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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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O TANGO

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A origem do tango parece situar-se no Rio da Prata, um estuário criado pelos rios Paraná e Uruguai, cujo limite exterior é uma linha imaginária que une Punta del Este (Uruguai) com Punta Rasa no extremo norte do Cabo San António (Argentina).
A música do tango não tem uma origem muito clara. Todavia a pouca documentação existente aponta para a hipótese desta forma de expressão artística descender da "habanera" e ser dançada nos lupanares de Buenos Aires e Montevideu, em finais do século XIX, com instrumentos como o violino, a flauta e o violão. Nesse período inicial, era dançado por dois homens, daí o facto dos rostos nunca se fitarem.
Jorge Luis Borges escreveu que, pelas suas características, o tango deve ter nascido em Montevideu ou Buenos Aires. O "bandoneón", que actualmente caracteriza o tango, chegou à região do Rio da Prata no início do século XX, nas malas dos imigrantes alemães.
Existem poucas partituras da época, pois os músicos de tango eram musicalmente analfabetos e, provavelmente, interpretavam-no sobre a base de melodias já existentes, tanto de "habaneras" como de "polcas".


Fonte: qualquer enciclopédia, minimamente, honesta 

 

 

 

"FACEBOOK: NÃO É GRÁTIS, NEM NUNCA SERÁ"

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"1. No Verão de 2015, o Facebook chegou a 1,49 mil milhões de utilizadores, ou seja, metade da população online do planeta, e para a outra metade há aquele aliciante à entrada da rede: “Facebook: é grátis, e sempre será”. A este ritmo, talvez antes de acabar a água no planeta a rede de Mark Zuckerberg chegue a vários mil milhões. Se isso vai ser bom para o planeta em geral, e a liberdade em particular, depende de como esses milhões usarem o Facebook, mas certamente será bom manter presente que não só o Facebook não é grátis como é amigo do alheio: Zuckerberg não enriqueceu a dar, nem sequer a tirar dos ricos para dar aos pobres, mas a tirar de toda a gente sem distinção de cor, género, credo ou bolsa. Aliás, tirar não é de facto a palavra porque ele não o faz sem permissão, cada um dá o que entende, mesmo que não o entenda, o que em centenas de milhões de casos é muito. Portanto, Zuckerberg é aquele multimilionário que enriqueceu de forma supersónica com as doações de 1,49 mil milhões de pessoas. Uma ideia mega lucrativa que mudou a vida do planeta. Por isso é mega lucrativa, e por isso não é grátis.

 

2. Facebook should pay all of us (O Facebook devia pagar a todos nós), escreve esta semana no site da New Yorker Tim Wu, professor de Direito na Universidade de Columbia. Vale a pena ler e partilhar (estou fora da rede há semanas, imagino que muita gente o tenha feito no Facebook). Algumas das sínteses de Wu: o Facebook é um modelo de negócio; o modelo de negócio do Facebook assenta na informação entregue pelos seus utilizadores; os utilizadores do Facebook não têm consciência do valor do que entregam (dados pessoais, fotografas, vídeos, textos, sons), ou de como isso pode ser transformado em dinheiro, alimentando esse e outros negócios, por exemplo publicidade dirigida. E o mais provável é que ainda não tenhamos visto nada. “Uma das razões pelas quais Zuckerberg é tão rico”, escreve Tim Wu, “é que o mercado de capitais parte do princípio de que, em algum momento, ele vai engendrar uma nova forma de extrair lucro de toda a informação que acumulou sobre nós.” Wu acha provável que “a maior inovação do Facebook não seja a rede social em si mas a criação de uma ferramenta que convenceu centenas de milhões de pessoas a entregarem tanto em troca de tão pouco”. O Facebook não é a única rede ou ferramenta que o faz, mas nenhuma outra convenceu tanta gente a dar tanto. Isto só é possível porque uma peça decisiva dessa ferramenta é convencer-nos do contrário, de que temos acesso a tanto por nada. Num universo consumista, anunciar-se como grátis é uma arma poderosa, o utilizador sente-se agradecido, Quando, na verdade, se trata de “uma gigantesca transferência de muitos para poucos” com um risco claro: quanto mais informação as pessoas entregarem, mais vulneráveis ficarão. Wu fala sobretudo de uma vulnerabilidade comercial, mas podia falar de política ou de sexo. Vulnerabilidade a qualquer tipo de intromissão, agressão, exploração. Quem acha que não paga, ou não tem noção do que paga, ou acha que recebe muito em troca de pouco, não fará exigências. E nunca o futuro foi tanto o próximo segundo. Tudo será muito rápido.

O Facebook não só não é grátis como é amigo do alheio: Zuckerberg enriqueceu a tirar dados de toda a gente sem distinção de cor, género, credo ou bolsa

 

3. Resisti a entrar no Facebook até ir morar para o Brasil, em 2010. Como amostra do que se está a passar num lugar, em texto, imagem ou som, pode ser muito versátil, quanto mais, e mais variadas, forem as pessoas que seguimos, e isso aplicou-se tanto a Portugal nos anos brasileiros como se aplica ao Brasil desde que deixei de morar lá, e a todos os lugares onde criamos alguma raiz. Ao longo destes cinco anos, tenho suspendido o meu mural por dias ou meses, conforme preciso para trabalhar. Há mil maneiras de usar o Facebook, algumas mudaram de forma decisiva a pesquisa para textos ou livros, o acesso rápido a fontes, a localização de pessoas nos antípodas, o que é válido nos dois sentidos. Quem usa o Facebook para localizar gente também é facilmente localizável por desconhecidos. Ao longo destes anos houve muitos cruzamentos felizes por tudo isto (os infelizes foram, em geral, comentários que me devia ter abstido de fazer). Mas como uso o Facebook essencialmente para trabalho, o meu mural é totalmente aberto, portanto não publico imagens, sons ou textos de contextos privados, apenas materiais públicos ou que o venham a ser de alguma forma. Há murais fechados, ou mais fechados, que usam a rede como comunicação interna, privada, e muitos outras variantes. Seja como for, para quem trabalha longas horas ao computador, o Facebook facilmente se torna um queimador de tempo viciante. E, conjugado com todo o resto do tempo que passamos online, o mais provável é que esteja a mudar a escrita tal como a entendemos, A morte do romance foi decretada logo que o romance nasceu, mas talvez a questão agora seja como chamar à dispersão narrativa que a dispersão online produz.

 

4. Acredito na descriminalização de tudo o que só envolve um indivíduo soberano (o consumo de qualquer droga, por exemplo), portanto acredito que entre adição e rejeição cada um saberá como quer (ou não) usar as redes sociais. O Facebook tanto pode ser uma perda de tempo como um instrumento de combate ou a extracção de mais-valia. Se Zuckerberg é a 8ª pessoa mais rica do planeta, há que manter presente de onde essa riqueza vem ao fazer log in. Cada um será tanto mais livre quanto melhor souber o que está a dar, e o limite dessa liberdade é não dar o que não é de cada um: a privacidade de terceiros que não deram (ou não podem dar) permissão para isso."

 

Alexandra Lucas Coelho in Jornal Público, 23 de Agosto de 2015

"OS CHARLATÃES DO PONTAL E O DOENTE IMAGINÁRIO"

os charlatões do pontal.jpg

Copiado do Facebook, através de Associação 25 de Abril


"By joaompmachado / 18 de Agosto de 2015 / Economia, Política


Lembrei-me do doente imaginário a propósito dos discursos do Pontal. O Doente Imaginário (Le Malade Imaginaire) foi a última peça escrita por Molière, em 1673. Nela, Molière satiriza a precária ciência do seu tempo, a medicina. Faz uma crítica feroz à relação médico-paciente, marcada pela frieza e pela cupidez. Em O Doente Imaginário, ele disserta sobre a má-fé dos poderosos – neste caso, a dos médicos, naquela época, charlatães, na maioria.

Visto do Pontal, pelos olhos clínicos de Passos Coelho e Paulo Portas, os portugueses são doentes imaginários, estão cheios de saúde e de ronha. Queixam-se, os malandros. Se trocarmos médicos por economistas da troika e seus agentes locais durante estes quatro anos, ficamos com uma ideia da charlatanice de quem nos governou. Os portugueses, como os povos dos países periféricos da Europa, somos, infelizmente, doentes reais e fomos tratados por charlatães sem escrúpulos, idênticos aos que Molière apresentou como ignorantes e pretensiosos por ludibriarem e explorarem os desprotegidos que lhes caíam nas garras.

Molière deixou para a posteridade uma crítica feroz à medicina, que hoje assenta como uma luva à ideologia única da União Europeia e foi mais longe, chegou à negação da própria medicina. O mesmo que qualquer pessoa sensata fará a propósito das receitas das actuais escolas de economia triunfante prescritas aos gritos por Paulo Portas, enquanto se lhe descolavam as melenas do crânio liso.

A negação de Moliére teve origem na sua experiência com médicos que lhe extorquiam dinheiro prometendo saúde, numa época em que o diagnóstico de tuberculose equivalia a uma sentença de morte. As pobres nações periféricas estão tuberculosas, como Moliére estava. As troikas, Bruxelas e Berlim, o BCE e o FMI são os médicos vigaristas que enganam doentes reais, que eles infectaram e enfraqueceram, prometendo-lhes a cura com remédios desadequados e empíricos. Empréstimos sobre empréstimos, no caso.

A doença tem sintomas conhecidos. Basta ler títulos de jornais, ao acaso:

– 34 mil portugueses sem bens para pagar dívidas. DN 04 dezembro 2012. A lista pública de execuções bateu o recorde de devedores. O total de dívidas incobráveis disparou para os 488 milhões de euros, à ordem de 67 mil euros por dia só nos últimos 11 meses. A lista pública de execuções já tem mais de 34.700 nomes de devedores que não têm dinheiro para pagar as dívidas nem bens para penhorar.

– As dívidas incobráveis atingem já os 488 milhões de euros, notícia o Diário Económico.

– Injunções – O número de dívidas através do Balcão Nacional de Injunções (BNI) disparou de 185.024, em 2013, para 206.980, em 2014. Os processos que mais contribuíram para este aumento dizem respeito a dívidas de menos de 500 euros. Notícia ao Minuto 09/08/15. Isto representa um aumento de 54%, avança o Jornal de Notícias.

“são cada vez mais as pessoas que pedem ajuda na associação (DECO) com contas de água, luz, gás e telecomunicações para pagar. Muitas delas já em fase de injunção. No entanto, e apesar do reconhecimento da existência da dívida, não têm dinheiro para pagar”.

– 7774 portugueses por dia deixaram de pagar dívidas ao banco. JN 08/05/2013.

Os portugueses individualmente estão de corda na garganta. E quanto ao Estado, está melhor?

– Dívida pública portuguesa é a quarta mais alta entre 43 países da OCDE. 06 Jul 2015, Lusa. De acordo com a OCDE a dívida pública representa mais de 130% em percentagem do PIB.

– Dívida pública real é de quase 200% do PIB. TVI 17 de Março 2015.

– Dívida portuguesa volta ao radar dos analistas. Jornal de Negócios de 22-07-2015. «O indicador que o FMI utilizou como argumento para defender a reestruturação da dívida pública grega deixa Portugal em pior situação no curto prazo. Com elevadas necessidades de financiamento, Lisboa também está na zona de risco do Fundo.»

«Entre 2015 e 2020, o Estado português tem de se financiar nos mercados, por ano, entre 17% e 21% do PIB para pagar dívidas e défices, estima o FMI na sua última análise à sustentabilidade da dívida pública nacional.»

Estamos, depois de 4 anos de intenso tratamento pelos médicos imaginários, mais doentes, isto é, mais pobres e com menor possibilidade de recuperação:

– Portugal tem mais 210 mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão desde 2010. Expresso 04.04.2015.

– Cáritas adverte que “um número significativo de pessoas desempregadas” não está abrangido pelas redes de segurança normais. Risco em 2014 subiu para 27,5%. RR 22.04.2015.

– Presidente da Cáritas Internacional critica austeridade que tem “a economia como Deus”.

– Bruxelas: Portugal “não foi capaz de lidar” com aumento da pobreza.

– Bispo do Porto: “É tempo de dizer basta ao sofrimento dos mais pobres”.

– Portugal foi o país europeu em que mais aumentou o risco de pobreza e exclusão social em 2014, logo seguido pela Grécia, segundo o Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015, que é apresentado esta quarta-feira em Lisboa.

– O relatório “O aumento da pobreza e das desigualdades – Modelos sociais justos são necessários para a solução” é uma análise aprofundada sobre a forma como a crise está a ser enfrentada nos sete países da União Europeia mais atingidos: Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Roménia e Espanha.

– O documento, que foi divulgado no passado dia 19 de Fevereiro em Itália, que tem a liderança do Conselho Europeu, destaca que Portugal foi o país que teve o maior aumento da taxa de risco de pobreza e exclusão social no último ano, com uma subida de 2,1 pontos percentuais, para 27,5%. A média na União Europeia é 24,5%.

“Outro dado relevante é que Portugal, apesar de toda a austeridade e de todos os sacrifícios pedidos, tem a segunda maior dívida pública em comparação com o PIB (128%) logo a seguir à Grécia (174,9%)”, disse à agência Lusa o presidente da Cáritas Portuguesa.

Ao fim de 4 anos de intenso tratamento, o doente real está moribundo, o Estado está mais endividado e os portugueses estão mais pobres.

Para terminar a história: Moliére morreu de tuberculose, depois de uma última representação do «Doente Imaginário». Era um doente real, tratado por charlatães como os que no Pontal nos prometeram a cura, enquanto agravavam as condições para a doença alastrar."

Carlos de Matos Gomes

A CERVEJA

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O futuro ex-ministro da economia, ex-presidente da empresa cervejeira que detém a cerveja Super Look, rejeitou as acusações de "falta de ética e prepotência" proferidas pelo actual presidente de outra empresa de cervejas concorrente. Em causa está o facto do futuro ex-ministro da economia não beber outra cerveja que não tenha a marca Super Look, e fazer questão de irritar a concorrência com spots publicitários provocadores sobre a marca à qual presidiu, aproveitando-se do cargo político que ocupa e uma auto-estima desmesurada.

Em declarações a um matutino, o futuro ex-ministro da economia disse que o responsável pela outra cervejeira "devia reconhecer que não tinha razão, em vez de fazer acusações sem fundamento.

Se não sabe assumir as derrotas, o melhor é arrumar as botas!" Mai' nada, tunga!

DISCURSO

discurso.jpg

«Agora estamos bestialmente melhor! O país já começa a colher os dividendos do esforço dos portugueses.

Há mais emprego, mais saúde, melhor educação e mais justiça.

A corrupção é diminuta, melhoraram os apoios sociais, há mais gente satisfeita, as exportações vão de vento em popa e, imagine-se, o Algarve está a abarrotar de gente!

Tudo isto como resultado do compromisso que assumimos com Portugal, de que vamos trabalhar, ainda mais, para transformar a nossa economia numa das dez mais competitivas do mundo nos próximos quatro anos. Nada está concluído, por enquanto, mas a caminhada deve prosseguir para nos levar, sempre irmanados no mesmo espírito, como temos vindo a estar nesta legislatura, até um final feliz, et cetera.

É óbvio que só quero reconquistar o coração dos portugueses e ser muito querido durante a campanha eleitoral. Aliás, sinto que "estão mais descontraídos na sua relação comigo"; já não me recebem com quatro pedras na mão. Depois, se ganharmos, "que se lixem as eleições!»

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