Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

MANIFESTO DA POUCA VERGONHA

manifesto da pouca vergonha.jpg

Desavergonhados do mundo inteiro, univo-vos! Estais à espera de quê?
A união faz a força!
O povo está com a pouca vergonha, assim como a pouca vergonha está com  o povo!
A pouca vergonha unida, jamais será vencida!
Juntos seremos muitos!
Os envergonhados que paguem a crise!
Abaixo os envergonhados!
Os envergonhados são uns totós!
Viva a pouca vergonha!

Que mal tem cagar na praia ou mijar na piscina? Fazer festinhas no cassetete do polícia ou cuspir na sopa? Porque é que parece mal tirar cera dos ouvidos com o dedo mindinho ou cortar as unhas dos pés enquanto se espera ser atendido numa repartição pública? Tirar a prótese dentária para chupar entrecosto ou limpar as mãos à parede? Não lavar o cu ou tirar burriés do nariz e metê-los na boca? Peidar no Rossio ou coçar as bolas na Rua Augusta? Porquê? Por obra e graça de quem? Por amor da santa! Porque é que, também, não se podem ler as legendas dos filmes portugueses em voz alta? Quem diz as legendas dos filmes, diz outra coisa qualquer, sei lá, por exemplo, deixar crescer a pêra só dum lado ou entrar em casa pela porta do cavalo. Quem não tiver porta do cavalo pode usar a dos fundos, vai dar ao mesmo!

Viva a pouca vergonha!

Abaixo a vergonha na cara e noutras partes do corpo!

Ressonar alto e bom som é bestial, mas beijar o umbigo ainda é melhor!
E quanto ao amor ou sexo (como lhes quiserem chamar)? Devia fazer-se em primeiro lugar em qualquer lugar. Desde a clássica mesa alemã até ao trampolim, passando pela mesa alentejana e pelo banco do jardim, na Buraca, em Almoçageme, Alcoentre, no Coito, no Colo do Pito, na Picha, na Venda da Gaita, no Chiqueiro, na Cama Porca, na Campa do Preto ou na Catraia do Buraco. Desde o amor carnal até ao amor platónico, passando pelo amor virtual ou residual, de olhos fechados ou às apalpadelas e apalpadeles, da Terra à Lua ou a ver estrelas.
Vá lá, deixem-se de vergonhas porque vergonhas não pagam dívidas!

Viva a pouca vergonha!

A vergonha é uma vergonha!

Sugiro, encarecidamente que, a partir desta data, façamos um abaixo assinado pela institucionalização da pouca vergonha de norte a sul do país! Lutemos, pois, a pés juntos (se não houver pés, podem ser mãozinhas de vaca com grão de bico) pela legalização de gestos tão naturais e tão nobres como apalpar o rabo aos senhores na Rua das flores ou às senhoras na Rua das Damas, a partir das horas de ponta com a ponta toda!

Unidos venceremos! Unidos venceremos!

Viva a pouca vergonha!

A vergonha morreu de velha (sim, eu sei que a frase está incorrecta, mas que se lixe)!

Pouca vergonha!...

O HOMEM COM AR SUSPEITO

homem com ar suspeito.jpg

Talvez, a aparência do homem que acabara de entrar no casamento sem ser convidado, o tivesse denunciado: o sorriso rasgado de orelha a orelha, a ausência de uma pala negra sobre o olho direito ou do olhar furtivo e desconfiado, imagens de marca de qualquer homem com ar suspeito que se preze de patentear tais particularidades.

Para ajudar a todos estes factores de suspeição, o facto de não se notar a presença de um volume estranho que, normalmente, se deixa adivinhar sob qualquer gabardina, preferencialmente coçada, de um homem com ar suspeito. Sinais por demais evidentes, cuja inexistência comprometia, seriamente, a sua presença no evento.

Sub-repticiamente, dirigiu-se à primeira pessoa que lhe pareceu mais receptiva a perguntas:
«Boa tarde, amigo, desculpe lá, o senhor é que é a noiva?»
«Não, senhor, eu sou o mestre de cerimónias. Porque é que pergunta?»
O homem com ar suspeito puxou a gola da camisola para fora, esgargalou o pescoço e, um pouco menos tenso, respondeu:
«Ainda bem que o encontro, era mesmo consigo que eu queria falar...não queria incomodar...ainda por cima já é tarde!»
Tentando disfarçar alguma perturbação e até temor perante a presença do homem com ar suspeito, o mestre de cerimónias engoliu apressadamente três tigelinhas de Cristal Atlantis - passe a publicidade - , não reparando que duas delas já não continham arroz doce. Sem lhe dar tempo para se desengasgar, o homem com ar suspeito voltou à carga:
«Já agora, talvez me possa informar se o casamento está a decorrer conforme as suas expectativas...»
«Olhe..., se quer que lhe diga..., não sei!» - respondeu-lhe o mestre de cerimónias, quase a sufocar - «Tenho est...estado a assistir à fin...final da Taça.»
Aproximando-se mais do mestre de cerimónias, agora com um ar inquisidor, perguntou:
«Benfica?»
«Com efeito...»
«Porra, já podia ter dito, homem! Venham daí esses ossos!»
Pouco confortável, o mestre de cerimónias olhou em redor e, como já não havia frango, viu-se na obrigação de pedir desculpas; que agora era só refugo, nem sequer um ossinho para chupar; que se tivesse fome ainda se podia arranjar uma sandes de mortadela e escorripichar uma garrafita de Casal Garcia - passe a publicidade...
«Deixe estar, não se incomode, antes de vir para cá, comi qualquer coisa!» - respondeu o homem com ar suspeito, enquanto, dissimuladamente, deixava a mão deslizar para dentro de um bolso da gabardina.
«Mas, talvez me pudesse dar uma ajudinha.»
«No que estiver ao meu alcance, amigo!»
«Olhe - disse segredando ao ouvido do mestre de cerimónias, para não dar muito nas vistas - , tenho aqui umas acções da SLN, fresquinhas, fresquinhas! Faço-lhe um preço de amigo!»
«Ó meu amigo, sei muito bem o que essa porcaria vale agora!»
«Oiça, oiça, espere lá, não se vá embora!» - murmurou o homem com ar suspeito, puxando o outro pelo braço esquerdo, pois era canhoto - Só porque é benfiquista, além das acções que são quase de borla, ainda leva um conjunto de duas toalhas de mesa, três pares de cuecas de senhora tamanho cinquenta e dois, cinco pares de peúgos de lã unisex, tamanho 47, dois panos de cozinha, um avental, dois jogos de cama - um de casal ventoso e outro de solteirão convicto - e, ainda, um chapéu de sol e uma ventoinha a pilhas. Hã, agrada-lhe?» - começou a esvaziar os bolsos da gabardina. - «Pela alminha da minha mulher que Deus tem e era uma santa, eu seja ceguinho! Leve que é material feito em Portugal, nada de chinesices; ainda têm selo e tudo, veja lá! Garanto que vai bem servido. E olhe que nestas coisas nunca me engano e raramente tenho dúvidas!»
«Bem, se você diz que traz selo, é um peso que me tira das costas!» - recuou o mestre de cerimónias, mal refeito do peso que o outro lhe acabara de tirar, a suar as estopinhas e com os olhitos gulosos postos nos panos e na ventoinha. - «Pronto, está bem, fico com isso tudo. Ponha ali em cima do bolo da noiva, se faz favor!»
«A propósito de noiva...» - perguntou o homem com ar suspeito, sacando uma amostra de água de colónia de dentro da gabardina e empestando o ar com o borrifo que espalhou sobre si. - ela é virgem?»
«Olhe, penso que não. Ela é caranguejo, se não estou em erro.»
«Bom, então, posso alimentar algumas esperanças, não?»
«Naturalmente! Sabe como é hoje em dia; casa-se e descasa-se. No entanto, devo informá-lo de que a noiva já está de esperanças, vai para seis meses. Só para não ir desprevenido.»
«Pois, o problema é a falta de água que tem havido. Não chove, é uma chatice!» - retorquiu o homem com ar suspeito.
«Sim, mas não se preocupe. Da maneira que a vida está, mais tarde ou mais cedo, vem de lá chuva, pode apostar mais uns pijamas, uns tapetes, uns edredões, umas mantas e uns cortinados. Vá por mim que sou barbeiro nas horas vagas...»

Mais sobre mim

foto do autor

NOTA MUITO IMPORTANTE

O AUTOR DESTE BLOGUE ESTÁ-SE A MARIMBAR PARA O ACORDO ORTOGRÁFICO!

ESPREITADELAS

hitwebcounter

FLORES DE MAIO

Mensagens

JAZZ COM BIFANAS

O SEU A SEU DONO

Se, neste blogue, houver lugar à existência de qualquer violação de direitos de autores de obras intelectuais, agradeço que me contactem através de joaoratao1@sapo.pt (ou aqui), por forma a poder corrigir a situação. Obrigado.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Calendário

Agosto 2016

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Comentários recentes

  • Anónimo

    Bocage in "O Bordel Português"Saudações cordiais

  • Anónimo

    Faz-nos pensar que, aqui e ali, ainda se vão encon...

  • Anónimo

    Faz lembrar essa grande quadra de autor desconheci...

  • Anónimo

    Eu ia dizer - que f.... da ..... de texto tão rico...

  • João Ratão

    Pois, com certeza, nem refuto!

subscrever feeds

Pesquisar