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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

NÃO TER ONDE CAIR MORTO

"A notícia de que a família Espirito Santo não tinha um único bem em seu nome elucidou-me sobre o tipo de sociedade em que vivemos, aonde chegámos. Juristas meus amigos garantiram-me que é perfeitamente legal um cidadão, ou cidadã, ou uma família não ter qualquer bem em nome próprio. Nunca tinha colocado a questão da ausência de bens no quadro da legalidade, mas no da necessidade. Acreditava que pessoas caídas na situação de sem-abrigo, refugiados, minorias étnicas não enquadradas como algumas comunidades ciganas podiam não ter nada em seu nome, mas até já ouvira falar no direito a todos os cidadãos possuírem uma conta bancária, um registo de bens, nem que fosse para prever uma melhoria de situação no futuro. Considerava um acto de reconhecimento da cidadania ter em seu nome o que pelo esforço, ou por herança era seu. Chama-se a isso “património”, que tem a mesma origem de pai e de pátria, aquilo que recebemos dos nossos antecessores e que faz parte dos bens que constituem a entidade onde existimos.
Estes conceitos não valem para os Espirito Santo, para estes agora desmascarados e para os da sua extracção que continuam a não ter bens em seu nome, mas têm o nome em tantos bens, em paredes inteiras, em tectos de edifícios, em frontarias, em supermercados, em rótulos de bebidas.
O caso da ausência de bens dos Espírito Santo trouxe à evidência o que o senso comum nos diz dos ricos e poderosos: vivem sobre a desgraça alheia. Até lhe espremem a miséria absoluta de nada possuírem. Exploram-na. No caso, aproveitam a evidência de que quem nada possui com nada poder contribuir para a sociedade para, tudo tendo, se eximirem a participar no esforço comum dos concidadãos. Tudo dentro da legalidade e da chulice, em bom português.
Imagino com facilidade um dos seus advogados e corifeus, um Proença de Carvalho, por exemplo, a bramar contra a injustiça, contra o atentado às liberdades fundamentais dos pobres a nada terem, à violência socializante e colectivista que seria obrigar alguém a declarar bens que utiliza para habitar, para se movimentar por terra, mar e ar, para viver, em suma. Diria: todos somos iguais perante a lei, todos podemos não ter nada, o nada ter é um direito fundamental. Para ter, é preciso querer, e os Espirito Santo não querem ter, querem o direito de usar sem pagar. O mesmo direito do invasor, do predador.
A legalidade do não registo de bens em nome próprio para se eximir ao pagamento de impostos e fugir às responsabilidades perante a justiça é um exemplo da perversidade do sistema judicial e da sua natureza classista. Esta norma legal destina-se a proteger ricos e poderosos. Quem a fez e a mantem sabe a quem serve. Os Espirito Santo não são gente, são empresas, são registos de conservatória, são sociedades anónimas, são offshorescom fato e gravata que recebem rendas e dividendos, que pagam almoços e jantares. Não são cidadãos. As cuecas de Ricardo Espirito Santo não são dele, são de uma SA com sede no Panamá, ou no Luxemburgo. A lingerie da madame Espirito Santo é propriedade de um fundo de investimento de Singapura, presumo porque não sou o contabilista.
Mas a ausência de bens registados pelos Espirito Santos em seu nome diz também sobre a sua personalidade e o seu carácter. A opção de se eximirem a compartilhar com os restantes portugueses os custos de aqui habitar levanta interrogações delicadas: Serão portugueses? Terão alguma raiz na História comum do povo que aqui vive? Merecem algum respeito e protecção deste Estado que nós sustentamos e que alguns até defenderam e defendem com a vida?
Ao declararem que nada possuem, os Espirito Santo assumem que não têm, além de vergonha, onde cair mortos!
O ridículo a que os Espirito Santo se sujeitam com a declaração de nada a declarar com que passam as fronteiras e alfândegas faz deles uns tipos que não têm onde cair mortos, uns párias.
A declaração de “nada a declarar” em meu nome, nem da minha esposa, filhinhos e restante família dos Espirito Santo, os Donos Disto Tudo, também nos elucida a propósito do pindérico capitalismo nacional: Os Donos Disto Tudo não têm onde cair mortos! O capitalismo em Portugal não tem onde cair morto!
Resta ir perguntar pelas declarações de bens dos Amorins, o mais rico dos donos disto, do senhor do Pingo Doce, do engenheiro Belmiro, dos senhores Mellos da antiga Cuf, dos senhores Violas, dos Motas da Engil e do senhor José Guilherme da Amadora para nos certificarmos se o capitalismo nacional se resume a uma colecção de sem abrigo que não têm onde cair mortos! É que, se assim for, os capitalistas portugueses, não só fazem o que é costume: explorar os pobres portugueses, como os envergonham.
Os ricos, antigamente, mandavam construir jazigos que pareciam basílicas para terem onde cair depois de mortos – basta dar uma volta pelos cemitérios das cidades e vilas. Os ricos de hoje alugam um talhão ao ano em nome de uma sociedade anónima! Os Espirito Santo, nem têm um jazigo de família!
Eu, perante a evidência da miséria, se fosse ao senhor presidente da República, num intervalo da hibernação em Belém, declarava o território nacional como uma zona de refúgio de sem-abrigo, uma vala comum e acrescentava a legenda na bandeira Nacional: “Ditosa Pátria que tais filhos tem sem nada!”

Carlos de Matos Gomes, Capitão de Abril e escritor

Como romancista assina com o pseudónimo: Carlos Vale Ferraz

PORTUGAL NA LIGA ÁFRICA E AS SANÇÕES À RÚSSIA

PORTUGAL ESTÁ DE SAÍDA

Depois da última visita do primeiro ministro à Alemanha para explicar as razões dos sucessivos chumbos do Tribunal Constitucional a várias medidas e normas do Orçamento do Estado, aprovadas pela maioria e não obstante a compreensão manifestada pela senhora Merkel pelos problemas do nosso país, estará para breve - pensa-se - a saída de Portugal da Zona Euro e da Liga dos Campeões Europeus, transitando para a Zona África e, por inerência, liga África como membro de pleno direito.

 

PORTUGAL NA LIGA ÁFRICA:

«Há muito que deviam estar lá, pois estando ainda a muitos anos-luz dos nossos padrões de vida elevados, têm qualidades suficientes para poderem pertencer com gorgulho - perdão, orgulho à liga África.» - Teria afirmado um deputado do Parlamento Europeu, um nórdico imberbe cheio de pústulas na cara e um queixinhas de merda.

 

o preço certo.jpg

PORTUGAL E AS SANÇÕES À RÚSSIA:

Nos corredores diplomáticos comenta-se muito a dureza das sanções impostas pelo governo português à Rússia. Uma fonte próxima do Kremlin Palace Hotel chegou a afirmar: «Com as outras era canja, mas com estas não sei se nos iremos aguentar durante muito tempo só com caldinhos de arroz ...»
De entre os que defendem enérgica e patrioticamente estes actos executórios, conta-se a presença do conhecido compositor e maestro António Vitorino de Almeida que tem tocado ininterruptamente uma marcha fúnebre, ao piano, em frente à embaixada da Rússia, vai para três meses e um dia e já só toca com os dedos dos pés por via de uma tendinite aguda nos membros superiores. Como consequência já se contam 12 neuroses depressivas, 6 tentativas de suicídio, cinco das quais com resultados de sucesso e um traumatismo ucraniano.
No entanto, o "nosso" governo não cede um palmo e ameaça intensificar as sanções, passando a realizar o concurso "O preço certo", todos os dias, mesmo à porta da embaixada.

Vladimir Putin já tinha telefonado ao seu homólogo português na tentativa de o convencer a dissuadir o primeiro ministro de não avançar com mais medidas que em nada beneficiariam o clima de boas relações existente, até àquela data, entre os dois países. Como medida de retaliação, contra-ameaçou com o bloqueio total às nossas exportações de rolhas de cortiça, muito utilizadas na produção de bebidas alcoólicas, nomeadamente na rolhadura de garrafas de vinho, foice a martelo ou outro qualquer que levasse tudo menos uvas...

"ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS"

Lembrei-me do fantástico "thriller" dos irmãos Coen, baseado no romance homónimo do americano Cormac McCarthy e protagonizado por excelentes actores, entre os quais destaco Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin e Woody Harrelson.

 

"Os portugueses vivem cada vez mais. Mais… e pior. A partir de certa idade, os nossos idosos, sem condições de dignidade, sobrevivem apenas. O aumento da esperança média de vida para os 79 anos deve-se à melhoria dos níveis gerais de salubridade e é uma das maiores conquistas da revolução de Abril. Infelizmente, a sociedade não se preparou para as consequências que daqui decorrem e os problemas sentem-nos hoje, amargamente, os idosos.

Com a idade chega, para muitos, a solidão. Na província desertificada, mas também nos centros urbanos, onde o problema é até mais grave, com os idosos a viverem abandonados, sitiados nas suas próprias casas, ora em centros históricos degradados, ora nesses guetos a que chamam bairros sociais. E mesmo nas classes médias desapareceu o conceito de família alargada, realidade hoje rara, que permitia outrora que os filhos apoiassem os pais, enquanto estes acompanhavam os netos.

Mas a saúde, ou falta dela, é o aspecto mais dramático do envelhecimento da população. O apoio médico é escasso, os medicamentos caros. Particularmente aflitiva é a situação dos afectados pelas patologias degenerativas. Só a doença de Alzheimer atinge hoje 100 mil portugueses e respectivas famílias. Não havendo condições para manter os idosos em casa, os familiares internam-nos em instituições que, apesar de desenvolverem um trabalho meritório e abnegado… também não dispõem de condições. Os lares e centros de dia recebem, nas mesmas instalações, idosos capacitados, ao lado de outros que padecem de Alzheimer. Os dirigentes das instituições não descobrem soluções para esta coexistência, os funcionários não dispõem de respostas técnicas. Os utentes e respectivas famílias desesperam.

O panorama só tende a piorar. Já não há garantias de que as reformas cheguem para todos, pois são cada vez menos os que trabalham e têm de sustentar um número crescente de aposentados. Doravante, a solução para quem não é rico ou não emigrou em novo… é não chegar a velho."

 

Paulo Morais in Jornal de Notícias - Opinião - 14-04-2010. Mais actual do que nunca...

 

DÚVIDAS, SÓ O CAVACO É QUE AS NÃO TEM

dúvidas, só o cavaco é que as não tem.jpeg

"Se hesito, logo existo!", é uma frase que, embora muitos julguem que não foi dita por Descartes, pensador compulsivo e com um discurso muito metódico, poderia ter sido dita antes de pensar que existia. Se não a disse é porque hesitou. A única coisa da qual ele não podia duvidar era da própria dúvida e, por consequência, do seu pensamento.

Quanto a mim, é facto que sou uma pessoa muito hesitante e, se hesito, tenho dúvidas. Dúvidas são sempre problemas chatos c'mo caraças que surgem à última hora. Presumo que seja isso, não obstante as habituais incertezas persistentes.
Certo, certo, é que já nada me parece certo, ainda que tenha uma vaga noção de já ter lido ou escutado isto em qualquer lugar.
À parte estes considerandos de natureza pessoal, dos quais ninguém quer saber, para além de mim, ou não fossem eles de natureza pessoal, penso que me vou decidir, a não ser o ressurgimento de alguma dúvida imprevista.
A talhe de foice, lembrei-me que, se persisto em duvidar, alguém vai decidir por mim, é sempre assim e sempre assim será através dos tempos. "Per omnia secula seculorum" - para sempre e sempre, segundo o tradutor do Google, que eu de latim pesco zero.
Ora, uma decisão é sempre algo de importância vital porque, ou uma coisa ou outra ou por outra; não se pode ficar na meia dúvida mesmo que haja engano. Nesta perspectiva, uma decisão, bem vistas as coisas, são duas e ambas assumem a mesma importância. Assim sendo, é complicado, "deveras aborrecido", mesmo - parafraseando a minha prima Vera, uma complicadinha do catano que até dá dó!

No entanto, se é muito complicado por um lado, por outro também pode facilitar as coisas porque hesitar faz parte de quem tem dúvidas. E se se hesita, é porque a dúvida persiste. O mundo seria bestialmente monótono se apenas existisse uma decisão sem hesitação. Valha-me Deus, nem quero pensar nisso!

A CRISE ESTÁ ESGOTADA!

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Após uma reunião extraordinária do conselho de ministros, chegou-se à conclusão geral e consensual de que a crise era brutal, mas não era inesgotável. Talvez se tivesse abusado um pouco, mas foi tudo feito com muita transparência e dentro da legalidade democrática!

Claro que houve um ou outro ministro mais afoito que exigiu que se apurassem responsabilidades. Todavia, não passou de um desabafo circunstancial e os desabafos circunstanciais valem o que valem, graças a Deus. Até houve alguém que lhes disse energicamente para se calarem, pelo que recebeu bastantes aplausos da maioria dos presentes.

Um dos ministros lamentou que, de uma forma ou outra, se tenha contribuído para a delapidação da crise, quando o pensamento da maioria era de que havia abastecimento para muito tempo e que até dava para exportar o excedente para a Grécia que bem precisada estava...

Isto, para além da imprevidência de nunca se ter segurado a crise contra danos próprios. É uma falha irrevogável e, como tal, imperdoável para qualquer crise. Venha ela de onde vier!
"Irrevogável" foi um termo muito badalado por quase todos os presentes, acérrimos promotores da crise, que afirmaram ter gasto acima das suas possibilidades.
Por enquanto não foi emitido qualquer comunicado oficial sobre esta reunião, ficando no ar a grande questão: o que é que vai acontecer quando se confirmar que as reservas da crise estão esgotadas. Já há quem especule, nomeadamente os soalheiros do costume que, feitas as contas, vamos ter que apertar mais os cintos. São tão parvos, valha-lhes Deus!...

OS BENEFÍCIOS DA DESABITUAÇÃO

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Há quem diga que a necessidade aguça o engenho ou algo parecido, mas imaginemos, em tese, que deixando de haver a necessidade também se pode dispensar o engenho e passo a desenvolver o meu raciocínio.
Comecei com esta curtíssima introdução para defender algo que tenho andado a cogitar há algum tempo. É um contributo pessoal, sem fins lucrativos, na procura de formas de tentar minorar os efeitos das malfadadas crises que têm contribuído para o nosso atraso secular. Diz o povo, e convém não lhe desdenhar a sabedoria, que as crises são devidas à má qualidade dos nossos governantes - actuais e ancestrais. Para ajudar à festa, ainda levamos com as crises alheias; é injusto e há que procurar um remédio para isto; uma coisa assim a modos que radical.
Ora se, como diz mais uma vez o povo, "não há tabaco, não há vício", o mesmo se poderia dizer em relação a outros como, por exemplo, o vício do álcool. Presumo que, desaparecendo o vinho e as restantes bebidas alcoólicas, desapareciam os alcoólicos anónimos, pois não haveria razão para existirem.

Aliviados das despesas supérfluas do tabaco e do álcool, o ordenado mínimo já chegava para melhorar o rancho; pelo menos uma vez por mês. Bebia-se água da torneira nos restantes dias, não obstante as toneladas de cloro que lhe botam. Livres destes, passaríamos ao combate ao vício de comer carne. No primeiro mês íamos estranhar, mas, depois de feito o desmame, carne para que te quero! - Como é curial dizer-se.
Frases tipo "ainda me lembro do tempo em que comia entrecosto" ou "era um consumidor inveterado de lombinhos de vitela com cogumelos", teriam o mesmo sentido nostálgico de outras como, por exemplo, "ainda sou do tempo em que o feijão careto era a dez tostões o litro".

Perdido este hábito penso que, todos, veríamos a nossa situação económica melhorada e a aproximar-se a passos largos dos padrões de qualidade de vida dos países mais desenvolvidos da União Europeia.
Seria, então, a altura mais apropriada para atacar outra pecha muito nossa de comer peixe. Ou não fossemos um país virado para o mar, nomeadamente para a importação de pescada do Chile e peixe gato. Teria de haver aqui outro desmame. Digamos que no primeiro ano poderia comer-se peixe com a frequência com que se come, na generalidade, corvina ao sal ou Linguado au Meunier.
Sem gastarmos um cêntimo no tabaco, no álcool, na carne e no peixe, estou convicto de que este seria um ponto de viragem histórico. Finalmente, após dezenas de anos (para não falar em centenas que é muito chato), seríamos capazes de equilibrar a balança de pagamentos a nosso favor.
Mas teríamos de abandonar outros hábitos estúpidos como, por exemplo, o vício da pedinchice; é tão feio! Era reabilitar a velha Mitra, mandar para lá os pedintes de rua a pão e água, vadiagem! - é evidente que os turistas estrangeiros não apreciam bilhetes-postais destes, por amor da santa!
Acabava-se, também, com os transportes públicos e, por consequência, com os passes sociais para velhinhos reformados que só sabem andar sentados. É consabido que andar a pé faz bem às coronárias e, enfim, juntar-se-ia o útil ao agradável, pois evitaria mais uma despesa supérflua. Concretizada esta desabituação, passaríamos a combater outros hábitos muito enraizados na nossa tradição alimentar, tais como os lacticínios. Acabar-se-ia com a criação de gado leiteiro e, consequentemente, com a produção de leite e seus derivados.
Contudo, saindo um pouco deste âmbito, entraria no universo daquilo que usamos para nos vestirmos. Far-se-iam, primeiro, testes às pessoas no sentido de avaliar a sua resistência física aos elementos. Sabe-se que os nórdicos, e mais acima os esquimós, desenvolveram capacidades de resistência extraordinárias. Testemunhamos exemplos disso quando nos visitam no Inverno. É vê-los a passear de "slips" nas ruas enquanto nós andamos super-agasalhados e mesmo assim a tiritar de frio. Portanto, parafraseando uma afirmação de um conhecido banqueiro após uma questão levantada por um repórter sueco: "Se vocês aguentam o frio, os portugueses não aguentam porquê? Ora, essa! Ai, isso é que aguentam!"
Penso que, com um bocadinho de força de vontade, também podemos reduzir drasticamente o uso da roupa. Ora, devido às economias proporcionadas por mais esta desabituação, não tenho dúvidas (e raramente me engano) que o nosso nível de vida subiria em flecha e poder-nos-ia colocar quase no topo dos países com maior poder de compra e, por conseguinte, com melhor qualidade de vida.
Outro vício como o hábito de morar dentro de casa perder-se-ia facilmente através de incentivos à banca, no sentido de dificultar, ainda mais, o crédito à habitação. Aliás, isso já acontece nos dias actuais. A banca já só empresta a quem tiver dinheiro para a comprar a pronto, por muito paradoxal que nos pareça. Outro paradigma deste enorme esforço da banca para que se perca mais um hábito inútil, é o concernente ao crédito mal parado. Há um número cada vez maior de famílias, cujas casas são penhoradas pela banca porque deixaram de ter dinheiro para as pagar, e isso representa uma grande aposta nos benefícios da desabituação. Há que estimular campanhas com o objectivo de mentalizar as pessoas para o ar livre. Viver do ar é natural e saudável. Há muita gente que vive do ar e não tenho conhecimento de que tivesse morrido... até à data.
É tudo uma questão de força de vontade. Se as pessoas colaborarem, os salários e as pensões chegam para todos e isso colocar-nos-á no topo dos países mais desenvolvidos do mundo. Vamos torcer pela desabituação total! Bora lá?

SEXO COM UMA PAPAGAIA

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"Um dia deambulava pelo Centro Comercial Colombo mais o meu pai e, porque já tínhamos as barrigas a darem horas, lembrámo-nos de comer por lá qualquer coisa.

Dirigimo-nos à zona da restauração e entrámos numa pizaria.
Após algum tempo de espera, reparei que o senhor olhava fixamente para uma mulher jovem sentada a uma mesa contígua à nossa.
O corte de cabelo da moça formava uma espécie de crista tricolor: verde, lilás e azul.
O meu pai continuava a olhar insistentemente para a jovem, deixando-me pouco à vontade para lidar com o seu súbito interesse nela.
A rapariga olhava à sua volta de vez em quando e dava sempre com o olhar fixo e, aparentemente, inquisidor do meu pai.
Quando se cansou de ser observada perguntou-lhe sarcasticamente:
«Qual é o seu problema, avôzinho, nunca fez coisas malucas na vida?»
Conhecendo o meu velho como conheço os dedos das minhas mãos, engoli em seco, pois sabia como eram 'eloquentes', as suas respostas.
No seu estilo plácido, o troco saiu com prontidão:
«Olhe, minha menina, uma vez estava tão janado, tão janado, que fiz sexo com uma papagaia, veja bem! Por conseguinte, estava para aqui a congeminar se, por ventura, você é minha filha.»"

 

Circula na Internet. Desconheço a autoria.

ADULTÉRIO: DOIS CENÁRIOS PLAUSÍVEIS, DEPENDENDO DO PONTO DE VISTA

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NAQUELE DIA (I)

Estava de regresso a casa após uma ausência prolongada em viagens de negócios.
Ia ser, certamente, uma agradável surpresa para a esposa, mais a mais não sabendo que ele vinha a caminho, cheio de saudades e uma vontade inabalável de a tomar nos seus braços.
À medida que o táxi diminuía a distância entre o aeroporto e o doce lar, aumentava o seu entusiasmo e expectativa:

«Meu Deus! - pensou - Como eu desejo abraçá-la!...Ela vai ficar admiradíssima e radiante. Vai ser lindo...uma chegada de surpresa!»...
De repente foi assaltado por algum receio:

«E se ela não aguenta a emoção, meu Deus?!... Com aquele coraçãozinho tão frágil!»
Assim que o táxi o largou à porta de casa, abriu-a, meio nervoso, subiu as escadas pé ante pé e, quando se preparava para subir o último lance, escorregou inadvertidamente numa casca de banana, bateu com a cabeça num degrau, teve morte instantânea e faleceu logo a seguir.
Acordados pelo barulho, a esposa e o amante limitaram-se a constatar que efectivamente ele acabara de falecer após a morte. Aquele acontecimento trágico não os impediu de lhe darem um funeral condigno e gozarem até ao último cêntimo o seguro de vida contratado pelo morto falecido.

 

NAQUELE DIA (II)
Estava de regresso a casa após uma ausência prolongada em viagens de negócios.
Ia ser, certamente, uma agradável surpresa para a esposa, mais a mais não sabendo que ele vinha a caminho, cheio de saudades e uma vontade inabalável de a tomar nos seus braços.
À medida que o táxi diminuía a distância entre o aeroporto e o doce lar, aumentava o seu entusiasmo e expectativa:

«Meu Deus! - pensou - Como eu desejo abraçá-la!...Ela vai ficar admiradíssima e radiante. Vai ser lindo...uma chegada de surpresa!»...
De repente foi assaltado por uma dúvida pertinente:

«E se...?»
Assim que o táxi o largou à porta de casa, abriu-a nervoso e apressado, galgou os lances de escada de quatro em quatro feito um desvairado, transpôs o último, evitando uma casca de banana, abriu de supetão a porta do apartamento, dirigiu-se ao quarto e deparou com a cena clássica de adultério à qual a cultura judaico-cristã o havia habituado desde pequenino: a mulher colada ao amante, deitados na cama; na sua cama, enrolados no seu edredão, imaginem! Só visto, contado ninguém acredita!
Como o ciúme leva à loucura e geralmente ao homicídio - salvo quando leva ao suicídio - , não esteve com meias medidas. Sacou a sua Glock e apontou-a primeiro aos adúlteros. Porém, por razões antropológicas desconhecidas, virou-a para si e disparou pela seguinte ordem: cinco tiros no peito, dois tiros em cada olho, três na testa e os últimos três ligeiramente acima da nuca, estes sob consulta, pois esteve na dúvida entre disparar um na nuca e dois na barriga ou vice-versa.

O infeliz ainda esboçou um gesto de arrependimento pelo acto tresloucado, pois não planeara  tal desfecho, mas era tarde demais. De qualquer maneira isto tinha que acabar em tragédia, porque já não tenho pachorra para um terceiro cenário.
Assim, acabou por morrer imediatamente, não sem ter sofrido um bocadinho antes de falecer.

Aquele acontecimento funesto não impediu a mulher e o amante de lhe darem um funeral condigno, e gozarem até ao último cêntimo o seguro de vida contratado pelo morto falecido.

A GUERRA DAS LETRAS

 

As coisas iam de mal a pior no mundo das letras. Vivia-se uma espécie de paz podre. Havia muita corrupção, ganância, incompetência, intrigas, guerrinhas por dá cá aquela palha, os processos judiciais arrastavam-se ad aeternum, alguns prescreviam, culpavam-se estas, culpavam-se aqueloutras, havia a informação, a contra-informação, a desinformação, enfim, o costume numa sociedade onde os caracteres não se entendiam, apesar dos esforços de mediação de algumas letras maiúsculas preocupadas com a paz no mundo da escrita.
Um dia, a letra erre, na tentativa hegemónica de se assenhorear do mundo das letras, decidiu atacar as palavras sem aviso prévio. O mundo das letras foi tomado de surpresa porque não estava à espera de um ataque tão frontal, tão rápido e demolidor. Palavras como caraças, farófia, caramelo, paragem, parir, entre outras, passaram a escrever-se carraças, farrófia, carramelo, parragem, parrir, et ceterra. Porr outrro lado, surrgirram palavrras novas como, porr exemplo, porada, pora, guera, marar e outrras mais. A letrra erre decidirra atacarr as palavrras forrte e feio e não havia forrma de parrar esta ofensiva. Orra, toda esta situação estava a torrnar o mundo das letrras num autêntico baril de pólvorra, como erra esperrado e temia-se que este ataque gerrasse uma guera de prroporrções inimagináveis. Eis que, numa qualquerr alvorrada que já não sei prrecisarr em concrreto, a letrra xis lançou um contrra-ataque brrutal, dirrei mexmo, avaxaladorr. De tal modo que palavrrax como chiça, ou acesso, paxarram a escrreverr-xe xixa e axexo. Currioxamente, um xenerral de trrêx extrrelax dax forrxax da coligaxão até comentou: «Ah, querrem porada? Poix vão tê-la, pora, vão lá marar com outrrax! Têm muita farrófia, max a gente tirra ax maniax a exas carramelax, q'ax parriu, ó carraxax!»
A letga guê, que não ega tida nem assada nexta extóguia contugbada, acabou envolvida nexta guega xem xentido, e foi uma gande contuxão, quegue-xe dissegue contesão, pegdão, confução.
A guega xenegalixou-xe e em bgeve tognous-xe impoxível xabegue quaix egam ax letgax agueliadax e ax inimigax e foi o nabo dasss tgomentass pga excgebegue coissax con acessso, poga, cagalho! Abcesso, ssinaxexo, con sexo, quegue dixegue conessso, nexo, xixa!

AUSTRALOPITECO MARRECO QUADRÚPEDE VERSUS HOMO SAPIENS

australopithecus.jpgO australopiteco apercebeu-se da boa merda que o Homo sapiens fez à civilização e não perdeu a oportunidade para lhe jogar tal facto à cara:

«Escuta aqui, ó palerma: tu que presunçosamente te gabas de utilizar 90 a 109 por cento do Q.I. que herdaste do macaco, teu progenitor, podias ter-lhe dado melhor uso, não achas?»

Apanhado na curva, o Homo sapiens que tinha a perfeita noção da rivalidade existente entre aquela horripilante e estúpida criatura e o seu ancestral antropóide, sentiu ganas de esganar, já ali, o vil mostrengo. Porém, não fosse, naquele estádio, um ser muito complexo e altamente evoluído, não teria refreado os extintos primários adormecidos. Assim, numa atitude de altiva indiferença, a única coisa que lhe saiu, foi:

«Q'é que estavas a grunhir?»
«És, mesmo, um toino! - voltou o néscio com maus modos - Tu que tiveste oportunidades fantásticas de fazer coisas giras e porreiras para a malta, na verdade fizeste tudo ao contrário e foste inventar tretas como a roda, a emancipação da mulher, a televisão, o euro, os impostos, Portugal, et cetera! Tu és parvo ou fazes-te, hã? Se a malta estava satisfeita até ali; colhia o que queria do jardim da Celeste*; escolhia a fêmea que mais lhe apetecia no momento; não tinha que se preocupar com o IVA ou o IRS; não tinha que gramar o primeiro ministro ou o presidente da República a falarem ao mesmo tempo na RTP1, na SIC e na TVI, porque é que foste regurgitar essas aberrações, pá?!»
«Estás muito enganado, o meu pai nunca cobiçou fêmeas alheias!» - disse o sapiens, pouco refeito da provocação do pitecóide.
«Não percebeste, pois não, sapiens?... O teu pai - chamemos-lhe assim - sofria de disfunção eréctil irreversível, meu! Ora, se ele padecia de tal maleita, como é que foste concebido, se ainda faltam alguns milhões de anos para o advento do poder da concepção virginal por obra e graça do Divino Espírito Santo, hum!?»
«Desculpa lá, mas o meu pai era um excelente macaco!» - respondeu o sapiens, circunstancialmente.
«Está bem, e o meu era um babuíno bargante! - disse o piteco - Mas é o que tens andado a germinar que está em discussão e não o infeliz acaso de seres filho de pai incógnito. Portanto, passemos à frente. Sabes o que significa hipocrisia?»
«Parece-me que essa palavra ainda não faz parte do meu léxico; vou ter que memorizá-la para não me esquecer.» - disse o sapiens.

«Atrevo-me a dizer-te que não passas de um dissimulado e que sabes perfeitamente o seu significado. Fazes o que te convém, de acordo com as tuas prerrogativas! A sociedade do futuro será um somatório de todas as tuas vicissitudes, inclusive do teu egoísmo. Coisas simples como, por exemplo, o livre arbítrio, não precisam de regulamentos ou de convenções; são um direito universal! Percebeste, meu adunco?»
Sob tão pesado e persuasivo argumento, para mais com tão imaculada prosódia, naquele momento preciso, sapiens passava dramaticamente ao estado de curvilíneo perante a ascensão do australopiteco ao estatuto de bípede intelectual. É claro que esta mudança não se deu do dia para a noite, mas é só para avançar mais depressa porque isto está a ser secante e parece-me que esgotei o repertório. Vou rematar, embora não goste muito deste final. No entanto, tenho que terminar porque as pálpebras já me pesam e ainda adormeço.

Para concluir o diálogo com chave d'ouro, o piteco, lá do alto dos seus erectos, 1 metro e 52 centímetros, atirava para o fundo da baliza:
«Havia erva da boa; fruta; árvores; peixe; carne; uma fêmea para cada dia; sessões contínuas no Olímpia; o Benfica era Campeão europeu; o Ronaldo marcava uma porrada de golos pela selecção; não tínhamos de levar a toda a hora com o Paulo Bento ou com o Paulinho das feiras, enfim. Agora o que é que sobra? Temos que andar à procura de trabalho nas filas dos centros de emprego ou, então, fazer das tripas coração para que a mixaria que o patrão nos paga chegue para alimentar os putos; pagar a água; o gás; a electricidade e outras merdas essenciais. Isto, pelo menos, durante os primeiros 10 dias do mês.»

Quando já não conseguimos controlar a coisa, vamos para o gamanço, pois, então?!...

(*) O Jardim Celeste já neste período proto-histórico era um mito. Comprovou-se, através de datação por carbono 14, bastante anterior ao aparecimento da escrita, que o jardim era efectivamente da Celeste.

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Comentários recentes

  • Anónimo

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