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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

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CARTA AO MENINO JESUS

natal feliz.jpeg

Tinha escrito uma cartinha muito bonita ao Menino Jesus, como o senhor professor de Educação Moral e Religiosa Católica sugerira a todas as crianças.

Pensava que, desta vez, não haviam razões, devidamente fundamentadas, que levassem o Deus Menino a recusar o seu pedido. Ademais, com toda a justiça, diga-se de passagem, pois até parecia que Ele andava de candeias às avessas com ele, sem saber a causa de tanta animosidade. Isto porque era uma criança que comia a sopa toda, não se metia em rixas, ia regularmente à missa, frequentava a catequese, enfim, ele era mesmo um menino muito bem comportado; um anjinho se assim se pode dizer. Por conseguinte, passarem Natais a fio sem responder às suas cartas, sem uma lembrança no sapatinho, por muito singela que fosse, era razão para se sentir triste e incomodado.

Afinal, até nem era um rapaz muito exigente; queria apenas aquela XBox 360, ou a Nintendo Wii que tinha visto naquela montra, apelando, fascinantes, para que as levasse. Claro que as duas seriam o ideal, mas convinha não abusar da bondade do Menino Jesus e, como referi, ele era um garoto que se contentava com pouco, coitadinho.

Depois de ter remetido a carta para o endereço habitual, algures no Céu, desejou que o tempo passasse depressa até àquele dia tão apetecido em que os meninos, maravilhados com o espírito natalício, se enchem de sorrisos e muita ansiedade. Mesmo os meninos pobres, porque não que diabo (ai, perdão!)?! Compreensível, n'é?
Quando chegou o dia e a hora de abrir as prendas teve mais uma grande decepção: à medida que ia desembrulhando a sua, com a impaciência que caracteriza as crianças com expectativas muito elevadas, anteviu logo a coisa que se escondia dentro daquele embrulho tão dolosamente atraente: um comboio de plástico, horrível, ainda por cima "made in China", pormenor que o deixou muito irritado. Largou o estúpido brinquedo e saiu dali lavado em lágrimas e indignado com o Menino Jesus. Ele acabara de lhe frustrar as esperanças mais uma vez.
Depois ainda se admiram com o facto de as crianças não gostarem de rezar, valha-lhes Deus!...

 

 

O ANJO CAÍDO

anjo caído.jpg

Não tinha faltado nada na mesa da consoada.

Para além do tradicional bacalhau com couves, as rabanadas, a aletria, as filhós, o arroz doce e demais iguarias com que todos se tinham regalado, sobrara a impaciência pelo soar das doze badaladas da meia noite. Ir à cozinha abrir as prendas que o menino jesus lhes tinha deixado no sapatinho, ia ser o culminar de todas as expectativas; satisfeitas ou não, era o que se ia constatar após a décima segunda badalada.
As crianças eram as mais impacientes, como é compreensível, pois queriam saber se o Menino Jesus tinha atendido os seus pedidos.
Subitamente ouviu-se um estrondo abafado vindo da cozinha e um leve cheiro a algo queimado..., incenso talvez.
«É o Menino Jesus, é o Menino Jesus! » - Gritaram os miúdos excitados.
«N'é nada, ainda é muito cedo!» - Ripostou o pai.
Levantaram-se dos seus lugares e acorreram à cozinha para ver o que tinha acontecido. Tal não foi o espanto geral quando se depararam com um anjo caído com as asas machucadas, o qual, meio combalido como é natural nestas circunstâncias, se identificou como sendo um anjo da guarda que passava por ali quando um problema numa das asas o forçou a fazer uma aterragem de emergência. Feitas as apresentações, desfez-se em desculpas e prometeu que iria ressarcir a família pelos prejuízos causados por aquele infeliz contratempo.

No meu tempo os anjos da guarda eram fiáveis, que diabo!...Ups, perdão!

FOTO MISTÉRIO

 

angela a bela.png

Olá, cá estou, novamente, com mais uma foto mistério para gáudio dos caros leitores - contam-se por largas centenas - que têm passado as vistas turvas pelo meu blogue.


À semelhança das anteriores, manipulei a foto, no sentido de pôr à prova, uma vez mais, a memória visual dos visitantes. Presumo que quase todos devem ter adivinhado de quem se trata, sendo tão evidente, quase a roçar o escandaloso! Mas eu dou uma ajudinha: trata-se, efectivamente e por ventura, de uma cantora famosa do século passado. Alemã, Marie Magdelene Dietrich von Losch (Berlim, 27 de Dezembro de 1901 — Paris, 6 de Maio de 1992), ou simplesmente Marlene, para os amigos do peito.

Dos seus ascendentes quase nada se sabe, a não ser o facto de ter sido concebida na ex-República Democrática da Alemanha, de ter crescido num ambiente muito austero e de, em pequenina, sonhar que um dia ia mandar na Europa. Para além disso, aprendeu a conduzir num Trabant que era a única coisa com quatro rodas que circulava do lado de lá do "Check Point Charlie", mas o seu sonho de menina era um dia poder conduzir um Mercedes, ou um Audi. E pronto, sabe-se também que, para os seus admiradores incondicionais, ela será eternamente a bela "Der Blonde Engel", muito embora esta imagem não abone em favor dessa ideia.

Penso que esta é de caras. No entanto aqui ficam as sugestões do costume onde somente uma corresponde à personagem proposta.
Não há prémios, à semelhança das fotos mistério anteriores, mas podem continuar a escrever as respostas através de bilhete-postal e endereçá-las para as residências habituais para testarem o grau de morosidade dos CTT.


Sugestões:


Ângela Merqueis da Silva

Rute Marlene

Dona Idalina do 1º Esqº

Isaltino Morais

Paula Teixeira da Cruz

 

Boa sorte!

 

PORTUGAL EMPENHADO

gordurinhas1.jpg

Que Portugal continua empenhado, estou fartinho de saber. E também estou fartinho de saber que esse empenhamento vem do tempo do Afonso Henriques, um chato que quis transformar um condado num reino e deu esta coisa, passados 900 anos: umas quantas quintas repartidas por meia dúzia de mânfios, alguns do quais ligados a interesses estrangeiros. Vantagens para o povo português, nenhumas! Muitas para eles e para os Miguéis Vasconcelos deste pequeno pardieiro à beira-mar plantado; o que me leva a crer, cada vez mais, que Portugal está nas mãos de retalhistas, mas retalhistas de uma estirpe da pior espécie. Gente incaracterística, gente que olha para o nosso país como uma superfície comercial em que tudo está à venda. Esta gajada não é portuguesa, porra! Basta escutá-los; os seus discursos afinam pelo mesmo diapasão, apelando ao conformismo colectivo. "As coisas estão como estão, pronto, eram inevitáveis, produto da crise vinda de fora e da fragilidade da nossa economia", et cetera. Cada um que se desengome conforme puder. Não aguentam? Ai, não que não aguentam! Entretanto vão-se amanhando e aos amigos, em surdina, com as negociatas da nossa desgraça, pintando-as com tons rosáceos, tentando convencer-nos de que sairemos a ganhar com as suas transacções manhosas. 
Mas nem tudo está mal, temos a Isabel Jonet, a Caritas, as misericórdias e outras causas que se dedicam à caridade. Não é que eu esteja contra a filantropia e o trabalho, cada vez mais frustrante, das instituições de solidariedade social. Assim eu fosse menos comodista e dispusesse de um pouco do meu tempo para fazer qualquer coisa no sentido de contribuir, também, para minimizar os efeitos da pobreza alheia, mas, abstenho-me de aprofundar os motivos da minha falta de solidariedade, pelo menos no terreno. Ficará para um tópico condicente. O que me inquieta bastante é o facto de ouvir pronunciar a palavra caridade desde que me conheço. Parece ser um mal crónico do nosso país...


Ao contrário do Cavaco, essa figura tétrica, nossa contemporânea, não tenho dúvidas que nos empenhámos a fundo; e ele foi um dos que mais contribuiu para o nosso empenhamento. Mas há outros figurões a tentar sacudir a água do capote. Como se não tivéssemos memória. Ainda ontem as televisões mostraram até à exaustão o figurão Cavaco a condecorar o figurão Barroso por serviços relevantes prestados à Pátria. E não há ninguém importante e com coragem suficiente para enfrentar ventos e marés que grite, alto e bom som, que o rei vai nu?!...


"A situação tornou-se insustentável", afirmam os habituais arautos da desgraça. Como se a culpa da desgraça fosse de quem trabalha, ou de quem já trabalhou. Então, a solução é continuarmos a apertar. É fácil dizê-lo, conquanto sejamos nós a fazê-lo. Como se isso estivesse inscrito no nosso código genético, uma espécie de fado triste. E conformamo-nos com estas cenas de caridade, encarando-as como um destino trágico do qual não conseguimos escapar. Como se 40 anos de "democracia" não tivessem sido suficientes para acabarem as desigualdades sociais e volvidos que são, tornamos a ouvir dizer que é preciso fazer qualquer coisa. E nada se faz, ou, pelo menos, faz-se fingindo que se faz...


Certamente exagerámos no empenhamento, ou melhor, não nos empenhámos o suficiente, se o quisermos interpretar de dois modos. Certo é, também, que as dívidas ascendem a absurdos milhares de milhões de euros, bem para além do imaginável, e jamais as pagaremos. Mesmo com a 'valiosa colaboração' da agiotagem troikista. Quer dizer, lá vamos pagando aos bochechos através do desbaste que estes miseráveis sem alma e sem sentido patriótico nos andam a fazer aos já parcos vencimentos e pensões. Mas, mesmo este brutal sacrifício a que estes bandidos a soldo da finança internacional nos estão a sujeitar, é nada, não vai resolver coisíssima alguma, vai hipotecar o futuro dos nossos filhos e netos, e esta gajada jamais será julgada pelos crimes que tem cometido ao longo de décadas. E porquê? Porque a Constituição não prevê penas para políticos por crimes lesa Pátria.
Assim, nesta história mil vezes repetida, só se safam os ladrões do costume, aqueles que conhecemos sobejamente e que parecem gozar de um estatuto de impunidade, apenas admissível em ditaduras, ou em sociedades terceiro-mundistas. Senão vejamos: sociedade onde um gajo paga 3 milhões de euros de caução para não ir bater com os cornos no xadrez, é uma sociedade democrática?...


Em cada legislatura, a cavadela ganha contornos abissais, e a generalidade dos portugas - uns nhurros do caraças - insiste na 'medicina tradicional'. Se assim é, que fazer? Outra revolução já não dá; faltam alguns ingredientes românticos, nomeadamente um cheirinho a esperança, a cravo e a maresia. O cheiro que persiste é um cheiro a morte anunciada: a morte da minha Pátria. Vislumbro-lhe os sinais. A não ser que...


Portanto este meu lamento vale o que vale, é um mero desabafo, um peido de passarinho e pronto, temos o que merecemos e venham de lá mais impostos escondidos que, só por si, não terão muito valor, pois são pequenas taxas, as taxas sobre as taxas e as taxas sob as taxas, o IRS sobre as taxas, as sobretaxas e as subtaxas. O somatório de tantas pequenas taxas é que dói na liquidez do nosso repositório; pelo menos dos que não têm como se protegerem deste saque vergonhoso que interessa perpetuar em nome de um futuro incerto. Mas é só porque continuamos a fazer apostas erradas...

IMPOSTOS INOVADORES

casal gay.jpg

Finalmente, o orçamento foi aprovado na generalidade pela maioria, e já estou a pensar na introdução de novas taxas, taxas inovadoras que possam garantir a "sustentabilidade social". Não, não me refiro à "fiscalidade verde". Essa será motivo para outro artigo lá mais para diante. Refiro-me, por exemplo, a taxas moderadoras especiais, no Serviço Nacional de Saúde, que poderiam ser cobradas consoante a gravidade da doença ou a introdução daquela figura promocional do pague uma e leve duas ou mais doenças para casa. Isto em casos de contágios hospitalares. É consabido que há hospitais onde surgem, às vezes, problemas bacteriológicos graves, com consequências, às vezes, fatais para os seus utentes e funcionários. Também se poderia proporcionar aos pacientes descontos especiais para quem padecesse de mais de três doenças.

Nas intervenções cirúrgicas o preço final a pagar deveria depender do tamanho do órgão extirpado. Por exemplo, apêndices que pesassem menos do que 5 gramas, ficariam isentos de pagamento de taxa, a menos que se encontrassem severamente inflacionados. Será que o ministro da saúde nunca se lembrou disto? Para mais sendo banqueiro...

E um imposto sexual? Penso, também, que seria uma excelente ideia, dado que os portugueses continuam a praticar sexo regularmente, embora nem sempre nas mais perfeitas condições, mas isso seria uma questão de pormenor. Afinal o sexo e as suas variáveis são práticas generalizadas a todas as camadas sociais e penso que seria uma decisão muito democrática taxar a coisa consoante o número de coitos, ou seja, quanto mais o contribuinte fodesse, digamos assim, mais pagaria. Seria lógico e justo. É claro que também consigo imaginar as pessoas a terem relações sexuais às escondidas, à revelia do fisco ou até, mesmo, acabarem com tal prática por incapacidade económica para cumprirem com as suas obrigações contributivas.
Para prevenção de situações de incumprimento por negligência, o governo poderia lançar uma campanha de sensibilização da opinião pública, nomeadamente em "spots" publicitários e na TV, em que figuras publicas, políticos inclusive, dariam a cara para, independentemente das suas escolhas sexuais, manifestarem a sua solidariedade com os sacrifícios dos portugueses. Isto, não obstante salientarem a importância de mais este imposto que só viria trazer benefícios à generalidade dos contribuintes, reforçando essa ideia com slogans do género: "Tivemos prazer porque pagámos o imposto", et cetera.


Para concluir, lembrei-me agora de um outro que seria interessante: um imposto de digestão a incluir na factura do restaurante. Assim, o governo poderia reduzir o IVA da restauração, com a adição deste último, os empresários da industria iriam ficar muito contentes e os clientes iriam ter digestões mais rápidas...

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