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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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ERA UMA VEZ UMA VELHA MUITO VELHA

uma velha muito velha.jpg

Era uma vez (em inglês: once upon a time, segundo o tradutor do Google porque eu, de inglês, pesco zero) uma velha muito velha, muito feia e muito má que vivia afastada da aldeia. Morava nas suas imediações, digamos assim. Isto, só para se ter uma noção aproximada da distância a que ficava a morada da velha.

Segundo verberavam as más línguas, a velha era uma beata falsa e mal amada; ninguém gostava dela, não se sabendo se tinha algo a ver com a sua figura malparecida. Ademais, só batia com a mão no peito, rezando e suplicando constantemente por um lugarzinho no Céu.

Como todas as beatas falsas e mal amadas, a velha não podia faltar à missa. No entanto, fazia-o de quinze em quinze dias porque, como andava a passo de caracol, demorava uma semana para chegar à ermida e outra para regressar a casa. 

Verdade ou pura fantasia popular, toda a gente da aldeia cochichava que a "malvada" estava "podre de rica".

Bem, podre era fácil de constatar, dado que, para além de ser uma velha muito velha, patenteava, naturalmente, indícios de alguma deterioração degenerativa - passe a redundância - própria da idade avançada.

Porém, se era "podre de rica", não exibia qualquer sinal exterior de riqueza, a não ser um dente de ouro que lhe sobressaía daquela boca quase obscena de tão imunda.

Certo, certinho é que corriam as mais variadas e estrambóticas versões acerca da sua suposta fortuna.

Durante muitos anos, as hipóteses mais estapafúrdias foram aventadas por aquelas gentes golelheiras, mas ela não se descosia perante o padre, no acto da confissão, e até dava a ideia de que não se ia descoser durante muito tempo. Isto, sem embargo dos sinais histológicos, não tão invisíveis como se possa pensar, associados a uma aparente visão crepuscular de morte anunciada.

As aparências enganam, como se costuma dizer. Logo, podiam tirar o cavalinho da chuva que ela estava ali para durar mais meio século!

Contudo, certo dia, quando ia a caminho da missa, tropeçou numa corda atravessada no carreiro. Naquele carreiro que percorria há incontáveis anos e que já se habituara aos seus passinhos tropeçudos.

Nunca se chegou a saber se foi acidente ou má intenção. Todavia, ficou registado no auto que se tratara de um acidente. De tal modo que transportou a velha directamente para a morada de Cristo, sem passar pelo purgatório dos hospitais civis.

Mal soube do trágico acidente, a população em peso, mas sem conta nem medida, acorreu ao pardieiro que lhe servia de morada, revolvendo tudo de alto a baixo à procura da tão propalada fortuna.

Finalmente descobriu um baú, cheio de buracos de bicho da madeira, carregado de maços de notas. Primeiro foi o entusiasmo; a loucura cobiçosa que tal visão provoca em quem nunca vira tanto dinheiro à frente do nariz. Depois o desespero e a raiva. Devia haver para ali, à vontadinha, cerca de dez milhões de notas de vinte escudos com a figura do Santo António!

Enfurecido, por se sentir enganado pelo estupor da velha, o povo deitou fogo àquele enorme monturo e deu o pira antes que aparecesse a GNR.

Velha parva! Qual Céu, qual carapuça! Que o diabo a conserve em perene desassossego; desgraçada!

P.S: A propósito, sabem qual é o cúmulo da força? É a gente apertar uma nota de vinte paus até o Santo António deitar a língua de fora. Dah...

 

 

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