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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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O CREME DO DOUTOR SANTINHO

dr santinho.png

É um creme muito suave, de eficácia comprovada, e de fácil aplicação.

Tem propriedades capazes de eliminar definitivamente quaisquer indícios de infecções associadas ao uso inadequado do ânus e recto e também muito útil no alívio de crises de hemorróidas e fissuras anais.

Descoberto há uns anos e só agora patenteado, vai ser posto brevemente à venda em farmácias. O seu inventor, que insistiu em manter o anonimato, o doutor Santinho, criou este fármaco surpreendente, após muitos anos de aturada investigação.
O novo produto foi testado directamente em seres humanos, pois não se conhecem, pelo menos até à data, cobaias que sofram de hemorroidal ou casos significativos de cópula anal entre estes curiosos bichinhos.
O doutor Santinho, tal como é conhecido entre os seus pacientes habituais, também eles insistindo em manter o anonimato, optou pela utilização de processos naturais, na sua longa investigação, testando o seu creme exclusivamente em voluntários. Presume-se que houve alguns sapadores-bombeiros infiltrados - as ovelhas ranhosas do costume, claro.
"As propriedades do meu unguento - disse o doutor Santinho em conferência de imprensa - são tantas e tão poucas que não hesito em afirmar que ele devia fazer parte, e com efeitos 'rectoactivos', da lista de medicamentos comparticipáveis pelo Serviço Nacional de Saúde."
O doutor Santinho vive numa aldeiazinha chamada Coelha, numa casinha muito humilde, cercada por um também humilde, mas cuidado jardim, belos pomares e ampla piscina - tudo muito humilde e natural.
Confessou que, desde o tempo em que começou como produtor de farinha de alfarroba, nunca desistiu de aperfeiçoar o dom que Deus lhe deu e de o repartir por quem mais necessita que é como quem diz: pela sua prole e pelos amigos do peito, evidentemente.
O doutor Santinho adiantou que a constituição do seu lenimento medicinal não tem qualquer segredo que transcenda a compreensão humana, até porque foi uma descoberta empírica, a qual tem bastante dificuldade em explicar, senão deixava de ser empírica como é óbvio. No entanto, depois dos testes, necessários, efectuados no Instituto Ricardo Borges e a necessária aprovação do INFARMERD, "não há razão para adiar a sua comercialização" - disse.
"É remédio santo!" - Foi com esta frase que um dos muitos pacientes que formam bicha, todos os dias, junto ao portão da casinha do médico, faça sol, ou faça chuva, resumiu os efeitos do milagroso creme.
"O doutor Santinho é um santo! - Observou, reconhecido, outro paciente, José Fagundes Pisco que preferiu manter o anonimato - a gente dá o que pode, sei lá, um presunto, uns franguinhos, mel, vinho, pão, queijo, azeite, um ou outro borrego, um cabrito, enfim, a mais não se é obrigado, n'é?" - Foi a resposta quase unânime relativamente ao custo dos tratamentos.
"Há mais de 6 anos que venho ao doutor Santinho fazer tratamentos e hoje estou muito melhor, até tenho um andar novo e tudo, graças a Deus!» - Disse uma paciente, abençoada pelo maravilhoso creme do doutor.
"Andei a tomar supositórios Taveirola durante tanto tempo, sem resultados manifestos, e este creme, meu Deus, é uma maravilha, o doutor Santinho há-de ir para Céu!" - Exclamou, visivelmente satisfeita, outra paciente, Graciete Epitáfio da Silva que também preferiu manter o anonimato.
Após alguma insistência, o doutor Santinho lá foi revelando alguns dos ingredientes que utilizou para chegar a este maravilhoso resultado alquímico capaz de operar milagres: pezinhos de salsa, pezinhos de hortelã, pezinhos de leitão de coentrada, pezinhos de porco, pezinhos de algodão e patinhas de rã. O doutor Santinho pensa que foi este último ingrediente que desencadeou a reacção química em cadeia, por muito paradoxal que pareça.
"O último elemento é que não vou revelar, senão ainda aparecem para aí uns macaquinhos de imitação, como devem compreender. Demais a mais, há anos que anda para aí um gajo meio maluco que se diz padre, chamado Amaro, a espalhar o boato de que o creme é dele e a ameaçar-me de morte. Empírico, empírico, mas cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal! Vocês, jornalistas, sois uns gajos porreiros, mas não me comprometam, está bem? - disse em jeito de despedida - Pensem num slogan assim:
Esqueça os prolapsos e as tromboses hemorroidais, os papilomavírus humanos e as hemorragias anais. Se o resto é prazer, o creme do doutor Santinho é o Guronsan (passe a publicidade) do seu rabinho!"

QUEM MATOU JACINTO DORES?

quem matou jacinto dores.jpg

Por altura da sua morte, por homicídio qualificado, Jacinto Dores aparentava ter 48 anos e 9 meses, mais coisa, menos coisa.

Caucasiano esquálido por parte da mãe, urso pardo por parte do pai, barba espessa, cabelos finos e corredios, ora pretos, ora loiros ou ruivos, olhos pretos grandes e horizontais, de um azul profundo, às vezes em bico, comerciante de tónico capilar para a tosse, mostrou-se pouco à vontade com os seis tiros de 6.35 que a sua mulher, Zulmira Dores, disparou no seu peito à queima-roupa, apanhando-o de costas. Ora, isto ocorreu imediatamente a seguir ao jantar e sem direito a sobremesa.

Todos haviam sido testemunhas do gosto obsessivo, diria até sôfrego, de Jacinto Dores por arroz doce. No entanto, no último jantar da sua vida, Zulmira Dores negou-lhe esse último prazer. As razões de tal recusa ficaram por apurar, sabe Deus porquê...


Um homem aparentando ter 37 anos, de tez verde-azeitona cordovil, olhos estreitos e oblíquos, cabelos e barba pretos, de um castanho sujo e desgrenhado, cravou uma faca de ponta e mola, com cerca de 30 centímetros, criteriosamente, entre as omoplatas de Jacinto Dores, deixando-o visivelmente irritado. Afinal, o caso não era para menos, pois o agressor agiu com muito discernimento...


Um adolescente, vizinho de Jacinto Dores, de pele castanha-clara, talvez preta, cabelo crespo, barba rala, nariz largo e achatado, boca grande e lábios grossos, consumidor compulsivo de substâncias psicotrópicas, empurrou-o pelas escadas abaixo, bradando em delírio: «O senhor Jacinto não me larga a braguilha!», confessando mais tarde perante o juiz da comarca que uma voz estranha ordenava-lhe constantemente que o fizesse porque o senhor Jacinto não parava de a assediar (a voz estranha, evidentemente)...


Um sujeito alto com cerca de 1 metro e sessenta e 40 e poucos anos, aparentando ter idade incerta, talvez na casa dos 70, entre o hispânico, o asiático ou híbrido, vestindo um casaco de napa de cor preta, talvez azul lilás, coçado pelo tempo, passou furtivamente qualquer coisa para as mãos de um outro de estatura menos elevada, talvez um metro e cinquenta e nove, calvo, perneta e atarracado, acabado de atropelar mortalmente Jacinto Dores, praticamente sem dores, tendo o morto falecido sem se aperceber de tal facto.


A amante de Jacinto Dores disfarçou-se de Freddie Mercury com bigode à Montserrat Caballe, antes de lhe chegar Conium Maculatum (não, não é nada disso que estão a pensar, mentes porcas!) à boca enquanto JD dormia. Mais a mais sabendo de antemão que este sofria de apneia do sono. Pura sacanagem!


Estamos, indubitavelmente, perante um caso judicial muito sombrio e enigmático. Todavia, penso que, com um bocadinho de perspicácia e muita concentração, seremos capazes de o deslindar. Uma dica: Concentremo-nos, mais incisivamente, no indivíduo de tez amarelada, nariz adunco e com tiques nervosos que inspiram desconfiança. Não ajudo mais!

DONA GRACINDA

a coscuvilheira.jpg

Dona Gracinda é uma senhora muito senhora do seu nariz. Porém, não é mulher para andar a metê-lo onde não deve, diga-se em abono da verdade. Sobretudo, odeia meter o nariz na vida dos outros. Interessa-se, isso sim. Interessar-se é, completamente, diferente!
A dona Gracinda é a primeira pessoa a saber as novidades da vizinhança e não as inventa; nem tem necessidade disso, muito embora, na maior parte das vezes, não confirme nem desminta. Contudo, não se lhe deve atribuir o ónus da culpa só porque a dona Gracinda ouve mal, coitadinha!
O respeito conquista-se e, com respeito ao respeito, ela é uma mulher de muito respeito e dada ao respeito, mas também de algum despeito, convenhamos. No entanto, é amiga de toda a gente e isso é um sentimento muito nobre! Por onde passa, com quem se cruza, é sempre a entrada recorrente: «Não é que eu tenha alguma coisa a ver com isso, mas já sabe...?»
Na verdade, a dona Gracinda não tem nada a ver com isso, mas sente que tem o dever moral de informar os vizinhos e, só por si, já é uma grande virtude mantê-los a par do que se vai passando na vida de cada qual.
Não é que sejam contas do seu rosário, mas as discussões acesas do casal Silva do segundo esquerdo têm sido muito badaladas na padaria da dona Júlia. Já para não falar na Cátia que mora no número 7, rés-do-chão direito que ultimamente veste do melhor, não se sabe bem porquê, sabendo-se garantidamente que trabalha na loja de pronto a vestir do senhor Ezequiel em part-time e ganha uma mixaria que nem lhe dá para os drunfos. Sim, a dona Gracinda também sabe, por portas e travessas, que a miúda é uma agarrada, «valha-lhe Deus Nosso Senhor!»
A dona Gracinda não tem nada com isso, mas sabe que algo corre muito mal entre a dona Natércia e a vizinha de cima por causa da roupa mal escorrida que a outra pendura no estendal. Logo no da dona Natércia, coitada, tinge-lhe a roupa toda! Até parece que é de propósito! Por via disso a dona Natércia já foi parar às urgências do São José por causa de uma crise de nervos. Foi o senhor Luís do talho que lho segredou, fazendo-a prometer solenemente que, à partida, aquilo ficava ali entre os dois. É claro que, como a dona Gracinda se preocupa muito com a vida dos outros, apressou-se a ir contá-lo à dona Felismina do primeiro esquerdo, não fosse varrer-se-lhe da memória, pedindo-lhe, por todos os santinhos, para não fazer conversa do caso com ninguém.
Embora não sendo assuntos que lhe digam respeito, a verdade é como o azeite: vem sempre à tona e a dona Gracinda respeita muito a verdade e detesta desavenças entre vizinhos.
Não é que outro dia um malcriadão, que não tem outro nome, que afinal só queria ajudar por via de uma terceira pessoa, veio-se travar de razões com a dona Gracinda, berrando alto e bom som para que todos ouvissem: «Meta-se, mas é, na sua vida, sua coscuvilheira!»
Ela que até podia ser sua mãe! «Já não se respeitam as pessoas mais velhas, é o que é! Mais valia não saber certas coisas. Não tinha que me ralar com a vida dos outros e ficava cá no meu cantinho. Só Deus sabe quanto me custa andar a par dos males alheios. No fim recebo estas pagas!» - Desabafa para os seus botões.
Por vontade da dona Gracinda, todos se davam bem e não havia problemas. Ela sabe que no fundo não tem nada com isso, tanto se lhe dá que o mundo acabe hoje ou amanhã ou continue tal como está, mas é a sua idiossincrasia; é uma coisa inevitável! Ademais não se pode contrariar o destino e a dona Gracinda é uma predestinada. Nada lhe custa tanto como saber das desgraças dos outros, mas a vida é assim mesmo, o que é que se há-de fazer?
Coisas das quais pede muito segredo, sendo contra a sua vontade quando acabam por se espalhar - infelizmente, há muita gente mexeriqueira - , é quando recomenda: «Isto aqui só para nós que ninguém nos ouve...».

Que culpa tem a dona Gracinda de ser um bocadinho surda e, por via dessa infelicidade, falar um bocadinho mais alto, mais a mais tendo as paredes ouvidos? Há gente muito reles, digam antes! Gente em quem não se pode confiar!
Ainda a semana passada a vizinha do prédio em frente deixou de lhe falar, lá porque alguém lhe foi meter nos ouvidos que a dona Gracinda tinha andado a contar à boca solta que a filha da vizinha tinha sido vista com o filho do Zé bate-chapas, numas posições muito esquisitas, na parte de trás do Fiat Uno do Zé. Ou outra vizinha que agora lhe vira a cara assim que a vê, só porque a dona Gracinda contou a alguém, não interessa quem, que o homem da pobre deixara de cumprir as suas obrigações conjugais desde que fora operado à próstata. Foi um bocadinho forte de mais, convenhamos, mas é o temperamento da dona Gracinda que a faz ter o coração ao pé da boca. Ou, ainda, o casal Pereira que lhe deve tantos favores e faz de conta que não a conhece quando se cruzam. Porquê, se a dona Gracinda detesta meter o nariz onde não é chamada?!

DEVE-SE DESFAZER O CARÁCTER MÍSTICO DO SEXO?

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Eis uma boa posição..., perdão, uma boa questão. Alguém, muito famoso, cujo nome não me ocorre no momento, terá dito, algures no tempo, que o "grave problema do sexo vem das origens do segundo homem" e prosseguiu: "Isto porque o primeiro nasceu por obra e graça do Criador e, curiosamente ou talvez não, tampouco agradeceu numa página de jornal dedicada exclusivamente a orações de agradecimento." E continuou, prosseguindo (passe a redundância): "Porém, o segundo já foi concebido segundo critérios mais definidos e mais avançados e que ainda hoje se mantêm tão actuais que ninguém ousa meter o bedelho, ou outra coisa qualquer na matéria porque é de matéria que, efectivamente, se trata."

Após esta pequena introdução, penso, no entanto, que ainda há muitas arestas cheias de rebarba e é urgente, direi até que urge e que não admite delongas, a par da indispensável revisão constitucional, a desmistificação do sexo. Pergunto: Para quando um debate nacional sobre um tema tão importante para a vida dos portugueses?
O sexo ainda é um assunto tabu porquê? Que disparate?! Aliás, devia ser objecto de análise em qualquer governo, em qualquer programa de governo, independentemente da utilização de preservativos coloridos com a predominância habitual das cores laranja, rosa e amarelo, cores que, para a generalidade dos portugueses, já se tornaram cansativas. Mas, enfim, alguns portugueses são muito conservadores, continuando a escolher estas cores e isso é lá com eles. Importante, importante é tratar-se de uma condição elementar da qualidade de vida, da vida de todos nós!
Então, que qualidade de vida podemos desejar se, quanto ao sexo, o governo teima em escondê-lo, só o revelando depois da consumação sem que tenhamos tido qualquer proveito orgástico, hã? Ainda por cima temos de lhe pagar!? Ora, francamente!
Que qualidade de vida podemos esperar, se este ou qualquer outro governo teima em virar ad aeternum as costas ao sexo em vez de o agarrar afincadamente com uma mão ou ambas, dependendo do gosto?
Não se pode tirar o sexo à carne e à pele! Foi o sexo que perpetuou a Pátria! Quase novecentos anos de sexo é muita seiva derramada! É claro que muita tem sido derramada fora do contexto para a qual estava naturalmente destinada. Quatriliões de metros cúbicos de fluidos e outros desperdícios para quê?

Os Descobrimentos, a Batalha de Aljubarrota, a Batalha das Linhas de Elvas, o Tratado de Tordesilhas, o 1º de Dezembro, o 5 de Outubro e o 13 de Maio, têm o seu merecido lugar na História, evidentemente, mas a perenidade da Nação só ficou garantida porque os portugueses de outrora, cheios de fervor e combatividade, não deixaram cair o sexo. Excepto os descuidados do costume que não se precaviam, mas isso é um problema transversal a todos os períodos da nossa História, é quase uma inevitabilidade.
As pátrias perpetuam-se através da manifestação corporal mais natural deste mundo, seja num vão de escada, no banco de trás de um Fiat Cinquecento, em cima do lava-oiça, num polibã, dentro da despensa, enfim, tantas vezes com grande espírito de sacrifício e em condições difíceis, mas é assim que se tem construído o futuro, assim se vai garantindo a sobrevivência de Portugal, malgrado a crise.
Mas, torno a perguntar: Prestarão, este e outros governos, as devidas homenagens ao trabalho esforçado e anónimo e tantas vezes à socapa, da gente lusa? Evidentemente que não!
Em face disto, como se pode acreditar neles ou até no Parlamento, se se perpetua o lençol de silêncio sobre uma das mais legítimas aspirações dos portugueses e portuguesas, não implementando políticas de desenvolvimento, não incrementando a prática através de incentivos pecuniários, fiscais, criando as infra-estruturas básicas (não sei o que é isto, mas soa bem) e outras coisas mais? Respeitando sempre as normas impostas pela União Europeia, claro! S'a gente é da União, só tem que respeitar a 'senhora', isso é claro!
É certo e comummente aceite que o país atravessa sérias dificuldades, muito embora o governo garanta agora, a pés juntos, que nunca houve austeridade e  que tudo não passou de um equívoco; um "mito urbano", como disse um ministro qualquer, mas penso que não seria impertinente a criação, a breve trecho, de uma Secretaria de Estado da Desmistificação do Sexo. Isto só para começar, depois logo se via. A menos que este Governo se declare impotente para resolver a grave crise de impotência da população em geral, não mostrando sensibilidade para acudir ao seu dia-a-dia ou à sua noite-a-noite.
Desmistificar o sexo dos portugueses é preciso! Viva o sexo em todas as suas variantes, vertentes, performances, cambiantes, matizes, gradações et cetera!

FOTO MISTÉRIO

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Olá, cá estou eu novamente a abordar um tema que presumo ser do agrado dos milhares de visitantes que continuam a apostar na excelente qualidade deste blogue. Prova disso têm sido as boas críticas que não param de crescer. Queiram aceitar o meu pedido de desculpas, todos aqueles e aquelas a quem não tive, ainda, oportunidade de agradecer tanto apoio e carinho. Antecipadamente, aqui deixo o meu muito obrigado e bem hajam! Adiante.

Nunca é demais relembrar que cada foto mistério é sempre motivo de discussão saudável em tertúlias, ou outros fóruns de debate.

Como é  habitual, para tornar a experiência de identificação da foto mais aliciante, tenho sempre o cuidado de a retocar, o que torna o reconhecimento um bocadinho mais moroso. No entanto, penso que a personagem sai sempre favorecida com este pequeno truque.

Finalmente, e à semelhança de outros posts similares, segue-se uma pequena lista de sugestões (uma delas é a solução), certamente desconcertantes, mas se não fosse assim, o objectivo deste tema seria desvirtuado.

Não há prémios para quem acertar, mas o simples e excitante exercício da adivinhação já é, só por si, uma bela recompensa. Os leitores só têm que escrever as respostas num bilhete-postal (não sei se ainda existem, mas procurem, mexam-se!) e enviá-las para as próprias moradas para testarem o grau de lentidão dos CTT.

Assim, a personagem que retrato hoje, já foi primeiro ministro durante uma porrada de anos e os portugueses nunca lhe perdoaram o facto de ter permanecido durante tanto tempo em São Bento, pois só fez merda. Todavia, sabe-se lá porquê, umas ovelhas ranhosas, quiçá influenciadas pelo "Ensaio sobre a cegueira" do nosso Saramago, mudaram-no de São Bento para Belém (onde ainda mora), continuando a fazer merda. No partido político ao qual presumo que deve regressar após o cumprimento do seu último mandato como alto magistrado da Nação, é tido como um grande economista e de intelecto elevado, sabendo-se que é um leitor fervoroso das obras completas de um colega, outro grande economista de reconhecido mérito internacional, Vitor Bento (estão a ver quem é o jeitoso?), o qual considerava aqui há tempo que a crise que o país atravessa deve-se ao facto dos portugueses terem adoptado uma "vida de cigarra", em vez de uma "vida de formiga", desde a entrada no euro. Presume-se que esta frase seja um elogio para o sujeito da foto-mistério de hoje e uma porrada no estômago dos portugueses que se esfalfam a trabalhar para ganharem uns míseros tostões, depois de deduzidos os impostos e outras taxas enganadoras...

Distinguiu-se, finalmente, com uma frase que ficou célebre: «nunca me engano e raramente tenho dúvidas».

Quem é a personagem da foto mistério, quem é?

 

Sugestões:

Dias Loureiro

Oliveira e Costa

Miga Amagal

Duarte Lima

Anabela Rodrigues

 

Boa sorte!

 

 

"FILHOS DA PUTA"

ramada curto.jpg

Esta pérola veio parar à minha caixa de correio electrónico, através de um amigo, e decidi partilhá-la com quem passar por aqui.

"Uma das histórias judiciais que ficaram célebres, na primeira metade do século XX, teve a ver com a defesa de um arguido acusado de chamar "filho da puta" ao ofendido, dito que, na altura, era considerado altamente ofensivo.

Nas suas alegações, o escritor e advogado Ramada Curto começou por chamar a atenção do juiz para o facto de muitas vezes se utilizar esta expressão em termos elogiosos: «Grande filho da puta, és o melhor de todos!», ou carinhosos: «Dá cá um abraço, meu grande filho da puta!», tendo concluído da seguinte forma:
«E até aposto que, neste momento, V.Exa. está a pensar o seguinte: "Olhem lá do que este filho da puta não se havia de ter lembrado só para safar o seu cliente!"...»

Chegada a hora da sentença, o juiz vira-se para o réu e diz :
«O senhor está absolvido, mas bem pode agradecer ao filho da puta do seu advogado!»"

ROMETA E JULIEU

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Julieu era um moço viçoso, valente, vigoroso, varicoso, valdevinos, viperino e venenoso - perdoe-se-me a redundância. Já Rometa era perneta, catatónica, vesga, daltónica, escanzelada, muito mal amada e muito mais do que tudo isto.

Numa manhã clara de Abril, ou talvez numa tarde sombria de Maio, quiçá numa noite obscura de Junho, Julieu limpava as unhas com a ponta da adaga no Largo do Carmo, quando um grande alvoroço, logo após o almoço, se ergueu por trás das barracas da feira da ladra. Agitação que se repercutia por todo o largo, ecoando nas muralhas, mais propriamente nas ameias, do castelo de São Jorge, imagine-se! A turba acorreu ao local e foi brutal ver aquele magote de gente, num coro de vozes a dar as boas vindas ao casal acabado de chegar. Gritavam-lhe vivas e desejavam-lhe um lindo enterro quando soasse a sua hora. A donzela tão bela que deslumbrava qualquer cego, vinha montada numa égua branca e a modos que afogueada (a égua), à procura de uma sombra, não obstante o ocaso que não é por acaso, diga-se de passagem!
Chovia a cântaros, se calhar a potes, e Julieu, ensopado, continuava absorto na limpeza das unhas, desta feita as dos pés, sem que a beleza dela o prendesse de imediato. No entanto bastou uma fugaz troca de olhares, para aqueles olhos fulminarem o seu coração rude. Eram uns olhos castanhos, grandes, pestanudos, muito abertos e azuis de um azul celeste, talvez marinho, onde cintilavam estrelas decadentes. Olhos ardentes, dardejantes, perscrutadores, penetrantes, pedintes e a clamar por um banho de assento, pois vinha com as hemorróidas inflamadas de tanto salto em cima da cavalgadura, a pobre e bela Rometa.
Do Largo do Caldas, os olhos de Rometa cruzaram-se com os de Julieu à Estrela e foi amor às primeiras vistas alegres até São Bento da porta aberta. A turba, que não era totalmente burra, apesar de bruta, entendeu tudo e clamou de indignação. Quarenta e um anos de democracia tinham-lhe deixado alguns resíduos de massa encefálica nas cabeças de alhos chochos. Vai daí até ao Miradouro da Senhora do Monte foram só apupos, o que não impediu que Julieta se chegasse ao Romeu com o intuito de o beijar, à revelia dos códigos de comportamento de antanho. Para mais, sendo uma moça comprometida. Presume-se que tenha sido um esboço libertário do que veio a ser, séculos depois, a revolta das três Marias. Curiosamente, ou talvez não, Rometa já não usava sutiã no seu tempo. Mas, adiante.
Estava nervoso o moço. Rometa não estava menos. Pudera, tinha havido um clique, ou um toque que não sendo retal deixara Julieu muito desconsolado.
Foi sol de pouca dura no sereno da noite, pois a multidão não estava acostumada ao "ménaje à troi" tão em voga na corte do Rei Sol. No entanto, Rometa deixou cair o sapatão que Julieu se apressou a recolher, guardando-o como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
Na manhã seguinte, sob uma lua pálida e esquálida - perdoe-se-me, mais uma vez, a redundância - , Julieu gamou um escadote de assaltar castelos e tratou de subir ao quarto de banho da Rometa. Ela, bela, doce, apetecida, oferecida, seminua, semidivina, aguardava-o no bidé só com um pé (ela, não o bidé!... Não, não, ela não, o bidé!). Julieu, ardiloso, dengoso, ansioso, tenebroso, com um sapatinho tamanho 45 na mão, queria, a todo o transe, transar, trepar e curtir aquele pezinho. O tempo urgia e, logo ali, com ela semicúpia no bidé cheio de água das malvas a dar-lhe nas nalgas, quis-lho meter sem calçadeira e eis que, entre surpreso e frustrado não o conseguiu enfiar porque era pequeno de mais e ela tinha o pé chato. Rometa tomou uma decisão irrevogável: consumar o acto, assumindo as consequências do facto. Julieu rejubilou de contentamento contente e ali, de repente, aturdido pelo prazer carnal que magicava, distraiu-se e agarrou-se ao coto de Rometa como se fora um falo (sei do que falo, este Julieu nunca me enganou!). Todos os pormenores sórdidos que vieram a seguir, são fáceis de adivinhar pelas mentes mais sujas...
Entrementes, ouviram-se passos apressados, cada vez mais próximos. Era a polícia de intervenção rápida. Rometa tomou uma pastilha de cianeto que tinha à mão de semear para estas eventualidades, não sem antes atirar Julieu da janela abaixo em direcção ao fosso infestado de piranhas (esqueci-me de mencionar o castelo medieval nesta estória. Aqui fica o reparo).
Ora, para encurtar isto, Rometa teve uma morte horrenda, cheia de espuma e espasmos violentos, tendo a autoridade policial presente confirmado o óbito e levado o corpo da donzela (sim, porque ela morreu virgem!) para a câmara ardente municipal.
Rometa parecia morta, embora estivesse falecida, mas jazia linda e à espera de um desfecho decente para esta porra de texto sem pés nem cabeça.
Bom, Julieu (já me ia esquecendo dele), ou o que restava dele, entrou na câmara municipal e, ao deparar com o coto da sua amada inanimado, desesperado, puxou da sua adaga e desferiu quarenta e um golpes no seu corpo, tantos quantos lhe tinham feito as piranhas. Naturalmente, a autoridade policial, ainda presente, limitou-se a registar mais um óbito e a trasladar os corpos dos amantes mais famosos de Portugal  para o Panteão Nacional, onde repousam eternamente, para gáudio dos seus imensos admiradores. Contam, os mentirosos habituais, que em noites de lua cheia, Julieu acorda e afaga a pestana direita de Rometa, passando-lhe a outra mão pela espinha, e beijando-a longa e apaixonadamente no calcanhar de Aquiles (era foleiro escrever outra vez coto).

Para os anais (não confundir com ãnus, embora seja tentadora tal confusão) do "Portugal à Frente", ou quiçá não passe de mais um "Mito urbano"...

"TWILIGHT ZONE"

twilight zone.jpg

Um caso que, nos últimos dias, tem dividido opiniões e alimentado alguns ódios de estimação, não obstante já se viver um ambiente pré-eleitoral. Contudo, insuficiente para ser abafado.

Contrariamente ao que sempre se espera destas cenas, o pessoal quer é sangue e os políticos não dão luta; continuam com o mesmo discurso chato, as promessas do costume: "vota em mim porque o outro  diz que faz e não faz", ou "se votas no gajo isto vai de mal a pior" e outras merdas fastidiosas e, pior, mal cheirosas, aliás, como é apanágio de todas as merdas.

Esperam-se novos, atribulados e conflituosos capítulos com detalhes suculentos e apaixonantes, capazes de mobilizarem atenções para mais uma saborosa polémica em torno de um tema tão do agrado dos aficionados (vulgo apanhados da bola) do chamado desporto rei.

Fica no ar uma pergunta: Quanto tempo irá durar este, ainda curto, idílio entre os dois, sabendo-se que, pelo menos, um deles tem um ego de tamanho descomunal, para além de, à primeira impressão, não bater bem da bola?  Refiro-me, naturalmente, a?...

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Comentários recentes

  • Anónimo

    Bocage in "O Bordel Português"Saudações cordiais

  • Anónimo

    Faz-nos pensar que, aqui e ali, ainda se vão encon...

  • Anónimo

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    Pois, com certeza, nem refuto!

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