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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

coisas da bola.jpeg

«Mamã, não sei o que lhe aconteceu! Amo-o tanto, tanto e ele continua a jogar à defesa! Imagine, mamã, que andou quase dois meses para tomar uma decisão que já se previa! Graças a Deus que vai arrumar as botas porque o que é demais é moléstia e ele já demonstrou que trocar os pés pelas mãos, durante muito tempo, deixa marcas que não se podem delir, mamã! 

Às vezes exaltava-se, é certo, mas nunca o vi atacar fosse quem fosse, assim a modos que de frente, era sempre socorrendo-se de metáforas e subentendidos. Tampouco passou ao ataque e isso preocupava-me, mamã, pois quando tentava aproximar-me dele, rechaçava-me para lá da linha de cabeceira e exigia garantias de segurança e bola estável. Bem insistia, mas ele defendia todos os tentos!
Até experimentei ir à figura, mas ele afastava-me sempre com as pontas dos dedos. Nem sequer me sentia indefesa! Achas que esgotei todos os recursos, mamã?»


«Escuta, filha, pelo que me contas, creio que, idealmente, terias que treinar muito as jogadas de antecipação. Movimentavas-te ao primeiro toque, conduzias as pontas de lança pelo miolo do terreno e obrigava-lo a vários golpes de rins.
Como se não o conhecesses, valha-te Deus, minha filha! Sabes que ele só resiste até um determinado momento porque, lá no fundo da rede, adora ser batido. Tivesses feito como te digo e ias ver que tinhas conseguido dominar o histérico há mais tempo sem o prejuízo que, agora, se adivinha. Oxalá esteja enganada e não tenhamos que correr muito atrás dele (do prejuízo). Prosseguindo, teria que te marcar à zona, não tinha mais alternativas. Repara que ele limitou-se a adiar um desfecho que era inevitável. Por isso urge que seja substituído o mais depressa possível, filha!

Se a estratégia tivesse falhado, serias obrigada a mudar de flanco, parando no peito, e tentando meter na pequena área. Batido, ele nada podia fazer senão carregar-te à margem regulamentar. Se fosse assim, tinhas que fazer vista grossa. Caso contrário, ias beneficiar o infractor. Prevejo que, com esta estratégia, talvez tivesses conseguido um empate ao fim dos primeiros 45 minutos. Contudo, seria preferível a este arrastamento sem justificação. Agora, se continuasse tudo por definir até ao final do tempo regulamentar, então, minha filha, só te restava jogar fora de casa porque esta coisa não podia prolongar-se ad aeternum!»

DIÁLOGO ENFADONHO

nua.jpg

Ela tirou o roupão, compôs o cabelo louro oxigenado e fez o possível por não perder as estribeiras:

«Você tem esse jeitinho peculiar de me estragar o dia quando acordo bem disposta. As coisas que você ignora ao nível do equilíbrio psico-somático..., meu Deus que raiva!»
«Espere aí! - Interrompeu-a - Se vai começar a falar difícil, ponha os óculos de ver ao perto, pois dão-lhe um ar mais intelectual!»
«Depois é isto: você não sabe, não se interessa por saber, e ainda faz troça da própria ignorância. Diga-me uma coisa, se souber, claro: você completou o ensino básico?»
«Sim senhora! E deixe que lhe diga que o concluí com distinção sem precisar de um empurrãozinho da Lusófona! Ou você pensa que eu sou como o Relvas?»
«Com distinção?! Não agrida a minha inteligência, por favor! - E entre dentes - A mãezinha bem me avisou...»
«Deixe lá que você, em contrapartida, é como o Jacinto que bebe do branco e do tinto!»
Ela pôs um pouco de batom nos lábios finos para os fazer sobressair da alvura do rosto:
«Você é tão irritante, credo! Mas mudemos de assunto senão isto azeda ainda mais. O que me está a preocupar é não conseguir encontrar aquele alfinete lindo que o meu primo Nando me trouxe do Qatar. Nada comparável com a porcaria da fancaria que você me costuma comprar!»
«Já cá faltava esse priminho lambe-cus! E você ainda tem o desplante de contribuir para que isto fique mais azedo! Então foi o gajo que lhe ofereceu aquele broche ordinário, eu sempre o soube, não obstante os seus segredinhos parvos! Não sei para quê?»
«Gajo, não! - Empertigou-se ela - Ele é um senhor e, ainda por cima, é piloto da TAP!»
«E o facto de ser piloto da TAP tem uma grande relevância para a nossa conversa, deixe estar! Aliás, agora que já a vendi, em boa hora, ao Neeleman, diga ao Nandinho para não se armar em piegas. Mude para a Qatar Airways e deixe-se por lá ficar que faz cá tanta falta como uma viola num enterro!
Ela impacientou-se:
«Olhe, isso é dor de cotovelo, sabe? Você não pode negar que o Nando é uma pessoa cultivada e até sabe umas máximas muito giras em latim. Você sabe algumas?... Não, só se lembra de anedotas porcas que ouve contar naquela leitaria horrível, na terra onde mora. Como é que se chama?... Massamá, que horror, aquilo nem vem no mapa!»
Ele abriu a boca com uma expressão que deixava antever uma resposta rápida, sem evasivas:
«Pois sei!» - E citou com um sorriso rasgado: «o fado é que induca e o vinho é que instrói, tome lá e vá-se curar!»

A DIREITA REVANCHISTA

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O bom senso parece que anda arredado, há muito tempo, do nosso modo de reagir a provocações, mais ou menos injustas, segundo o nosso ponto de vista. Por vezes é necessário que tenhamos paciência e assumamos uma postura complacente em relação àqueles cujo verbo, por tudo quanto é imprensa escrita, falada e nas redes sociais, nos faz despertar o lado mais irracional. Nesses casos descemos ao nível primário da vulgaridade dos provocadores. Isto, também, segundo a nossa perspectiva. Mas, neste enquadramento pessoal, convém estar atento; os tempos não se compadecem com condescendências em excesso, e se amamos a Liberdade devemos estar com um olho no burro e outro no cigano - utilizando uma expressão popular. Escrito isto, penso que há uma certa direita, à qual chamaria de saudosista que, no meu entender, extremou posições. Revelou o seu lado revanchista que, até aqui, tem estado em banho-maria. Essa direita que, facilmente, consegue manipular gente ingénua, através dos habituais meios de persuasão de que dispõe, um dos quais é a mentira, está a querer ressuscitar ideias que julgava terem desaparecido com a Revolução de Abril. É evidente que - a título de exemplo - a petição para manter esta coligação 'perdedora' num hipotético governo de gestão apoiado por Cavaco (com cerca de 30 mil assinaturas, na data em que escrevo isto), é uma gota de água no universo do descontentamento de sectores da sociedade que não querem perder privilégios adquiridos ao longo de décadas. Todavia não deixa de ser um sinal preocupante, pois pode transformar-se numa bola de neve. E porquê? Porque a esquerda devia ser mais esclarecedora e dizer-nos, objectivamente, o que pretende para Portugal. Os acordos foram negociados à porta fechada e pouco, ou nada, transpareceu dos encontros havidos entre os três partidos. Continuamos na expectativa e isso é um trunfo para os que se opõem, ferozmente, a um governo PS com apoio parlamentar do PC e do Bloco.

Todos nós, os que pela segunda vez em 41 anos recuperámos alguma esperança, embora, desta vez, mais vaga por tantas razões, merecemos isso, pois demonstrámos (os que votámos), nas urnas, a nossa insatisfação com o estado a que o Estado chegou. Caramba, quatro décadas depois ainda estamos a discutir sobre o que devia ter sido feito e não se fez?!

Não culpemos, exclusivamente, a má qualidade de quem nos tem 'governado'...

OS EXORCISTAS

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Será que o bem vence o mal? Por enquanto, nós, simples mortais, podemos desfrutar de uma centelha de esperança. Por muito ténue que seja, será a última a morrer! Pela segunda vez em quarenta e um anos; talvez a derradeira, quem sabe. E para aqueles que esperam que são favas contadas, evitem os demónios, nomeadamente o "diabo" que o outro tanto invoca, porque vão aparecer mafarricos vindos de todos os lados; de dentro e de fora. Lembram-nos a todo o instante os nossos fantasmas, minam as nossas convicções e reduzem as nossas esperanças a um futuro incerto e a uma escolha maniqueísta. Há décadas que se repetem, que nos pedem sacrifícios e que nos assustam com os mesmos papões.

Nesta eterna luta dicotómica, eu estou do lado dos bons, embora com a ressalva de não confiar cegamente neles. Gato escaldado...

PRÉMIO EUROPEU DO ANO

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Um tal "comissário europeu para a Economia e Sociedade Digitais"  (não sabia que havia um comissário europeu para estas coisas, peço desculpa pela minha ignorância), entregou, há dias, ao ainda ministro dos Negócios Estrangeiros deste pobre país, Rui Machete, em Berlim, um óscar...perdão, um galardão, com um nome muito pomposo: "Golden Victoria Europa".  Parece que foram uns gajos alemães, representantes de uma associação de editores, não sei do quê, que inventaram este prémio anual.

Günther Öttinger - assim se chama o sujeito que é comissário dessa tal coisa - dedicou o prémio 'Europeu do Ano' "aos 11 milhões de pessoas que vivem em Portugal". Imagino a honra que todos devemos ter sentido ao termos sido conhecedores da atribuição do prémio. Todos é como quem diz, talvez agora sejamos menos de 11 milhões, após o êxodo de muitos para o estrangeiro na procura de melhores condições de vida; a fazer lembrar a enorme purga de nacionais na década de 60 do século passado. Mas, essencialmente, o galardão deveu-se, na opinião do senhor comissário, ao "êxito" do país em concluir o programa da troika.

E prosseguindo no discurso elogioso, disse que Portugalconseguiu "encontrar o caminho para mais emprego e competitividade" (estou banzado!). Acrescentou que o prémio é também um pedido aos portugueses para que "possam manter uma estabilidade" política, económica e financeira, "sem oscilações". Pois, aqui, o gajo maculou a oratória! Estava a ir tão bem e, no final, sai-se com esta!

Tenho andado a ruminar isto e já não me apetece rir, a bom rir, quando li a notícia pela primeira vez. Oxalá este governo, seja, efectivamente, um governo a prazo, pois a culpa não é do papagaio do comissário europeu, longe dessa conclusão...

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