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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

"ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS"

cuidados paliativos sns.png

Acto 1:

Dezoito de Setembro de 2017, 10 horas, mais coisa, menos coisa. Uma pessoa de idade avançada é transportada numa ambulância do INEM ao serviço de urgência do hospital Fernando Fonseca, na Amadora. Passa pela triagem e aguarda.
Quando chegou a sua vez, a doutora fulana fez as perguntas que, presumivelmente, todos os médicos fazem na circunstância: se a sua ida ao hospital era recorrente, de que padecia, et cetera.
Depois de tomar nota das suas queixas, ter examinado o relatório dos seu último exame e (supostamente) ter consultado o seu historial clínico na plataforma do SNS, a doutora fulana mandou ministrar, via endovenosa, soro, analgésico e colher uma amostra de sangue para análise. Passaram-se horas, entre muito sofrimento e agitação, e a doutora fulana, após verificar o resultado do relatório da colheita de sangue, disse que ia dar alta à pessoa de idade avançada, a qual devia ser encaminhada para o seu médico assistente (vulgo médico de família).
Passaram-se mais horas e, entretanto, a doutora fulana foi rendida por uma colega, a doutora sicrana que, ao examinar o relatório da primeira colheita de sangue optou por não dar alta à pessoa de idade avançada porque a creatinina estava muito alta. Por conseguinte, decidiu mandar colher nova amostra de sangue e continuar a ministrar, via endovenosa, soro e analgésico.
As horas continuaram a passar e, entretanto, a doutora sicrana foi rendida por uma colega, a doutora beltrana que, após horas de muito sofrimento e agitação, concluiu, depois de observar o relatório da segunda colheita de sangue, que a pessoa de idade avançada sofrera uma "desidratação extrema causada pela ingestão insuficiente de líquidos".
A pessoa de idade avançada saiu do hospital, por sua conta (a suas expensas; o INEM não transporta doentes dos hospitais civis para casa), passava meia hora das 23, com os líquidos e nutrientes repostos, mas no mesmo estado de prostração, física e anímica, com que acorrera para lá de manhã.
Resta acrescentar que, associado a isto, a pessoa de idade avançada, tem uma doença degenerativa, irreversível, própria da sua condição etária, necessitando, para tal, de assistência médica continuada.

Acto 2:

22 de Setembro de 2017, 18 horas, mais coisa, menos coisa. A mesma pessoa de idade avançada é transportada numa ambulância do INEM ao serviço de urgência do hospital Fernando Fonseca, na Amadora. Passa pela triagem e aguarda.
Quando chegou a sua vez, a doutora fulana fez as perguntas que, presumivelmente, todos os médicos fazem na circunstância: se a sua ida ao hospital era recorrente, de que padecia, et cetera.
Depois de tomar nota das suas queixas, ter dado uma vista de olhos no relatório do seu último exame e (supostamente) ter consultado o seu historial clínico na plataforma do SNS, a doutora fulana mandou ministrar, via endovenosa, soro e analgésico, colher uma amostra de sangue para análise e fazer um raio-x ao tórax porque a pessoa de idade avançada queixava-se de dor nas costas: sensação molesta, causada pelo mal de que padece (cancro no fígado) e que consta no relatório do último exame...
Passaram-se mais horas, entre náuseas, mal estar geral, inclusive a inerente persistência da dor nas costas, que não desaparece com analgésicos para as dores gerais, e uma necessidade angustiante de regressar a casa, situação incomensuravelmente violenta para uma pessoa de idade avançada. Não é extrinsecamente medível, mas afecta psicologicamente quem está perto da pessoa que sofre desesperadamente. Porém, a doutora fulana mandou ministrar-lhe mais analgésico, via endovenosa.
Finalmente, foi despachada (perdão, teve alta), já passava da 1 hora da madrugada. Pelo menos, foi hidratada, graças a Deus!
A pessoa de idade avançada saiu do hospital, por sua conta (a suas expensas; reitero que o INEM não transporta doentes dos hospitais civis para casa), mas no mesmo estado de prostração, física e anímica, com que acorrera para lá.

Sei, de fonte seguríssima, que este hospital possui uma equipa de cuidados paliativos, especializada na minimização da dor. Se calhar não é para pessoas de idade avançada...digo eu, com receio de estar certo...
O busílis da enormíssima e recorrente questão, é que o SNS não investe em idosos nas lonas, independentemente da cor política da porra do governo que estiver no poleiro. Assim, é cada um por si e Deus contra todos.
Pedindo desculpa aos irmãos Coen por lhes ir roubar o título deste artigo ao excelente filme "No Country for Old Men", nunca tive tanta certeza e tanta raiva por tê-la, ao constatar que este país não é, decididamente, para velhos (pobres). Não são fonte de receita...

Nota final: A pessoa de idade avançada, abandonada pelo hospital Fernando Fonseca, acabaria por falecer, pouco tempo depois, numa unidade de cuidados paliativos, afecta ao SNS, mas foi preciso mexer cordelinhos (vulgo factor C). Caso contrário acabaria por morrer em derradeiro e atroz sofrimento em sua casa.

 

AS FÉRIAS DO SENHOR HULOT...UPS, PERDÃO, DO SENHOR SILVA!

as férias do senhor hulot.jpg

As cenas das férias pagas por empresas a pessoas muito ilustres da nossa sociedade, nomeadamente aos políticos, a julgar pelas notícias que circulavam na imprensa, aqui há uns anos, eram moda. Agora não sei; parecem estar em banho-Maria ou o segredo está muito bem guardado pela politicagem...
Ficava-se, então, com a impressão de que não havia figurão que nunca tivesse feito uma viagenzinha paga por esta ou aquela empresa (inveja à parte). Vai daí que também resolvi, depois de uma reflexão profunda ou uma cavadela mais afincada, conforme vos aprouver, deixar aqui uma referência ao excelso ex-Presidente da República, "senhor Silva".
Segundo anunciava o jornal Independente de 20 de Agosto de 1993, sob o título garrafal "Cavaco come a papa", da autoria do, na altura, seu director, Paulo Portas (vulgo, Paulinho das feiras), o ex-PR tinha gozado uns dias de férias em Salzburgo, à pala da Nestlé, enquanto primeiro-ministro.
Depois vieram os mentideiros do costume, aproveitando a divulgação desta notícia, dizer que o senhor, ao contrário do que vinha veiculado no jornal sobre o consumo ministerial de papas, era, isso sim, um consumidor compulsivo de bombons de chocolate da prestigiada marca, sendo seu hábito comer caixas inteiras, com lacinho e tudo. Vá-se lá saber da veracidade de tais rumores...
Ora, um sujeito que, para além de "nunca ter dúvidas e raramente se enganar" e ainda ter afirmado, com desusada sobranceria, que para serem mais honestos do que ele tinham que nascer duas vezes e outros quejandos, aceitar 'prendinhas' desta natureza, para mais em exercício de cargo tão soberano, era uma enorme contradição. Tudo isto fazendo fé na premissa de que os "trabalhadores do Estado não devem pedir ou aceitar presentes, hospitalidade ou quaisquer benefícios que, de forma real, potencial ou meramente aparente, possam influenciar o exercício das suas funções ou colocá-los em obrigação perante o doador"...
Rezava a tal notícia, pela pena de PP, que a Nestlé a tinha confirmado, ad rem, sem retirar ou acrescentar ponto e vírgula (leia-se ponto e vírgula, respeitando uma pausa de alguns segundos entre as duas palavras).
Ainda, segundo o artigo, "a Nestlé teve a ideia, escreveu a Cavaco, organizou e pagou, mas parcialmente. Os custos foram partilhados: o Estado português (vulgo os contribuintes portugueses) pagou o Falcon da Força Aérea (um balúrdio só em combustível), onde Cavaco Silva viajou (mais a Maria...), e a Nestlé pagou o resto".
Assim se teve e tem conhecimento, não tão mediatizado na altura, excepção, talvez, ao artigo de PP que, pela primeira vez, alegadamente, um político português, trabalhador do Estado, no caso um primeiro-ministro, se deslocou ao estrangeiro a convite de uma empresa privada.
Em jeito de epílogo, lembro-me que alguém (embora não saiba quem) disse que a honestidade é algo muito caro e que não a devemos esperar de pessoas baratas. Todavia, penso que não devemos generalizar. Ainda há montes de gente boa e honesta no nosso país, que diabo!
Já, agora, a talhe de foice, devo acrescentar que "As férias do Sr. Hulot", ou como diria o "mon ami Martin qui a émigré por la France dans un sac de carton, a beaucoup d'années"*: "As vacanças du Mussiur Hulot", é uma comédia francesa de 1953, dirigida, escrita e protagonizada pelo saudoso Jacques Tati. Quem nunca viu, veja! Pelo menos, três vezes...

* Não sei se o tradutor do Google traduziu isto bem porque não pesco nada de francium...

ATAQUE DE CASPA

ataque de caspa.jpg

Alguém disse, e muito bem, que a contrafacção é um modo de vida, uma forma de estar e um estado de espírito muito português; uma coisa assim a modos como o fado ou algo para o qual estamos predestinados, mesmo antes de soltarmos o primeiro vagido. É claro que o fenómeno não é exclusivo de Portugal, mas, olhem, por exemplo: é como a saudade.

Também há quem diga que a saudade não tem tradução noutras línguas e que, por isso, só os portugueses é que a sentem de um modo especial e eu, muito sinceramente, acredito que é verdade!

Outro grande fadista de outrora também já dissera "erros meus, má fortuna, amor ardente" e, assim como assim, acho que é esta nossa aptidão nata para o género trágico, sei lá.

Porém, até então, ninguém se dispusera a dissecar o fenómeno com o bisturi exacto do cirurgião que opera um peito aberto ou com a perícia com que o açougueiro esfola uma rês.

No fundo, o objectivo desta minha incursão na contrafacção, foi uma tentativa para escalpelizar algo que pode vir a ser objecto de uma análise mais profunda e exaustiva por parte de quem de direito (ou de esquerdo, tanto faz). Perdoem-me se não fui mais longe, mas estas coisas não se compadecem com imponderabilidades; é a vida.

Os americanos genuínos, nomeadamente (ou exclusivamente) os "peles vermelhas", chamar-lhe-iam escalpar, um hábito cultural para o qual tinham muito jeito. Bom, mas naqueles tempos remotos a contrafacção não era um fenómeno tão preocupante como é actualmente. Nem de longe, nem de perto. Simplesmente, nem.

Depois desta pequena introdução, o leitor mais perspicaz já terá reparado que o artigo é, indubitavelmente, dedicado à contrafacção e a outras actividades económicas consideradas menos lícitas ou mesmo ilícitas, digamos assim. No concernente ao assunto em epígrafe, fiz questão de me atirar de cabeça e mergulhar nas águas turvas do crime organizado que, como devem calcular, é um polvo com mil tentáculos, mais tentáculo, menos tentáculo.

Também houve alguém, não sei quem, que disse um dia uma frase que ficou célebre: "Para quê remexer no que já foi mexido repetidas vezes sem sucesso?" O aforismo, se assim se lhe pode chamar, encerra quase que um dever moral de todas as pessoas de bons princípios (não quer dizer que não enveredem por caminhos tortuosos que as levem a maus fins) no sentido de não se cavar muito fundo; só um buraquinho ligeiro que dê para respirar. Bom, mas isto foi um aparte que, por sinal, até está fora do contexto desta estória; prossigamos dentro do propósito.

É do conhecimento geral que se contrafaz quase tudo: bacalhau seco e demolhado, relógios e canivetes suíços, chocolate, bebidas espirituosas e espirituais (estas últimas utilizadas no santo sacramento), discos compactos, camisas de Vénus e La Costa (não confundir com o senhor Costa), perfumes low cost baratos (ou eles não fossem low cost), "smartphones" de 10 polegadas made in PRC, políticos made in Portugal, et cetera; o rol é extenso para caber neste artigo singelo.

Ora, o que nunca pensei era que fosse possível fazer contrafacção de caspa! É verdade, leram bem - de caspa! Nunca vi coisa assim, nem quando o rei fazia anos! Daí que me propus investigar o fenómeno por conta e risco próprios.

Por conseguinte, enchi-me de coragem e entranhei-me no busílis da questão que é, claro está, a contrafacção de caspa, algo que testemunhei com estes óculos que, não obstante estarem a precisar de um "upgrade" de dioptrias, ainda conseguem distinguir entre o que é verdadeiro e o que é falso. E é aqui que a "chitarra suona piu piano" como cantava aquele célebre cantor lírico, do antigo anúncio da pescada. E porquê? - Devem perguntar vocês com toda a legitimidade. E eu respondo com toda a pertinência: porque me disseram que é um produto importado directamente aos países produtores de caspa, banhados pelo Mar Cáspio e, mais grave, sem contrapartidas. E para quê? - Presumo que também estejam interessados em saber. Mais a mais, tendo-a cá com qualidade tão duvidosa como a que é produzida nesses países! É o nosso ancestral capricho de julgar que o que é nosso não presta.

Assim, habituado que estou ao submundo perigoso dos valdevinos casposos, foi por veredas e travessas que me aventurei em busca da verdade escondida. Afinal, por muito inverossímil que nos pareça, "the true is out there", como dizia o agente Fox Mulder.

Aqueles homens que me confiaram o terrível segredo, os quais quis manter no anonimato para proteger a sua privacidade, de seus nomes, Iliev Fedorofsky kasparov e Akbar Kaspolin Salamalek, respectivamente, está de caras, explicaram-me, tintim por tintim, que a caspa contrafeita era trazida à socapa para ser vendida a uma firma muito conhecida que, por sua vez, a exportava furtivamente para países onde a predominância da caspa era escassa. Todavia, um acontecimento imprevisto e simultaneamente trágico, não me permitiu levar a investigação até ao fim, conforme o objectivo que me propus atingir, porque tanto um como outro acabaram por ser encontrados mortos numa valeta em La Valetta, ao que tudo indica, vitimados por um ataque de caspa de origem desconhecida.

Prometo voltar ao assunto, lá mais para a frente. Até porque o assunto é digno de um "thriller" que se debruce seriamente sobre a temática, sempre presente, da teoria da conspiração, não vos parece?

José Inocêncio da Silva, investigador contrafeito e por contra própria.

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