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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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SEXO BIZARRO

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Confesso que o assunto não é virgem e penso que, neste aspecto, o leitor e a leitora deverão estar de acordo comigo. Todavia, tentarei abordá-lo, quero dizer, vou mesmo abordá-lo, mas numa perspectiva que não fira susceptibilidades porque não é esse o meu objectivo, apesar de não ser tão óbvio assim. Isto, não obstante parecer um bocadinho melindroso, não o nego. Avancemos, então, com caldos de galinha, com esperança de que não se entornem.

Para conferir alguma dignidade à complexidade desta matéria, só para não parecer vulgar, ou, até mesmo, ordinária, a despeito de estar na ordem do dia, decidi alterar o título deste artigo que inicialmente pensei em titular de DESVIOS SEXUAIS. Isto porque me pareceu pretensioso porquanto, não sendo psicólogo nem sexólogo, pareceria mal meter a mão ou o que fosse em seara alheia, mesmo que a frase "meter a mão" se me afigure muito apelativa. Depois deste ligeiro proémio com bolinha vermelha, prossigamos, então.

Segundo a opinião dos entendidos, nem todos os desvios da função sexual são considerados aberrações, embora, na generalidade, tenham como causa determinante, desarranjos de ordem psíquica. Excepção à regra são os vulgares fetiches. Ora, à luz da ciência actual e ao contrário do que muita gente pensa, o fetiche parece ser um óptimo estimulante sexual, embora careça de estudos mais determinantes.
Vejamos alguns casos de fetichismo que podem ajudar a compreender o fenómeno, interpretando-o como algo natural e, obviamente, dentro do comportamento comum, ou normal. Passo a citar:

Caso a) - Pessoas que conseguem obter excitação sexual manipulando ovos cozidos sem casca ou que conseguem ter três orgasmos consecutivos ao cheirar um par de meias em pura lã virgem, com uma semana de uso, em pleno Verão.
Caso b) - Sujeito que experimenta um orgasmo intenso (durante meia hora, no mínimo), após comer um quilo de bombons belgas com lacinho e tudo.
Caso c) - Indivíduo (do género masculino, ou feminino) que adora fazer sexo alternativo, imediatamente após a higiene oral.

A propósito deste último caso, Adolf Hitler, no seu badalado livro Mein Kampf, agora reeditado em Portugal, surpreendentemente ou talvez não, vendeu muitos exemplares só porque, a páginas tantas, confessa que fazia cunilíngua (do latim cunnilingus mustache) à Eva Braun, prática que, para os padrões morais da época, era considerada muito semítica e suja e punida com câmara de gás. Contudo, Hitler e Eva eram pessoas excepcionais e safaram-se até ao dia em que o "fuhrer" foi apanhado com a boca na botija.

Naturalmente que, na perspectiva das mentalidades actuais, esta prática - vulgaríssima, aliás - não se enquadra em nenhum caso patológico de sexo bizarro. Que fique aqui bem claro que concordo em absoluto!

Ainda, sobre este costume trivial, se inquirirmos um universo de mil portugueses (e portuguesas, claro), dos 18 aos 118 anos, sobre o assunto, a maioria vai responder, invariavelmente, que não fez nos tempos mais recuados e não lhe passa pela cabeça fazê-lo nos tempos mais próximos, sabendo-se que é consabida a habitual tendência para mentirem e, neste particular, não fogem à regra. Adiante, senão disperso-me.

No que confere verdadeiramente aos distúrbios de natureza sexual, ou desvios, como quiserem entender e continuando a citar, a zoofilia ocupa um lugar de destaque entre as práticas consideradas bizarras. É banal referirem-se factos de relações sexuais entre seres humanos e aves de capoeira, cães, gatos, cavalos, burros, bois, vacas, bodes, cabras, ovelhas e por aí adiante. Inclusive, há referências a insectos, imagine-se! Como facilmente se depreende, a zoofilia não é rara e já vem de tempos muito recuados no tempo (passe a redundância).
Existem expressões curiosas no léxico popular que comprovam a existência dessas condutas. Por exemplo, frases como "não há meio de me livrar daquela melga", ou "ainda por cima tenho que gramar aquele camelo na cama!", ou "hoje vou dormir com aquela cabra!", ou "que mal fiz a Deus para aturar aquele cabrão?", ou "não gosto dele, é um porco!", ou "será que é assim tão burro, que não perceba que já não gosto dele?", ou, ainda, "aquela vaca estragou-me a vida!", et cetera; os exemplos multiplicam-se. Um leque vastíssimo de pessoas confessa, deste modo, que mantém relações carnais com bichos de duas, quatro patas e, em casos raríssimos, com mais de quatro patas. As relações com animais de uma pata ainda não entraram para as estatísticas, mas prevê-se para breve o seu arrolamento.

Algumas relações são satisfatórias, outras nem tanto, mas, enfim, é a vida, não se pode ter tudo! Contudo, embora nos pareça estranho, cada um é livre de fazer amor com quem ou com o que quiser. Há relatos que referem práticas sexuais com tijolos, garrafas, escovas de dentes eléctricas e outros objectos. Nada a obstar desde que a relação seja franca, mutuamente consentida e profícua; ninguém tem nada a ver com isso! Outros casos há, mais difíceis, de relações sexuais com couves galegas, portuguesas e de Bruxelas. No entanto é claro que não há impossíveis. Tudo se resolve com muita fé e força de vontade.

A posição para consumar o acto sexual também tem muito que se lhe diga, dado que não existem normas, mundialmente aceites, que definam qual ou quais as posições mais correctas para praticar sexo, o que tem sido motivo de acesas discussões entre adeptos de várias posições e adeptos da posição clássica.
Continua a ficar ao critério de cada um, a posição mais cómoda e, naturalmente, mais satisfatória. Quanto ao sexo em grupo, "ménage à trois", troca de casais, "swing", et cetera, serão assuntos de que me ocuparei num próximo artigo porque já estou que nem posso, estas coisas excitam-me, peço desculpa, vou ali molhar os pulsos com água fria e já venho.

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