Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

OS MARCIANOS

os marcianos.jpeg

Digam lá, vocês acham que alguém, no seu perfeito juízo, acredita em marcianos, uns seres verdes horripilantes, com antenas (ou sem), os quais parecem fazer parte do imaginário urbano e, por consequência ou não, cinéfilo de alguns 'aliennados'? Reparem que sou do tempo em que ainda não se comiam pipocas durante a exibição de "A Guerra dos Mundos", um filme de 1953 baseado no livro de H. G. Wells! Na altura, como não havia pipocas, a malta entretinha-se a roer as unhas. É verdade!  Porém, caros leitores, muito sinceramente, mais sinceridade é impossível, não acredito nestes disparates, mas, por outro lado, não deixo de acreditar... 

No entanto, reporto aqui uma notícia que passou despercebida, já lá vão uns anitos largos, que  deixou os aficionados por extraterrestres, no mínimo, curiosos. Isto porque em finais de 2007, um engenho robotizado, o "Spirit", enviado pela agência espacial norte-americana ao planeta vermelho, registou imagens da superfície de Marte e, entre elas, para espanto geral,  surgiram três vultos verdes nos monitores do Cabo Canaveral. Curiosamente, estes vultos, analisados atentamente, fizeram lembrar as figuras de três humanóides parecidos com alguém que não nos é caro (pelo menos para a maioria dos portugueses).
Alguns poderão pensar que é uma grande treta, produto da nossa imaginação (pareidolia), no qual o nosso cérebro, feito barata tonta, constrói imagens ilusórias. É um pouco como o fenómeno do oásis no deserto, sendo que os padrões dessa construção são sempre aleatórios, logo sempre sujeitos às contingências do momento. Perceberam? Eu também não, mas vou sugerir alguns exemplos: penso que já devem ter olhado para as nuvens no céu e visto cavalinhos, peixinhos, memés, a virgem Maria, o Pai Natal e outras figuras alegóricas.
No caso presente, não sei se se trata de um fenómeno de pareidolia, mas uma coisa é certa: estes humanóides são de tal modo parecidos com as figuras que referi que até metem medo ao susto, como é popular dizer-se!
Para ser honesto, penso que estas coisas são muito polémicas e não devem ser discutidas com ligeireza. Também penso que qualquer discussão em torno deste tema nunca é conclusiva, muito menos unânime. Porém aqui fica mais um testemunho para alimentar o debate...

PÔR AS BARBAS DE MOLHO

barbas de molho.jpg

Presume-se que o termo data do interregno e parece ter sido criado nesse lapso de tempo em que Portugal era palco de anarquia e guerra. Dom João das Regras - sim, não estou equivocado, foi mesmo um senhor com regras, não obstante as regras serem tabu no seu tempo ou período, conforme queiram interpretar.

Ora, tanto quanto se sabe, parece ter sido esta notável figura da nossa História, o objecto desta frase coloquial. Portanto, é um dito que já tem barbas e que não tem nada a ver com dar água pela barba, entenda-se. Isto, apesar de saber-se que João das Regras tinha a barba rija. Todavia, este tema só foi debatido, alguns séculos mais tarde, por Segismundo Freud e seus pares e presume-se que terá sido um debate muito freudulento. Porém, será tema para uma outra história, se não me levarem a mal.

Também se diz que Dom João das Regras foi uma personagem determinante nesse período. Determinante não se sabe muito bem em que sentido, a não ser o facto provado, comprovado e consumado de ter sido muito amigo do mestre de Avis. Sem ele uma coisa era certa: ainda teríamos muitas naus catrinetas na pesca do bacalhau, do atum e da sardinha. Porém, com ele, retornámos à reforma agrária do tempo do rei Dom Dinis. Por conseguinte e por consequência, nem tudo "são rosas, Senhor!"
Durante 1383 e 1385, isto já lá vão uma porrada de séculos, João das Regras - que usava uma barba farta e rija, como já tinha sublinhado - trabalhou muito para preservar a unidade nacional. Tinha noites em que se esquecia de ir para a cama, não cumprindo, assim, as suas obrigações conjugais, o que, à luz da percepção actual, devia ser algo muito chato, mas, rezam as crónicas de antanho que Maria, sua esposa, aparentava não se importar com o jejum do esposo. Vá-se lá saber porquê...
Quando tinha aquelas crises lixadas de demência galopante, ausentava-se bastante da realidade social que assolava o país, refugiando-se atrás dos muros do palácio onde residia. Para além disso esquecia-se, com uma facilidade confrangedora, das promessas que era seu hábito fazer aos que o rodeavam e era muito distraído. Pensa-se que estas crises eram devidas a algum esgotamento nervoso por via da indisciplina dos seus alunos, já existente nesses tempos, imagine-se! Todavia, nada ficou provado e as provas sumiram há muito (se fossem só estas...).
Temos exemplos actuais que mostram que não era o único que tinha estes apagões, nomeadamente figuras incontornáveis como "Paulinho das feiras" com a sua "decisão irrevogável", ou Pedro "Calimero" que prometia pela alminha da mãe dele que não aumentava os impostos e não roubava as pensões dos 'velhos'. Só para citar estes dois espécimes. Houve outros e tantos haverá. Quarenta anos de promessas; uma fartura!

E vou concluir muito depressa porque isto não me está a sair bem: João das Regras, certa noitinha, enquanto comia com cautelas um caldo de galinha a escaldar, tão absorto estava nos seus pensamentos que as barbas mergulharam profundamente na canja. Este episódio trivial, mas muito importante para a compreensão da nossa História não passou despercebido ao seu camareiro que, sempre que João das Regras conferenciava com os seus botões, parecendo não estar neste mundo, comentava entre dentes: Olha, pôs as barbas de molho, coitado!

COISAS PEQUENAS

coisas pequenas.jpg

Coisas pequenas

Maisenas, novenas

São sempre açucenas

Em jarras de cacos

 

Coisas pequenas

São cenas serenas

Sorrisos apenas

Nos velhos retratos

 

Coisas pequenas

São mães madalenas

Moídas nas penas

Dos filhos ingratos

 

Coisas pequenas

São lágrimas mudas

São mudas de penas

Levantem-se os pratos

 

José Resende, poeta e músico nas horas vagas.

AFONSO HENRIQUES

afonso henriques.jpg

Referências e estudos iconográficos levam à suposição de que terá sido o fundador da nacionalidade. Sabe-se, isso sim e por portas e travessas, que foi um homem muito astuto, valente e de elevada estatura e estatuto.

Entre as muitas façanhas ligadas a Afonso I - esta está registada no Guinness Book e no Facebook como sendo ímpar - , é a de que conseguia manejar a espada só com uma mão, ao passo que, presentemente, são necessários nove homens de porte atlético para a transportar. Ora, isto é um feito digno de registo!

Só para termos uma noção aproximada da capacidade atlética de Afonso Henriques, é importante que saibamos que, actualmente, os indivíduos habilitados para transportar a espada do Fundador têm que ter, mais ou menos, a sua altura ou seja: um metro e noventa e nove vírgula nove, mais coisa, menos coisa. Isto segundo a medição efectuada na última exumação, a qual deu uma grande trabalheira! Era esperável que, durante tantos séculos, o corpo fosse encolhendo; daí que, por cautela, o "mais coisa, menos coisa" seja a atitude mais apropriada em face disso, da coisa, enfim, adiante...



Há novecentos anos o sul do país continuava na posse do Estado Islâmico e isso era uma coisa que irritava muito o nosso primeiro rei. Passava noites em claro a ler e a reler "A arte da guerra" do Sun Tzu e a protelar as suas obrigações conjugais com Dona Mafalda que, por sinal, até era muito feia, diga-se em abono do nosso rei, coitado!
Bem, mas como sabem, embora poucos saibam ou mesmo ninguém saiba, a Ibéria foi invadida por povos oriundos do norte e centro da Europa, nomeadamente por hunos, suevos, bárbaros, vândalos, malandros, visigordos e energúmenos, sendo que esta canalha ficou instalada a norte do rio Tejo, habituada que estava a climas menos temperados. A sul do Tejo já viviam, há uma porrada de séculos, os muçulmanos, mouros, tisnados, sarracenos, árabes e infiéis. Por essa razão, e passado tanto tempo, os do norte ainda não perderam a mania de chamar aos do sul, mouros, não se sabendo muito bem a razão de tal epíteto. Talvez invejas, quem sabe?...
Cidades como Lisboa e Santarém, com as suas famosas mourarias, são exemplos da influência dos árabes na cultura peninsular. Expressões milenares e populares como Oxalá (queira Deus, ou Alá), ou Habibi (ah, Bibi, meu amor! - não confundir com o bibi da Casa Pia), fazem parte do nosso quotidiano lexical.
Bom, mas prosseguindo: Afonso Henriques, filho de pai incógnito e dos desvarios lascivos de Leonor Teles (à qual Herculano, com a cruel acutilância da sua caneta viperina apelidou de Lucrécia Bórgia portuguesa), depois de enclausurar a mãe, para sempre, na torre do castelo de Guimarães, por comportamento inapropriado para uma senhora nobre, e após ter trespassado o galego Fernão Peres, seu amante (*), veio por aí abaixo e tomou Almeirim, Alpiarça, Almoçageme, Almargem do Bispo, Almada, Alcoentre, Alvalade, Alcoitão, Alcotim, Albufeira, Alcabideche, Alcochete, Alfragide, Aljustrel, Almádena, Alvide, Almancil e Alfandaga (se omiti algumas, peço desculpa ao Professor José Mattoso pela minha ignorância).

O poder discricionário de Afonso Henriques consolidava-se a olhos vistos e até o Papa Inocêncio II, temeroso de perder a influência da Igreja junto dos reinos católicos da Europa, ofereceu-lhe uma bula Manifestis Probatum, o equivalente a um actual e delicado serviço de chá em porcelana da Vista Alegre, o qual teve que ser forjado a ferro forjado - passe a redundância - , dada a tendência do Fundador para partir a loiça toda. Naquele tempo, infelizmente, não existiam as boas maneiras dos tempos modernos e Afonso Henriques era disso um triste exemplo porque era um homem muito colérico.

Todavia, o Papa não lhe ofereceu a bula, assim do pé para a mão ou da mão para a chávena, para ser mais correcto. Houve alguma bulha entre ambos e a coisa ferveu quase até transbordar, até que a culpa papal só foi sancionada no papado de Alexandre III, quando finalmente reconheceu Portugal como nação indivisível pela unidade e por si mesma, o que foi uma pena, dado que a Espanha aqui ao lado que, não desfazendo, até era uma prima muito gira, ficou com o maior quinhão da Península Ibérica. 

De toda a Europa cristã choveram elogios. Desde Merkel a François Hollande, passando por Jean-Claude Juncker e, imagine-se, Jean-Claude Van Damme! 

O vigarista Mario Draghi, o tachista Constâncio e a negligente Christine Lagarde, todos lhe testemunharam a sua confiança e admiração. Não! Efectivamente o reino de Portugal não tinha nada a ver com o reino da Grécia. Longe disso, lagarto, lagarto (sem desprimor para o Sporting)!


No decorrer do seu longo reinado ainda teve muito tempo para fazer das dele. Não esqueçamos que foi ele que empurrou o Martim Moniz contra as portas do castelo de São Jorge, quando da tomada da cidade de Lisboa aos mouros, com sacrifício da própria vida. Da vida do Martim Moniz, evidentemente!

Foi ele, também, que derrotou os infiéis em Campo de Ourique, após a aparição de um misterioso ancião que já tinha visto em sonhos e que lhe terá dito que nem precisava de lutar, pois a vitória estava no papo. E não é que tinha razão, o raio do homem?!

Anos mais tarde, cheio de gota, ainda teve força para dar uma saltada a Lisboa para fundar o Instituto Superior Técnico ao cimo da Alameda à qual deu o seu nome. Nunca se livrou da fama que tinha de ser megalómano e um vaidoso do caraças!

Tudo isto não é novidade para quem se debruça em cima da História de Portugal e dos Algarves. Perguntem ao Professor José Mattoso, se acham que isto é uma peta!

 

Outras curiosidades que ficarão eternamente por esclarecer, têm a ver com a cota de malha que Afonso Henriques usava. Terá sido feita em pura lã virgem made in Portugal ou já naquele tempo se importava porcaria da China? E quando viajava no seu corcel usava capacete e ligava as luzes? E como teria ele assinado o tratado de Samora Correia? Terá sido em cruz? Há quem sustente a tese de que Afonso não foi um aluno exemplar no primeiro ciclo, mas são só conjecturas.

Mais: teria o fundador a noção de que estava a fundar algo? Isto porque já naquela altura corria o boato de que sofria de Alzheimer. É que o tempo médio de vida rondava os 40 anos e Afonso já ultrapassara esse limite há muito!
E, por último, e não menos importante, teria Afonso Henriques enriquecido ilicitamente - coisa vulgar em Portugal - ou foi, também, enganado pelo Ricardo Salgado, depois de ter sido pelo Oliveira Costa com aquela história das acções que não conseguiu vender a 2,75 euros?

São perguntas às quais nenhum historiador poderá, infelizmente, responder.

 

(*) Supostamente de sua mãe. Até à data desconhece-se se Dom Afonso Henriques tinha algum caso com o Peres. As razões do homicídio do espanhol, às mãos do rei (ou à espada do rei), nunca foram devidamenete esclarecidas e caberão noutra história.

Mais sobre mim

foto do autor

NOTA MUITO IMPORTANTE

O AUTOR DESTE BLOGUE ESTÁ-SE A MARIMBAR PARA O ACORDO ORTOGRÁFICO!

ESPREITADELAS

hitwebcounter

FLORES DE MAIO

Mensagens

JAZZ COM BIFANAS

O SEU A SEU DONO

Se, neste blogue, houver lugar à existência de qualquer violação de direitos de autores de obras intelectuais, agradeço que me contactem através de joaoratao1@sapo.pt (ou aqui), por forma a poder corrigir a situação. Obrigado.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Calendário

Fevereiro 2015

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728

Comentários recentes

  • Anónimo

    Bocage in "O Bordel Português"Saudações cordiais

  • Anónimo

    Faz-nos pensar que, aqui e ali, ainda se vão encon...

  • Anónimo

    Faz lembrar essa grande quadra de autor desconheci...

  • Anónimo

    Eu ia dizer - que f.... da ..... de texto tão rico...

  • João Ratão

    Pois, com certeza, nem refuto!

subscrever feeds

Pesquisar