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A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

A TORTO E A DIREITO

UM BLOGUE SEM PÉS NEM CABEÇA, A TRECHOS LÚCIDO, CONTUDO, TRANSLÚCIDO...MODÉSTIA À PARTE

ALTA INFIDELIDADE

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Você já experimentou construir um sistema de alta infidelidade, hi-infi (não confundir com wi-infi que, ao invés, é alta infidelidade sem fios),  em sua casa? Aposto que deve estar a pensar coisas do género: "este gajo julga que só ele é que percebe de bricolage" ou algo parecido.

Todavia, e longe de mim pretender armar-me em técnico de corrida, caso você seja um perito na matéria, saiba que há tipos que, embora tenham cana, não pescam nada do assunto e é a eles que dedico este artigo. Portanto, está dispensado de ler isto.

Ora, num sistema destes, com o indispensável emprego de tecnologia de ponta, tudo começa pelo amplificador estéreo integrado (não confundir com o meu último amplificador histérico que, após tanto histerismo, desintegrou-se totalmente).

Sem um amplificador com as características de um integrado não é possível dar música, acredite!
Antes de mais, pense montá-la (a alta infidelidade) nas próximas férias de Verão e tente convencer a sua sócia (esqueci-me de referir que este artigo é só para homens de barba rija e mulheres com pêlos no peito) a ir passar a primeira semana de férias a sós com os putos em Monte Gordo. É aconselhável o isolamento para que você se concentre integralmente (integralmente e integrado, está a ver a concomitância?) na execução da tarefa que proponho, para garantir a operacionalidade do equipamento e, obviamente, um excelente desempenho. Além de que é um serviço que dispensa muita gente próxima, barulhos, preocupações extra e também a chatice de ter de distribuir bordoadas a torto e a direito aos fedelhos, pois todos sabemos que os chavalos são uns turbulentos do caraças e deixam um gajo com os nervos em franja. Já agora, ela que leve o Alex e vá dar banho ao cão, não vá o bicho andar armado em cão com pulgas.
Está preparado? Então, 'bora lá!
Compre uma caixa de fósforos de cozinha "Quinas" (passe a publicidade), uma lupa, um compasso, tinta, pincéis e um disco de vinil de 78 rpm (vulgo "Long Play" ou LP) de rock alemão dos anos 60, estilo Krautrock(*).
Regresse a casa e pinte com esmero e minúcia a caixa de fósforos. A cor é ao seu gosto, mas para que tenha um aspecto realista, sugiro que a pinte de "black" ou "silver" (eh pá, desculpe lá, mas os inglesismos, neste contexto, até que não são desadequados).
Num dos lados da caixa pinte pontinhos, vermelhos ou azuis, a fingir que são luzinhas. Pinte também tracinhos, botões e botõezinhos. Em cima pinte uma grelha (não confundir com a gralha da sua sogra) a imitar a área do dissipador de calor.
Entretanto, faça um pequeno intervalo (coffee break em inglês, segundo o tradutor Google que eu de inglês pesco zero) e aproveite para telefonar à sua mulher, só para saber se está tudo bem; é de bom tom e ela vai pensar que você, apesar da ausência, está sempre com  ela e a canalha no pensamento.
Saia novamente, compre dois caixotes de papelão de 90x30x20 centímetros e um rolo de papel adesivo a imitar madeira. A cor, mais uma vez, é à sua escolha, mas aconselho um tom cárneo que é mais sensual e - acredite - consensual. Regresse a casa para finalizar o trabalho.
Forre os caixotes com a película autocolante, trace, com um compasso, três círculos de diâmetros distintos em cada um, correspondentes a três vias ( altifalantes agudos, médios e graves por ordem descendente) e pinte-os de forma convincente. Em seguida ponha a caixa de fósforos entre os caixotes, afastando-os previamente cerca de três metros e dezassete centímetros, pouco mais ou menos.
Saia outra vez e compre um gira-discos. Coloque-o ao lado da caixa de fósforos e ligue tudo entre si, tendo o cuidado de respeitar a polaridade das ligações (vermelho com vermelho e preto com preto). Lembre-se, também, que é preciso respeitar as impedâncias dos aparelhos ou seja: verifique a impedância dos caixotes em relação à impedância da caixa de fósforos. A dos caixotes tem de ser sempre igual ou superior à da caixa de fósforos e não me pergunte porquê porque não percebo puto de electricidade; tenha estes critérios em mente, sob risco da coisa explodir.

Depois de tudo prontinho, ligue para aquela giraça da repartição que, para além de giraça, é boa c'mo milho. Sim, aquela em que você está a pensar, seu bargante do caraças! Ou você pensa q'a malta não topa a vossa troca de olhares cúmplices? Convide-a para escutar rock alemão da década de 60 (Krautrock).
Se ela aceitar e quando chegar, é natural que o vá encontrar de lupa na mão e estendido no chão, mas isso é pormenor e estou convencido de que nem vai achar estranho. Pelo contrário, vai pensar que o conceito é muito excitante. Como tenho alguma experiência destas coisas da electrónica, apesar de empírica, sou capaz de jurar a pés juntos que vai seguir o seu exemplo, estendendo-se consigo, vai ver.
Ponha o disco no prato do gira-discos e olhe para a caixa de fósforos com a lupa. Como, nessa fase, já estão deitadinhos no chão e coladinhos, tenha o cuidado de desligar a luz do candeeiro com o dedo grande do pé direito (se for canhoto use o do pé esquerdo) e, sempre com o recurso indispensável da lupa, aumente o volume até ao máximo, só para testar o som.
O sistema nunca falha, revela-se de fácil manuseio e é, garantidamente, de dupla e alta infidelidade.
E olhe, nem de propósito: você já reparou que, hoje em dia, é tudo um venha a nós que chega a ser escandaloso? Não há gato sapato que não faça greve a pedir aumentos. Por outro lado e a meu ver, até é uma prerrogativa porreira que o 25 de Abril nos legou porque, para sermos realistas, quanto menos se protesta mais se ganha, n'é verdade?
Veja o caso dos nossos deputados, por exemplo...

 

(*) "Krautrock (Kosmische MusikKraut, ou ainda Krautwave) é um nome genérico atribuído às bandas experimentais na Alemanha do fim da década de 1960 e do começo da década de 1970. Originalmente era um termo utilizado de forma pejorativa pela imprensa musical inglesa, e acredita-se que tenha sido criado por ela a partir da expressão popular Kraut, que significa uma pessoa alemã, e por sua vez derivada do prato tradicional alemão chucrutesauerkraut (literalmente "repolho azedo").[1] No entanto, muito por causa do sucesso dessas bandas, o termo ganhou mais tarde um significado positivo, sendo atualmente visto como um título de reconhecimento ao invés de insulto.[2]"

Nota: Aproveitei o comentário do senhor João Cabral para introduzir esta nota explicativa acerca do "Krautrock" que inseri, aleatoriamente, neste post.

A fonte a que recorri, como habitualmente, foi a Wikipédia, dado que, de rock alemão das décadas de 1960/1970, tirando os Tangerine Dream e os Kraftwerk, cuja discografia não me é, de todo, estranha, pesco zero.

Impunha-se esta explicação e bem haja, senhor João Cabral, pelo reparo. Não fosse isso e deixava passar uma imprecisão cronológica.

O PAI NATAL

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A família estava sentada em torno da mesa farta, coberta pela linda toalha de croché bordada pela avó Etelvina ao longo dos últimos noventa e sete anos (é obra!).

Todos se deliciavam a devorar as tradicionais doçarias, próprias da quadra natalícia. Isto, sem terem dispensado o bacalhau com todos, regado abundantemente com azeite extra-virgem Galo (não confundir com azeite extra-virgem Gallo porque não me pagam para o divulgar; era o que faltava!).

Entretanto, sem que estivessem à espera de visitas, bateram à porta.

O chefe de família, visivelmente contrariado e apreensivo (pudera!), deixou cair da boca um pedaço de filhó, prontamente interceptado pelo cão de estimação.

Quem é que se lembraria de interromper um momento familiar tão particular, ademais sem ser convidado e pior: quase à meia noite?! Perguntou quem era:
«Sou o Pai Natal, boa noite e paz na terra aos homens de boa vontade! - foi a resposta do lado de fora - Pretendo ir para Boliqueime, mas, como está muito nevoeiro e escuro como breu, acho que me enganei no caminho. E eu que raramente me engano e agora estou cheio de dúvidas, valha-me Deus!»
«Eh pá, vai enganar outro, meu, essa já não pega! - exclamou o chefe de família, com a boca ainda muito cheia de filhó - Quem é que ainda acredita no Pai Natal, hã?»

«Eu!»- gritou, a criança, sem hesitar.
No entanto, apenas por descargo de consciência - afinal celebrava-se mais uma quadra de amor, fraternidade, solidariedade e coisas afins - , entreabriu a porta e todos (menos o menino) desataram a rir desbragadamente. Diria até indecorosamente (passe a redundância). Do lado de fora assomava-se uma figura tragicómica, quase tétrica, trajando um fato vermelho muito desbotado, com um barrete de cor condicente e umas longas barbas imundas e mal amanhadas, tal e qual o Pai Natal, só que chupado das carochas e aparentemente mal asseado. Ora, toda a gente sabe que o Pai Natal quer-se leitoado, lustrino e limpinho, o que não era o caso. Apesar de tudo, o pobre lá tentou ser o mais convincente que pôde:
«Embora seja difícil de acreditar, garanto-vos que sou o Pai Natal, juro, eu seja ceguinho!»
«Está bem; e eu sou o professor Marcelo!» - Respondeu, sarcástico, o primo Albino que até sofria de albinismo, embora nunca tivesse escalado, sequer, uma montanha. Mais a mais aquela do professor Marcelo até foi descabida porque é evidente que o homem é bem tisnado!
Feitos alarves, continuaram a rir-se do pobre velhinho que afirmava com toda a veemência, ser o Pai Natal...


Cansados de tanto rirem, deram-lhe meia dúzia de broas castelares e um euro, só para se verem livres dele. Além disso, o miúdo ficou muito assustado e confuso com a figura grotesca do Pai Natal. Para não dizer da avó Etelvina que esteve prestes a engasgar-se com uma passa entalada no gorgomilo, por causa da risota. Temendo que desse algum fanico à velha e lhes estragasse o Natal, fecharam imediatamente a porta na cara do pobre homem, tendo este ficado com as barbas entaladas.
Fatigado e muito triste com a falta de solidariedade das pessoas e da Pátria madrasta que o deixara com uma reforma tão miserável que nem lhe dava para as despesas, o Pai Natal deu corda ao burro (queriam renas em Portugal? Dah!) e lá foi a caminho de Boliqueime, afinal a sua terra natal, ao invés da Lapónia. Porra, o homem é cá dos nossos!

O PRESÉPIO

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Como é do conhecimento geral, o Presépio faz-se, tradicionalmente, na chamada quadra natalícia que, como também sabem, celebra o nascimento de Jesus. Logo, é uma quadra festiva onde os abonados gastam uma pipa de massa e os tesos fazem das tripas coração para os imitarem, em louvor ao Deus Menino.

Não é de estranhar que o Natal tenha sofrido fortes influências estéticas e simbólicas, no final do século XX e início do século XXI, devido ao chamado processo de globalização; pelo menos, cá no burgo, o Presépio deixou de ter a relevância que tinha antes da chegada desse fenómeno. Isto, sem embargo das modas que já cá existiam, importadas ou não, antes da informatização da sociedade.

Foram influências que ficaram, dominadas essencialmente por duas representações pictóricas ou conceitos estranhos à nossa cultura: o Pai Natal (ou São Nicolau) da Finlândia (e não só) e a "pagã" árvore de Natal, carregada de presentes (os actuais presentes ou pechisbeques de mau gosto que, teimosamente, se oferecem só porque sim, parecem simbolizar as ofertas dos três reis magos ao Menino Jesus), adoptada pelos nórdicos, nomeadamente, pelos anglo-saxões.

No entanto, há que referir que a tradição da árvore de Natal é muito anterior ao nascimento de Cristo, daí a sua associação a cultos que não seguiram o cristianismo ou à eterna mistura entre o sagrado e o profano...

Haveria muito para dizer acerca da tradição natalícia em geral e da nossa em particular. Todavia, penso que podem encontrar mais informação na Wikipédia que foi onde fui buscar esta síntese.

Em conclusão, se é um cristão convicto, daqueles que seguem religiosamente a tradição e que não faltam à missa do galo, já pode tirar do armário (não confundir com a expressão "sair do armário") o seu presépio; se não possuir um, há muitos à venda para todos os gostos e todas as bolsas.

Se tiver jeito para a olaria, tanto melhor. Sugiro, então, que obtenha barro q.b, molde as convencionais figurinhas à mão e coza-as no micro-ondas (ficam muito bonitas). Pode ser que ainda vá a tempo de descobrir a existência de uma veia artística escondida, algures, no seu âmago.

Vai ver que o Natal, assim, tem mais encanto e, já agora, desista da árvore de Natal; defenda a sobrevivência da nossa floresta e, sobretudo, preserve o nosso capital cultural se faz favor! Obrigado e Boas festas!

O PAGADOR DE PROMESSAS*

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- Prometi a todos os portugueses e portuguesas manter o preço dos novos passes Navegante, nesta legislatura, independentemente da sua cor política, credo, orientação sexual ou paixão clubista.

Penso que não discordarás do facto desta medida ter tido um grande impacto na economia das famílias e ter sido um sucesso. Afinal, tratou-se de uma promessa que concretizei, ainda, no decorrer do anterior mandato; prometi, também, uma revolução sem precedentes nos transportes colectivos como, por exemplo, mais comboios, barcos e autocarros (alguém disse que quando a fartura é muita o pobre desconfia); prometi, inclusive, um governo de continuidade (salvaguardadas as devidas distâncias políticas do slogan fascista "Evolução na Continuidade" da "Primavera Marcelista"); do mesmo modo, prometi um Banco Promocional Nacional (não confundir com o BPN) que é um banco bestial e, além disso, é amigo do ambiente porque é verde-alface; conjuntamente, prometi 12 mil novas camas para estudantes (e que tal outras tantas para os doentes do SNS? Isso era ouro sobre azul, pá!); imagina que até prometi aumentar o Complemento Solidário para Idosos (seria uma ajudinha - insípida, diga-se em abono da verdade - para ter acesso àqueles medicamentos dos quais se prescindiu há muito porque custam os olhos da cara); prometi, igualmente, diminuir a carga fiscal da classe média (e devolver o que o Passos e os agiotas da "troika" suprimiram aos vencimentos e pensões dos contribuintes dessa classe, "para não hipotecar o futuro de Portugal", é para quando?); prometi, também, mais crescimento, contas certas, emprego e, até, aumentar o salário mínimo para os 750 euros e sei lá que mais! O prometido é devido, mas foram tantas promessas que, se calhar, vou adiar isso lá para 2022, q'é q'achas?

- Fazes tu senão bem! Espera pelas próximas legislativas. Até pode ser que estejam mais próximas do que imaginas, já que escangalhaste a geringonça. Baralhas e tornas a dar um punhado de promessas, incluindo-o no próximo programa eleitoral. Como sabes, de promessas está o inferno cheio, mas não releves porque ainda há quem embarque. Meio mundo já esqueceu que lhe prometeste mundos e fundos e, enquanto o mundo for mundo, podemos continuar a prometer o melhor dos mundos porque esta gente, para além de estar habituada à pachorra e ao recato bovino, tem a memória curta. Ai, estes malvados pés!

 

* "O Pagador de Promessas é um filme de drama brasileiro do ano de 1962 escrito e dirigido por Anselmo Duarte.[1] É até hoje o único filme brasileiro e sul-americano a conquistar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França, um dos mais importantes prémios cinematográficos do mundo.[2][3] A película é baseada na peça teatral homónima do dramaturgo Dias Gomes.[1] Em Novembro de 2015 o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.[4]"

VINGANÇA NO WC

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A traição conjugal levou-me, de degrau em degrau, nada mais nada menos do que trinta e nove degraus, até este triste estado de desditosa solidão em que me encontro no presente (passe o pleonasmo).

No entanto, já fui muito feliz. Oh, se fui! Amava-a com todo o meu ser, alma inclusive! Pensava que tal sentimento era mútuo. Porém, "Erros meus, má fortuna, amor ardente" e o dela ausente...

A verdade, nua e crua (soava melhor, a verdade escondida ou, até, a verdade da mentira, mas que se lixe), "além de indecente, é dura de roer", como dizia alguém, não sei quem...

Nos primeiros sete anos de relacionamento amoroso, íamos sempre para a praia na última semana de Novembro porque o dinheiro não abundava. Ademais, sendo desempregado militante desde a primeira hora, era só ela a ganhar para os dois, pelo que tinha de usar muita parcimónia para equilibrar a coisa. Contudo, a pobre não se importava, coitadinha! Pelo menos aparentemente, pois nunca lhe vislumbrei um queixume; uma exigência; uma nota de desagrado ou um trejeito de enfado. Isto, não obstante ela ser muito trejeitosa, tenho que reconhecer. Mais a mais, tínhamos amor e a cabana dela e eu pensava que eram factores suficientes para alimentar a chama da paixão!

Sei que "amor e uma cabana" (expressão queirosiana) é uma ideia banal do amor romântico, mas, e daí? Eu acreditava piamente nela (na ideia), prontos (abomino a palavra "prontos"), q'é que querem? 

O idílio durou até ao dia em que vi a adúltera nos braços do Ilídio. É verdade, afinal havia outro, um gajo chamado Ilídio, um empata idílios do caraças. Foi num dia infeliz em que cheguei mais cedo a casa. Talvez, o dia mais lixado da minha vida, a seguir à morte do meu estimado cágado, Acácio.

Desorientado e com uma raiva mal contida, abandonei-a nesse mesmo dia (a casa) e aluguei um quarto na Buraca.

Embriagado no cálice da dor ("cálice da dor", xi, valha-me Deus!), passei amargurados dias e noites a fio, a imaginá-los no bem bom. Ele, um Dom Juan DeMarco de Canaveses, instalado na casa dela; a deitar-se na cama dela; a ver o CMTV (passe a publicidade) no LCD dela; a sentar o cu usurpador na sanita dela; a comer à tripa-forra, à borla e se mais houvesse. Que raiva!

Mas, prontos (olha, saiu-me!), o que lá vai lá vai e, graças a Deus, consegui um novo emprego. Fui despedido do anterior porque, com as espertinas constantes, só conseguia adormecer quando o sol se levantava. Deste modo, pegava sempre muito tarde ao trabalho. Mais a mais o patrão nem ia à bola comigo, apesar de  sermos adeptos do mesmo clube.

Agora, confesso que estou porreiro; trabalho nas instalações sanitárias de uma superfície comercial e ninguém me chateia, a não ser o cheiro fétido a urina que, às vezes, tenho que gramar. É a mania dos urinóis ecológicos sem água, é o que é!  Mas, avancemos porque o melhor está para vir e estou em pulgas para contar.

Ele, há coisas que não posso deixar passar em branco, apesar de não ser vingativo; nem pouco mais ou menos!

Ilídio, o intruso, frequenta regularmente o centro comercial onde trabalho e, naturalmente, costuma verter águas. Só que o faz com exagerada frequência e, cada vez que o faz, demora cerca de meia hora a despejar a bexiga. Sei, por portas e travessas, que tem uma próstata do tamanho de um melão de Almeirim. Além disso, e não é pouco, é surdo como uma porta, factor que joga a favor do meu intento.

Mas o que mais interessa para o bom desfecho desta estória, que é, afinal, a consumação do meu plano, é que nos cruzámos poucas vezes e, entretanto, mudei radicalmente a minha aparência, ainda que o gajo seja um cegueta do camandro.

Por precaução pintei o cabelo de louro e rapei aquela barba que me dava um ar de jihadista islâmico português (?!). Penso que são artifícios suficientes para fortalecerem o meu propósito. 

Ora, tenho andado cá a congeminar sobre a melhor forma de o concretizar.

Afinal, trata-se de um caso de justiça e de uma maneira exemplar de castigá-la pela violação do sagrado dever recíproco de fidelidade.

Um dia destes comprei três metros de fio eléctrico e instalei-o, discretamente, dentro do autoclismo, ligado ao botão de descarga. Todavia, pensei três vezes e concluí que podia falhar o objectivo se, no momento, houvesse falta de corrente eléctrica. Além disso, acontecendo tal imprevisto durante o acto da electrocussão, como é que eu ia justificar, perante a justiça, os olhos de carneiro mal morto do sacana do Ilídio? Podia ser a morte do artista, não acham? Como já conheço os hábitos dele, de ginjeira, sei que mais tarde ou mais cedo, quando lhe der a vontade de mijar, será uma questão de muito menos do que os trinta minutos que leva a fazê-lo, isso é quase garantido! Vai ser o tempo necessário para o empurrar pela sanita abaixo e descarregar o autoclismo. Querem vingança mais perfeita?

Por muito contraditório que vos pareça, mesmo não sendo de vinganças, quem mas faz paga-mas!

Assim, Deus me ajude a materializar a ideia.

SEXO NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA

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Os gregos foram, realmente, uns liberais, como os historiadores os pintam?

É plausível pensar-se que os romanos praticavam relações eurogenitais muito antes da criação da Zona Euro?

E todas as conjecturas que se têm feito acerca dos hábitos necrófilos dos egípcios? Têm, efectivamente, algum fundamento?

É quase risível aceitar a ideia de que os hunos cuspiam para o ar quando copulavam. Será que o faziam?

 

Regressado a um tema que me apraz, sobremaneira, escolhi estas quatro incertezas históricas ligadas a sociedades da antiguidade clássica que julgo representativas de civilizações que foram influentes em vários patamares da evolução humana e que me pareceram pertinentes, sem embargo do estilo fabulístico da narrativa. Julgo que este conjunto de povos ajudou a moldar os nossos costumes numa área que ainda consideramos restrita ou tabu.
Quanto às consultas que efectuei, é facto que pecaram por escassas, mas tenho a meu favor um álibi: é o medo, quase patológico, de frequentar bibliotecas por causa do cheiro intenso a lignina. Associado a esse medo vem a minha preguiça em folhear livros, com a agravante de ter uma rinite alérgica crónica. Já para não dizer do sacrifício que é botar cuspo nas pontas dos dedos. Isto, apesar da extensa bibliografia que podia percorrer, não fosse a indolência mental inata, aliada ao enorme esforço intelectual que teria de fazer. Assim, escolhi a Internet porque vem tudo condensado e, por conseguinte, é menos cansativo.

Por outro lado, também podia pesquisar em revistas da especialidade. Contudo, seria indigno se o fizesse porque, por exemplo, a Penthouse estava a milénios de existir em Atenas; a Playboy ainda não era vendida no Cairo; a Lui só apareceu nos quiosques de Roma depois de Cristo e os hunos, esses intratáveis broncos, supõe-se que liam revistas pornográficas dinamarquesas para conseguirem ter erecções. Isto porque as suas mulheres eram, supostamente, muito feias e gordas.
No entanto, pelo que me foi dado a ler, a conclusão a que cheguei, após análise exaustiva às práticas sexuais destas quatro civilizações, é que não diferiram substancialmente umas das outras e uma coisa é certa: os antigos já eram danados para a brincadeira, nomeadamente os romanos, a ponto de a internacionalizarem, com a introdução dos efémeros jogos sem fronteiras em que valia tudo menos tirar olhos. Muito mais tarde, os gregos seguiram-lhes as pisadas e introduziram uma variante desses jogos: as Olimpíadas do Sexo que duraram um ano bissexto.


Numa dada passagem, na Wikipédia, li algo que me despertou a atenção: Júlio César, como romano que era, também tinha gostos fora do vulgar: por exemplo, adorava comer baguinhos de uvas moscatel de Setúbal enquanto uma escrava lhe afagava a virilha direita. Todavia, fica-se sem saber se JC apreciava mais os baguinhos de uvas moscatel de Setúbal ou os afagos na virilha direita, mas isso também é irrelevante para a história; foi somente um aparte, peço desculpa.
E que dizer sobre o nariz de Cleópatra acerca do qual já escrevi? É consabido que Marco António tinha uma atracção compulsiva por aquela bela protuberância carregada de sensualidade...


Já um huno feio e peludo, completamente nu, devia ser uma visão desagradável, não? E uma múmia egípcia (não confundir com a famigerada "múmia paralítica" portuguesa) com cuequinhas de renda? Valha-nos Deus!...
Mas, tentemos botar um pouco de ordem neste texto eivado de reticências e referências dúbias ao comportamento sexual dos nossos ascendentes remotos e prossigamos, senão divago como é meu hábito.


No que diz respeito às relações amorosas desta gente, pelo pouco que pesquisei, julgo que os gregos eram, efectivamente, muito liberais. Basta mencionar Afrodite, sem esquecer, inevitavelmente, Eros, Anteros, Himeros e Pothos, os seus quatro filhos alados, uns Erotes que não negavam a sua proveniência divina. E é claro, Apolo que, para além de belo, também tocava lira para deleite dos cavalos de Eumelo (consta que Eumelo tinha ciúmes dos cavalos) e de Homero que o citou, apaixonadamente, na Ilíada. 

Finalmente, Paralellepípedon. Não tenho palavras para o descrever, tão rica e vasta é a sua obra a propósito da arte do sexo. De tal modo que Catherine Millet se baseou nela para escrever o seu polémico romance, hipoteticamente, auto-biográfico, "A Vida Sexual de Catherine M.".
Porém, os costumes sexuais variavam muito de cidade para cidade. Os espartanos, por exemplo, não queriam misturas, pois odiavam a concupiscência, a luxúria e eram atreitos a tibiezas; uns cinzentões do caraças! Por via disso, os rapazes eram enviados para escolas especiais, chamadas Androceus e as raparigas para os Gineceus. Pensa-se que Salazar teria copiado a ideia, muito mais tarde, criando escolas masculinas e femininas (outro aparte, peço desculpa).
Segundo alguns estudiosos das ciências comportamentais, estas medidas favoreceram a emergência da homossexualidade. Contudo, não fizeram com que a Grécia desaparecesse como civilização. Aliás, há teorias que revelam que esta separação dos géneros até foi benéfica, mas não me perguntem porquê e para quem!

Consta que um espartano, ginecófobo obsessivo, cujo nome foi apagado da história (terá existido?), decidiu formar-se em medicina como forma de contrariar tal fobia. Para tal, leu o  "Corpus hippocraticum" do Hipócrates (obviamente) e os estudos do Alfred Kinsey (não tão óbvio).

Sagaz, o rapaz, embora muito reservado, especializou-se em fisiologia e patologia dos órgãos sexuais femininos, para o que teve que percorrer vários Gineceus de Esparta, onde examinou com minúcia, como convinha, todas as raparigas. Terá sido deste modo que nasceu a Ginecologia. Não se sabe, ao certo, se o espartano ficou curado desse temor mórbido ao sexo feminino...


Em Atenas, as coisas eram mais tipo tudo ao molho e fé nos deuses do Olimpo. Gente de ambos os sexos, da mais nova até à mais velha, juntava-se à noitinha, junto à Acrópole, e dedicava-se a uma senda de promiscuidade sexual que faria corar Afrodite, se Ela tivesse, com efeito, existido. As colunas da Acrópole estavam pejadas de grafítis obscenos e no chão podia-se tropeçar nos mais variados objectos, utilizados na estimulação sexual, e até escorregar nos fluidos corporais! Isto, contado, ninguém acredita...

É claro que a autarquia ateniense encarregava-se de limpar tudo pela manhãzinha para estar tudo limpinho e pronto para o recomeço, na soirée seguinte. Era uma perversão total da moral e dos bons costumes, nunca vista nem imaginada. Um século mais tarde, os gregos viram-se gregos para erradicarem estes costumes dissolutos da sociedade. Até tiveram que pedir ajuda aos troianos, mandando vir o cavalo de Troika e tudo, imagine-se!...


Em relação aos egípcios, não pesquei grande coisa a não ser que tinham procedimentos assaz estranhos: andavam sempre de lado e a sua caligrafia era difícil de entender. Além disso era uma escrita papirosa c'mo catano! Demais a mais, construiram pirâmides com o bico para cima e não se livraram da fama de terem sido necrófilos, embora, como referi, só subsistam indícios. Contudo, o culto pelos mortos, deste povo singular, alimenta-nos a suspeita de que o prazer sexual obtinha-se à custa da profanação de cadáveres, preferencialmente múmias...


Os romanos, a par dos gregos, eram muito sofisticados. Diga-se de passagem que foram eles os verdadeiros precursores das orgias e dos bacanais, onde se comia, bebia e fazia-se sexo a torto e a direito, enquanto as legiões oprimiam os povos, como certamente, não constitui novidade. Afora isso, os romanos também não jogavam com o baralho todo. Exemplo dessa falta de cartas, era o facto de obterem prazer sexual à custa dos pobres cristãos que sacrificavam às feras ou dos gladiadores que se decepavam mutuamente nas arenas enquanto a populaça ululava de prazer. Um espectáculo triste e bárbaro que ainda hoje se repercute nas arenas de Portugal. A reacção é a mesma: é ver centenas de "aficionados" a exprimirem esgares de prazer sexual, quiçá orgasmos, enquanto assistem ao martírio de um animal acossado e a sangrar abundantemente. Mas, continuemos senão disperso-me novamente e não é meu fito, por hoje, escrever sobre um dos mais vergonhosos sortilégios perpetrados contra animais; com a agravante de fazerem parte da "tradição cultural" de um país...
Os romanos tinham fetiches muito excêntricos porque não havia mais nada para fazer em Roma a não ser cultivar a mandriice e o deboche; o trabalho era para os escravos.

Para não amolecerem com excesso de lazer, inventaram as guerras, indo travá-las para além das suas fronteiras. Aí, vinham ao de cima formas imaginosas e bizarras de não adormecerem durante os confrontos. Faço aqui uma referência, bem a propósito, às Guerras Púnicas, que foram três e julgo que duraram cem anos, mais coisa menos coisa. Eram umas guerras muito recreativas, em que romanos e cartagineses rasgavam as suas túnicas e ali, no campo de batalha, praticavam sexo puro e duro para gáudio e volúpia dos generais romanos, entre os quais destaco um legado chamado Gaudêncio Jacinto Prazeres das Dores que mandava punir (daí o carácter punitivo das Guerras Púnicas) imediatamente, por castração, o legionário que não consumasse o acto durante a "peleja". Ora, como é consabido, isso levou à queda do Império Romano porque, ao fim dos tais cem anos, o paradigma "em Roma sê romano" deu lugar ao paradigma "em Roma sê eunuco".

Naturalmente que, pela lógica, só lhes restavam as relações eurogenitais, mas, até hoje, associá-las a uma fase anterior à criação da Zona Euro, não passa de uma adução que até pode ser falsa...


Finalmente, os hunos. Que dizer dos hábitos sexuais desses bárbaros eurasiáticos, semi-analfabetos, capitaneados por Átila, um brutamontes que, curiosamente, só sabia contar até dez e com grande dificuldade?
Uma coisa parece ser certa: as hunas eram férteis à brava! Tão férteis que, diziam as línguas viperinas das sogras, eram capazes de engravidar só pelo cheiro ou seja: o huno aproximava-se da huna, cheirava-a e, caso não lhe cheirasse a chamusco, era tiro e queda.

Todavia, como referi, eram, presumivelmente, feias e gordas e isso exigia, para além de um excelente olfacto, uma grande dose de imaginação e muito estímulo por parte delas porque os gajos não tinham maneiras nenhumas. E era, em parte, por via desses estímulos, não se sabendo de que tipo, que ficavam prenhes e pariam às ninhadas.

Só assim foi possível criarem as famosas hordas de que se serviam para invadirem outros territórios.
Ainda assim, após pesquisa apurada e bastante aturada, não ficou apurado, tampouco provado, que os hunos cuspiam para o ar quando faziam sexo. É tudo o que posso afirmar a pés juntos e até, mesmo, ao pé coxinho.
Com isto, espero ter contribuído, mais uma vez, e reitero, sem fins lucrativos, para um maior conhecimento dos hábitos e costumes dos nossos ancestrais.

 

O BOATO

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Embora se aguarde, com alguma expectativa, uma confirmação oficial ou pelo menos oficiosa, tudo leva a crer que, em suposta reunião efectuada durante a semana passada, à porta fechada, na cervejaria Trindade (estava um calor do caraças e o pessoal ia cheio de sede), os comandos da Guarda Nacional Republicana (GNR), Polícia de Segurança Pública (PSP) e director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) tenham proposto o actual Ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, para a candidatura ao Prémio Nobel, não se sabendo ainda de quê.

Os presidentes da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) não se pronunciaram porque, na altura, ainda se encontravam a gozar umas merecidas férias nas Seychelles. Afinal, aqui tão perto; era só darem um saltinho, cambada de comodistas!
A Liga dos Bombeiros Portugueses, (LBP), pela voz do seu presidente, Jaime Marta Soares, já veio a público contestar esta proposta por a considerar escandalosa por via de algumas declarações infelizes do ministro, entre as quais destaco a seguinte: "A época de incêndios está a correr bem". Com efeito, isto são frases que chocam qualquer pessoa. Eu, como qualquer pessoa, fiquei chocado, palavra! Todavia, toda a gente também sabe que o JMS é um homem do contra, por isso não conta.
Na votação, após muitas canecas de cerveja e marisco do Eusébio, Eduardo Cabrita teria batido aos pontos os seus mais directos competidores, nomeadamente o Ministro das Finanças (MF), Mário Centeno, o Ministro do Ambiente e da Transição Energética (MATE), João Pedro Matos Fernandes e a Ministra da Saúde (MS), Marta Temido.
Não obstante ter-se encontrado facilmente um candidato, parece não haver um consenso geral (lógico, senão não era consenso) quanto ao Prémio Nobel a que Eduardo Cabrita se deverá candidatar, como referi.
Os delegados sindicais do Corpo de Intervenção da PSP, a despeito da força dos seus argumentos, não teriam logrado impor a tese segundo a qual o notável ministro se deveria candidatar ao Prémio Nobel da Paz.
No entanto, o comando da PSP, à margem da posição divergente dos elementos do sindicato, inclinar-se-ia para o Prémio Nobel da Física, devido à personalidade multifacetada do candidato. Isto, apesar de um dos seus representantes ter afirmado: "Não sabemos o que é a física, mas soa-nos bem."
A GNR que tinha apresentado, a princípio, a proposta de candidatura ao Prémio Nobel da Pecuária, acabaria por recuar para uma proposição "mais sensata", segundo o porta-voz da corporação que concluiu: "Se o andidato fosse o apoulas Santos, vá ue não vá! Assim, pensamos ue o Prémio Nobel da uímica assenta ue nem uma luva ao nosso ministro. Questionado sobre a razão da escolha desta opção, respondeu: "orque sim, prontos!", despedindo-se com aprumo e alguma altivez, batendo a pala e as botas (não confundir com a expressão inglesa "kick the bucket" q'isso é outra coisa) altas nas pedras da calçada do quartel do Carmo.
Finalmente, o SEF, defendendo uma posição de compromisso, propôs o ministro da tutela para o Prémio Nobel da Língua Estufada, já que EC seria, na opinião do director da instituição, "Um vernáculo representante e continuador da língua de Pina Manique."

Mas, como disse inicialmente, por enquanto isto não passa de um mero boato.

Como é consabido, Diogo Inácio de Pina Manique foi Visconde de Manique do Intendente que, no seu tempo, já era um bairro mal afamado. Contudo, não vou adiantar mais nada sobre o assunto, dado que viria a despropósito. Bem, só mais uma achega:

Dona Maria Pia, que nunca escondera a enorme devoção ao seu intendente-geral da polícia, mandou exumar o seu corpo, depois de morto e enterrado, para confirmar se não tinha ficado com olhos de carneiro mal morto. Para certificar o acto, na presença do Bispo Auxiliar de Lisboa, cujo nome é irrelevante para a estória, tiveram que lhe puxar pela língua e constataram que, para além de comprida, tinha a língua morta. Enfim, superstições, misticismos e outros desvarios do espírito humano, naturais naquela época e carecidos de razão, à luz do racionalismo cartesiano (agora esmerei-me). Graças a Deus que os tempos mudaram!

O PARDAL

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Intróito: Na gíria, é voz comum chamar pardal a um espertalhão, finório ou manhoso. Porém, não sei se o Pardal deste post se enquadra nestes adjectivos; o tempo dirá ou talvez não. Longe de mim julgar sem saber...

 
Pardal Henriques, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), um sindicato criado em 08 de Novembro de 2018, é o homem que deu a cara por um movimento que está a deixar os patrões dos transportes, empresas e a generalidade dos portugueses (inclusive, eu, naturalmente) à beira de um ataque de nervos. 
 
O governo da "geringonça", semanas antes do início da greve, não quis ficar à margem do acontecimento e também deu o seu prestimoso contributo para alimentar este clima de "nervoso miudinho", ao sugerir, a grosso modo, que a malta açambarcasse combustível e esvaziasse as prateleiras dos supermercados. No dia anterior à paralisação dos motoristas, foi o histerismo que se viu, nomeadamente nos postos de abastecimento de combustíveis. 
A grande questão é que, se esta greve não for resolvida nos próximos dias, sou obrigado a dar um certo crédito (não todo) ao Pardal, quando afirmou que esta coisa "pode durar dez anos, se for preciso". 
Por outro lado fico mais tranquilo porque penso que os pobres motoristas não vão conseguir sobreviver uma década com a subtracção diária de "quarenta euros" ao seu, supostamente, parco vencimento. Quando muito, poderão aguentar um lustro, mas, ainda assim...é só fazer as contas, como dizia alguém, não sei quem.
Em última instância o Pardal pode dar uma ajudinha aos motoristas do seu sindicato, vendendo o carrinho desportivo e passando a andar de trotineta. 
Entretanto, os pequeninos metem gasosa nos popós às mijinhas e os grandes atestam até verter pelas bordas, como não pode deixar de ser.
Se o Pardal continuar a ser casmurro (aparentemente, o São Bento é um verbo de encher), os pequeninos vão ter cada vez mais dificuldades em mijar para os depósitos dos carros, o que pode indiciar graves problemas nas respectivas próstatas...
Com a malta dividida acerca da legalidade constitucional das medidas tomadas pelo governo, surgiu a notícia (maliciosa?), em vários jornais e televisões, apontando este advogado como alvo de queixas por alegada má prática. Dizem que decorre, pelo menos, um processo contra ele no DIAP. No entanto, como São Tomé (o santo), tenho que ver para crer...
Contudo ou com quase tudo dito, de uma coisa tenho a certeza: não gosto da pinta deste advogado. Até pode ser um santo ao serviço dos motoristas de matérias perigosas, um santo muito moderno que só se desloca em Maseratis ou, eventualmente, trotineta, mas não me convence com o seu discurso teatral a extravasar drama e intransigência, disparando a torto e a direito, contra tudo e contra todos.
O mesmo se aplica aos santos apóstolos das intenções dos patrões dos transportes, também eles, penso que muito modernos e com uma consciência social admirável. De tal modo que, repentinamente, sentem-se muito preocupados com o "bem estar dos trabalhadores"...
Queiram desculpar, mas não ponho o cu no lume por estes tipos. Nem por uns, nem por outros; não os posso ver, nem pintados! Andam, sem excepção, a brincar com as nossas vidas e uma parte substancial de nós não consegue encaixar isso na tola; é o que eu penso, q'é que querem? Até posso estar errado, admito!
O moral de mais uma de tantas histórias lixadas da vida da Nação é que, quando o mar bate na rocha, quem se fode é o mexilhão; é a sua perpétua sina.
Prometo que volto a escrever sobre o assunto, se tiver vontade.

ISTO NÃO É UMA ESTÓRIA!

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Há algum tempo tive de deslocar-me, na companhia da minha mulher, a Amadora, uma cidade dormitório às portas de Lisboa, para tratar de assuntos de natureza pessoal.

Procurei, então, com alguma antecedência, um quarto para pernoitar, numa plataforma chamada "Booking".
Como qualquer cidadão (remediado) habituado a usar o dinheiro com parcimónia, busquei o hotel mais acessível tentando, na medida do possível, não descurar o mínimo indispensável para podermos dormir uma noite em paz e sossego e, naturalmente, privacidade total. Afinal, não se tratava de uma viagem de lazer e, como tal, só precisávamos de uma cama e uma casa de banho imaculadamente limpas. Uma exigência básica...
Após poucos minutos de pesquisa consegui encontrar o quarto: uma "pechincha" por 49 euros, com uma classificação mediana, numa "residencial" chamada Jardim da Amadora, que reservei de imediato sem tomar atenção (a idade já vai pesando nos neurónios) a um pormenor que qualquer pessoa, com o mínimo de bom senso, muito preza: um quarto com casa de banho privativa. Tomar banho e fazer cocó ou chichi, à vez, não fazem parte dos meus hábitos desde que saí da tropa e é ideia que a minha companheira também não concebe. É muita promiscuidade junta (passe a redundância)...

Quando chegámos à "residencial" que tinha escolhido para pernoitar, como disse, sem ter medido bem as consequências dessa opção "baratinha", deparámo-nos com uma cena surreal: junto à entrada da dita deambulavam uns gajos mal encarados, com garrafas de cerveja nas mãos; um cenário insólito e fortemente perturbador para mentes mais despertas. Nunca tínhamos presenciado nada disto à entrada de hotéis e pensões onde havíamos entrado até ali. No entanto, não demos grande importância ao facto, talvez, porque já vimos muita coisa extravagante...
Entrámos, fizemos o "check-in", o "recepcionista" pediu-nos a identificação e, enquanto fazia, supostamente, o registo da nossa entrada, fui observando o movimento na área circundante à recepção da "residencial".
Ao lado do balcão da recepção estava o que me pareceu ser o bar da "residencial" onde mais indivíduos de aspecto "chunga" beberricavam, aparentemente, em "alegre" confraternização. Alguns lançaram-nos olhares que não descodificámos de imediato. Porém, sentimos, mais uma vez, algum desconforto. Aliás, bem evidente no semblante da minha mulher.
O recepcionista, solícito, desejou-nos boa noite e assim subimos até ao quarto que nos tinham atribuído. À entrada do elevador, outro fulano, um suposto hóspede, olhou-nos de forma ostensiva...
Quando abrimos a porta do quarto é que deparámos com a idiotice que eu tinha cometido: um quarto com um armário, uma cadeira, um caixote de lixo, uma cama de casal e um plasma de parede. Tudo muito pouco iluminado e a cheirar a humidade misturada com o odor nauseabundo de um qualquer ambientador. No átrio com acesso aos quartos, penso que contámos cinco, uma casa de banho comum (um cubículo com cabine de duche, uma sanita e pouco mais, dado o espaço exíguo daquilo), na qual não reparámos de imediato, tal foi a necessidade urgente de metermos a chave na porta, pormo-nos à vontade e tomarmos um banho retemperador.
Havíamos reservado um quarto para dois adultos e uma criança e achámos estranho o facto de o preço não ter sofrido alterações, mas, mesmo assim, não relevámos e até louvámos a "generosidade" da dita "residencial".
A criança acabou por não ir connosco e em boa hora o acaso ou o destino quiseram que assim fosse...
É claro que, depois do choque inicial, a atitude mais sensata foi a que tomámos de imediato: demos meia volta, entregámos as chaves na recepção e, sem uma palavra, abandonámos aquele sítio pomposamente chamado "Jardim da Amadora".
Quanto ao dinheiro perdido (caro para uma dormida num espaço a cheirar a quarto de pensão rasca), escrevi à tal "residencial", em e-mail que enviei através dos dados fornecidos pela plataforma, que fazia de conta que o tinha perdido por uma boa causa que não a do dono ou donos daquilo. Naturalmente, não obtive resposta, como era previsível...

Ao Booking respondi mais tarde, no contexto daqueles inquéritos da treta a perguntar se o cliente ficou bem servido, para terem mais cuidado com as "ofertas" que propõem.

Passado tempo, conclui que o meu grau de insatisfação foi irrelevante para que o "Booking" faça uma distinção clara entre serviço hoteleiro decente e dormidas em "residenciais" duvidosas, dado que também não houve retorno...
Uma última palavra, esta de confiança: Não obstante a Amadora não ser o lugar ideal para visitar, pois não é uma terra atractiva, penso que tem algumas opções hoteleiras (poucas) dignas de uma boa e honesta dormida na maior das privacidades.

Temos que estar mais atentos às "ofertas" destas plataformas que, aparentemente, não são filtradas...

UM CASO INSÓLITO

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Este é um caso de tal forma insólito que até parece mentira! É verdade! Todavia, penso que é caso para admirar e, assim, animar as discussões de café no preciso instante em que passo a divulgá-lo, em primeiríssima mão, e é para já antes que se me varra!

Afinal, o caso não é para menos, dado que é caso raro, pois não abundam por aí casos como este, dada a sua singularidade (lógico, senão deixava de ser raro, valha-te Deus!).

Aconteceu outro dia, à luz do dia (imagine-se), na Rua do Ouro: Um cliente de um conhecido banco foi assaltado à mão desarmada, em plena via ourinária, pelo cofre forte do referido banco que, por acaso, não foi referido.
O meliante, não obstante o peso excessivo e a consequente dificuldade em andar, pôs-se rapidamente em fuga, após o furto das poupanças que o cliente transportava numa mala, as quais, como mais tarde referiu à autoridade, havia levantado até ao último tostão. Este último (não o tostão, mas o cliente), sem razão aparente, ficou atónito e, simultaneamente, estupefacto com a bizarra ocorrência. Pudera, até eu, mesmo sem razão aparente! Mas, do mal o menos porque não houve mortos e feridos e, mesmo que houvesse, alguém havia de escapar, como comummente se diz. Até porque, como se constatou à vista desarmada, o assaltante também agiu desarmado.
O cofre forte viu-se imediatamente perseguido por, nada mais, nada menos que duas polícias montadas (não confundir com o caso da Polícia Montada em canadianas, outra situação insólita e badalada que deixou muita gente perturbada) em bicicletas que, por feliz circunstância, faziam uma ronda pela artéria áurea (não confundir com a artéria aorta que vai dar à horta).
Já a noite ia alta, dir-se-ia que muito próxima do meio-dia seguinte ao assalto, quando foram finalmente capturados e presos preventivamente, a vítima do assalto, o cofre forte e as polícias, depois de devidamente desmontadas, estas por envolvimento emocional com o infractor.
Após a detenção foram mandados despir, a vítima do assalto e as polícias desmontadas (o cofre foi dispensado por uma questão de decoro) e, através dos métodos habituais, utilizados em casos idênticos: identificação documental e impressão genital (não confundir com impressão digital que é um método completamente diferente), constataram que o cliente do banco era do sexo feminino.
Somente o cofre ficou a aguardar julgamento em liberdade, sendo dispensado de apresentações regulares na esquadra da sua área de residência, devido à sua manifesta dificuldade de locomoção.
Mais tarde, apresentados ao tribunal da comarca, entendeu o juiz que o cofre forte do referido banco que, por acaso, não foi referido, era um caso com muito peso e, na circunstância, alegou não ter competência para o julgar, pelo que o processo seguiu os trâmites legais para um tribunal arbitral, por acordo entre as partes, com o auxílio prestimoso de duas gruas que se dirigiram, diligentemente, ao local.
Com respeito à pena aplicada às polícias montadas, dado o carácter "nimiamente emocional e obsessivo" do seu envolvimento com o cofre - segundo as palavras do juiz de primeira instância - , ficaram proibidas de contactar o arguido durante um mês. Esperava-se uma pena mais pesada, em face do acto irreflectido das polícias montadas, mas o magistrado foi um bocadinho complacente. De tal modo que, também ele, se deixou emocionar até às lágrimas com o relato comovente das agentes da autoridade, quando estas irromperam num pranto capaz de abalar a justiça mais cega; e em boa justiça o fez. No meio de alguns sem coração ou até com pêlos no coração, ainda há juízes com o coração mole, graças a Deus.
Entretanto, sem acórdão do tribunal arbitral à vista, o Ministério Público está hesitante em relação à pena a aplicar ao cofre forte do referido banco que, por acaso não foi referido, porque, sendo o infractor useiro e vezeiro neste tipo de atentados às bolsas dos depositantes, adquiriu uma grande dose de impunidade e, consequentemente, alguma imunidade judicial.
Relativamente ao grau de gravidade da pena aplicada ao cliente (perdão, à cliente), por ter levantado todo o dinheiro, é considerada, praticamente, uma pena com grau de gravidade muito elevado, pelo que deverá perder a esperança de obter algum retorno proveniente de depósitos futuros, de qualquer outra entidade bancária, convidativo à sua manutenção.
Em face destas perspectivas, nada animadoras, o procurador do MP sugeriu que a senhora guardasse o dinheiro debaixo do colchão e rezasse a todos os santinhos para não ser, novamente, roubada...

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