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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

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A ÍNCLITA GERAÇÃO

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Bom dia, boa tarde ou boa noite e continuação de boas festas q'isso é q'é preciso, pois o que faz falta é animar a malta - parafraseando o nosso Zeca Afonso.

Hoje, vou escrever ou passar a escrito, conforme vos aprover, qualquer coisinha sobre a "Ínclita Geração". Posso garantir, a pés juntos, que não se tratou de uma "geração rasca", antes, pelo contrário (aqui, os conceitos 'antes' e 'pelo contrário' não se me afiguram idênticos; somente próximos. Daí a minha hesitação em classificar a frase de redundante)! Prossigamos, então, na descrição deste epíteto que é dado na História de Portugal aos filhos do rei Dom João I.
Ora, após a morte do rei, paizinho desta tão nobre e ilustre geração, Philippa of Lancaster, Indeed Leicester, aliás Dona Filipa de Lencastre, aliás a mãezinha, subiu ao trono provisoriamente até um dos filhos, Dom Duarte, "O Mudo", aprender a falar definitivamente. É desses tempos imemoriais que provém a velha máxima (velha porque ainda é utilizada de modo coloquial) "mais vale definitivos definitivamente, do que provisórios provisoriamente", como sabem.

A mudez, como característica inata do rei Dom Duarte desde tenra idade (vários historiadores crêem que já era mudo à nascença, dado que não há registo sonoro do primeiro vagido. Porém, tal convicção, sem grande profundidade, carece de ratificação científica), manifestou-se, sobremaneira, anos mais tarde, no campo legislativo. Foi durante o seu reinado que foi elaborada a "Lei Mental" que nunca se chegou a saber o que era. Como era mental, nunca foi escrita nem verbalizada. Desse facto ter-se-ia instalado, com toda a probabilidade, um ambiente reinadio, o qual reinava de modo reinante em todo o reino de Portugal e dos Algarves, inclusive do Brasil, que ainda estava longe de ser descoberto.

Durante o reinado efémero de Dom Duarte, um dos manos, Dom Henrique, prosseguiu com o projecto megalómano de mandar erigir o Padrão dos Descobrimentos, apesar dos avisos do rei (convém referir que os avisos eram feitos, obviamente, em linguagem gestual) de que aquilo ia transformar-se num enorme mamarracho e ia custar um balúrdio aos cofres do tesouro que estavam nas lonas; já naquele tempo, valha-nos Deus!

É claro que tudo se recompôs temporariamente depois do descobrimento do Brasil, graças aos bandeirantes. Foi desse modo que outro mano, o Dom Manel, que sucedeu a Dom Duarte (é claro que o Dom Manel não fez parte desta nobre fraternidade, mas, por outro lado, o objectivo desta crónica não é dar lições de história, seja a quem for. Por isso só tenho que pedir desculpa ao professor Mattoso pela minha imperdoável ignorância), derreteu todo o ouro que veio do lado de lá do Atlântico, mandando construir o Centro Cultural de Belém, ao seu estilo (Manelino), e uma fábrica de pastéis de nata mesmo ao lado, para não ficar atrás do mano.

Dom Henrique, sentindo a sua obra ofuscada pela mania das grandezas do irmão, não esteve com meias medidas e, de uma assentada, fundou a Escola Náutica de Paço de Arcos, enviando naus catrinetas por mares nunca dantes navegados. Em boa hora o fez, pois foi graças à sua visão, muito avançada para a época, e aos seus audazes capitães das naus, que foram descobertas as ilhas Berlengas, a Brandoa, Telheiras Sul e "se mais mundo houvera lá chegara". No entanto, os desmandos da Ínclita Geração colocaram o tesouro do reino, novamente, numa situação periclitante, fazendo com que as agências de notação financeira baixassem o nosso nível para mais uns pontos abaixo de lixo, o que já era muito chato para os propósitos do rei que, para obviar a grave situação económica, sobrecarregava a plebe com impostos atrás de impostos, no sentido de descer a dívida pública.

Regressando a Dom Duarte: foi no seu curto reinado que aconteceu um feito militar relevante e que ficou para os anais (atenção ao étimo da palavra anais e ao contexto onde está inserida) da nossa História: Dom Fernando, o mano caçula, cognominado de "O Mártir" (não confundir com um jihadista islâmico), na altura a residir ali para os lados dos Prazeres à Infante Santo, teve uma vontade danada de comer tângeras. Foi um desejo assim a modos muito repentino e intenso. Todavia, como não havia tângeras, nem no mercado da Ribeira, nem no de Campolide, Dom Fernando tentou persuadir o mano Dom Duarte a enviar a armada a Tânger a fim de adquirir no mercado local umas boas toneladas do citrino dos seus desejos. O rei hesitou em aceder ao pedido do irmão porque, como já tinha referido, Portugal estava novamente falido, o FMI intimidava o reino com mais medidas de austeridade e, evidentemente, o ministro do tesouro alemão e a puta da troika ameaçavam vir meter o nariz no cu dos portugueses outra vez.

Para compor o ramalhete da desgraça, os estaleiros navais de Viana do Castelo, importante pólo de construção de naus catrinetas e caravelas, tinham sido vendidos a um armador grego, falido - um tal Dilza Erotides - que se revelou um mau negócio para o reino de Portugal. Porém, Dom Fernando contra-argumentou com a velha história de que se podia aproveitar a ocasião para combater os sarracenos e dilatar a fé cristã além mar e isso convenceu Dom Duarte a consentir a expedição sem olhar a meios e despesas. 
Reza a História que a "Invencível Armada" (eu sei que não se tratava da armada em que estão a pensar, mas de uma excursão de cacilheiros. Apesar disso deixem-me continuar que depois explico) capitulou às mãos dos "infiéis" e, para cúmulo, capturaram Dom Fernando e mandaram-no para as masmorras por causa das tosses.
Quanto aos marinheiros que restaram desta expedição inglória, uns regressaram a nado a Vila real de Santo António e outros converteram-se ao islamismo, indo engrossar as fileiras do Daesh.
Entretanto o tempo passou e os Mouros, através da sua encarregada de negócios em Lisboa, a embaixadora Omar Zayn, exigiram a devolução de Ceuta em troca da libertação do infortunado Dom Fernando. Em face deste ultimato sarraceno, as cortes reuniram-se na Quinta da Sardinhano Pinhal de Leiria e, depois de uma valente sardinhada regada com vinho tinto rascante do Cartaxo, já muito bêbedas (as cortes, claro), decidiram que a vida de "O Mártir" não valia a ponta de um corno em comparação com Ceuta.

Por puro revanchismo e vingança - passe a redundância - os mouros mantiveram Dom Fernando preso numa masmorra até ao fim dos seus dias. Não a pão e água, tampouco a tângeras, mas a tangerinas, pois era consabida a sua alergia intestinal às tangerinas.

É facto, embora careça de confirmação, que nos últimos dias de vida, Dom Fernando, já só ossinhos e peles, implorava a Alá que aqueles bárbaros berberes lhe dessem, ao menos, um pratinho de kebab acompanhado com arrozinho árabe. Até dispensava os talheres pois, naquelas paragens sempre se comeu com as mãos e ele já se habituara aos costumes daquela gente. Os mouros, sabendo que aquilo era tudo fita, pois Dom Fernando fincara sempre o pé a uma possível conversão à fé islâmica, martirizaram-no ainda mais, com tangerinas, tendo "O Mártir" falecido, depois de morto com tanto martírio, já Infante Santo.

Voltando, ainda, a Dom Duarte, está devidamente documentada a sua veia literária, mas também científica, legando-nos obras como - agora a sério - "Leal Conselheiro", obra profusamente ilustrada da sua colecção iconográfica, com conselhos e orientações sobre a sexualidade nos gafanhotos tailandeses; "Livro de bem cavalgar toda a sela sem cavalo" que, como o próprio título indica, se destinava a ensinar a montar sem cavalo, o qual foi considerado pelos críticos literários um "best seller", não tendo merecido, imerecidamente, um prémio Nobel porque, já naquela altura, aquela cambada de incultos da Europa não ia à bola com Portugal.

Foi preciso sermos campeões europeus para nos terem mais respeitinho, mas isso é outra história. Finalmente, um terceiro livro que deu brado, "O Livro da Misericórdia" que é, com efeito, "O Livro da Misericórdia".

Todavia, o êxito das vendas dos seus livros foi demasiadamente agitado para a sua frágil cabeça que não aguentou um esgotamento cerebral e teve morte imediata, vindo a falecer de peste numa manhã de nevoeiro em Alcácer Quibir.

Enfim, são as voltas que o mundo dá...

COMO VAI A CULTURA, ZÉ?

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Bom, na literatura e ensaio o ano de 2017 talvez nos traga boas surpresas. Uma delas pode vir a tornar-se quase uma bomba no meio literário nacional. Segundo alguns estudiosos da obra pessoana, estarão por revelar mais 27 heterónimos de Fernando Pessoa, entre os quais saliento dois em quirguistanês e quinze que o poeta não usou em vida.

Os especialistas chegaram a este raciocínio depois de pesquisas arqueológicas no ano da morte de Ricardo Reis que se presume que tenha acontecido ao entardecer. A eles se deve, também, a exumação de três lenços de linho lindamente bordados e em muito bom estado de conservação, dez gramas de rapé, ainda consumível, duas peúgas desirmanadas, uma delas muito puída, conservando o cheiro das pústulas do "pé de atleta" de que o poeta padecia e, por último, um papel amarrotado e amarelecido pelo tempo, com um rabisco dumas estrofes do poema Fragmentação do Eu, c'mó Caraças que a seguir transcrevo. Convém relembrar os conhecedores da obra do poeta que estas estrofes manuscritas e escritas à mão - passe a redundância -, pertencem ao grupo original e não àquele que nos é dado a ler actualmente no poema Fragmentação do Eu, c'mó Caraças. Pensa-se que terão sido escritas pelo Martinho da Arcada, num instante de exaltação do ego de Álvaro de Campos, embora careça de confirmação científica.
Eis o que Alberto Caeiro escrevinhou, num dos raros momentos de excitação espiritual, quase alucinante, e que hoje constitui uma preciosidade literária:

"Uma vez amei e senti-me tão baboso q'até julguei que me amariam
Mas não fui amado, porra!
Não fui amado pela única grande e exclusiva razão:
É que não tava calhado, q'é que querem?
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada, catano!

Vejam lá que, no entardecer, acordo de noite e exclamo: Ah, onde estou? Deste modo ou daquele modo, seja acordado, ou a dormir. Sim já tenho acordado a dormir. Acreditem q'é verdade!
Contudo, começo a conhecer-me e acho que não existo.
Há quem me acuse de poeta e louco, mas de poeta e louco, todos temos um pouco e não sou eu que o digo, é o povo.
E que se lixe, não me importo com as rimas, prontos!"

 

No concernente ao teatro, lá para meados de Março, o Teatro Nacional Dona Maria II, levará à cena a tragicomédia "Orçamento da Geringonça", de autor anónimo, contemporâneo. Receia-se que esta peça venha a constituir uma importante tragédia de bilheteira. Vamos esperar para ver. Uma coisa é certa: os habituais críticos já tecem cobras e lagartos antes da ante-estreia.

 

Até posso estar muito enganado, mas, salvo raras e honrosas excepções, e a fazer jus a esta pequena abordagem, a nossa cultura parece rejubilar de saúde...

Em próximo artigo divagarei sobre outras áreas culturais não menos relevantes. Façam o favor de se sentar.

CONTRIBUIÇÃO PARA A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DO DOENTE PORTUGUÊS

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É claro que, ao abordar um assunto desta natureza tão delicada, as pessoas podem ficar, de um modo geral, com a ideia irreflectida de que a minha perspectiva implica imediata rejeição sociocultural subjacente, quiçá adjacente, dada a proximidade entre si. Ora, na minha modesta opinião, isso é mais um tabu, como é natural e intuitivo.

Se todos os cidadãos, independentemente do sexo, cor, ideologia, paixão clubística, credo, orientação sexual, et cetera, têm o direito inalienável e até, mesmo, constitucional à saúde, pergunto: por obra e graça de quem, é que não podem escolher a opção de adoecer? Não será, também, um direito de cidadania inalienável?
Entenda-se por adoecer, a prova cabal - não confundir com cabala - e sintomatológica que, como sabem, diz respeito à sintomatologia (esta é de la Palice, ou la Palisse, tanto faz) de estados de saúde reconhecidos internacionalmente como doença.
Assim, deixo aqui algumas sugestões, ou propostas. Discutíveis, certamente, mas presumo que com alguma pertinência em face da situação em que se encontra a saúde em Portugal. No fundo, penso que poderá ser uma achega para agradar a todos de um modo geral e a alguns de um modo particular; a ordem dos factores é arbitrária. Por conseguinte, distribuamos o mal pelas aldeias que bem precisadas estão.

 

Proposta nº1: À semelhança de todos os cidadãos com direito à saúde, os cidadãos com direito à doença devem ter direito a uma cama e enfatizo: sem distinção de sexo, cor, ideologia, paixão clubística, credo, orientação sexual, et cetera.
Se não houver camas suficientes, os cidadãos doentes têm direito a permanecer numa maca em qualquer lugar de um estabelecimento hospitalar público, desde que não obstruam o caminho. Os corredores, regra geral, são a solução mais adequada.

 

Proposta nº 2: Os cidadãos com direito à doença têm o dever de impor a cessação da isenção do pagamento de taxas moderadoras no acesso às prestações de doença. E mais: Devem exigir, através dos seus subsistemas de assistência à doença, que as taxas moderadoras, o internamento e todas as prestações implícitas aumentem regularmente no início de cada estação do ano, sendo que o referido aumento deverá ser superior em 10 por cento ao valor da inflação trimestral anterior; seja ano comum, ou bissexto. Este último com 366 dias, como facilmente inferiram.
Assim, a sobretaxa que sobrevem à taxa de 10 por cento, podia reverter a favor de um fundo (ou fundação, como queiram - olhem, por exemplo, a favor da fundação Champô Limão, porque não?!) destinado a dar um penso a cada deputado da Assembleia da República que se oponha a esta extra ordinária ideia. Ninguém está interessado em sustentar gajada desta que transpire sinais preocupantes de saúde por todos os poros!

 

Proposta nº3: Todos os cidadãos doentes têm o direito de esperar, pelo menos um ano, por uma operação à vesícula (menciono a vesícula a título de demonstração; pode ser outro órgão qualquer, desde que dê chatices a sério), mesmo que essa espera lhes cause inchaços, gases, enjoos, tonturas, dores nas costas, hálito fétido, icterícia e outros sintomas associados. São os efeitos normais de uma vesícula estragada. Contudo, se ultrapassarem o prazo de espera para além dos cinco anos não stressem, pois o fim está próximo.
Devido à crise económica (sim, não acabou, seus totós! Então não vêem que o senhor Costa e o professor Marcelo estão de conluio a pintar isto cor de rosa?) e à conjuntura planetária fortemente desfavorável (perguntem à astróloga Maia), a utilização de meios médicos complementares que, como sabem, vêm a seguir aos meios médicos elementares - os ideais - , devia ser fortemente regulamentada por forma a evitar maus usos por parte de alguns doentes, nomeadamente os do SNS, esses tesos do caraças, sempre de mão estendida, mendigando cuidados de saúde que não estão ao alcance de todos, naturalmente!
Não nos esqueçamos que sem doentes não há médicos, logo os doentes são a espinha dorsal da classe médica, n'é verdade?

 

Proposta nº 4: Os cidadãos com direito à doença têm o dever cívico de abandonar qualquer instalação hospitalar imediatamente, sem prejuízo da medicação a que estiverem sujeitos, a fim de abrirem vagas para outros doentes. Inclusive os doentes que forem submetidos a operações de peito aberto, ou qualquer outra coisa aberta. Devem sair rapidamente após terem sido suturados. Os hospitais públicos não são hotéis, que diabo!

 

E pronto; penso que a minha ideia tem pernas para andar, mesmo que sejam mancas. Uma coisa é certa: o primeiro objectivo foi concretizado há uma porrada de tempo, ou seja: aumentar o número de doentes em Portugal.
O segundo é ambicioso, mas não é impossível: transformar o nosso país, num lugar inóspito e, naturalmente, doentio. Muitos ministros da saúde(*) desempenharam um papel importante na consolidação deste objectivo, salvo uma, ou outra vergonhosa excepção, nomeadamente o "pai" do Serviço Nacional de Saúde, António Arnaut que nunca devia ter nascido, esse grande malandro!
Esperemos que o actual ministro da Saúde - o da "geringonça" - não deite todo o 'trabalho' que tem sido feito, a perder. Olhem, por exemplo, o excelente desempenho do seu antecessor da (cu)ligação "PAF", um conhecido banqueiro que, tudo leva a crer, vai ser o novo patrão da CGD. Estão a ver qual é?
(*) Num próximo artigo vou sugerir que se troque o nome do, ainda, Ministério da Saúde para Ministério da Doença. Não é uma boa ideia?

 

 

 

RICOS E POBRES, A ETERNA DICOTOMIA

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Dizia aquela senhora que era necessário "partilhar o crescimento", no final de mais uma cimeira dos países mais ricos do mundo. Segundo ela, os líderes desses países concordaram em identificar e dar prioridade às reformas que são essenciais para aumentar o estímulo do crescimento de cada país, área em que a organização de que é presidente (FMI), actua. Reforçava a ideia com a importância que deve ser dada à "partilha alargada dos recursos e do conhecimento"...
 
Ora, é consabido que, sem as ferramentas que reduzam as desigualdades e aumentem as perspectivas económicas, nomeadamente dos grupos de mais baixos recursos e com poucas qualificações - os primeiros a serem afectados com as mudanças tecnológicas - , o fosso entre ricos e pobres aumentará inevitavelmente. Palavras, portanto...
 
A fazer fé nas estatísticas, a concentração de riqueza continua imparável. Até há bem pouco tempo, segundo as mesmas estatísticas, as cerca de "sessenta pessoas mais ricas do mundo possuíam a mesma riqueza que a soma da metade mais pobre do planeta". Não sou bom em cálculo, mas, parafraseando António Guterres, "enfim, é fazerem as contas"...
 
É claro que há formas de combater as desigualdades, mas pergunto: alguém está interessado em fazê-lo? Alguém está interessado, por exemplo, em acabar com os paraísos fiscais e a consequente fuga à tributação de fortunas incalculáveis?
 
E Portugal, onde alguns pensam (se calhar, vivendo uma realidade virtual) que o número de pobres diminuiu, contrastando com os relatórios da OCDE que contrapõem como permanecendo entre os países mais desiguais e com maiores níveis de pobreza consistente? Só os cegos é que não vêem...
 
E concluo com o resultado - esperado - de um julgamento por "negligência": a condenação de alguém a continuar à frente da máquina financeira mais poderosa do mundo. Uma máquina, cujos principais bancos dominam os sistemas financeiros mais vulneráveis do planeta. Mas, enfim, isto não é novidade; só me apeteceu desabafar...

NARCISO DA CAVACO

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Uma leiloeira francesa muito conhecida, cujo nome já se me varreu, anunciou há tempos a descoberta de um desenho nunca visto, tampouco concebido até ali, mais precisamente, um auto-retrato de Narciso da(*1) Cavaco. A leiloeira avaliou a obra em cerca de 15 milhões de euros, o que é obra, diga-se de passagem!

"Se bem me lembro", fazia "mau tempo no canal", embora não passasse por ali nenhum canal. No entanto, tal facto, devidamente corroborado, não inibiu a visita de um alfarrabista, à leiloeira (com sede em Paris, já agora). O sujeito, que insistiu em preservar o anonimato, levava um conjunto de desenhos, coleccionados pelo seu bisavô, Piero Noda (deve pronunciar-se 'Nódá') Cavaco, um produtor de alfarroba (*2), natural de Anchiano, uma aldeiazinha piscatória pertencente à freguesia de Boliqueime.

A par desta descoberta ímpar - não é assim tão incoerente como pensam; vão ver - foi encontrado um outro desenho, um estudo do martírio de Santa Tecla, virgem e protomártir (pudera, coitadinha!), que aguçou o espírito conhecedor de Odélia Nicolette, de 55 anos, director da Leiloeira, o qual pediu uma segunda avaliação a Patrick, Van Der Grill, uma barbuda dos Barbados, especialista em arquitectura paisagística barroca.

Der Grill destacou o caso incontestável de Santa Tecla ter sido desenhada pelo mesmo artista, pelo facto de ser canhoto, após pesquisas exaustivas e esgotantes (passe a redundância) ao achado que, quer queiramos quer não, acabou por ser uma pechincha porque veio mesmo a calhar.

Com efeito, da Cavaco era canhoto, tudo levando a crer que, tanto um como o outro desenho, são efectivamente rabiscos do próprio. Particularmente o auto-retrato que parece ter sido feito num momento de delírio Narcisista; afinal fazendo jus ao seu bom nome. Era do conhecimento geral a paixão que nutria por si, ao ponto de afirmar exaustivamente que raramente se enganava e nunca tinha dúvidas, para além de dar Cavaco, exclusivamente, à sua Maria. Nisso, era-lhe fidelíssimo, graças a Deus.

Odélio recorreu ainda a uma terceira pessoa para confirmar as suas suspeitas: Carmenza de la Esperanza Gracia Gutierrez, más conocida por carmenzita, curadora do Museu Metropolitano de Arte Bizantina de Tashkent (deve pronunciar-se 'tás quente'), e especialista na obra do mestre d'obras completas, tendo atestado, posteriormente, a autenticidade dos achados.

Ainda, em relação aos esboços do martírio de Santa Tecla, até agora só eram conhecidos dois, fazendo parte de colecções particulares. De acordo com uma lista do próprio artista, seriam 78 no total, embora careça de confirmação através da avaliação por carbono 14.

Carmenzita Gutierrez acredita que o esboço encontrado data do período entre 1400 a 1499, mais mês, menos mês, escreve o jornal italiano, Corriere Bugiardo della Tretta da Mattina.

O dono de uma das obras, o alfarrabista Giancarlo Giannini Cremonesi di Tartaro, um palerma natural de Palermo, radicado há muito na capital parisiense, pediu para permanecer no anonimato, refere o matutino italiano. É claro que, nestas coisas, os jornais querem ser líderes absolutos na guerra de audiências e, nessa perspectiva, não se sentem obrigados a guardar segredos. Muito menos, sendo jornais que só publicam mentiras. Bom, mas, enfim, isto foi um aparte.

Conquanto isto esteja descontextualizado - peço desculpa - , achei-lhe alguma piada porque, por sinal, está relacionado com o apelido do Giancarlo di Tartaro. Então é assim: De acordo com as leis em vigor no Tartaristão (para quem não sabe, o molho tártaro foi inventado neste país. Fica aqui registado como uma curiosidade), o governo pode impedir a exportação de obras de arte se as declarar património nacional, tendo o Museu de Design e Artes Decorativas da capital tártara a prerrogativa para fazer uma proposta justa "tendo em conta o valor internacional e incalculável do mercado de valores" para as adquirir, escreve o Zahnstein Zeitung Dekorativen Künste VCC, um jornal local em língua alemã dedicado às artes vcc (*3).

Eh pá, já não sei onde é que ia ou que raio de estória foi esta, desculpem lá! Olhem, que se lixe, um dia destes concluo isto. Puta de memória!...

 

(*1) "da", não obstante ser a contracção da preposição 'de' com o artigo definido 'a', deve pronunciar-se como uma forma do verbo transitivo 'dar' que, como toda a gente sabe, tem na vogal a abertura ou tónica predominante)

(*2) Quem sai aos seus não degenera, como é comum dizer-se, senão vejamos: Bisavô produtor de alfarroba e bisneto a seguir-lhe as pisadas como alfarrabista. Estão a ver onde quero chegar?

(*3)Sigla idiomática. Por conseguinte e por consequência, sem tradução.

FELIZ NATAL, MERRY CHRISTMAS, JOYEUX NOËL, FROHE WEIHNACHTEN

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Venho, através deste meio singelo (atenção que não se deve ler meio singelo rapidamente. Faz-se uma pausa de cerca de um segundo entre meio e singelo, pronunciando-se a frase com alguma entoação, nomeadamente a palavra singelo. Só para não dar a impressão de que é metade de singelo), desejar a todas as pessoas que têm tido a complacência - é preciso ter bastante, também sei - de dar uma espreitadela no meu blogue, um Natal porreiro, com bacalhau, batatas e couves a nadarem em azeite, peru (e algumas peruas), sem esquecer as rabanadas de vinho tinto, pelas quais sou capaz de "dar o cu e cinco tostões".

Até nem ligo muito às quadras natalícias, por causa da porcaria da troca recorrente de tarecos entre as pessoas. Repetem-se, todos os anos, os mesmos rituais que não têm nada a ver com o verdadeiro espírito do Natal, mas, enfim, às vezes somos obrigados a engolir sapos vivos a bem da harmonia familiar da treta.

O único ritual que não dispenso, são as iguarias nacionais que, por enquanto, o meu poder de compra (limitado) permite que possam ser consumidas à mesa de Natal. Sem ostentação. E, a talhe de foice, tenham um bom ano de 2017. Pelo menos, não tão mau como este que se fina. 

Façam o favor de ser felizes!

CHRISTINE LAGARDE

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Leio que Christine Lagarde, directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), está a ser julgada por "suposta negligência" que originou um desvio de dinheiro do tesouro público, na altura em que foi ministra da economia de França.

Leio também que o julgamento vai prosseguir até 20 de Dezembro. Presumo que se seguirá um período de férias natalícias e subsequente repouso para a senhora poder descansar do interrogatório, supostamente, avassalador ao qual está, ou vai ser submetida.

Em entrevista a um jornal francês, confessou que a negligência é um delito inocente e todas as pessoas são negligentes. Não sempre, mas em determinados períodos da vida. Concordo e falo por mim que sou um negligente do caraças, porra!
Segundo a mesma fonte, a directora-geral do FMI está a ser julgada por uma jurisdição excepcional, criada para este efeito e outros que envolvam ministros e ex-ministros corruptos.
Desde a sua criação, há quase trinta anos, este órgão judicial especial já condenou três ministros franceses. Imaginemos, só por breves momentos, uma coisa assim em Portugal. Ai, Jasus!
Entretanto, Christine Lagarde, fez saber que vai solicitar o adiamento do julgamento e, caso a Justiça francesa não esteja pelos ajustes, CL vai tirar uns diazinhos de férias da instituição financeira durante o processo judicial. No entanto os banqueiros do FMI mantêm a confiança em CL. Vamos esperar, sentados, para ver se a coisa dá, ou não, em águas de bacalhau. Aposto nas águas de bacalhau...

 

 

A INSÓNIA

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"Quem nunca teve uma ou outra insoniazinha, muito pequena que tivesse sido, faça o favor de atirar a primeira pedra, mas, primeiro, certifique-se de que não tem telhados de vidro"

(Alfred Hitchcock - why not?)


Comecemos, então, pela sua definição: A insónia é, etimologicamente, o oposto de Sónia, como já devem ter adivinhado. Para quem não tiver tal condão (o dedo mindinho também serve), eu explico:

Sempre que a Sónia diz que está com dores de cabeça, a coisa pode complicar-se e redundar em insónia. Porém, isto não se aplica ao oposto de Paula - impaula, o qual não faz qualquer sentido (não confundir com impala, pois, neste caso, é um caso sério).
Sob o ponto de vista médico (ver Dicionário Básico da Língua Portuguesa - sem acordo ortográfico - de Manuel Gervásio da Silva), insónia é um termo que engloba as várias perturbações do sono, entre as quais se destaca a dificuldade em dormir. É claro que não se pode estabelecer qualquer termo de comparação com sonoplastia, pois, aqui, trata-se de uma operação plástica realizada durante a apneia do sono. Também não devemos confundir insónia com sunambulismo: hábito que torna algumas pessoas muito activas durante o sono.
Perturbações do sono podem ser, por exemplo, não adormecer; não acordar; adormecer e acordar no Paraíso rodeado de anjinhos ou, na pior das hipóteses, adormecer e acordar no Inferno, rodeado de chamas, a suar as estopinhas, com um gajo chifrudo ao lado.

Também se pode adormecer e acordar a meio da noite à rasca para mijar ou adormecer na nossa cama e acordar na cama da Natércia, a vizinha do lado, cujo marido é embarcadiço; adormecer e acordar depois de passar trinta anos em coma profundo; adormecer em Lisboa e acordar em Shangri-La com menos um rim ou um pulmão.

Há casos, devidamente assinalados, de pessoas que não conseguem adormecer sem um ursinho de peluche ou sem dar, pelo menos, três sem tirar, et cetera e muito.
Li, algures, que um estudo (os famosos estudos, topam?) efectuado por um grupo de cientistas americanos (sempre os mesmos, cagandas malucos!) provou que praticamente cem por cento deles sofria de insónias.
As causas eram as mais variadas e o estudo causou muitas dores de cabeça aos estudiosos, para além das insónias. Presumo que deve ter sido bestialmente doloroso.
Este estudo não é conclusivo, e ainda bem - digo eu - porque estes estudos estrangeiros não servem de exemplo seja para o que for. É mais aquela nossa mania pacóvia de pensar que os estudos estrangeiros são melhores do que os nossos; francamente que merda de auto-estima!
Mesmo assim, parece mais que provado, embora não hajam certezas, que a insónia é um fenómeno global.


O modo de combater a insónia diverge um pouco de país para país, mas tomemos como exemplo, talvez, a forma mais universal de lutar contra este flagelo:
Um indivíduo de meia idade, sei lá, para aí setentas e tais (contando com o aumento da esperança média de vida) que costuma ir deitar-se por volta das cinco da matina e não consegue dormir até às sete, hora a que toca, habitualmente, o despertador para ir trabalhar (contando com o aumento da idade da reforma para os oitenta). O sujeito experimenta tudo o que vem no manual anti-insónia: contar carneiros (um clássico); escutar a emissão nocturna da RR em ondas médias; ler e reler um qualquer romance do José Rodrigues dos Santos, omitindo todos os substantivos próprios, advérbios de modo e de lugar e experimentando, depois, ler a obra do fim para o início. Se, mesmo assim, não conseguir cerrar os olhos, um serrote pode surtir algum efeito, embora não seja garantido.
Em jeito de conclusão (já não sei o que hei-de escrever mais, para fechar isto com chave de bronze, pelo menos), penso que o melhor remédio para combater a insónia é dormir uma boa soneca nocturna. Olhem, experimentem dar uma boa queca (normalmente são precisas duas pessoas adultas, independentemente do sexo) até caírem para o lado. Na impossibilidade de obter parceria no acto, tentem outras formas lúdicas, igualmente satisfatórias que vos levem a um estado de relaxamento e sonolência. Por exemplo calcular quantas telhas existem no telhado da casa, ou edifício onde residem, fixando os olhos num determinado ponto do tecto, sem os desviar um milímetro.
Durmam bem e, parafraseando alguém, façam o favor de ser felizes.

O MERCADOR DE SORRISOS

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A janela estava aberta de par em par, deixando entrar o sol que se espalhava sobre a sala contígua ao hall. Olhou o rosto dela reflectido no espelho, por cima do aparador, e permaneceu ali parado, num misto de admiração e louvor aos deuses por lhe proporcionarem tão perfeita visão: bela e triste; de uma tristeza profunda e aparentemente distante:
«O seu sorriso, minha senhora!» - estendeu-lhe os braços, de mãos postas em concha, e ela virou-se para ele, renitente e reticente e, no entanto, as suas mãos tocaram, ao de leve, as dele.

Entregou-o com a sensação reconfortante de mais uma venda exclusiva, pois pensava de per si que não há dois sorrisos iguais. Lembrou-se de uma frase de José Saramago que também começava, assim, "Não há dois sorrisos iguais" e prosseguia com "Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso." Porém, este que tinha entre as mãos, ao contrário do que disse o grande Saramago, na sua humilde opinião, era o Sorriso; tinha a certeza absoluta da sua exclusividade; ousava até pensar que era ainda mais sublime que o da imperscrutável Gioconda.
Ela virou-se novamente para o espelho e, circunstancialmente ou talvez para quebrar o gelo, ele disse-lhe: «Espero que seja do seu agrado. É garantidamente de excelente qualidade, espontâneo, rasgado, fácil, franco, aberto e, sobretudo, lindo! Se encontrar um sorriso mais bonito, barato e tão bom como este, tenha a certeza absoluta de que lhe devolvemos a diferença, minha senhora!»
Continuou de costas voltadas para ele, sem pôr o sorriso. Ele aproveitou o impasse e insistiu no degelo: «Não quer experimentá-lo antes de o colocar? É um sorriso encantador e tem certificação de qualidade, mas, mesmo assim...»
Ela pôs o sorriso e, cativado, o mercador mordeu o freio e o bridão para não cair para o lado. A sua voz soltou-se. Deuses, como era maviosa e doce! Era o que faltava em tanta sensualidade exposta, exalando doces e inebriantes aromas de anis, canela e baunilha.
«Alguma vez leu a "Tragédia da Rua das Flores"?» - perguntou sorrindo e com graciosa eloquência. Que simbiose perfeita, os seus sorriso e voz!
«Li há muitos anos. Lembro-me das personagens e de algumas pass...»
Não lhe deu tempo para completar a frase. Deixou cair o sorriso, mudou de semblante e, sem mais aquela, galgou o parapeito da janela, lançando-se para o vazio.
Atordoado e pouco refeito com o que acabara de presenciar naquela fracção diminuta de tempo, apanhou o sorriso com todo o cuidado e tornou a embalá-lo com preceito. Aproximou-se da janela e lá estava ela, linda e triste, jazendo morta sobre um charco de sangue, irremediavelmente inerte, colada às pedras da calçada.
Saiu dali apressado e não quis aproximar-se do corpo. Entretanto, algumas pessoas curiosas tinham-se concentrado em redor da infeliz até chegar uma ambulância.
Foi a pé para casa, alegou má disposição e não jantou, indo deitar-se mais cedo. Teve o cuidado de colocar o sorriso da senhora triste em cima da mesa de cabeceira. Pensou que era mau mantê-lo fechado dentro da embalagem. Casos como este, felizmente, têm sido raríssimos ao longo da sua carreira, mas sensibilizam-no profundamente; não tem como evitar o seu envolvimento emocional. No fundo é um sentimental, é o que é!
A esposa entrou no quarto, trazendo-lhe um chá quente e umas bolachas para não adormecer, assim, sem nada no estômago. A curiosidade levou-a imediata e naturalmente a perguntar:
«Olha, de quem é este sorriso misterioso?»
«De uma queirosiana compulsiva.» - respondeu com uma lagrimazinha ao canto do olho.
A noite esgotou-se, o mercador não pregou olho, e o sorriso não passou do quarto, estático, imperturbável e ligeiramente fechado; talvez, um pouco enigmático. Até que de manhã, ao pequeno-almoço, veio a notícia nas televisões generalistas: "Senhora triste caiu de um segundo andar, depois de ter perdido o sorriso. O seu corpo repousa em câmara ardente na Capela Mortuária de..." 
Sentiu um nó no peito, mas também sentiu que parecia mal a senhora triste não ter o seu sorriso de volta, pois estava pago. Mais tarde, pegou nele e saiu a caminho da Igreja.
O corpo da senhora triste repousava rodeado de pessoas em pé, pessoas sentadas, flores, coroas e cartões, enfim, todas as coisas inerentes à fúnebre circunstância.
Aproximou-se discretamente do féretro, com o sorriso aconchegado entre as mãos e olhou-a mais uma vez, ou duas. Jazia, sobre a morte, sempre bela. Atributo que, graças a Deus, a maldita não lhe levara. Com extremo desvelo, depositou o sorriso nos seus lábios e então, oh sublime crueza! Mesmo desalmada, sorriu; um sorriso "de quem morre" e até um pouquinho amarelo, certamente, mas do tamanho do outro mundo, de boca a boca, lindo de morrer. Ele teve a vaga impressão de que aquele sorriso era para si, mas não passou de uma vaga impressão e as vagas impressões valem o que valem, como se costuma dizer.


Alguém acabara de testemunhar a mudança súbita e gritou: «Milagre, milagre, ela sorriu!»
A agitação habitual em casos miraculosos e já se ouviam gritos de «Ressurreição, ressurreição!»
Retirou-se tão discretamente como entrou, antes que aquilo gerasse um tumulto de proporções incalculáveis e desfecho imprevisível.


Epílogo: Não obstante a profunda tragédia que intimamente o tinha abalado, o mercador de sorrisos deu-se por satisfeito. O seu a seu dono. Contrariamente às suas previsões mais pessimistas, a senhora triste teve um lindo enterro.

Nota final: lembrei-me desta máxima: "Sorrir não basta, é preciso correr atrás". Desconheço a sua autoria, mas acho-a estupidamente transcendente.

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