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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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AMOR ANÓNIMO

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Acto primeiro:

Sempre ouvi dizer que o amor, quando nasce, é para todos. Ou, pelo menos, pensava que era assim até ao dia em que a vi no meio da multidão e a desejei com toda a força do meu ser; até mais do que ao meu ser.

Aí, tive a certeza de que aquela velha máxima nem sempre se aplicava e aconteceu aquele momento sublime tão ardentemente desejado, pois nunca tivera uma visão tão deslumbrante. Uma visão só digna de quem acredita em milagres, ainda que não fosse o meu caso. Todavia, naquele dia, o amor tinha nascido só para mim.
Porém, independentemente de acreditar ou não, e com todo o respeito que me merece a gente pia que acredita piamente em intervenções divinas, uma coisa é certa: por muito que nos amemos, sobra sempre um bocadinho de amor para compartilhar com outras pessoas; e foi como se uma voz interior me perguntasse se não havia um lugarzinho a mais no meu coração para mais alguém, além de mim.
Aquele "brilhozinho nos olhos", pá, vi logo que era a "number one" e não fui de modas: dei-lhe, incondicionalmente, "vinte valores" e desejei que fosse "um treze no totobola". 
No entanto - maldita frase - ,tímido militante desde o primeiro vagido, ficou claro que só me restava sonhar com ela, pois não "bebemos um copo" e tampouco "fizemos o quatro e pintámos o sete".

Eh pá, prontos, pensava que, para mim, o amor também não ia tirar férias a partir daquele acontecimento mágico, muito menos no pico da "sexy-season" que é quando a malta tem mais ponta para fazer meninos. Contudo, enganei-me redondamente; o amor não quis nada comigo e garanto-vos que havia espaço suficiente para mais uma pessoa. Agora, por 'mor de Deus, não me venham com essas tretas das hormonas ou das feromonas ou algo assim parecido! Posso ser um ignorante nestas coisas, mas alto lá porque o que é demais é moléstia! 

Dizem também que o amor não escolhe idades que é como quem diz "de pequenino cresce o pepino". OK, até admito que a diferença de alturas era abismal, mas, mesmo assim, não me importava. Seria ela a cingir-me o pescoço com os seus braços, porque não? O amor quebra todas as barreiras, não é o que dizem?...
Agora que foi uma coisa esquisita, isso é inquestionável. E, curiosamente, nunca me tinha acontecido. Parecia, assim, uma dor que sobe pela coluna acima e depois desce pela coluna abaixo. O tal "fogo que arde sem se ver". Para uns, talvez, um fogo fátuo, mas para mim seria eterno. Assim o destino ou o acaso, tivessem querido. Contudo, só até durar, sublinho...

 

Acto segundo, impregnado de uma tristeza infinda:

Enfim, acho que o amor é assim; é até "o apagar da velha chama", estão a ver? É o amor, prontos, pá, q'é que querem?!
Um amor é quando a gente quer o que a gente sonha e depois, não obstante o sonho comandar a vida, soçobra uma frustração do caraças porque há amores e amores, uns de perdição, outros impossíveis e alguns fodidos - como disse aquele gajo que escreve uns livros catitas, cujo nome já se me varreu da cachimónia. Ainda há os perfeitos, mas até esses têm defeitos. Paradoxal, n'é? Tudo águas revoltas da paixão.
Cada um tem o amor que merece, apesar de achar que tem direito a uma dose suplementar. É a reacção natural, grande parte das vezes egoísta, que magoa a malta, sempre à procura de um retorno. Estranha forma de amar, mas é assim, olhem!...
Por outro lado, a contradição também é válida; ser contraditório faz parte da natureza humana. São também inatas à nossa natureza, a insatisfação e a procura do amor ideal, aquele amor que só acontece na ficção com "final feliz" (não confundir com idêntica expressão, usada noutro contexto).
Tornei a dispersar-me, desculpem lá..., ah, já apanhei o fio solto! Adiante.
Parece-me, embora tenha a certeza, que não se pode ter um amor como o nosso, duas vezes. Quer dizer, até há quem tenha "bué" de amores, mas, desculpem lá, não é a mesma coisa; não há amor como o primeiro! Sabe Deus quanto amei aquela mulher, embora ela nunca tivesse sabido e tampouco sonhado!

Amar e ser amado é complicado. Na solidão triste do anonimato apenas resta a esperança de o amor se vir um dia, quem sabe, a gente está sempre à espera que esse amor se venha, n'é?
Agora a sério: Pior solidão do que amar anonimamente, é a "do ser que não ama" - diz Vinicius de Moraes. Prefiro nem pensar...

AS PERNAS

as pernas.jpg

Por razões que a própria razão desconhece; e sublinho que não tem nada a ver com o coração, apeteceu-me escrever sobre as pernas. Para quem não sabe, em princípio, são duas e façam o favor de não confundir a expressão com o acto de escrever em cima das pernas (ou dos joelhos, como vos aprouver). A propósito, é um (mau) hábito que tenho, mas é assunto que poderei abordar noutra altura.

Bom, em relação às pernas, propriamente ditas, poder-se-á até afirmar, com algum rigor científico, que só existem dos joelhos para baixo. Se se pretender confirmar tal evidência num sentido estrito, então, teremos de admitir que, efectivamente, as pernas começam na bacia e terminam nos pés que também são dois, até ver.
As pernas, à semelhança de outras partes do corpo, podem classificar-se de duas maneiras: localização relativa e forma. Relativamente à localização, ou localização relativa, que não é a mesma coisa que localização absoluta - já descrita nos primeiros parágrafos - , temos as pernas esquerda e direita. Já foram relatados casos em que existe mais uma perna: a do meio, mas isso será tema para outro artigo, uma coisa mais elaborada, lá mais para a frente. Assim me lembre.
É fácil distinguir quais são as pernas direita e esquerda se, de antemão, estivermos habituados a escrever com a mão direita e a coçar uma orelha, habitualmente a esquerda que é onde se tem mais comichão (não tem explicação), com a mão esquerda. Isto se a pessoa não for canhota, porque se for o caso, então, muda de figura (o caso, claro. As vírgulas são lixadas!).
No respeitante à forma, as pernas podem ser perninhas; pernocas; pernões; pernaças; pernas-longas; pernas às costas; pernas para o ar; pernas de alicate; perninhas de rã; pernas de frango; pernas de peru; presuntos; et cetera.
As pernas, ou membros inferiores, não obstante serem maiores do que os membros superiores (geralmente), são constituídas pelas ancas, coxas, por si próprias e, naturalmente, pelos pés.

Uma perna sem pé, é uma perna coxa. Porém, um pé sem perna é um pé coxinho. Em ambos os casos há uma perna que é sempre mais curta que a outra que se convencionou chamar de perna manca.
A articulação das coxas com as pernas é feita através dos joelhos que encerram as rótulas, elementos indispensáveis neste processo de ligação dos ossos, sem as quais estaríamos constantemente a dar pontapés na testa, o que, convenhamos, não seria nada agradável! Para esse efeito existem as canelas que não são propriamente uma especiaria, mas antes aquele espaço entre os pés e os joelhos, esse sim, apropriado para levar pontapés.
Os pés merecem, ainda, uma referência especial, como é óbvio, embora me faltem as palavras para explicar os motivos de tal obviedade.

Independentemente de serem grandes ou pequenos, podem ser chatos; de galinha; de galo; de lã; de atleta; de meia; de bailarina; de dança; de elefante; de lótus; de feijão; de salsa; de cabra; de chumbo; de pato; de igualdade e de cereja. Isto para não dizer dos tão apreciados pezinhos de coentrada e de leitão.

Trata-se, também, de uma zona anatómica que, às vezes, gera alguma confusão nas pessoas menos esclarecidas. E porquê? - perguntam vocês com toda a propriedade. Porque, com efeito, as partes baixas do corpo são os pés e não as partes pudendas, como erradamente devem ter presumido.
A talhe de foice, os pés articulam-se com as pernas através do calcanhar de Aquiles (em princípio são dois ou seja: um em cada pé). No entanto não se pode esquecer o papel complementar e determinante do tendão de Aquiles (igualmente dois, até ver) em qualquer acção locomotriz dos membros inferiores.
Quanto à utilidade dos pés, vou ter que pedir a vossa ajuda para a seguinte experiência:

Façam o favor de não se sentarem, ou se estiverem sentado(a)s, levantem-se. Em seguida avancem, naturalmente, a perna direita cerca de vinte centímetros, mais coisa, menos coisa. Se já fizeram esse pequeno movimento pedestre, acabaram de dar "um pequeno passo para o Homem".  Agora, avancem a perna esquerda cerca de três metros. Já está? Em linguagem coloquial, deram, portanto, "um salto gigantesco para a Humanidade".
Finalmente, avancem alternadamente uma perna e outra, tanto para trás, como para a frente. Podem até recuar, estrategicamente, um passo para dar dois à frente, enfim, fica ao vosso critério.

É para o que as pernas servem: para andar; tanto para trás, como para a frente, como facilmente depreenderam; e também deduziram que esta coisa da anatomia é uma grande pepineira.
E pronto; se quisermos e tivermos muita força de vontade, podemos fazer muita coisa com uma perna às costas ou até com as duas.
Resta a velha e sacramental exclamação: Pernas pra que vos quero!

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