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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

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A PILINHA E O PIPI

poema ao morgado.jpg

Antes de prosseguir convém referir que o tema não sendo novo também não é velho e, como tal, é susceptível de provocar alguma controvérsia, como é natural. Isto, não obstante a educação sexual fazer parte do programa oficial de ensino desde tempos imemoriais. Nesse sentido, penso que o controlo parental é dispensável; até porque estamos quase no Natal e não se deve desagradar às crianças.

Por conseguinte, este texto pode ser lido em família e sem embargo da quadra que se avizinha.

Depois desta curtíssima introdução, vou passar, então, à descrição taxinómica dos órgãos em epígrafe.

Ora, imediatamente surgem os primeiros obstáculos. Isto porque existem órgãos externos e internos. Todavia, quando se mencionam, pensa-se invariavelmente nos que estão à vista desarmada, embora estejam ordinariamente tapados. No que concerne aos nomes que lhes atribuímos, são tantos que não sabemos por que ponta lhes devemos pegar. Desde torneirinha, pilinha, pirilau e piloca nos meninos, até pipi, rosinha, pombinha e rolinha nas meninas.

É claro que existem outras designações menos simpáticas que me recuso a transcrever por uma questão de decoro e porque são sobejamente conhecidas do público em geral e do púbico em particular, não esquecendo o púdico, evidentemente.

Tudo o que a nossa imaginação permitir, poder-se-á assemelhar aos órgãos sexuais, sei lá, uma simples esferográfica, ou a cratera de um vulcão, sofás, lava-loiças, despensas, sanitas, banheiras, enfim, uma infinidade de coisas que não caberiam aqui. Portanto, e antes que este texto degenere, vou passar à frente.

Como descrever seriamente, e de uma forma geral, os órgãos sexuais? Uma questão sempre difícil para a perspectiva analítica do anatomista, dado que o acessório está inevitavelmente inserido na percepção do sujeito. Efectivamente são órgãos que, naturalmente, merecem descrições particulares. No caso dos órgãos sexuais masculinos as coisas podem assumir vários aspectos, conforme as circunstâncias. Porém, em condições normais, podemos considerá-los como órgãos extraordinariamente versáteis, capazes de assumir diversas posturas. Julgo que é suficiente para se ter uma compreensão abrangente da sua dissimilitude em relação a outros órgãos com menos visibilidade postural, mas não com menos atitude corporal. No género feminino a coisa muda de figura, pois os órgãos externos são muito diferentes ou, pelo menos, a atitude é mais subtil, como já devem ter presumido ou tido a oportunidade de constatar.

Depois da descrição ao pormenor, tratemos do tema da sua utilização ou seja, para que servem? Outra questão delicada. Peço desculpa àquelas pessoas mais recatadas, pela exposição dos órgãos de uma forma um bocadinho despudorada, mas, para simplificar a explicação vou designá-los por pilinha e pipi para não provocar muitos melindres.

Então é assim: A pilinha, se observarem bem (as pessoas obesas podem socorrer-se do vulgar espelho), está situada, mais ou menos, a um palmo abaixo do umbigo e serve para fazer xi-xi e perpetuar a espécie, segundo o conceito de um famigerado deputado do CDS, João Morgado: "A igreja Católica proíbe o aborto porque entende que o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho" (1982 em pleno parlamento).

O pipi é quase a mesma coisa (mais uma vez, as pessoas obesas podem socorrer-se do espelho), com uma ou outra nuance.

A pilinha e o pipi, quando estão pelos ajustes, são porreiros um para o outro. Toda a gente se lembra daquela quadra muito bonita que aprendeu nos primeiros aninhos de escola e que reza assim: A pilinha e o pipi, são dois amigos leais / quando o pipi está contente / logo a pilinha dá sinais. Lembra, certamente, claro!

E pronto, penso que, quanto à anatomia, descrição, classificação e utilização dos órgãos sexuais, mais haveria a dizer; o assunto não se esgota aqui, nomeadamente em relação ao sexo, mas, como sou oriundo de uma família de convicções e rituais profundamente católicos, constrange-me falar abertamente sobre este tema sempre polémico. É que falar de sexo, oralmente, já é difícil; fará por escrito!

Isto é muito sério, como certamente devem ter-se apercebido. "Com o sexo não se brinca!" - já dizia a minha avó com a sabedoria que lhe era peculiar - , mas se não podemos brincar com o sexo, brincamos com o quê? Ora, bolas!

P.S: A talhe de foice, eis a resposta da poetisa e deputada parlamentar do PSD, na altura, ao morcão Morgado:

Truca-Truca

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

O CASO DO PAI NATAL, SUSPEITO DE SER PARVINHO

pai natal1.jpg

Foi detida, a semana passada, às ordens da Procuradoria do Tribunal da Comarca, uma pessoa do sexo masculino com aspecto de Pai Natal. O homem é suspeito de valer-se da quadra que está à porta para se fazer passar por parvinho.

Após breve investigação judicial, veio-se (veio-se, aqui, soa mal, peço desculpa) a descobrir, nas últimas horas, que afinal pode ser parvinho, embora persistam dúvidas.
O indivíduo, de nome Anacleto, cujo apelido é Silva, tem andado pelo centro de Lisboa, trajando um fato bizarro de cor vermelha, algo desbotada, e barba grande com aspecto imundo. O sujeito anda a clamar, para quem o quiser ouvir, que já morou num palácio cor de rosa, paredes-meias com o "Museu dos Coxos". Ora, tal clamor vem dar consistência à convicção generalizada, no seio das autoridades (discordo da construção desta frase porque devia escrever-se nos seios das autoridades), de que efectivamente é parvinho. Isto porque não há conhecimento da existência de tal museu. O mais aproximado é a Rua da Coxa em Bragança e, que se saiba, não existe nenhum palácio cor de rosa nessa rua.
Segundo testemunhas oculares (testemunhas com óculos, evidentemente), carregava um saco de lona às costas, com o logótipo do BPN já muito coçado. Depois de aberto, o saco, revelou quinquilharia alusiva ao Natal, como granadas anti-tanque, caixas de munições de canhão de recuo de longo alcance, uma bazuca Lego (graças a Deus) e dois tanques Panzer do "Wehrmacht" (Arre-macho, segundo o tradutor Google que eu, de Alemão, pesco zero) em muito mau estado de conservação (vá lá).

Estes brinquedos perigosos, excepto as balas de canhão de recuo de longo alcance que são de pólvora seca, foram imediatamente assinalados e o indivíduo prontamente imobilizado por populares assim que o cheiro a pólvora assumiu proporções alarmantes para a saúde pública.
A seguir a uma longa espera desesperante, deslocou-se imediatamente ao local - passe o paradoxo - um piquete da Brigada de Minas e Armadilhas da PSP que colheu amostras de ADN das balas de canhão de recuo de longo alcance, permanecendo algumas dúvidas em relação à perigosidade dos artigos remanescentes, inclusive do Pai Natal.
Interrogado sobre a origem, destino e uso dos brinquedos apreendidos, Anacleto foi poupado na resposta: «Raramente me engano, mas não tenho dúvidas de que sou realmente um parvinho!»
Dado que o desenvolvimento do caso estava a tomar contornos nebulosos, foi chamado um psicólogo forense, chamado Acácio de Mente que, após cumprimentar formalmente o Pai Natal, foi sumário: «O homem não sabe nada, é completamente parvinho!» - conclusão que era mais do que previsível. No entanto, carecia de investigação mais aturada, como o apuramento dos factos que é sempre um factor importante em qualquer investigação, logicamente.
Passada a noite no calabouço, foi presente a um juiz que o mandou para a rua, ficando a aguardar julgamento em liberdade.

Anacleto Silva pode, por conseguinte e por consequência, incorrer num crime de perjúrio se se confirmarem as últimas alegações de que, com efeito retroactivo, se fazia passar por parvinho, sendo, afinal, o Pai Natal. 
As últimas palavras do doutor juiz foram: «Já agora, não tens para aí uma metralhadora HK para o meu netinho, ó Pai Natal?»

O PROTOCOLO

a rainha e o presidente.jpg

Pela primeira vez no seu, ainda curto, mandato como PR, o professor Marcelo cumpriu o protocolo e usou um "kilt" escocês durante a visita ao Palácio de Buckingham.

No breve encontro que teve com Isabel II, recordou os seus tempos de criança e relatou o seu testemunho, na primeira pessoa, aquando de uma das visitas da soberana a Portugal em 1957.

«Quando Vossa Majestade Imperial chegou ao Terreiro do Paço acompanhada pelo presidente Craveiro Lopes, eu estava lá, com o papá Baltazar, na primeira fila da plateia, ansioso por lhe dar um beijinho e tirar um "selfie"...»

«Ah, sim, lembro-me perfeitamente que era o senhor, a sua cara não mudou nada, igualzinho, igualzinho! Oh my God, it's awesome!»

 

A CAGÁRRIA

as ilhas cagarras.jpg

INTRODUÇÃO

Muito se tem especulado sobre a Cagárria, mas, jamais em tempo algum - passe a redundância - , alguém tentou debroçar-se, obviamente com alguma noção de equilíbrio, sobre as suas peculiaridades. Pelo menos, até este preciso momento em que escrevo estas linhas.

"Porreira para passar uns dias de férias, bom clima, um sol magnífico, praias de sonho, um interior profundo por descobrir, boa comida, preços ao preço da uva mijona, gente boa, educada e acolhedoura, segundo o juízo dos estrangeiros que a visitam. Noutra perspectiva, "grandes oportunidades de investimento, mão de obra competitiva (vulgo barata), vistos gold, isenção de pagamento de impostos (o Zé paga), et cetera", para os promotores nacionais da sua imagem.

Para a generalidade dos nativos é uma nação à deriva, uma mãe desnaturada que abandona os filhos à sua sorte...
Todavia, hoje não me vou colocar na pele da generalidade e advogar o seu quinhão na partilha da riqueza que - dizem os entendidos na matéria, uns espertalhaços do caraças - não chega para todos. Vou divulgar, antes, um pouco da sua história multissecular e alguns aspectos mais relevantes que interessam, sobremaneira, aos visitantes.

 

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA

Este país setentrional, não obstante situar-se no extremo sudeste para quem está em qualquer ponto do extremo sudoeste, deve a sua situação privilegiada ao facto de, desde tempos remotos, os seus naturais se recusarem a ler o mapa ao contrário, por superstição.
Localizado na península Espanifórmica ou Ibernautica, e encaixado nos contra-fracos espongiformes dos Montes Híbridos, é um país constituído por uma faixa de terreno rectangular irregular, rodeada de água por quase todos os lados, menos por um que, por acaso, não se chama istmo. Faz fronteira, a norte, com a Abismínia, onde predomina o galaico-mirandense, e a sul com o garboso Garbe, onde predomina, há séculos, o dialecto algaravio. A Cagárria é banhada, a oeste, pelo Mar Cúspio.
A sua soberania territorial estende-se até ao arquipélago das Ilhas Cagarras, constituído pelas Cagarra Grande, Cagarra Intermédia, Cagarra Pequena e Cagarra Minúscula, sendo muito disputado por este país e um seu vizinho, devido à sua posição geo-estratégica, mas, sobretudo, ao seu solo rico em excremento de cagarra que, como se sabe, é um dos factores da sua sustentabilidade económica. O produto é exportado como fertilizante para o deserto do Kara ku, ao sul da península de Espondeu na Abissínia de Cima, por assim dizer. 

Tristão Vais Vírgula Teixeira, seguido pelo seu imediato, John Friday (filho da mãe incógnita, uma indígena antropófaga natural de uma ilha da Polinésia chamada Nuku Paga Hiva), fizeram a primeira incursão às Cagarras em 1105. Foi, então, por altura desse grande descobrimento que se deu uma ocorrência notável que viria a marcar dramaticamente o rumo dos acontecimentos e, de algum modo, a coerência desta história, quer acreditem, ou não: um marinheiro mais atento, de nome Becas Kussondulola (por parte do pai), vendo que o capitão da nau catrineta tinha capturado uma pequena cagarra e quase a deixava escapar, por se sentir bicado pela ave, exclamou: «Cagárria, senhor Comandante, cagárria, ela é perigosa!». Verdade seja dita: a partir dessa circunstância fortuita, ou inopinada, como preferirem, o capitão nunca mais largou a passarinha até ao resto dos seus dias. Voltarei a este caso notável mais à frente. Adiante, senão perco o fio à meada.

Com efeito rectoactivo a Cagárria deve o nome aos pássaros que nidificam nestas ilhas, tendo sido fundada em 1104 por Dom Fuas Perdigalo I.

Assim que a nau atracou no cais da  capital, foi recebida por um magote de gente que berrava em uníssono: "Lá vem a Nau Catrineta, que tem muito que contar! Ouvide, agora, senhores, Uma história de pasmar."

Foi assim que, a partir deste extraordinário episódio, a palavra Cagárria foi passando de boca em boca até chegar à corte e, por consequência, aos ouvidos de Dom Perdigalo I. Assim, por decreto-rei e com a benção papal, o Condado Perdigalense passou a designar-se, simplesmente, Cagárria e, pasme-se, por sufrágio universal! Facto inédito nos anais da história do país porque foi, indubitavelmente, a primeira consulta popular, aqui e além-mar, embora subsistam dúvidas quanto à sua veracidade. 

 

RELEVO E REDE HIDROGRÁFICA
É um país relativamente chato no sul, tornando-se relevante à medida que se sobe, mas, mesmo assim, irrelevante. Excepção excepcional - passe o pleonasmo - , são os Montes Pirenaicos, famosa estância de veraneio onde se praticam desportos náuticos de inverno.
A rede hidrográfica é uma das suas características mais invulgares porque todos os rios nascem no Mar Cúspio, daí que aqui só se bebe água engarrafada importada. Tal decisão foi aprovada há algum tempo em plenário do parlamento, por maioria esmagadora, diria, mesmo, arrasadora. Todos tinham concordado e concluído que seria menos onerosa a importação, ao invés da instalação massiva de centrais de dessalinização e mais saudável para a população, pois o consumo de água salgada estava a ter consequências nocivas para a sua saúde de um modo geral. Um dos efeitos perniciosos da sua ingestão era o facto de as pessoas serem cor-de-rosa devido ao betacaroteno, o pigmento responsável pela cor da rosa. Ora, esta situação estava a tomar proporções alarmantes e carecia de solução urgente. Houve logo políticos ligados a empresas de "import-export" que aplaudiram, de pé, esta decisão governamental, no mínimo consensual. Tudo porque era uma medida bestialmente consensual visto que beneficiava toda a classe política, da direita à esquerda, passando pelo centro, como não podia deixar de ser, senão não havia com sensualidade, obviamente!

Quanto à higiene pessoal e outras limpezas, uma vez que não há GALC* nem saneamento básico, naturalmente, o governo nacionalizou todas as "5 à sec" e similares e criou a Empresa Nacional de Limpeza a Seco, ENLS, EP.

 

POVOAMENTO
A capital do país é a cidade de Oliseven Valley, assim chamada pelo facto de estar rodeada por sete montes, disseminados ao longo da margem norte do Rio Seco, entre os quais um com um castelo altaneiro com vista para a margem sul e para o corcovado.
99,9 por cento da população vive na capital, excepto na periferia, em cidades satélites como, Cova da Moura Town, Porcalhota City, Picoas e Massamá, onde se calcula que a população seja residual, sei lá, tipo não mais do que 1000 habitantes por metro quadrado. Apesar de alguns estudos demográficos atribuírem pouca importância a esta concentração populacional tão diminuta, a verdade é que as pessoas também não tinham mais nenhum sítio para onde ir. Assim, nas redondezas, há espaço de sobra.

 

CLIMA
No norte assiste-se à erosão dos solos devido a uma massa de ar quente proveniente do Saara que é um deserto que fica na Patagónia - para quem não sabe - e atravessa a Dinamarca, trazendo consigo areia, camelos e radicais islâmicos. Dado que é uma região deserta, oferece excepcionais condições para a instalação de um califado. Oxalá ( inshallah em árabe), esta sugestão tenha luz verde das couves de Bruxelas.
No resto do território o clima é temperado e muito húmido, com quedas de granizo constantes (o guarda-chuva foi substituído pelo capacete), Verões chuvosos e Invernos secos, além de grande precipitação de chuvas ácidas. Contudo, tem um clima moderado e assaz aprazível. Excepção à parte, mais a sul, junto ao Mar Cáspio, onde predomina um maravilhoso clima mediterrânico com temperaturas que variam entre os 50 e os 60 graus centígrados, ao nascer da aurora e ao ocaso, respectivamente. A vegetação, luxuriante, é constituída por duas oliveiras, uma alfarrobeira, três amendoeiras, uma figueira e alguns medronheiros dispersos.

 

SISTEMA POLÍTICO

É, actualmente, uma república e é governada por uma maioria parlamentar que se convencionou chamar "geringonça", por proposta de um político de nomeada.

A "geringonça" foi aprovada unanimemente, de pé e com veementes aplausos (só houve um deputado da oposição que não se levantou porque estava a dormir), tendo sido enviada ao Tribunal Constitucional pelo senhor Presidente da República, professor Selfie Smile, por este considerar que haviam alguns pontos e vírgulas que lhe suscitavam muitos pontos de interrogação. Já para não falar nos dois pontos, ou até no ponto e vírgula.

 

EPÍLOGO

Peço desculpa, mas não tem epílogo, fica para a próxima.

 

* - Grupo Águas Livres da Cagárria

 

AS BICHAS

as bichas1.jpg

Talvez não saibam, mas, para alguns analistas, o século XX ficou conhecido como "o século americano"(ver Wikipédia). Para outros, uma forma de capitalismo imperialista ou uma maneira popularucha de dizer ao resto do mundo que quem manda aqui é o "tio Sam", okay?...Bom...

O século XXI vai ficar nos anais(*) da história como o século das bichas. Não que não tivessem existido no século XX e em séculos anteriores, pois penso que existiram sempre, desde que as bichas se lembram de ser bichas, mas, no primeiro decénio deste novo século, as bichas ganharam um novo alor com o ressurgimento do anelídeo poliqueta ou simplesmente arenícola que, como é consabido, é uma bicha muito utilizada na cultura agrícola em areais ricos em citrato de potássio ou agricultura em solos arenosos salinos (vulgo fucus ceranoides), enfim, como quiserem entender.

Graças à conjugação de alguns factores favoráveis, que seria fastidioso enumerar aqui, as bichas adquiriram a importância e o estatuto determinantes que lhes são reconhecidos, tanto em Portugal como no resto do mundo, nomeadamente na União Europeia. Ora, para atingirem este excepcional estado social, muito contribuiu o extraordinário desempenho, muito esforçado e por isso digno de louvor, de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia. Justiça lhe seja feita que nem tudo foi só trabalho sujo para o Goldman Sachs.
Quando nos deparamos com os habituais cenários de mandriice em Portugal, particularmente na classe política, perguntamo-nos, naturalmente, como vai ser o futuro e até o passado sem descurar o presente. A malta anda por cá aos caídos, a viver de esmolas, subsídios de desemprego e de reinserção, sem rumo, sem objectivos, sem causas, sem espírito empreendedor e, perante este panorama, pensamos obrigatoriamente nas vantagens que se poderiam colher do precioso "know how" de gerações intermináveis de bichas (ou de bichas intermináveis que não é bem a mesma coisa).
Que belos tempos, aqueles, em que havia bichas para tudo e mais alguma coisa, meu Deus que saudades! Faziam-se bichas até para a sopa do Sidónio, conseguem imaginar? Pensar num cenário desses, nos dias de hoje, faz-me sorrir, se bem que com alguma nostalgia. É claro que sempre houve ovelhas ranhosas que quiseram travar o processo de desenvolvimento das bichas; isso é transversal a todas as épocas e a todas as sociedades. Quase que o conseguiram com métodos que actualmente estão proibidos e que as colocaram (as bichas) quase à beira da extinção. Estou a lembrar-me, por exemplo, da hortelã-crespa, protegida com pesticidas organofosforados e carbamatos, dois venenos literalmente tóxicos, muito utilizados em tempos recuados, ou do estragão, uma planta muito picante que provoca estragos na flora intestinal, provocando disenterias severas.
Bárbaro, é o mínimo que consigo articular.
Que bom que era que todos entendessem a maravilhosa mensagem contida naquela música dos Beatles: "Strawberry Bichas Forever!". Alguém está recordado? Às vezes oiço-me, involuntariamente, a trautear esta passagem. Sim, porque eu de inglês pesco zero!
É claro que convém sublinhar a importância das bichas como factor de progresso, desenvolvimento e sustentabilidade económica. A elas se deve a expansão que o comércio ambulante conheceu nos últimos quarenta anos, nomeadamente o comércio de santinhos e similares; não desvalorizando o papel secundário, mas, mesmo assim, importante, das industrias subsidiárias, com especial ênfase para as industrias dos tremoços, amendoins, pistácios, pevides, batatas fritas e equivalentes (só para não repetir similares que é chato).
Graças a este panorama encorajador, as nossas finanças nunca estiveram tão saudáveis como agora. As bichas são disso testemunhas incontestadas de garante do progresso e plena convicção num futuro risonho para Portugal e, naturalmente, para os portugueses.
Não sou amante de paráfrases, mas esta enquadra-se bem neste contexto: "Ditosa pátria que tais bichas tem". Não sei quem foi o poeta que a escreveu, mas é tão bonita, tão profunda, tão sentida, enfim, aqui fica para reflexão.
Estaria a ser injusto se não destacasse o carácter sócio-pedagógico das bichas. Que melhor exemplo poderia aqui citar senão o de que as bichas são, acima de tudo, uma forma de estar na vida.
Diria, até, e perdoe-se-me a ousadia, que as bichas são uma das essências da humanidade. Assim, se as bichas estão para o Ocidente como o yoga, o Kama Sutra, o Ju Jitsu ou a meditação transcendental e o Jan Thai (forma do verbo Jan Thar em tailandês) para o Oriente, nos Polos Árctico e Antárctico, cabe-nos defender e propagar esta filosofia que resume o carácter ecuménico da revelação divina - passe o paroxismo com que termino isto. Só visto...

(*)Do étimo latino annus e não ânus, como poderão, erradamente, presumir. Aqui fica a clarificação.

 

 

FOTO MISTÉRIO

foto mistério.jpg

Olá. Após longo interregno, cá estou com mais uma foto mistério para gáudio dos caríssimos leitores e leitoras que têm a bondade de passar por aqui, mesmo que fugazmente.

De modo análogo às anteriores, a foto é manipulada no sentido de pôr à prova, uma vez mais, a vossa memória visual. Presumo que a generalidade já adivinhou de quem se trata, sendo que é escandalosamente, evidente! Mas, mais uma vez, dou uma achega: trata-se, com efeito, de um barão vinhateiro, luso-britânico, do princípio do século passado, dono de extensos vinhais na zona de Colares e arredores.

Um aparte a propósito de Colares e arredores: Pétros Políbio, filósofo greco-romano, já falava dos vinhos de Colares e arredores, como sendo os mais famosos collums da Lusitânia e arrabalde, respectivamente, um século antes dos visigóticos e dos vândalos dos suevos terem invadido a Península de Troia, desde o Carvalhal até à Praia Grande.

Pouco se sabe acerca desta figura lendária do mundo dos vinhos. Mesmo desconhecendo-se a razão de tal lenda. Presume-se, apenas, que deve ter passado o resto dos seus dias dividido entre Almoçageme e a aprazível e romântica Sintra. Também se julga, com base em probabilidades, naturalmente, que era dado aos prazeres mundanos (mundanos do étimo latino, saecularia), tão característicos da classe aristocrática à qual pertencia. 
Dos seus ascendentes quase nada se sabe e pensa-se que pode ter sido concebido, algures na Quinta da Regaleira, o que vem dar alguma credibilidade a alguns especuladores que afirmam que ele era um regalo de menino. Também se conjectura que cresceu num ambiente muito austero e homofóbico e que, em pequenino, sonhava que era um escantilhãozinho de cristal. Enfim, todas estas histórias valem o que valem, pois não passam de conjecturas, algumas falsas, evidentemente. Sabe-se também que entre os seus admiradores incondicionais se contava um conhecido cortesão, Claire Clairmont, de quem era muito íntimo e com quem tomava o chá das cinco na Piriquita - passe a publicidade - , servido juntamente com o habitual travesseiro, doce regional pelo qual se pelava perdidamente.

Finalmente, para os românticos, ele será eternamente, Lord Jorge.
E pronto, penso que esta é de caras. No entanto aqui ficam as propostas do costume onde somente uma corresponde à, ou, no caso, às personagens propostas.
Não há prémios, à semelhança das fotos mistério anteriores, mas podem continuar a escrever as respostas através de bilhete-postal e endereçá-las para as residências habituais para testarem o grau de morosidade dos CTT.

 

Sugestões habituais:

Jorge Menendez and friend

Lord Bayer and Mary Shelby

Senhor Lopes e dona Idalina do 2º Dtº

Sir John Barbarossa and wife

Simplesmente, Pedro e Paula

 

Good luck!

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