José Justino de Sousa e Pinto não foi saneado, obviamente não houve lugar à reintegração oficial de posse!
I1 - Pronto, peço desculpa por insistir no contraste entre os advérbios oficial e oficioso. Tenho a perfeita noção de que as diferenças entre ambos podem gerar confusões, mas, nesse caso, como é que o senhor José Justino de Sousa e Pinto foi reintegrado oficiosamente de posse com retroactivos?
I2 - Bom, eu diria que o senhor José Justino de Sousa e Pinto foi reactivado oficiosamente sem reintegração oficial de posse e não o contrário como você presume.
I1 - Como assim?
I2 - Repito que se tratou da produção de um acto declarativo.
I1 - Declarando o quê?
I2 - Declarando que somente se pode declarar o que está escrito na Lei.
I1 - Todavia, se se declarou o que está escrito na Lei, para que foi preciso declarar a Lei?
I2 - Precisou, a pedido da  CGA (Caixa Geral de Aposentamentos).
I1 - Mas, o senhor José Justino de Sousa e Pinto foi ou não foi reintegrado oficialmente de posse depois de ter sido aposentado?
I2 - Depois desta conversa toda, você ainda não percebeu que o senhor José Justino de Sousa e Pinto nunca foi reintegrado oficialmente de posse, homem? Quer que eu escreva num papel que nunca houve lugar à reintegração oficial de posse do senhor José Justino de Sousa e Pinto?
I1 - Bom, adiante. Pelo que se sabe de fonte fidindigna, o senhor José Justino de Sousa e Pinto, tem vários processos-crime pendentes, demais a mais sob risco de prescrição, por evasão fiscal, fuga e branqueamento de capitais, peculato, corrupção activa, passiva, reactiva, recreativa, pro-activa, et cetera; o rol é extenso.

Para além disso o senhor José Justino de Sousa e Pinto foi co-responsável pela fuga de cérebros do país, deixando-nos as cabeças ocas; já para não dizer as cabeças rapadas. Se for condenado a prisão domiciliária com pulseira electrónica, acha que vai ser desreintegrado oficialmente de posse ou só oficiosamente?
I2 - Não há motivo suficientemente plausível para que a desreintegração oficial de posse aconteça. É só o que lhe posso adiantar.
I1 - Quer dizer que se o senhor José Justino de Sousa e Pinto for condenado tem que repor os retroactivos, pelo menos oficiosamente?
I2 - Não me compete responder a isso.
I1 - Como não? Ora essa!
I2 - Como já frisei, apenas se produziu um acto declarativo.
I1 - Declarando a Lei...
I2 - Justamente.

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